Correio B

CINEMA

Wagner Moura lança filme sobre Marighella; guerrilheiro assassinado há exatamente 52 anos

Em entrevista, Wagner fala sobre sua estreia na direção, o trabalho em frente e atrás das câmeras e a vontade de conhecer Mato Grosso do Sul

Continue lendo...

Oito anos depois de iniciar o projeto, o ator Wagner Moura finalmente estreia, hoje, em mais de 200 salas de todo o País, o seu primeiro longa-metragem como diretor, “Marighella”. 

O filme narra o cerco que levou à morte o político e guerrilheiro Carlos Marighella (1911-1969), baiano como o diretor, que, por enquanto, ainda é mais conhecido por estrelar sucessos do cinema, como “Tropa de Elite” e “Deus É Brasileiro”, da TV aberta, como a novela “Celebridade”, e do streaming, como a série “Narcos”.  

De olho na carreira internacional, Moura se mudou para Los Angeles em 2018, mas anuncia projetos que podem trazê-lo de volta ao Brasil no próximo ano. 

Por enquanto, ele está por aqui para a temporada de lançamento de “Marighella” e, depois de dois anos, para férias brasileiras com a família. Mas se mantém alerta. 

Além da crítica, às vésperas da estreia, Marighella ganha destaque também por ter se tornado um emblema de resistência ao atual governo federal.  

O ataque ao assentamento na Bahia, onde haverá uma sessão especial no sábado, e o vazamento do filme na internet aguçam ainda mais a polêmica. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista que o diretor concedeu ao Correio do Estado na terça-feira, em meio ao corre-corre de sua agenda em São Paulo.  

Correio do Estado – por que decidiu fazer o filme ao ler a biografia de Carlos Marighella?

Wagner Moura – eu era marighellista antes de o Mário [Magalhães, autor de “Marighella: O Guerrilheiro que Incendiou o Mundo”] lançar o livro [em 2012]. O meu fascínio pelas histórias de resistência no Brasil e o ambiente universitário de esquerda e de DCE [Diretório Central dos Estudantes] me impregnavam. 

Marighella sempre foi um nome que permeou o meu imaginário como alguém que lutou por democracia e liberdade. E [a atriz] Maria Marighella, nossa contemporânea ali do lado na Escola de Teatro, era e é minha amiga. Eu convivia com a neta de Marighella. Quando Mário lançou o livro, foi a deixa para dar vazão ao nosso marighelismo. 

Só não achei que fosse dirigir um filme tão complicado. Certamente, se eu fosse parar para escrever um filme, teria escolhido um roteiro em que eu tivesse mais controle sobre os personagens, um valor de produção mais barato. Mas veio “Marighella”.

Lembro que, quando fez “Hamlet” no teatro, você se envolveu bastante com a etapa de adaptação e tradução do texto. Como foi essa etapa com “Marighella”?

A mais difícil de todas. Passamos muito tempo trabalhando o roteiro. “Marighella” é um filme que nasce da minha admiração pelos que resistiram na ditadura, mas a porta de entrada no filme são os personagens e as contradições dos personagens. Não fiz um filme cujos personagens são vetores para dizeres políticos. 

É um filme em que você se conecta com a luta de Marighella porque você se conecta com o drama dele, com quem ele é. Dar complexidade em personagens históricos, ter responsabilidade sobre o contexto real e, ao mesmo tempo, fazer com que aquilo funcione como cinema de ficção é muito difícil. 

Eu tinha sempre muito claro que eu não estava fazendo um documentário, mas ao mesmo tempo eu precisava ter responsabilidade, sobretudo com esse período, que é tão controverso na história do Brasil.

Para fazer um filme sobre resistência política você mergulhou em grandes referências do cinema que possuem alguma convergência, como o neorrealismo italiano?

Exatamente. O neorrealismo italiano é uma referência, o cinema que mais me diz, me norteia. Influenciou o cinema novo. Essa coisa do pós-guerra na Itália, de você fazer cinema em um campo destruído, em uma situação precária, distópica, de usar não atores, fazer cinema com pouco dinheiro. 

E, sobretudo, um cinema de esquerda, um cinema de esquerda que eu digo que quer olhar para as classes trabalhadoras. Eu acho que o cinema brasileiro bebeu muito disso, e influenciou também nós que fazemos cinema hoje no Brasil. 

