Tenho uma curiosidade sobre meus pares com mais de 60 anos. Qual a designação vocês preferem quando as pessoas – e a mídia – se referem a vocês? Terceira idade, melhor idade, idoso, velho ou o famigerado NOLT ((New Older Living Trend) que significa “Nova Tendência de Viver a Maturidade” ou “Nova forma de viver o envelhecer”?
Em outra crônica falei sobre a expressão NOLT que, na minha opinião, é só mais um modismo para atenuar a velhice. Eu prefiro velha mesmo, acho que idoso é uma palavra estigmatizada. Volta e meia leio nos jornais “... um idoso de 63 anos). Aos 63 eu ainda carregava a esperança de ser jovem, ainda não havia sinais externos de senectude. Digamos que eu estava na primavera, certa de que o outono ainda demoraria muito para chegar.
Aos 65 as coisas começaram a desandar. Para começar, uma coroa de fios brancos se instalou na cabeça, com a flacidez evidente nos braços, as rugas intermitentes também, passei – com razão, a ser chamada de dona. E nem adiantava minhas súplicas para que não o fizessem. Ah! É questão de respeito - me diziam. Continuo sendo chamada de dona, mas ao invés de reclamar, faço cara de paisagem.
Também não posso reclamar das pernas, elas me levam a todos os lugares, mas a musculatura já não é a mesma. Costumo dizer que são uma espécie de plissê. No entanto, para quem nunca se aventurou na academia, nem faz exercícios regularmente, este é o saldo da displicência. O rosto, embora os cuidados sempre fizeram parte da minha rotina, também já acusa o golpe. A linha da face já não aguenta mais o tempo e a cada dia cai um pouquinho. E não, não vou fazer nenhum procedimento. E nem preciso enumerar os motivos.
Com 68 anos posso me considerar uma pessoa de muita sorte. Meu manequim é o mesmo dos 30. Valeu todo o cuidado com a alimentação. Não me esqueço da frase que um dono da banca de revista (ainda existem bancas) em Brasília, há anos, disparou: “Pode até ser velha, mas não pode ter barriga”. Na época eu não tinha. Mas já não posso dizer o mesmo agora. Uma leve protuberância já se instalou na minha e aparece sob a roupa. Ou seja, nem adianta esconder. Ainda bem que o dono da banca não está por aqui.
Mas voltando a pergunta inicial, qual seria a melhor designação para quem passou dos 60? Um colega jornalista foi enfático: o certo é “pessoa idosa”. Talvez ele esteja certo, mas confesso que dói em mim essa palavra. É como se nós não tivéssemos mais utilidade, como se fôssemos um peso para a sociedade ou a desculpa perfeita para nos deixar sozinhos em casa. Eu digo, sou velha sim. Mas continuo trabalhando como jornalista, escrevendo textos e crônicas. Vivo só e adoro minha companhia. Envelhecer assim é realmente um privilégio.




