Empresas de Mato Grosso do Sul que buscam financiamentos entre R$ 1 milhão, para capital de giro, e até
R$ 10 milhões, para investimentos em expansão, inovação e modernização industrial, terão um novo canal de acesso a crédito e incentivos.
A Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems) lançou a agência Fiems Conecta, iniciativa criada para aproximar empresários de instituições financeiras, programas de fomento e benefícios fiscais, reduzindo a burocracia e centralizando informações estratégicas para novos investimentos.
O lançamento ocorreu durante encontro empresarial promovido pela Fiems em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Na ocasião, o banco anunciou a disponibilização de aproximadamente R$ 70 bilhões em linhas de crédito ao setor produtivo brasileiro ao longo deste ano. Parte desses recursos poderá chegar às empresas sul-mato-grossenses por meio da atuação da Fiems Conecta.
O evento realizado no início do mês reuniu empresários da indústria, agroindústria e comércio, além do presidente da Fiems, Sérgio Longen, do governador Eduardo Riedel, do diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES, José Luis Gordon.
"Vamos ter um link com o BNDES dentro da agência", afirmou o presidente da Fiems, Sérgio Longen. "Hoje, a indústria precisa de renovação de máquinas e equipamentos e, muitas vezes, também de apoio do capital de giro. Então, a vinda do diretor aqui esclarece exatamente as operações que serão disponibilizadas para o Estado e, mais do que nunca, essas informações podem ter sequência na nossa agência aqui na Fiems".
Segundo Longen, a proposta é transformar a agência em uma porta de entrada para empresários que buscam recursos para ampliar a produção, modernizar equipamentos ou fortalecer o caixa das empresas.
A consultora e gestora da Fiems Conecta, Renata Farias, explica que a nova estrutura foi criada para funcionar como uma plataforma integrada de desenvolvimento e fomento regional, reunindo quatro pilares principais: crédito, incentivos fiscais, capacitação profissional e inteligência de mercado.
"A Fiems Conecta tem o papel de ser uma plataforma que integra soluções e articula os melhores parceiros para o desenvolvimento industrial. Nosso objetivo é fortalecer a competitividade e a sustentabilidade das empresas, simplificando o acesso aos recursos e conectando o setor às oportunidades", disse ao Correio do Estado.
Segunda ela, não existe um valor mínimo fixo para que uma empresa procure apoio da agência, uma vez que cada projeto tem características específicas. Ainda assim, os financiamentos mais procurados seguem uma faixa de valores relativamente definida. "Capital de giro normalmente envolve valores menores, em torno de R$ 1 milhão. Já os projetos de investimento têm tetos mais elevados e estão em torno de R$ 10 milhões, em média", explica.

ALTERNATIVAS
A executiva destaca que a agência atuará na identificação das melhores alternativas de financiamento para cada perfil empresarial, aproximando os empreendedores de bancos públicos, privados e organismos de fomento nacionais e internacionais.
"Estamos com parceria junto ao BNDES, um hub de conexão para que os empresários de Mato Grosso do Sul tenham acesso a linhas com taxas de juros mais baratas. Somos facilitadores estratégicos, conectando os interessados às oportunidades mais adequadas para cada necessidade", afirmou.
Embora o interesse por investimentos continue elevado, o ambiente de juros ainda é apontado como um dos principais obstáculos para a expansão da indústria. Atualmente, a taxa Selic está em 14,5% ao ano, encarecendo operações de crédito e reduzindo a capacidade de investimento das empresas.
Segundo Renata, a elevação do custo financeiro afeta especialmente projetos ligados à aquisição de máquinas, equipamentos e novas tecnologias. "A taxa de juros elevada pode até mesmo inviabilizar o financiamento e atrasar a inovação e expansão da indústria. Hoje, a taxa básica de mercado para crédito pode resultar em um custo efetivo total de 18% ao ano ou mais", observa.
Ela afirma que a missão da agência é justamente ajudar os empresários a encontrar linhas mais competitivas, muitas vezes desconhecidas pelo mercado.
A executiva avalia que a dificuldade de acesso ao crédito não está necessariamente relacionada com a falta de recursos disponíveis, mas sim a fatores como desconhecimento das linhas existentes, exigências bancárias, elaboração de projetos e adequação das empresas aos critérios das instituições financeiras.
"Há demanda por crédito. O que existe são dificuldades de acesso, seja por conta das taxas elevadas, da falta de informação, da estruturação dos projetos ou da oferta limitada de linhas mais adequadas ao perfil do cliente", explica.
INCENTIVOS
Além do crédito, a Fiems Conecta também oferecerá orientação sobre incentivos fiscais e programas de desenvolvimento empresarial disponíveis em Mato Grosso do Sul, no Brasil e até mesmo no Paraguai.
Entre os instrumentos apresentados estão programas estaduais como o Prodes, mecanismos de desoneração das exportações, incentivos voltados à cultura e ao esporte e oportunidades ligadas à integração econômica com o país vizinho, como a Lei de Maquila, o Programa Indústria Sem Fronteira e o Fomentar Fronteira.
Segundo Renata, um dos diferenciais da agência será justamente centralizar informações que hoje estão dispersas em diferentes órgãos públicos e instituições.
"Tornar as informações centralizadas e didáticas, sendo o centro de orientação e execução do empresário da indústria no Mato Grosso do Sul, torna todo o processo mais claro e ágil", destaca.
A busca por modernização tecnológica já aparece como uma das principais demandas recebidas pela agência desde o início das atividades.
Segundo Renata, empresas dos segmentos de laticínios, alimentos, plástico e alumínio estão entre as que mais procuram apoio para financiar investimentos.
"O investimento em tecnologia na indústria tem sido a principal demanda do Estado. Máquinas e equipamentos mais modernos, com maior capacidade de automação e, consequentemente, maior produtividade, são os itens mais procurados para financiamento", afirma.
Ela observa que temas como inteligência artificial, inovação e sustentabilidade passaram a fazer parte da rotina dos empresários.
"A inteligência artificial já faz parte do diálogo empresarial. Inovação e sustentabilidade estão presentes em muitos editais de crédito e também nas estratégias das empresas. O empresário quer produzir mais, inovar e continuar competitivo", finaliza.