Essa estética está no meu filme de forma muito clara. Engraçado você ter falado sobre neorrealismo porque ali está a base de tudo o que eu gosto no cinema que me levou até “Marighella”. 

Sobretudo o cinema novo, que é muito devedor do neorrealismo italiano. E eu vejo isso nos filmes políticos brasileiros, no “Tropa de Elite”, no “Cidade de Deus”. Talvez essa seja a matriz de uma corrente estética e ideológica da qual o meu filme é, de alguma maneira, devedor também.

Você se envolveu, especialmente, com algum dos departamentos criativos?

Como ator, sempre gostei muito de entender o que cada pessoa fazia no set. Como diretor, terminei aprendendo muito mais sobre figurino, arte, elétrica, maquinaria, fotografia, produção. Como é que tudo aquilo junto funciona no set. 

Mas uma coisa que eu sabia muito pouco e que me fascinou foi o som, o trabalho que eu fiz com o Alessandro Laroca na pós-produção do filme. O som é um departamento sempre visto como mais técnico e, na minha opinião, é um departamento artístico muito poderoso.

E quanto à escolha de Seu Jorge para viver o protagonista? A conhecida e esfuziante presença do cantor em cena não rouba algo na projeção do próprio personagem?

O que você está dizendo é que Seu Jorge tem muito carisma, ele tem, e isso é muito importante para o filme porque Marighella tinha muito carisma. Seu Jorge é movie star, mesmo, talentoso pacas. 

Uma presença em cena que você não consegue parar de olhar, isso é uma coisa importante para um protagonista. Ao assistir ao filme, você vê que rapidamente vai esquecer a persona e se conectar com o carisma de Seu Jorge, mas não com a figura pública. É aí que entra o meu trabalho como diretor.

Você foi se tornando persona non grata para o governo federal, por conta de seu posicionamento político-ideológico, e o filme sofreu boicotes da Ancine, além de anticampanha pública do presidente e seus familiares. Marighella já tem um vulto histórico cercado de polêmicas. Quem atrapalhou mais? O diretor ou o personagem retratado?

Os dois. É incrível como essa gente que hoje está no poder, que são saudosistas da ditadura, amantes de torturadores e de censores, tem medo de Marighella. 

Como o fantasma de Marighella apavora esses caras, hoje ainda mais do que, talvez, na época em que ele estava vivo. Todos esses ataques que aconteceram ao filme dizem muito mais sobre o estado das coisas no Brasil hoje do que o filme que eu fiz. 

Em qualquer país democrático, um filme está aí: você vai discute, debate, você não é obrigado a gostar de nada. Agora você ter o governo federal de um país tentando destruir um filme, isso tem muito mais a ver com o Brasil de hoje do que com Marighella e comigo.

Você tem dito que o filme mostra faces contraditórias de Marighella. Quais defeitos apontaria na figura mítica do guerrilheiro revolucionário?

Vários defeitos. Não me interesso pelo mítico. Me interesso pelo homem, e o homem que ele foi tinha vários defeitos. Não vou ficar aqui enumerando os defeitos nem as qualidades de Marighella. Não preciso defender Marighella. Ele não precisa de defesa. 

O que digo é que o meu filme mostra um Marighella contraditório, que toma tapa na cara e é colocado em cheque o tempo inteiro. Quem for assistir ao filme vai ver isso. Nem o personagem do Bruno Gagliasso [que faz o delegado Fleury, carrasco de Marighella] admiti que fosse monolítico.

E quanto aos novos projetos como ator, produtor, diretor?

A primeira coisa que já fiz e que vai estrear é um filme chamado “The Grey Man”, da Netflix, dirigido pelos irmãos [Joe e Anthony] Russo. Faço uma participação, um personagem pontual na história, mas muito legal. Fiquei muito feliz de ter feito. E logo depois, ou antes talvez, uma série da Apple TV Plus, que protagonizei com Elizabeth Moss, chamada “Shining Girls”. 

Fazemos dois jornalistas que investigam um serial killer feito pelo Jamie Bell. São duas coisas que vão sair ano que vem. E vou filmar no Brasil com o Cléber Mendonça Filho, no segundo semestre, para a Amazon. No primeiro semestre, tem um projeto fora do País, mas ainda não posso falar nada sobre ele. 

