Economia

SEMESTRE

Arrecadação de Mato Grosso do Sul cresce R$ 384 milhões no semestre

Previsão de receitas também foi ampliada em mais de R$ 293 milhões, de acordo com relatório de gestão

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Governo de Mato Grosso do Sul:

Desde o início da pandemia os estados apontam queda na arrecadação com impostos. 

Conforme o demonstrativo da receita corrente líquida (RCL), publicado no Diário Oficial do Estado nesta quinta-feira (30), Mato Grosso do Sul conseguiu contornar as dificuldades e ampliou as receitas com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em R$ 384,029 milhões no primeiro semestre de 2020 no comparativo com o mesmo período do ano passado. 

A previsão de receitas também foi ampliada em R$ 293,445 milhões.

Entre janeiro e junho de 2019, o Estado arrecadou R$ 4,295 bilhões com a principal receita do ente federado, o ICMS. 

Já neste ano, o primeiro semestre rendeu aos cofres estaduais R$ 4,680 bilhões, 8,9% a mais que no mesmo período do ano anterior, mesmo considerando os impactos da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). 

Analisando o semestre imediatamente anterior – julho a dezembro de 2019 –, o aumento na arrecadação foi de 17,52%, ou R$ 697,393 milhões a mais em ICMS.

Quando considerada a receita com todos os impostos, além do ICMS, o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCD), Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e outros impostos, taxas e contribuições, o Estado recolheu R$ 5,875 bilhões no primeiro semestre de 2020, contra R$ 5,567 bilhões angariados no mesmo período do ano passado – montante R$ 307,905 milhões maior durante os mesmos seis meses.  

Mensal

Em junho, a arrecadação total de impostos foi de R$ 903,729 milhões, a maior desde março, quando o ente federado angariou R$ 1,025 bilhão em impostos. 

Comparado ao mês imediatamente anterior, a ampliação foi de R$ 118,051 milhões. Em maio, Mato Grosso do Sul arrecadou R$ 785,678 milhões com impostos contra os R$ 903,729 milhões em junho.  

No comparativo mensal, o aumento da receita com ICMS foi de R$ 114,214 milhões. Em maio, o Estado angariou R$ 649,572 milhões com o principal imposto; já em junho, foram R$ 763,786 milhões.

A previsão de receitas também aumentou. Segundo o demonstrativo, a estimativa inicial de arrecadação era de R$ 15,800 bilhões; a previsão atualizada é de R$ 16,093 bilhões, R$ 293,445 milhões a mais. Outra estimativa que aumentou é a de despesas: a dotação inicial era de R$ 15,800 bilhões, já a dotação atualizada é de R$ 16,336 bilhões, aumento de R$ 535,700 milhões.

Refis

O governo do Estado estabeleceu algumas medidas pontuais que interferem diretamente na arrecadação, entre elas o programa de regularização tributária (Refis do ICMS) e o programa Nota MS Premiada.

O Refis já negociou R$ 225 milhões em dívidas com o ICMS. A edição teve início em dezembro de 2019 e foi prorrogada até 30 de setembro de 2020. De acordo com a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), até o fim de junho foram negociados R$ 225 milhões, sendo R$ 150 milhões renegociados com a secretaria e outros R$ 75 milhões pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE). 

“Com a prorrogação, estima-se um recebimento em torno de R$ 40 milhões”, informou a Sefaz por meio de nota.

A renegociação vale para créditos do ICMS, contribuição do Fundo de Desenvolvimento do Sistema Rodoviário do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundersul) e obrigações acessórias. 

A primeira lei do Refis definia que a adesão poderia ser feita até 16 de março, prazo que foi estendido para 15 de junho e agora para 30 de setembro.

Pode aderir o contribuinte que tiver débito igual ou superior a R$ 1 milhão, e poderá parcelar em até 90 vezes, com 80% de desconto das multas e 60% de desconto dos juros de mora.

