Após muitas promessas, a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN3) deve acontecer entre os meses de junho e julho deste ano, segundo informou o gerente Executivo de Projetos de Desenvolvimento da Produção e Descomissionamento da Petrobras, Dimitrios Chalela Magalhães, em entrevista ao Correio do Estado.
A previsão é de que a unidade entre em operação plena no primeiro semestre de 2029, com potencial para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados e impulsionar a economia de Mato Grosso do Sul.
Ainda de acordo com o executivo, a estatal já concluiu a contratação de parte dos fornecedores e deve finalizar a assinatura dos contratos ao longo do mês de maio.
Como o início efetivo das obras acontece em até 60 dias após a formalização dos contratos, o cronograma aponta para retomada do canteiro no meio do ano.
“Uma vez assinados os contratos, as obras começam em até 60 dias. Então podemos falar em início entre junho e julho, a depender de quando conseguirmos concluir todas as assinaturas”, explica Magalhães.
A retomada da fábrica ocorre após mais de uma década de paralisação do empreendimento, considerado estratégico para a política nacional de fertilizantes.

INVESTIMENTO
Segundo a Petrobras, a conclusão da unidade demandará investimento estimado em cerca de US$ 1 bilhão, o equivalente a aproximadamente R$ 5 bilhões no câmbio atual. O projeto foi dividido em 11 pacotes de contratação, que abrangem diferentes etapas da construção e montagem industrial.
A expectativa é de que a maior parte dos contratos seja executada por empresas brasileiras, com possibilidade de consórcios envolvendo companhias estrangeiras.
O pico das obras deve gerar entre 7 mil e 8 mil empregos diretos no canteiro, além de postos indiretos na economia regional.
“A expectativa é de que tenha um bom reflexo na economia local, principalmente nas cidades do entorno”, informa o gerente de Projetos.
Para atender à demanda por mão de obra especializada, a Petrobras estuda ampliar programas de qualificação profissional em parceria com instituições de ensino, por meio da iniciativa Autonomia e Renda.
Quando estiver em operação, a UFN3 terá capacidade de produzir 3.600 toneladas por dia de ureia e 2.200 toneladas de amônia.
Segundo Magalhães, a unidade sozinha terá potencial para atender cerca de 15% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados.
O mercado brasileiro é dependente de importações, cenário que ganhou relevância após a instabilidade global provocada pela Guerra da Ucrânia, que afetou a oferta internacional de insumos agrícolas.
“A UFN3 sozinha é capaz de deslocar 15% das importações. Somada ao parque de fertilizantes da Petrobras, podemos chegar a até 30% da demanda nacional”, diz.
PROJETO
O projeto da fábrica permanece essencialmente o mesmo elaborado em 2011. Segundo Magalhães, a tecnologia continua competitiva e eficiente no consumo de gás natural.
“O projeto continua bastante competitivo. Ele consegue produzir mais ureia consumindo menos gás do que unidades mais antigas”.
O funcionamento da unidade depende do fornecimento de gás natural, principal insumo para a produção de fertilizantes nitrogenados. A demanda estimada é de 2,3 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia.
A estatal informou que aprovou investimentos em novos projetos de exploração e produção capazes de ampliar a oferta nacional do insumo, o que deve garantir o abastecimento da unidade.
Parte da infraestrutura existente será aproveitada, incluindo a malha de gasodutos já instalada na região, com possibilidade de adaptações para viabilizar o fornecimento.
Mesmo após anos de paralisação, a Petrobras afirma que a estrutura física foi preservada e poderá ser aproveitada na retomada do empreendimento.
Segundo Magalhães, será necessária uma etapa de inspeção e recalibração de equipamentos antes da retomada plena da construção.
“A unidade foi bem preservada. Naturalmente, será necessário revisar instrumentos e equipamentos, mas a maior parte da estrutura existente será aproveitada”.