E estou produzindo uma série para a Disney sobre Maria Bonita, escrita e dirigida por Sérgio Machado. Tem vários projetos que não têm ainda uma data, como um projeto com o Karin Ainouz.

Como anda a sua rotina em Los Angeles?

A pandemia teve momentos deliciosos e profundos, porque passei com os meus filhos e a minha mulher. Mas foi difícil porque a gente estava preso em uma cidade que não era nossa, sem poder sair de casa, sem poder trabalhar. 

Fiquei um ano sem trabalhar como ator, não tinha projeto, ficaram todos mais para frente. Foi um ano em que eu dirigi “Narcos”. É massa morar lá, mas não é a minha cidade. Quando o avião pousa em L.A., eu não digo “ah, estou chegando em casa”.  

Sente vontade de dizer algo para o público de Mato Grosso do Sul?

Acho uma pena eu não conhecer essa parte do Brasil. Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além de Santa Catarina, talvez sejam os três estados do Brasil que eu não conheço ainda. Isso é uma questão para mim, mesmo, porque é uma parte do País rica em diversidade. 

O Brasil do futuro é o Brasil que aliará a cultura à biodiversidade ambiental única do Brasil. Você não pode falar disso sem falar nesta região. Tenho muita curiosidade de conhecer a relação fronteiriça com outros países na região, quais são as influências culturais. 

O bioma que vocês têm aí é único no Brasil, e eu não conheço. Isso me dá muita pena. Preciso conhecer, preciso ir aí.

Por que temos tanta dificuldade em aceitar o ponto de vista ou a condição dos povos indígenas?

É cultural. Fomos adestrados. Eu estudei na minha escola coisas sobre os índios. Não temos informação nenhuma sobre os povos indígenas. A nossa informação é estigmatizada, e toda a forma de controle social começa com a estigmatização. 

Você estigmatiza um povo para controlá-lo. Mesmo que nós sejamos progressistas, a nossa construção cultural do que é o povo indígena é ridícula. É difícil. 

Mas acredito profundamente que a geração dos nossos filhos e dos que venham em diante se conectarão e aprenderão com os índios que eles têm um saber de relação com o meio ambiente, sobretudo, e de outras coisas que podem transformar e levar o Brasil a esse lugar de país do futuro.

Assine o Correio do Estado.

Moda Correio B+

Entre Costuraa & CuLtura: O novo romantismo de Ralph Lauren não é tão romântico assim

Na coleção Spring 2027 apresentada em Nova York, Ralph Lauren definiu sua proposta como uma visão irreverente do romance.

13/09/2026 13h00

Entre Costuraa & CuLtura: O novo romantismo de Ralph Lauren não é tão romântico assim

Entre Costuraa & CuLtura: O novo romantismo de Ralph Lauren não é tão romântico assim Foto: Divulgação

Continue Lendo...

Corsets com calças, alfaiataria ampla, denim desgastado, veludo, penas e vestidos sensuais. Na coleção Spring 2027 apresentada em Nova York, Ralph Lauren definiu sua proposta como uma visão irreverente do romance. 

Quando pensamos em um estilo romântico, na nossa mente vem de imediato: vestidos fluidos, estampas florais, laços, babados, tons suaves, cintura marcada e uma feminilidade essencialmente delicada.

Nada disso está errado. O problema começa quando acreditamos que uma mulher precisa abandonar esses códigos para transmitir força, maturidade ou autoridade.

Na consultoria de imagem, muitas vezes encontro mulheres que desejam transmitir mais presença e segurança, especialmente em momentos de mudança profissional ou pessoal, mas não querem deixar de se reconhecer diante do espelho. E nem deveriam, não é mesmo? 

Se uma mulher tem um estilo naturalmente romântico, transformá-la em alguém extremamente clássica, minimalista ou austera pode até produzir uma imagem considerada adequada, mas que pouco diz sobre quem ela realmente é.

O caminho, para mim, é outro. É sobre recalibrar a imagem, não apagar. E é justamente isso que me chamou atenção na coleção de Ralph Lauren.