Nota

A implantação da Nota MS Premiada também ajudou a ampliar o faturamento com impostos. 

A campanha da gestão estadual passou a valer no dia 1° de janeiro. Desde essa data, a cada compra a partir de R$ 1, o consumidor tem direito de exigir o CPF na nota fiscal.  

De acordo com o chefe da Unidade de Educação Fiscal da Sefaz, Amarildo Cruz, entre janeiro e junho foram emitidas mais de 30,5 milhões de notas fiscais com o CPF. 

“Nossa avalização desse programa é a mais positiva possível, mesmo considerando o período atípico de pandemia. Hoje temos 21% das notas emitidas com CPF, antes o percentual era de 8%. Ainda não temos números exatos sobre a arrecadação, mas o Estado teve uma ampliação da arrecadação entre 5% e 10% que, com certeza, deve-se à nota premiada. Todos os indicadores mostram o sucesso do programa”.  

A intenção do programa, conforme a gestão estadual, é evitar a sonegação de impostos e fazer com que o consumidor seja um fiscal. Como recompensa, ele concorre a R$ 300 mil em prêmios.

Ajuda federal

Mato Grosso do Sul já recebeu duas parcelas da ajuda federal para compensar as perdas. A sanção presidencial foi publicada no dia 28 de maio no Diário Oficial da União (DOU) e representa um socorro de R$ 60,15 bilhões para estados e municípios de todo o País. 

O socorro federal é dividido entre o custeio da administração e valores destinados ao combate a pandemia.  

O Estado vai receber, no total, R$ 1,16 bilhão dividido em repasses programados para os dias 9 de junho, 13 de julho, 12 de agosto e 11 de setembro. O valor corresponde aos recursos destinados ao Estado (R$ 702 milhões) e às 79 prefeituras (R$ 461 milhões).

CAGED

Geração de empregos em março cresceu 172% em MS

No mesmo mês do ano passado, o saldo de vagas no Estado foi de 1.30. Neste ano, o saldo subiu para 3.554 vagas

29/04/2026 15h40

Em março de 2026, foram mais de 3 mil postos de trabalhos no Estado

Em março de 2026, foram mais de 3 mil postos de trabalhos no Estado FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A criação de vagas de trabalho em Mato Grosso do Sul cresceu 172% em março de 2026 com relação ao mesmo mês do ano passado. O levantamento foi divulgado pelo Ministério do Trabalho nesta quarta-feira (29) através do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

De acordo com os dados, em março deste ano, o saldo de empregos ficou em 3.554 vagas de trabalho, resultado de 40.698 admissões e 37.144 desligamentos, enquanto no mesmo mês em 2025, o saldo foi de 1.305. Isso mostra um crescimento de mais que o dobro na série sazonal. 

O destaque do Estado fica com o município de Inocência que, sozinha, foi responsável pela criação de 899 postos de trabalho em março, ou 25,3% do saldo de Mato Grosso do Sul. 

O município é sede da fábrica de celulose chilena Arauco, que emprega, atualmente, 9,2 mil trabalhadores, número superior ao total de habitantes no município que, antes do início das obras, tinha em torno de 8,5 mil moradores. 

No pico das obras de construção da fábrica, o que deve ocorrer ainda neste ano, a previsão é de que o canteiro de obras abrigue 14 mil trabalhadores ao mesmo tempo.

Desde o início deste ano, Inocência já criou 3.037 postos de trabalho. Em todo o Estado, no primeiro trimeste de 2026, o saldo é de 14.030.

Em Campo Grande, foram 1.428 postos de trabalho criados em março. 

Setores

Em março, o destaque do saldo de empregos continuou sendo o setor de serviços, assim como no primeiro bimestre do ano. O setor foi responsável por 1.680 novas vagas, resultado de 14.999 admissões e 13.319 desligamentos. 

Em todo o ano, já foram 6.108 empregos no setor, 43,5% de todas as vagas geradas no Estado nos três primeiros meses. 

