Economia

PARCERIA HISTÓRICA

Acordo UE-Mercosul pode trazer compensações para setor leiteiro e mais

Nelsinho Trad aponta criação de subcomissão na Comissão das Relações Exteriores, para analisar a tramitação e identificar questões que possam trazer prejuízos a determinados setores

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Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS) indicou em rede nacional nesta sexta-feira (23) que o acordo entre União Europeia (UE) e o Mercosul podem render novas compensações para setores nacionais que forem diretamente prejudicados, como o leiteiro, por exemplo, com a nova parceria que parece cada vez mais próxima de sair do papel. 

Conforme esclarecido pelo parlamentar campo-grandense, que até ontem (22) cumpria agendas ligadas à viabilização do acordo UE-Mercosul, caberá aos senadores conduzir o processo a partir do momento que a matéria sair do Executivo e for enviada ao Legislativo, o que já "aquece" a conversa entre os poderes. 

"Se observar o placar da votação que aconteceu no parlamento europeu, é realmente algo que está muito dividido. Foram 334 votos contra o acordo, 324 a favor e 11 abstenções. Assim como tem gente que não quer, tem muita gente que quer. Isso se reflete exatamente agora naquilo que nós do Parlamento podemos fazer", disse Nelsinho em entrevista ao "Em Ponto" no canal GloboNews. 

Nelsinho Trad afirma que será criada agora uma subcomissão no âmbito da Comissão das Relações Exteriores, que servirá para analisar mais precisamente a tramitação e identificar questões que possam trazer prejuízos a determinados setores. 

"Tanto da indústria quanto do agro, para a gente poder fazer as nossas interlocuções, porque não se pode emendar esse acordo. Ou você vota sim, ou vota não. O setor que já chegou até a mim, o do leite, vai ter problema", diz. 

Em complemento, ele cita que a intenção por trás da subcomissão será justamente reorganizar esse setor com o Ministério da Agricultura, para entender quais as compensações que eles poderão ter para não saírem "tão prejudicados". 

"E pode ter certeza que outros setores vão aparecer, então já estamos nos antecipando justamente para ser proativo e resolutivo", completa Nelsinho. 

"Acordo travado"

Frente ao contexto de que as tratativas internas possam ocorrer logo, Nelsinho aponta já ter contatado os presidentes da Câmara e do Senado, deputado Hugo Mota e senador Davi Alcolumbre respectivamente, para alinhar o consenso a respeito da importância do acordo tanto para o Brasil como para demais países do Mercosul. 

Diante da ida do acordo comercial em recurso à Justiça, por parte do parlamento europeu, a votação da parceria precisou ser adiada, o que o senador indica, de certa forma, não ser problema, cogitando inclusive a possibilidade de retornar à Europa para "vencer resistências".

"A divergência em parlamentos é natural, ela é dinâmica e constante. Na nossa avaliação, faltou um cuidado maior de quem estava a favor para poder fazer a ingerência, falando no linguajar popular, a 'boca de urna certa' para se votar a favor deste acordo", comentou. 

O senador indica ainda o que chamou de "ânimo positivo" por parte do Governo Federal, percebido por Nelsinho através do vice-presidente Geraldo Alckmin, tendo em vista que o acordo entre União Europeia e Mercosul deverá representar um incremento nas questões econômicas, na geração de emprego e renda "para aquele que está lá na ponta", disse. 

Nelsinho ainda lembra que determinados pontos do acordo entram em vigor assim que as tramitações chegarem ao fim, enquanto outros começam com a vigência e terceiros em um prazo ainda maior, o que indica a complexidade da estruturação dessa parceria. 

"São dois blocos de países, 27 de um lado e quatro do outro, que precisa realmente de um acompanhamento mais intenso. Vamos deliberar na primeira reunião da Comissão de Relações Exteriores para isso. Países outros da América Latina envolvidos, Uruguai, Argentina e Paraguai, também estão com esse mesmo propósito que nós aqui no Brasil estamos tendo", afirma. 

Por fim, ele aponta que inclusive esses países estudam possíveis sessões extraordinárias para tramitar o acordo de forma célere, com o intuito de ser o primeiro país a aprovar e, de pronto, temporariamente passar a valer alguns dos requisitos". 

 

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Mundo

Petróleo fecha em baixa, com negociações diplomáticas entre EUA e Irã em foco

As conversas indiretas entre representantes dos EUA e do Irã em Omã foram vistas de forma positiva por ambos os lados e novas negociações foram prometidas

10/02/2026 22h00

Petróleo fecha em baixa, com negociações diplomáticas entre EUA e Irã em foco

Petróleo fecha em baixa, com negociações diplomáticas entre EUA e Irã em foco Divulgação

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O petróleo fechou em baixa nesta terça-feira, 10, e devolveu parte dos ganhos da véspera, em sessão marcada por volatilidade enquanto as tratativas entre Estados Unidos e Irã continuam e investidores ponderam perspectivas para os preços nos próximos anos.

O petróleo WTI para março negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex) fechou em baixa de 0,62% (US$ 0,40) a US$ 63,96 o barril.

Já o Brent para abril negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE) recuou 0,35% (US$ 0,24), a US$ 68,80 o barril.

As conversas indiretas entre representantes dos EUA e do Irã em Omã foram vistas de forma positiva por ambos os lados e novas negociações foram prometidas, mas nenhum resultado significativo foi anunciado.

O prosseguimento de negociações diplomáticas, incluindo potenciais conversas sobre o programa nuclear de Teerã, vem reduzindo os prêmios de risco nas cotações da commodity, que haviam subido com o acirramento das disputas no início do ano, segundo o Commerzbank.