Entre Costuraa & CuLtura: O novo romantismo de Ralph Lauren não é tão romântico assimNa coleção Spring 2027 apresentada em Nova York, Ralph Lauren definiu sua proposta como uma visão irreverente do romance - Divulgação

O corset continua existindo, mas encontra uma calça. A sensualidade aparece ao lado da alfaiataria. O veludo convive com o jeans. Elementos tradicionalmente associados ao guarda-roupa masculino dividem espaço com tecidos, volumes e detalhes extremamente femininos. Ou seja, uma característica não precisa anular a outra.

Podemos gostar de vestidos e de ternos. De salto e de mocassim. De tecidos delicados e de peças estruturadas. Podemos marcar a cintura e, ainda assim, transmitir autoridade. Podemos incorporar elementos masculinos sem perder feminilidade.

Essa reflexão se torna ainda mais interessante com o passar dos anos. Depois dos 40, nosso corpo muda, nossa rotina muda, nossas responsabilidades e objetivos também podem mudar. É natural que a imagem acompanhe esse movimento.

Isso não significa abandonar aquilo de que sempre gostamos. Aquele vestido romântico pode continuar fazendo todo sentido, mas agora combinado a um blazer mais estruturado. A blusa delicada pode permanecer, mas combinado com uma calça de alfaiataria. O floral pode continuar no armário, porém pode aparecer em uma modelagem mais contemporânea.

Outro ponto que considero fundamental nesse processo é a repetição. Pessoas bem-vestidas não precisam se reinventar todos os dias. Quando descobrimos determinadas cores, proporções, modelagens e combinações que realmente nos representam, repeti-las ajuda a construir uma identidade visual.

Ralph Lauren provavelmente é um dos melhores exemplos disso. Há décadas, ele retorna a determinados códigos de seu próprio universo e, ainda assim, encontra maneiras diferentes de apresentá-los. 

Não precisamos correr atrás de uma nova estética toda vez que a moda muda. Precisamos entender quais elementos fazem parte da nossa identidade e como podemos atualizá-los de acordo com a mulher que somos hoje e, principalmente, com aquilo que queremos comunicar.

Em determinados ambientes, muitas vezes 

é necessário acrescentar mais estrutura, contraste e presença. Em outros, podemos permitir que delicadeza, sensualidade ou romantismo apareçam com maior intensidade. Não se trata de criar personagens diferentes, mas de entender quanto de cada parte de nós queremos comunicar em cada situação.

É essa a grande inspiração que podemos tirar do novo romantismo de Ralph Lauren. Uma mulher não precisa parecer menos feminina para parecer mais forte. Tampouco precisa abrir mão daquilo que sempre fez parte de seu estilo para ser levada a sério.

Entre Costuraa & CuLtura: O novo romantismo de Ralph Lauren não é tão romântico assimEntre Costuraa & CuLtura: O novo romantismo de Ralph Lauren não é tão romântico assim - Divulgação

Às vezes, ela só precisa aprender a equilibrar melhor os códigos que já possui.
Cinco maneiras de trazer mais força ao estilo romântico

1. Acrescente estrutura

Se você gosta de peças fluidas, rendas ou estampas delicadas, experimente combiná-las com um blazer estruturado, uma calça de alfaiataria ou uma bolsa de linhas mais definidas.

2. Trabalhe o contraste

Cores muito suaves tendem a transmitir menor impacto visual. Você não precisa abandoná-las, mas pode acrescentar tons mais profundos ou contrastes quando quiser comunicar mais presença.

3. Equilibre os detalhes

Laços, babados, flores, renda e mangas volumosas podem fazer parte do seu estilo. Mas não precisam aparecer todos ao mesmo tempo. Escolher onde colocar o romantismo deixa a imagem mais sofisticada.

4. Observe a modelagem

Muitas vezes, não é a peça romântica que precisa sair do guarda-roupa, mas a forma como ela é usada. Uma modelagem mais limpa ou estruturada pode mudar completamente a mensagem.

5. Não abandone sua assinatura

Se determinada cor, vestido, acessório ou detalhe feminino sempre fez parte de você, não existe razão para eliminá-lo apenas para parecer mais séria. Repita aquilo que representa você e acrescente os códigos necessários para comunicar a imagem que deseja.

Porque construir uma imagem mais forte nunca deveria significar deixar de parecer você.

Astrologia Correio B+

A energia do Tarô da semana entre 14 e 20 de setembro. Período de celebrar as vitórias e esforços

O Seis de Paus anuncia uma semana de vitórias, reconhecimento e confiança para celebrar os frutos do esforço e assumir o próprio valor. Depois de um período de lutas e persistência, conquistas começam a ganhar forma e a produzir resultados visíveis.

13/09/2026 12h00

A energia do Tarô da semana entre 14 e 20 de setembro. Período de celebrar as vitórias e esforços

A energia do Tarô da semana entre 14 e 20 de setembro. Período de celebrar as vitórias e esforços Foto: Divulgação

Continue Lendo...

Há momentos em que a vida nos coloca diante de uma pergunta aparentemente simples: somos capazes de reconhecer o nosso próprio valor antes que alguém venha reconhecê-lo por nós? O Seis de Paus chega esta semana trazendo essa reflexão.

É uma carta tradicionalmente associada à vitória, ao sucesso e à visibilidade, mas sua mensagem mais profunda talvez esteja menos no aplauso que vem de fora do que na capacidade de perceber, por dentro, o caminho que já foi percorrido.

Na imagem tradicional do Tarô, vemos uma figura que retorna de uma batalha sendo recebida e celebrada. Há ali a sensação de triunfo, de missão cumprida, de algo que finalmente deu certo depois de esforço e persistência.

Mas nem toda vitória precisa ser grandiosa aos olhos do mundo. Algumas das batalhas mais importantes acontecem em silêncio. Podem significar vencer uma insegurança, sustentar uma decisão difícil, abandonar uma dúvida antiga, concluir aquilo que parecia interminável ou simplesmente voltar a acreditar em si mesmo.

É por isso que o Seis de Paus pode falar de reconhecimento, mas não necessariamente de fama. Às vezes, o que chega é uma confirmação discreta: um elogio, uma resposta positiva, uma aprovação, um convite, uma oportunidade ou uma situação que finalmente começa a caminhar.

Pequenos acontecimentos podem adquirir um significado maior quando aparecem depois de um período em que foi preciso continuar sem qualquer garantia de resultado.

Existe, nessa carta, uma espécie de passagem entre o esforço invisível e aquilo que começa a ser percebido. Talentos podem encontrar espaço, projetos podem ganhar atenção e pessoas que vinham trabalhando nos bastidores podem ser chamadas para ocupar uma posição mais evidente. O que foi construído com dedicação deixa de passar despercebido.

Daí a frase que sintetiza uma de suas mensagens: “Seja excelente.”

Não como uma exigência de perfeição, mas como um convite para reconhecer aquilo que fazemos particularmente bem. Ninguém faz exatamente o que você faz da maneira como você faz. Cada pessoa possui habilidades, experiências, sensibilidades e uma combinação de características que não pode ser reproduzida. O Seis de Paus pede que isso seja assumido sem constrangimento.

Talvez você tenha aprendido, em algum momento, que chamar atenção demais poderia ser perigoso. Que era melhor não falar sobre as próprias qualidades, não ocupar muito espaço, não parecer pretensioso. Talvez tenha desenvolvido o hábito de diminuir uma conquista antes que alguém pudesse diminuí-la por você. Ou tenha evitado mostrar determinado talento por receio de provocar inveja, críticas ou desconforto.

O problema é quando a modéstia deixa de ser uma escolha e passa a ser uma forma de invisibilidade.

O Seis de Paus lembra que reconhecer uma capacidade não é o mesmo que acreditar ser superior. Falar sobre o próprio trabalho não significa desmerecer o trabalho alheio. Aceitar um elogio não é arrogância. Existe uma diferença importante entre vaidade e consciência do próprio valor.

A carta também pode nos fazer olhar para a maneira como buscamos aprovação. Ser reconhecido é agradável. Afinal, todos precisamos, em alguma medida, sentir que aquilo que fazemos é visto e tem significado. Mas existe uma diferença entre receber reconhecimento e depender dele.