Em seguida, o setor da indústria gerou 1.208 vagas em março a partir de 7.023 contratações e 5.815 demissões. 

A construção ficou com um saldo positivo de 886 empregos, com 4.143 admissões e 3.257 demissões no mês, seguido pelo comércio, que teve saldo de 227 vagas, fruto de 9.156 contratações e 8.929 desligamentos. 

O setor da agroindústria foi o único que teve saldo negativo no mês, ou seja, houveram mais demissões que contratações. No total, foram 5.377 admissões e 5.824 demissões, resultando em um saldo de -447 vagas. 

As vagas foram preenchidas majoritariamente por homens (1.803) e jovens entre 18 e 24 anos (1.298), nos cargos de trabalhadores de produção de bens e serviços industriais (1.573).

Nacional

O crescimento entre o mês de março de 2025 e 2026 também foi percebido a nível nacional. No ano passado, foram 79.994 novas vagas no período, enquanto, neste ano, o número cresceu 185,3%, chegando a 228.208 novos postos de trabalho. 

De janeiro a março. foram 613.373 vagas formais. Nos últimos 12 meses, o total de postos gerados chega a 1.211.455. Desde 2023, já foram criadas mais de 5 milhões de vagas formais no país.

O saldo é resultante de 2.526.660 admissões e 2.298.452 desligamentos, sendo foi positivo em 24 unidades federativas. 

Entre os setores, o maior crescimento ocorreu em Serviços, com geração de 152.391 postos no mês. Na sequência, aparecem Construção (38.316), Indústria (28.336) e Comércio (27.267).

Apenas a Agropecuária registrou retração, com queda de 18.096 postos, influenciada principalmente pela finalização de safras de maçã, soja e uva.

No País, foram contratadas mais mulheres (132.477) que homens (95.731), destacando a geração de 165.785 postos para pessoas de até 24 anos, o equivalente a 72,6% do total do mês.

Disparidade

Mulheres recebem 26% a menos que homens em MS, aponta MTE

Diferença salarial no Estado supera média nacional e se mantém mesmo com avanço da participação feminina no mercado

29/04/2026 15h00

Mulheres ainda recebem menos que homens, aponta pesquisa

Mulheres ainda recebem menos que homens, aponta pesquisa FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A remuneração média das mulheres em Mato Grosso do Sul segue significativamente inferior à dos homens, mesmo diante do aumento da presença feminina no mercado de trabalho. Dados do 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), mostram que as trabalhadoras sul-mato-grossenses recebem, em média, R$ 3.065,70, enquanto os homens ganham R$ 4.151,02, diferença de 26%.

O levantamento considera estabelecimentos com 100 ou mais empregados e tem como base informações da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). No recorte nacional, a desigualdade é menor, mulheres recebem, em média, 21,3% a menos que os homens.

Em Mato Grosso do Sul, a disparidade se repete em praticamente todos os recortes analisados, inclusive quando se considera raça. Entre trabalhadores não negros, os homens têm remuneração média de R$ 5.067,47, contra R$ 3.706,03 das mulheres. Já entre negros, os homens recebem R$ 3.701,36, enquanto as mulheres ganham R$ 2.658,43, evidenciando um duplo recorte de desigualdade (de gênero e racial).

Além da remuneração média, o salário contratual mediano também revela diferença. Enquanto os homens têm mediana de R$ 2.496,51, as mulheres recebem R$ 1.967,35 no Estado.

Mato Grosso do Sul contava, em dezembro de 2025, com 652 estabelecimentos com 100 ou mais empregados, responsáveis por 226,1 mil vínculos empregatícios. Desses, 83 mil eram ocupados por mulheres, sendo 50 mil por mulheres negras (60,2%) e 32,9 mil por mulheres não negras (39,6%). Os homens empregados nessas empresas somavam 143,1 mil, dos quais 95,1 mil eram negros (66,4%) e 48 mil não negros (33,5%).

