Há bandas que ultrapassam o sucesso comercial e conquistam um lugar permanente na história da música brasileira. É o caso de Os Paralamas do Sucesso, trio formado por Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone, que há mais de quatro décadas influencia gerações com um repertório marcado pela mistura de rock, reggae, ska, MPB e ritmos latino-americanos.
Agora, essa trajetória ganha vida nos palcos com “Vital – O Musical dos Paralamas”, espetáculo premiado que desembarca em Campo Grande para duas apresentações, nos dias 6 e 7 de agosto, às 20h, no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camillo, no Parque dos Poderes.
Depois de temporadas de sucesso no Rio de Janeiro e em São Paulo e de percorrer diversas cidades brasileiras em turnê, o musical chega à capital sul-mato-grossense reunindo teatro, música e emoção para contar uma história que vai muito além da carreira de uma das maiores bandas do País.
A montagem celebra, sobretudo, a amizade entre Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone, vínculo que permanece sólido desde a adolescência e que se tornou o principal alicerce da longevidade dos Paralamas.
BIOGRAFIA DA AMIZADE
Embora revisite momentos marcantes da carreira da banda, “Vital” não pretende ser apenas uma biografia musical.
Com direção artística de Pedro Brício, texto de Patrícia Andrade e direção musical de Daniel Rocha, o espetáculo escolhe como fio condutor justamente a amizade construída entre os integrantes ao longo de mais de 40 anos.
A dramaturgia acompanha os primeiros encontros entre Herbert, Bi e Barone, os ensaios ainda na juventude, os primeiros shows, o crescimento artístico, a explosão nacional na década de 1980 e os desafios enfrentados ao longo da trajetória.
Entre eles está o grave acidente de ultraleve sofrido por Herbert Vianna em 2001, um dos episódios mais delicados da história da banda e que também integra a narrativa.
Outro personagem fundamental da montagem é José Fortes, empresário dos Paralamas desde o início da carreira e considerado pelos próprios músicos como uma espécie de “quarto Paralama”. Sua importância na consolidação da banda também é homenageada ao longo do espetáculo.
Segundo a dramaturga Patrícia Andrade, o musical é, acima de tudo, uma história sobre relações humanas.
“Esta é uma história sobre amizade, sobre a longevidade de uma banda que começa quando os integrantes eram adolescentes e está aí até hoje. E também sobre memória, seja ela afetiva ou seletiva, que toca a cada um de diferentes formas. É um espetáculo essencialmente emocional”, resume a autora.
MEMÓRIA
Diferentemente de muitas biografias musicais, “Vital” não segue uma ordem cronológica dos acontecimentos.
O texto foi estruturado em um fluxo narrativo que alterna passado e presente, conduzido pelas lembranças dos personagens.
A memória funciona como elemento dramatúrgico central, fazendo com que diferentes momentos da vida dos músicos se misturem constantemente.
Essa construção permite que acontecimentos históricos da carreira convivam com momentos íntimos e emocionais, criando uma narrativa dinâmica, cinematográfica e sensível.
Segundo o diretor Pedro Brício, parte dessa perspectiva nasce justamente da memória de Herbert Vianna, especialmente durante o período de recuperação após o acidente.
Em alguns momentos, o público é levado a questionar se determinadas passagens representam lembranças reais ou delírios provocados pelo estado emocional do personagem.
REPERTÓRIO
Ao longo de aproximadamente 1 hora e 50 minutos de apresentação, o público acompanha mais de 30 canções que marcaram diferentes fases da carreira dos Paralamas do Sucesso.
Entre os clássicos presentes estão “Vital e sua moto”, música que inspirou o nome do espetáculo, além de sucessos como “Meu Erro”, “Óculos”, “Alagados”, “Lanterna dos Afogados”, “Busca Vida”, “Romance Ideal”, “Tendo a Lua”, “Caleidoscópio” e muitas outras.
Para a autora Patrícia Andrade, escolher quais canções fariam parte do roteiro foi uma das tarefas mais difíceis durante a criação da montagem.
A extensa discografia dos Paralamas obrigou a equipe a deixar de fora diversas músicas importantes, mas a seleção final busca representar todas as fases da banda e sua constante evolução artística.
QUASE UM SHOW
Um dos diferenciais de “Vital” é justamente equilibrar a linguagem teatral com a energia de um grande show de rock.
O diretor musical Daniel Rocha desenvolveu novos arranjos especialmente para a montagem, preservando a identidade sonora dos Paralamas, mas adaptando as músicas à linguagem do teatro musical.
Os atores interpretam os personagens e também executam instrumentos ao vivo durante diversas cenas, recriando apresentações históricas da banda.
Em determinados momentos, apenas o trio protagonista toca em cena. Em outros, toda a companhia participa das execuções ao lado da banda formada por músicos profissionais.
A diversidade rítmica dos Paralamas também aparece nos arranjos. Canções como “Alagados” incorporam elementos de percussão inspirados em escolas de samba, enquanto “Vamos Bater Lata” utiliza instrumentos confeccionados com peças metálicas.
Daniel Rocha destaca que os Paralamas foram pioneiros ao misturar rock com ritmos brasileiros, música latina, reggae, ska, funk e influências africanas muito antes de essa combinação se tornar comum na música nacional.
ESCOLHA DO ELENCO
Os protagonistas do musical foram selecionados em uma concorrida audição nacional que reuniu mais de 600 candidatos vindos de diferentes regiões do País.
Herbert Vianna é interpretado por Rodrigo Salva, enquanto Franco Kuster vive João Barone e Gabriel Manita interpreta Bi Ribeiro. O elenco conta ainda com Hamilton Dias no papel do empresário José Fortes, além de Barbara Ferr, Herberth Vital, Maria Vitória Rodrigues, Pedro Balu e Rodrigo Vechi.
A produção optou por não buscar uma imitação física ou vocal dos músicos reais.
Segundo Pedro Brício, a proposta foi captar a essência, a energia e os aspectos humanos de cada personagem, permitindo que os atores construíssem interpretações próprias sem recorrer ao simples mimetismo.
RECONHECIMENTO
Idealizado pelos produtores Gustavo Nunes e Marcelo Pires, “Vital – O Musical dos Paralamas” foi desenvolvido com acompanhamento da própria banda desde sua concepção.
Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone participaram das primeiras conversas sobre o projeto, acompanharam o desenvolvimento do texto e também colaboraram na escolha do elenco principal.
O resultado foi reconhecido pela crítica especializada.
A montagem conquistou o Prêmio APTR de Melhor Produção em Teatro Musical e recebeu indicações aos prêmios Shell, Bibi Ferreira e Destaque Imprensa Digital, consolidando-se como um dos principais espetáculos brasileiros do gênero nos últimos anos.
Além do reconhecimento artístico, o musical também chama atenção pelo compromisso com a inclusão. A produção incorporou ao elenco o ator com deficiência Herberth Vital, reforçando a importância da representatividade nos palcos e dialogando diretamente com um dos momentos mais marcantes da trajetória de Herbert Vianna.
Serviço
“Vital – O Musical dos Paralamas”
- Datas: dias 6 e 7 de agosto (quinta e sexta-feira).
- Horário: às 20h.
- Local: Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camillo – Parque dos Poderes.
- Duração: 1 hora e 50 minutos.
- Classificação indicativa: 12 anos.
- Ingressos: disponíveis pelo Sympla.
A atriz Flávia Alessandra é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Felipe Censi - Diagramação: Denis Felipe
A atriz Flávia Alessandra é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Felipe Censi - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana


