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Roberto Birindelli - O ator estreia dia 17 a segunda temporada da série DOM no Prime Vídeo

"A série DOM é a coroação de anos trabalhando com Breno Silveira. Foi a experiência mais incrível da minha vida". Birindelli é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana.

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Roberto Berindelli, 60 anos, nasceu em Montevidéu, no Uruguai, mas mudou-se para o Brasil aos 15 anos. Com formação em arquitetura, o ator tem longa carreira na televisão, cinema e teatro, tanto no Brasil como em outros países.

No teatro, passou a encenar na década de 1990 o monólogo “Il Primo Mirácolo” (de Dário Fo), com o qual viajou por mais de 150 cidades brasileiras e outros oito países.

Participou das quatro temporadas da série “1 X TODOS”, como o traficante Pepe, produzida pela Conspiração e exibida na Fox Premium do Brasil.

Por esse trabalho foi indicado como melhor ator coadjuvante (4T), pelo prêmio da indústria audiovisual latina PRODU 2020.

Além das 30 produções atualmente nas plataformas de streaming, o ator Roberto Birindelli comemora a chegada da segunda temporada de "DOM", que estreia no próximo dia 17, na qual ele vive o avô do protagonista.

Roberto é a Capa do Correio B+ desta semana com exclusividade - Foto: Freitas e Aramis - Diagramação: Denis Felipe/Denise Neves

"Esta série é a coroação de quase sete anos trabalhando com Breno Silveira. Foram cinco anos fazendo ‘Um contra todos’, que foi a experiência mais incrível da minha vida. E agora, mais um trabalho com Breno, com Gabriel Leone e toda a turma. Interpreto Paulo, um médico, o avô do Dom, um carioca dos anos 70. Então, o primeiro desafio foi o estudo da prosódia, como seria o falar carioca de época e depois, entender a dinâmica do Rio de antigamente, de um médico super correto, que tentava criar o filho da melhor forma, mas no final não foi tão correto assim. Grande parte das minhas cenas acontece com o pai do Pedro Dom, vivido por Flávio Tolezani. Ele cobra muito desse filho. Esta temporada tem cenas muito emocionantes do avô com o pai", conta o ator

Ainda este ano, Birindelli estará no Festival do Rio com o filme “Gauguin e o Canal”. Para dar vida ao pintor francês, ele não mediu esforços e dedicação.

Trabalhou na fluência do francês para poder ser crível no filme e, durante oito meses, se preparou com uma profissional especializada em Paul Gauguin, para que aprendesse a pintar como o artista. O longa, com roteiro e direção de Frank Spano, ganhou o prêmio Best Film da 76ª. edição do Festival de Salerno, na Itália.

CE - Roberto, você fez arquitetura, chegou a exercer a profissão?
RB -
Desde cedo, eu foquei no Urbanismo, e principalmente em Mobilidade Urbana. Cheguei, inclusive, a fazer palestras sobre o assunto em eventos de meio ambiente, como a Rio +20.

CE - Você também fez Artes Cênicas, se identificou com a profissão de imediato?
RB - 
Comecei tendo aulas de pintura e desenho aos 5 anos, no Ateneu de Montevidéu. Mudei com meus pais aos 15 anos para Porto Alegre (RS). Fiz faculdade de Arquitetura, e na faculdade tive um colega mímico, e comecei a trabalhar com ele.

Me interessei também por dança moderna e contemporânea, e fazia aulas direto. Escrevi livros de poesia marginal nos anos 80.  Depois, em rodas de poesia dramatizada. Daí pro teatro foi um pulo. Em Porto Alegre surgiu o Cinema, e curtas para passar na TV local. Em 2008, mudei para o Rio, porque surgiram convites de atuar em cinema e TV.

                            Divulgação TV Globo

CE - Você atua e dirige, tem preferência?
RD - 
Já dirigi uma ou duas vezes, mas não é muito a minha praia. Prefiro atuar.