Quando a autoestima passa a depender exclusivamente do olhar externo, o elogio se transforma em necessidade. Cada aprovação confirma o nosso valor por alguns instantes; cada silêncio pode parecer uma rejeição. A comparação cresce, e até a conquista de outra pessoa pode ser interpretada como uma ameaça à nossa própria importância.

Essa é a sombra do Seis de Paus: transformar a vitória em competição.

A carta propõe o movimento contrário. É possível celebrar uma conquista sem precisar ser melhor do que ninguém. É possível gostar de ser admirado sem transformar a admiração em medida de valor. É possível receber os aplausos quando eles chegam e, ainda assim, saber quem somos quando eles cessam.

Talvez essa seja uma das maiores maturidades sugeridas pelo Seis de Paus: não precisar diminuir a própria luz, mas também não precisar usá-la para ofuscar ninguém.

Na vida prática, a carta pode aparecer justamente quando é necessário ocupar um lugar que já foi conquistado. Apresentar uma ideia, falar sobre um projeto, pedir uma remuneração mais justa, rever os próprios preços, candidatar-se a uma posição, assumir uma liderança ou simplesmente dizer com clareza o que se pensa. Há momentos em que esperar que os outros percebam espontaneamente o nosso valor pode significar esperar tempo demais.

Isso não significa transformar a própria vida em uma vitrine. Significa não esconder aquilo que temos a oferecer.

O Seis de Paus também fala sobre a importância de reconhecer a própria trajetória. Talvez você esteja olhando apenas para aquilo que ainda falta e não consiga perceber o quanto já avançou.

Talvez esteja tão acostumado às próprias conquistas que já não as considere conquistas. Ou tenha colocado a régua tão alto que nenhum resultado parece suficiente.

A carta sugere uma pausa para olhar para trás.

Não para viver de glórias passadas, mas para compreender o que foi necessário atravessar até chegar aqui. Há uma diferença entre acomodar-se diante do que já foi conquistado e permitir-se reconhecer o caminho percorrido. Uma coisa interrompe o movimento; a outra devolve confiança para continuar.

Por isso, esta pode ser uma semana de pequenas vitórias que funcionam como sinais de confirmação. Não necessariamente o grande triunfo que muda tudo de uma vez, mas aquela sensação de que alguma coisa finalmente começa a responder.

Uma porta que se abre, uma conversa que avança, um trabalho que é valorizado, uma oportunidade que surge ou simplesmente a percepção íntima de que uma antiga insegurança já não tem o mesmo poder.

O Seis de Paus nos lembra que algumas vitórias precisam primeiro ser reconhecidas por nós para depois serem reconhecidas pelo mundo.

E talvez seja esse o verdadeiro sentido de “ser excelente”: não tentar corresponder a uma imagem ideal de perfeição, mas levar a sério aquilo que existe de singular em nós. Desenvolver nossos talentos. Dar forma ao que sabemos fazer. Permitir que nosso trabalho fale. E não pedir desculpas por ocupar o espaço que conquistamos.

No fim, a pergunta da carta não é apenas se os outros reconhecem você. É se você próprio consegue reconhecer a pessoa que se tornou depois de tudo o que atravessou. Porque há momentos em que o aplauso mais importante não vem da plateia. Vem de dentro.

No amor, o Seis de Paus traz magnetismo, confiança e reconhecimento. É uma carta que pode devolver entusiasmo às relações e favorecer uma retomada da admiração pelo parceiro e pela história construída a dois. As conquistas de um podem ser motivo de alegria para o outro, fortalecendo a parceria por meio de incentivo e orgulho mútuos.

Também pode haver mais disposição para tornar um vínculo visível, com encontros, convites, planos e demonstrações de afeto. Para os casais, o momento favorece olhar para o que deu certo, em vez de concentrar toda a atenção no que ainda precisa ser resolvido.

Mas o Seis de Paus pede cuidado com o ego. Amor não combina com competição para saber quem recebe mais atenção, quem é mais bem-sucedido ou quem está sempre certo. A carta faz uma pergunta importante: você quer ser admirado ou quer ser conhecido?

A admiração pode nascer da imagem que projetamos; a intimidade exige espaço para mostrar também inseguranças, limites e fragilidades.

Para quem está solteiro, o magnetismo aumenta e a semana favorece encontros, convites e novas aproximações. Alguém pode se interessar pela sua segurança e determinação, e mensagens ou sinais de interesse podem surgir com mais clareza.