OCUPAÇÕES

A diferença salarial também aparece quando analisados os grandes grupos ocupacionais. Entre dirigentes e gerentes, por exemplo, as mulheres recebem cerca de 62,1% da remuneração média dos homens. Em cargos de nível superior, esse percentual sobe para 75,7%, mas ainda distante da igualdade.

Nos cargos técnicos de nível médio, a proporção cai para 60,3%, enquanto nas atividades operacionais, onde está a maior parte dos vínculos empregatícios, as mulheres recebem 64,2% da remuneração masculina.
Já nos serviços administrativos, a diferença é menor, mulheres ganham, em média, 78,7% do rendimento dos homens.

Apesar da persistência da desigualdade salarial, o relatório do MTE aponta avanços na participação feminina no mercado de trabalho. Entre 2023 e 2025, o número de mulheres empregadas no país cresceu 11%, passando de 7,2 milhões para 8 milhões, um acréscimo de 800 mil trabalhadoras.

O crescimento foi ainda mais expressivo entre mulheres negras, com aumento de 29%, o que representa mais 1 milhão de novas ocupações.

Mesmo com essa expansão, a massa de rendimentos das mulheres subiu de 33,7% para 35,2%, ainda distante da participação feminina no emprego, que é de 41,4%. Segundo o MTE, para alcançar esse equilíbrio, seria necessário um acréscimo de R$ 95,5 bilhões nos rendimentos das trabalhadoras.

Os dados nacionais indicam que, apesar da expansão das oportunidades, ainda é necessário avançar na equiparação salarial e em outros aspectos.

“Quando nós defendemos a igualdade salarial, não estamos defendendo puramente aquele número nominal de valor do salário das mulheres e homens numa empresa. Nós estamos falando da função que essa mulher está, das condições de trabalho em que ela se encontra, dos direitos que ela já tem garantidos e que muitas vezes não são cumpridos”, afirmou a ministra das Mulheres, Márcia Lopes.

“As mulheres ainda se ressentem muito de todos esses processos que as discriminam, que as inferiorizam, que as subalterniza por vários interesses e, principalmente, pela cultura ainda misógina, machista. A gente tem que trabalhar muito mais, tem que dialogar muito mais, tem que se juntar a todas as confederações, as entidades, as instâncias federativas”, completou a ministra das Mulheres.

ESTABILIDADE

O relatório indica que a desigualdade salarial não apresentou melhora significativa desde a implementação da Lei nº 14.611/2023, que trata da igualdade salarial entre homens e mulheres. No salário mediano, a diferença passou de 13,7% para 14,3%. Já na remuneração média, subiu de 20,7% para 21,3% no País.

Por outro lado, aumentou o número de empresas com menor desigualdade. Estabelecimentos com até 5% de diferença no salário mediano cresceram 3,8%, chegando a cerca de 30 mil. No rendimento médio, esse grupo avançou 4,3%.

Também houve avanço em políticas internas, como oferta de jornada flexível (de 40,6% para 53,9%), auxílio-creche (de 22,9% para 38,4%) e ampliação de licenças parentais.

O Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, reforçou as palavras de Márcia Lopes e disse que a luta por igualdade das mulheres vai além da questão salarial. Para ele, é preciso estar atento à promoção das carreiras.

 “Não é somente a igualdade de salário na mesma função. Nós estamos falando da necessidade da promoção de valorização das mulheres na ascensão nas carreiras. Nós queremos estabelecer passo a passo, degrau por degrau, na construção da igualdade salarial, mas ela é um pedacinho do todo que nós desejamos quando se debate o direito das mulheres”.

Saiba

A Lei nº 14.611, sancionada em 2023, determina que empresas com 100 ou mais empregados adotem medidas para garantir igualdade salarial, como transparência remuneratória, fiscalização contra discriminação e programas de diversidade.

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