CE - Você é de Montevidéu, por que veio para o Brasil?
RD -
 Em 1978, a situação em Montevidéu era crítica. Governo militar, sem perspectivas e um ambiente muito pouco livre ou acolhedor. Meus pais pensavam em mudar para Buenos Aires ou São Paulo. No fim, Porto Alegre foi a opção, em função das semelhanças culturais.

Os primeiros anos no Brasil foram bem duros, até em questão de subsistência. Lembro de meu pai – empreendedor, trabalhando 16 horas por dia - derramando lágrimas sem saber como sustentar a família. Eu estudava de manhã e trabalhava à tarde com ele.

Depois de anos, com as coisas já funcionando, ríamos das piores passagens. Sofri muito na escola por não falar a língua. Depois, nos grupos de artistas, isso foi se diluindo. Cheguei sem saber falar uma palavra em português, mas tenho certa facilidade com línguas. No ano seguinte, meu portunhol já estava aceitável. Depois de 2 anos, havia apenas um leve sotaque.

CE - Costuma voltar ao Uruguai?
RD -
 Bem pouco, quero ir mais. Tenho um irmão do coração que mora em Montevideu. Breve vamos festejar 50 anos de amizade e quero muito estar com ele.

CE - Roberto você ficou em cartaz por anos com a peça “II Primo Mirácolo”, o que acarreta a esse sucesso e o que significou?
RD - 
Essa peça era onde eu testava o que vinha pesquisando nas salas de trabalho e no treinamento de ator. Então, mudou muito ao longo do tempo. Mesmo porque o mundo mudou e eu também nesses 21 anos. Foi o trabalho que me abriu as portas em São Paulo e no Rio.

Como Josué - TV Globo

CE - Além do teatro, você é atuante no Cinema, onde fez entre seus trabalhos o sucesso O TEMPO E O VENTO, como foi fazer esse trabalho?
RD -
 Atuei em 55 filmes, dos mais variados gêneros. Mas O Tempo e o Vento é, talvez, a maior epopeia gaúcha, sempre um prazer lidar com esse conteúdo.

CE - Na TV Globo fez novelas de grande sucesso na emissora, entre eles o personagem Josué, como foi?
RD -
 Certamente, meu primeiro personagem numa novela das 21h. Dá uma abrangência maior. Apesar de, na época, eu já ter feito uns 25 filmes, o grande público não conhecia o trabalho que eu vinha desenvolvendo.

Quando Aguinaldo Silva mandou um e-mail perguntando se eu toparia fazer o Josué, quase nem acreditei. Já tinha trabalhado com Papinha (o diretor Rogério Gomes) em A Teia. Foi uma grande oportunidade, um super presente do Aguinaldo. O reflexo disso nas ruas foi imediato, me paravam na rua principalmente para parabenizar.

Muitos homens vinham me parabenizar pela atuação e pela relação de amizade e fidelidade entre Josué e o Comendador. Homens que se sentiam identificados com a trama, o que não é comum em folhetins. E que podiam estufar o peito e dizer sem vergonha que assistiam novela. Isso era relativamente novo!

Mesmo na reprise teve muita repercussão. Foi de fato um divisor de águas, onde o grande público conheceu o trabalho que eu vinha desenvolvendo havia algumas décadas.

                                    Bastidores - Instagram Reprodução

CE - A segunda temporada de DOM está chegando no dia 17, o que podemos esperar de seu trabalho na série?
RD -
 Esta série é a coroação de quase sete anos trabalhando com Breno Silveira. Foram cinco anos fazendo ‘Um contra todos’, que foi a experiência mais incrível da minha vida. E agora, mais um trabalho com Breno, com Gabriel Leone e toda a turma. Interpreto Paulo, um médico, o avô do Dom, um carioca dos anos 70.