Ainda assim, vale não confundir admiração com vínculo: o Seis de Paus pede discernimento para perceber quem se encanta apenas pelo seu brilho e quem realmente deseja conhecer você.

No trabalho, o Seis de Paus é uma carta de reconhecimento profissional. Pode indicar elogios, aprovação de um projeto, retorno positivo ou a percepção de que aquilo que você vem fazendo finalmente começa a ser notado. Para quem trabalhou muito tempo nos bastidores, uma ideia pode ganhar espaço, uma competência ser reconhecida ou uma nova oportunidade surgir.

Por isso, não é hora de esconder o que sabe fazer. A carta não recomenda arrogância, mas também não combina com falsa modéstia. Apresentar ideias, mostrar resultados e defender suas competências não é necessariamente autopromoção: é permitir que os outros enxerguem o que você construiu.

Para quem procura emprego, vale deixar claros seus diferenciais e experiências. Para quem já está trabalhando, pode surgir uma nova responsabilidade, posição de maior destaque ou oportunidade de liderança. E o reconhecimento também traz responsabilidade: quando passamos a ser vistos, nossas atitudes ganham mais impacto.

Liderar não significa centralizar tudo. Saber reconhecer quem ajudou a construir uma conquista também faz parte dela. No ambiente profissional, evite disputas desnecessárias e não sinta necessidade de provar que é melhor do que ninguém. O Seis de Paus lembra que reputação se constrói com consistência. Deixe que o trabalho fale por você.

Na vida financeira, o Seis de Paus fala de recompensas ligadas a esforço, competência e mérito. Pode indicar pagamento, bônus, aumento, novos clientes ou uma oportunidade de melhorar gradualmente a situação. A carta também convida a reconhecer o valor do próprio trabalho: saber cobrar, negociar e apresentar suas competências faz parte de uma troca equilibrada.

Para quem tem um projeto ou trabalha de forma autônoma, é uma boa semana para divulgar o que faz e mostrar resultados. Mas existe um alerta para não transformar a conquista em necessidade de ostentação. Gastar para impressionar ou sustentar uma imagem de sucesso pode comprometer justamente aquilo que foi construído.

Celebre a vitória, mas não precise prová-la.

Na carreira, o Seis de Paus favorece crescimento, reputação, autoridade e maior visibilidade. Ser mais observado pode abrir portas, especialmente para quem deseja uma promoção, uma mudança de área ou o reconhecimento de um trabalho que vinha sendo feito nos bastidores.

Quem busca novos caminhos pode descobrir que não precisa começar do zero. Experiências anteriores, quando vistas sob outra perspectiva, podem revelar competências valiosas. A carta recomenda identificar o que você aprendeu, os problemas que sabe resolver e aquilo que faz hoje melhor do que fazia antes.

Para quem deseja uma promoção, é importante tornar suas contribuições visíveis. Mostre resultados, apresente projetos e fale sobre seus objetivos. Esperar que os outros percebam espontaneamente tudo o que você fez nem sempre é a melhor estratégia.

O Seis de Paus também traz uma mensagem para quem se compara demais. Ele não pede que você vença a corrida de ninguém, apenas que reconheça o caminho que já percorreu. Quando olhamos o tempo todo para quem está à frente, esquecemos de perceber quantas batalhas já vencemos.

Sua mensagem é: continue avançando, mas sem transformar a vida numa disputa.

O verdadeiro triunfo do Seis de Paus não está em convencer os outros de que você venceu. Está em saber que avançou. Aceite os elogios, comemore suas conquistas e ocupe seu espaço, mas não se esqueça de tudo o que existia antes dos aplausos.

Toda vitória tem uma história que não aparece na fotografia.

Talvez a pergunta mais importante da semana seja: se ninguém estivesse olhando, você ainda reconheceria o valor do que fez?

Se a resposta for sim, existe uma força muito mais sólida por trás dessa vitória.

"A primeira e maior vitória é vencer a si mesmo; ser vencido por si mesmo é, de todas as coisas, a mais vergonhosa e vil." — Platão

Uma ótima semana e muita luz,

Ana Cristina Paixão

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).