Em entrevista à Axios, contudo, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou nesta terça mandar um segundo porta-aviões para o Oriente Médio, caso não consiga um acordo com o Irã, voltando a sinalizar possibilidade de um ataque.

O Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE, em inglês) elevou sua projeção para o preço médio do petróleo Brent em 2026 de US$ 56 para US$ 58 por barril, mas cortou a estimativa do valor médio no próximo ano a US$ 53.

Na visão do Bank of America, os preços do Brent têm apresentado queda constante desde que atingiram US$ 128 em 2022 e podem sofrer ainda mais pressão de baixa este ano e no próximo, visto que a oferta continua a superar a demanda.

Mesmo com o petróleo retido no mar devido às sanções, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) gerenciou proativamente a produção para evitar um grande excesso de oferta, avalia.

Contudo, riscos relacionados à demanda, ao alívio das sanções, ao forte crescimento de países não pertencentes à Opep+ ou ao aumento dos volumes da Opep+ podem inclinar a balança para baixo nos preços.

"Assim, mantemos nossa previsão de que o Brent terá uma média de US$ 60 este ano, abaixo dos US$ 68 em 2025 e dos US$ 62 em 2027", conclui o BofA.

CASO MASTER

FGC aprova plano para cobrir rombo do Master e quer garantir caixa já no 1º trimestre

O objetivo é garantir que, até o final do primeiro trimestre deste ano, o FGC já tenha caixa líquido compatível com o risco do sistema

10/02/2026 21h00

Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025

Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025 Divulgação: MPC-MS

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O conselho do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) aprovou um plano emergencial para cobrir o rombo estimado em R$ 55 bilhões gerado pela liquidação do Banco Master. A informação foi revelada pelo jornal Valor Econômico e confirmada pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

O objetivo é garantir que, até o final do primeiro trimestre deste ano, o FGC já tenha caixa líquido compatível com o risco do sistema, segundo uma pessoa a par das discussões.

Para isso, os bancos planejam adiantar imediatamente o equivalente a cinco anos de contribuições futuras ao fundo, divido em três parcelas mensais. Em 2027, haveria mais uma antecipação de 12 meses de repasses e, em 2028, outros 12 meses, o que levaria a um total de sete anos de contribuições adiantadas.

Além do adiantamento, o esquema prevê um aumento extraordinário de 30% a 60% no valor pago mensalmente pelas instituições ao FGC, por pelo menos 60 meses, segundo essa pessoa, que falou sob condição de anonimato.

Pelas regras atuais, as instituições associadas contribuem mensalmente com 0,01% do total de seus instrumentos financeiros garantidos. No caso dos Depósitos a Prazo com Garantia Especial (DPGE), a alíquota mensal é de 0,02% para emissões com alienação de recebíveis e de 0,03% para o estoque sem alienação.

Em outra frente, uma ala do setor financeiro defende uma proposta para destinar recursos do compulsório de depósitos à vista para ajudar na reconstrução de liquidez do FGC. Essa hipótese, porém, depende de uma autorização do Banco Central, que ainda não se manifestou.

Em nota, o FGC afirmou não comentar sobre as alternativas avaliadas internamente e se limitou a dizer que discute a recomposição da liquidez com instituições associadas e o BC. "As discussões estão em andamento e uma deliberação deverá ocorrer no curto prazo", declarou.

Até a última sexta-feira, o FGC já havia desembolsado R$ 36 bilhões dos pouco mais de R$ 40 bilhões que serão pagos a credores do Master.

O fundo ainda não deu início ao processo de reembolso dos investidores do Will Bank, que fazia parte do Master, mas teve a liquidação imposta apenas em janeiro. A estimativa é de que, neste caso, serão mobilizados R$ 6,3 bilhões em garantias. O restante do rombo deixado pelo Master se refere a linhas de empréstimos dado pelo FGC aos integrantes do conglomerado.

Regras

Os bancos consideram a recomposição uma etapa indispensável antes de abrir as discussões sobre uma reforma nas normas do FGC A avaliação é que os desdobramentos do caso Master reforçaram a importância de fortalecer a credibilidade do fundo, instrumento vital para assegurar a viabilidade de instituições de médio porte.

Nos últimos três anos antes da liquidação, o FGC já havia enviado ao BC pelo menos 30 alertas sobre práticas questionáveis do Master, segundo apurou o Broadcast.

Neste cenário, as conversas sobre alterações nas normas estatuárias do fundo já vinha se desenhado de maneira informal nos bastidores desde aquela época, mas o debate formal deve ficar para depois do primeiro trimestre, quando a questão da recomposição já estiver encaminhada.

Entre as pautas na mesa, o setor deve discutir mecanismos para monitorar a qualidade dos balanços dos bancos associados. A ideia é responsabilizar instituições que mantenham uma gestão de risco mais "obscura", com investimentos em ativos de baixa liquidez, por exemplo.

Participantes do setor querem também apertar as regras de alavancagem, além de evitar que bancos concentrem a distribuição de seus instrumentos em uma ou poucas plataformas.

Banqueiros avaliam que, nos últimos anos, o FGC foi desvirtuado de sua função inicial, de proteger investidores em caso de colapso de bancos. Na semana passada, o CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy, argumentou que alguns participantes do mercado colocaram interesses próprios à frente das necessidades do sistema. "Algumas plataformas usaram o FGC como modelo de alavancagem do negócio, viabilizando modelos de negócio não sustentáveis", defendeu.

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