Então, o primeiro desafio foi o estudo da prosódia, como seria o falar carioca de época e depois, entender a dinâmica do Rio de antigamente, de um médico super correto, que tentava criar o filho da melhor forma, mas no final não foi tão correto assim. Grande parte das minhas cenas acontece com o pai do Pedro Dom, vivido por Flávio Tolezani. Ele cobra muito desse filho. Esta temporada tem cenas muito emocionantes do avô com o pai"

CE - Esse ano você estará no Festival do Rio com o filme “Gauguin e o Canal”, onde viveu um pintor francês. Como foi se preparar e fazê-lo?
RD - 
Um dos trabalhos que exigiram mais preparação. Foram oito meses com uma coach de pintura, online, especialista em Chicago, para me aproximar da técnica do Gauguin.

Tive também aulas de francês e todos os ensaios online com o diretor, que estava em Madrid. Tudo isso durante a pandemia.

Este filme já ganhou o prêmio Best Film da 76ª. edição do Festival de Salerno, na Itália. Estou muito ansioso para a estreia no Brasil.

CE - Consegue dividir com a gente um momento marcante na sua carreira?
RD -
 Com certeza o abraço que recebi de Breno Silveira quando terminamos as gravações de UM CONTRA TODOS. Tudo nessa produção foi muito marcante pra mim, formamos uma grande família.

CE - O que acha da indústria de streaming?
RD -
As séries chegaram no Brasil com um certo atraso, mas já tomaram conta. E o streaming é a evolução natural, veio pra ficar. Cada espectador monta sua grade, com seu mix de conteúdo no momento que ele quiser. Quem não migrar para estas plataformas em breve trabalhará apenas para uma pequena parcela do mercado.

                                     O TEMPO E O VENTO - Divulgação

CE - Algum personagem ou trabalho que tem muita vontade fazer?
RD -
 Eu queria mesmo fazer um filme de super-heróis, mas não como os da Marvel. Gostaria que fosse algo como o Chapolin Colorado, adulto, um drama mesmo. Interpretar um cara mergulhado em dificuldades, que nem tem como pagar aluguel mas mesmo assim tem que salvar o mundo. Seria fantástico.

CE - Um momento que gostaria de reviver em sua vida...
RD -
 Eu gostaria muito de visitar Colonia del Sacramento, no Uruguai. Passei minha infância lá e sinto que devo isso às minhas memórias.

CE - Você não atua somente no Brasil, mas sim fora também. Em que países já atuo e nos fale sobre seus trabalhos fora...
RD - 
Já trabalhei em um grupo italiano de teatro. Apresentei em Roma, Estocolmo e em outras cidades europeias. Também fiz teatro no Uruguai, na Argentina e no Chile.

Filmei algumas vezes no Panamá, na Colômbia, Argentina e, também, no Uruguai.

É muito legal ver as lógicas diferentes de produção e do fazer artístico. Encaro tudo como um aprendizado.

                             O Sétimo Guardião - TV Globo

CE - Uma inspiração...
RD - 
Aprendo demais com meu filho Carlo. Com a relação que ele tem com a música, sua maneira de compor e produzir me emocionam e me inspiram.

CE - E a indicação como melhor ator coadjuvante pelo prêmio da indústria audiovisual latina PRODU 2020?
RD -
Ah, foi justamente pelo PEPE, de Um Contra Todos. É muito legal a abrangência que essa série teve. Também foi indicada quatro vezes ao EMMY.

E pensar que quando terminamos a primeira temporada nem havia perspectiva de ter outra. A produção de séries mal estava começando no Brasil. Um dia Breno juntou a turma e avisou, “Fox pediu outra temporada, bora lá?”.

Anos depois, várias indicações ao Emmy, muito retorno lindo de vários países da América Latina. Me enche de orgulho.

CE - Como é a vida do Roberto fora do trabalho?
RD -
 Sou bastante caseiro. Adoro ficar em casa com meu filho e assando um churrasco com os amigos. E sempre com um bom vinho por perto, claro.

CE - O que mais gosta na sua profissão?
RD -
 Me encanta poder entender cada vez mais a respeito do ser humano e todos as suas nuâncias. Gosto da oportunidade de aprender com o outro

CE - Novos projetos?
RD - 
Tenho três longas vindo por aí, assim que terminarem de captar já vamos começar a rodar. E tem o projeto, para o qual também estamos captando ,de um centro cultural na Gávea, no Rio de Janeiro.

                                               Apocalipse - Divulgação

 

Sesc Teatro Prosa

Semana do Cinema terá exibição gratuita de quatro filmes nacionais em Campo Grande

A programação começa na terça-feira (18) e segue até o dia 21 de agosto, no Sesc Teatro Prosa

16/08/2026 16h02

Saudade fez morada é um dos filmes que serão exibidos

Saudade fez morada é um dos filmes que serão exibidos Foto: Divulgação

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Entre os dias 18 e 21 de agosto, a Semana do Cinema reunirá quatro filmes brasileiros em Campo Grande, com sessões gratuitas, no Sesc Teatro Prosa. Os ingressos estão disponíveis pelo Sympla.

A programação começa na terça-feira (18), às 14h, com o Cine Maturidade e a exibição do documentário “Amazônia, a Nova Minamata?”, dirigido por Jorge Bodanzky.

 

A sessão é direcionada especialmente ao público 60+ e terá bate-papo mediado após o filme. O filme tem 75 minutos de duração e classificação indicativa de 10 anos.

Lançado em 2024, o documentário acompanha a luta do povo Munduruku contra os impactos do garimpo de ouro em seu território e aborda a contaminação por mercúrio na Amazônia. A produção estabelece uma relação com a doença de Minamata, identificada originalmente no Japão após um grave episódio de contaminação ambiental por mercúrio.

Na quarta-feira (19), às 19h, será exibido “Saudade Fez Morada aqui Dentro”, de Haroldo Borges. O filme é de 2022, tem 109 minutos e classificação de 14 anos.

O longa acompanha Bruno, um adolescente de 15 anos que vive em um ambiente marcado pela cultura machista e precisa lidar com uma doença degenerativa que provoca a perda gradual da visão. Em meio às transformações da adolescência, ele passa a enxergar as relações e diferenças sob uma nova perspectiva. 

A programação continua na quinta-feira (20), às 19h, com “Colegas”, dirigido por Marcelo Galvão, que tem 94 minutos de duração e classificação indicativa de 10 anos.

O filme conta a história de Stallone, Aninha e Marcio, três amigos com síndrome de Down que vivem em uma instituição e, inspirados pelos filmes que assistem, decidem partir juntos para realizar seus sonhos.

Lançada em 2012, a produção mistura aventura e comédia ao acompanhar a viagem dos três amigos e a perseguição policial desencadeada pela fuga.

Encerrando a Semana do Cinema, na sexta-feira (21), às 19h, o público poderá assistir a “Kasa Branca”, de Luciano Vidigal. O filme, lançado em 2024, tem 95 minutos de duração e classificação indicativa de 16 anos.

O longa acompanha Dé, adolescente da periferia da Chatuba, no Rio de Janeiro, que descobre que sua avó, Almerinda, está na fase terminal da doença de Alzheimer. Ao lado dos amigos Adrianim e Martins, ele busca aproveitar o tempo que ainda tem com ela.

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com a atriz e escritora Ana Jeckel

"Sinto que, cada vez mais, as novas gerações estão sentindo falta de uma vida que não viveram, de um tempo em que não eram nascidos. Uma nostalgia da vida analógica, fora das telas"

16/08/2026 13h30

Entrevista exclusiva com a atriz e escritora Ana Jeckel

Entrevista exclusiva com a atriz e escritora Ana Jeckel Foto: Divulgação

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Ana Jeckel é um novo fenômeno da literatura juvenil. Com 25 anos, seu sexto livro “Kiwi e os Garotos Perdidos”, lançado em junho, já ficou em primeiro lugar em algumas categorias de mais vendidos da Amazon e já foi para sua segunda tiragem.

E, durante a Feira do Livro de São Paulo, conquistou o 3º lugar dos mais procurados de todo o catálogo da Editora Rocco. Inclusive, no mesmo evento, a gaúcha foi a segunda autora mais vendida, ficando atrás apenas de Clarice Lispector.

Agora, Ana Jeckel vai participar de vários eventos na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em setembro. A escritora estará no estande da Rocco nos dias 5 (às 13h) e dia 13 (às 14h) fazendo tarde de autógrafos de “Kiwi e os Garotos perdidos”.

O livro conta a história de Nalu, um rapaz que se muda para Ilhabela e junta seu grupo de amigos de infância para ir atrás de um tesouro pirata escondido na ilha. Voltada para o público adolescente, a obra aborda temas como amizade, luto e a dificuldade de crescer.

Também na Bienal, em setembro, Ana Jeckel vai participar de uma mesa do estande da Skeelo no dia 8 (às 16h) e estará no estande da Editora Flyve para o lançamento de “Nadia Keane 5: A Maldição de Olho-Rubro”.

O livro conta sobre Dimitri, um garoto que é resgatado sem memórias por um navio pirata. Entre os temas abordados estão liberdade, aventura e pertencimento, além de descobertas pessoais e a busca de seus sonhos. A obra faz parte da coletânea “Nadia Keane”, que já vendeu mais de 15.000 cópias.

Com 8 anos de carreira artística, Ana Jeckel também é atriz e já participou da série “Tudo Igual… SQN”, do Disney+ , e da série “Juacas”, do Disney Channel. No Youtube, protagonizou a websérie “May@“, que lhe rendeu indicações a prêmios na Itália (vencendo como Melhor Atriz do Digital Midia Festa em 2022), na Asia e no Brasil. Seu último trabalho atuando foi no filme “Talismã”.

Ana Jeckel ainda é cantora e compositora e já lançou algumas músicas. Seus clipes podem ser vistos no seu Instagram e no Youtube. Já as canções estão disponíveis em seu canal no Spotify.

Ana é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana e em entrevista ao Caderno ela fala sobre sua carreira, literatura e Bienal do Livro.

Entrevista exclusiva com a atriz e escritora Ana Jeckel Ana Jeckel é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Márcia Molina - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Ana Jeckel está vivendo um momento profissional de muito sucesso. Seus livros estão nos mais vendidos da Amazon e entre os mais vendidos do catálogo da Editora Rocco. Como recebe essas notícias com apenas 25 anos de idade? E como elas impactam na sua carreira de apenas 8 anos?
AJ -
 Estou muito feliz de poder acompanhar números tão bons na minha primeira publicação com uma Editora Tradicional. Muitos que me conheceram agora diriam que é "sorte de principiante", talvez ignorando toda a minha carga que veio antes disso.

Foram 8 anos até hoje de aprendizados na publicação independente, muita luta e esforço para ganhar espaço no mercado editorial, então é extremamente gratificante perceber que essa dedicação ao longo dos anos está dando resultado.

Sinto que é só o primeiro passo, o começo de uma nova fase. 8 anos de carreira... quer dizer, ainda sou um bebê! Tenho muitos livros ainda para escrever para me consolidar como uma grande autora nacional e isso é muito estimulante para mim. 

CE - Recentemente, você foi a segunda autora mais vendida na Feira do Livro, de SP, só ficando atrás de Clarice Lispector. Qual a sensação de estar já estar entre os nomes mais procurados da literatura brasileira? 
AJ -
 É surreal! Fui descobrir só muitos dias depois e fiquei chocada. Estamos falando de Clarice Lispector, a autora mais vendida da Editora Rocco, então ficar ao lado dela é uma honra sem tamanho.

É muito bom poder ver que finalmente, com meu novo livro "Kiwi e os Garotos Perdidos" indo para as grandes livrarias e eventos, o meu nome passou a um peso diferente. As pessoas estão apenas começando a ouvir falar de Ana Jeckel... mas quero aproveitar o momento para conquistar cada vez mais esse espaço.

CE - Em breve, você vai a Bienal do Livro, em SP. Como é para um autor poder participar de um evento tão grandioso? E qual a importância de estar frente a frente com seu público autografando suas obras?
AJ - 
A Bienal do Livro é um evento totalmente diferente de todos os outros, então sempre é muito gratificante poder participar. Leitores de todos os cantos do Brasil viajam horas, às vezes dias, para poder me encontrar por alguns minutos e autografar seus livros, e isso não tem preço para mim.

Cada história me emociona. É poder estar de frente com tudo aquilo que sempre se desejou. O processo de escrita de um livro sempre é muito solitário... e quando ficamos sabendo que um título que escrevemos está vendendo bem, milhares de cópias, não conseguimos ter a dimensão do que significam esses números até estarmos de frente com milhares de rostos.

Milhares de jovens que vem me abraçar, chorando, me presenteando com desenhos e artesanatos feitos por eles, simplesmente para me agradecer por ter mudado a vida deles com o meu livro. É nessa hora que sei que o que eu faço é mágico. E é esse sentimento que guardo no peito todos os dias.

CE - Onde busca inspiração para escrever suas obras? Como faz suas pesquisas?
AJ -
 As inspirações surgem como os carros passam na rua. Nunca se espera quando vão surgir de uma curva, mas às vezes te atingem em cheio, quando você menos espera.

Quando estou no banho ou prestes a dormir, me vêm diálogos completos na cabeça ou uma ideia totalmente nova para um livro novo e eu preciso mantê-la viva na minha mente até conseguir escrevê-la no papel para não esquecer.

Gosto muito de viajar também, abrir os meus horizontes para novos mundos, novas percepções, culturas e paisagens nunca antes vistas por mim. Não há melhor inspiração do que abrir os olhos e simplesmente observar o mundo ao nosso redor. E claro, leio muitos livros, estudo, ouço músicas, assisto a filmes. Repertório é tão importante quanto. 

CE - E como surgiu seu interesse por escrever? Como escolheu se dedicar aos livros para o público jovem?
AJ -
Sempre gostei muito de escrever, desde que sou criança. Sempre foi a minha melhor ferramenta de comunicação e eu amo contar histórias e inventar personagens e universos desde que posso me lembrar como gente. O amor pelo público jovem vem pela minha própria experiência como leitora.

Ainda consigo lembrar da sensação mágica de abrir um livro de fantasia e aventura quando eu tinha doze anos de idade. A pré-adolescência e a adolescência são fases complicadas, muitas vezes solitárias, e o que eu mais prezo é que os meus livros possam ser, acima de tudo, um refúgio para esses jovens.

Que meus personagens se tornem amigos deles e que eles possam sorrir quando estão lendo. Gosto de escrever aquilo que eu gostaria de ter lido aos treze anos de idade. 

Entrevista exclusiva com a atriz e escritora Ana Jeckel Ana Jeckel é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Márcia Molina - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Como é escrever para um público cada vez mais conectado?  Qual o segredo para despertar o interesse dos jovens pela literatura?
AJ -
 A gente se engana quando acha que o jovem não gosta de ler. Sinto que, cada vez mais, as novas gerações estão sentindo falta de uma vida que não viveram, de um tempo em que não eram nascidos. Uma nostalgia da vida analógica, fora das telas.

De histórias que conectem de verdade. Claro que a teoria e a prática são muito diferentes, porque preciso usar dos artifícios atuais para vender o meu livro que vende essa nostalgia.

Utilizo muito das redes sociais para a minha divulgação e foco muito nas referências que eu tenho em comum com o meu livro, como por exemplo, "Piratas do Caribe" e a série de livros de "Percy Jackson e os Olimpianos".

Então eu vendo a ideia de que, se eles gostam dessas coisas, provavelmente também gostarão do meu livro. E claro, eu vendo a ideia do pertencimento. Em um mundo tão "conectado", mas tão solitário que vivemos hoje em dia, tudo o que queremos é pertencer a um lugar, uma tribo, um grupo de amigos que gostem das mesmas coisas que nós.

Já perdi as contas de quantos jovens se tornaram melhores amigos por conta dos meus livros, em eventos presenciais e até em grupos on-line. Isso é sensacional!

CE - Temos visto cada vez mais livros sendo transformados em produções do audiovisual. O que você pensa sobre isso? Sonha em ver suas obras na TV e no cinema?
AJ - 
Meu grande sonho! Como sou atriz de profissão antes mesmo de ser escritora, na hora de escrever uma história, uma cena ou um diálogo, eu penso em audiovisual.

Eu imagino a movimentação dos personagens como se fossem atores e escrevo os capítulos em formato de roteiro antes de passar para prosa. Então, sinto que é uma questão de tempo para que as minhas histórias, que nascem para a televisão e o cinema, mas são destinadas a se tornarem livros primeiro, conquistem outras mídias. 

CE - Você também é atriz, cantora e compositora. Pensa em voltar a fazer trabalhos nessas áreas? Pensa, inclusive, em escrever algo para você mesma atuar? 
AJ - 
Sinceramente, nunca amei tanto uma arte como amo a escrita. Meus olhos brilham de uma maneira que não brilhavam na atuação ou na música antes.

Mas não quero deixar essas partes de mim de lado, muito pelo contrário. Quando estou escrevendo, estou atuando também. Estou me colocando no papel de cada personagem para imaginar como ele está agindo em cena. E sobre a música, eu componho para os meus livros.

Alguns deles têm letras escritas e cantadas pelos personagens nas páginas e eu até ensino os meus leitores a cantar também! É muito legal. 

Atualmente não penso em escrever algo somente para que eu possa atuar, mas nunca se sabe. Gosto da ideia, uma vez que sou uma super fã de Phoebe Waller-Bridge e da série Fleabag, que nasceu justamente assim. 

CE - Quais seus sonhos profissionais? Já tem ideias para novos livros?
AJ - 
Meus grandes sonhos profissionais são ver os meus livros se tornando obras audiovisuais e poder publicá-los em outros países também. Quero que as minhas histórias conquistem o mundo. Tenho leitores de e-books no Japão!

Quero que eles possam ter os meus livros físicos em mãos também. Tenho muitos potenciais leitores em Portugal e nos Estados Unidos também. Se algum dia eu puder ver as minhas histórias traduzidas por aí, vou me sentir verdadeiramente realizada.

Sobre ideias para novos livros... eu tenho dezenas! A dificuldade é escolher qual será a próxima que eu vou escrever, porque todas são tão interessantes que eu tenho vontade de escrevê-las todas de uma vez. 

CE - E o que Ana Jeckel gosta de ler?
AJ - 
Gosto de ler um pouco de tudo, mas sou uma grande fã de suspense e mistério, nascida no mesmo dia que a nossa rainha Agatha Christie. Um gênero que, sinceramente, acho que nunca serei boa o suficiente para escrever. Amo ler os clássicos também.

Meus livros favoritos são "Peter Pan e Wendy" de J. M. Barrie, "Capitães de Areia" de Jorge Amado,  "O Código da Vinci" de Dan Brown e "The Outsiders: Vidas Sem Rumo" de S. E. Hinton. Pode-se dizer que sou louca por histórias de jovens desajustados tentando encontrar seu lugar no mundo.

Atualmente estou lendo "Mulherzinhas" de Louisa May Alcott e, para citar alguns autores contemporâneos, sou uma grande fã de Rebecca Kuang, Donna Tartt, Maggie Stiefvater, V. E. Schwab e Holly Jackson. Todas são escritoras incríveis em quem eu me inspiro muito.

Mas talvez a minha maior inspiração seja Rick Riordan, o escritor que moldou a minha juventude com seus livros de adolescentes lutando contra monstros mitológicos e mergulhando em aventuras épicas

 

 

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