Economia

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Bancada federal de MS solicita R$ 1,6 bilhão para investimentos

Mais de R$ 500 milhões já estão garantidos para emendas impositivas, que o governo é obrigado a executar

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A bancada federal sul-mato-grossense solicitou, por meio de emendas, R$ 1,669 bilhão em investimentos para o Estado no Orçamento Geral da União (OGU) do próximo ano, de acordo com relatório divulgado pela Câmara dos Deputados na semana passada.

Desse valor, 30%, ou R$ 500,2 milhões, já estão garantidos por serem emendas impositivas (que o governo federal é obrigado a executar). O texto começou a ser discutido no Congresso Nacional na terça-feira (22). 

A apresentação das emendas atende solicitação do governador Reinaldo Azambuja e do governador eleito Eduardo Riedel, feita em reunião com a bancada neste mês, em Brasília. No encontro, os parlamentares assumiram o compromisso de alocar recursos para obras de infraestrutura, segurança pública, agricultura familiar, saúde, habitação e educação.

“Inicialmente, colocamos cinco emendas como prioritárias: Anel de Três Lagoas, Aeroporto de Dourados, BR-419, segurança pública e Sul-Fronteira. E fomos conversar com o Eduardo e a bancada para não termos prejuízos com a interrupção das ações e para que ele possa colocar as prioridades para o novo governo que começa em janeiro”, disse Azambuja durante o encontro.

Foi o que acabou sendo feito, com a bancada adotando a estratégia de dobrar as emendas para a mesma obra, sendo uma impositiva e outra que depende de aprovação dos relatores setoriais para ser acatada.

Por isso, apesar de a bancada solicitar R$ 1,669 bilhão em investimentos para o Estado, R$ 1,168 bilhão depende de aprovação dos relatores, uma vez que esse valor ultrapassa os R$ 500,2 milhões das emendas impositivas individuais e das apresentadas pela bancada (assinadas por todos).

São R$ 215,4 milhões em emendas individuais para atender a base dos parlamentares, e cada um pôde apresentar R$ 19,7 milhões. Também há outros R$ 284,8 milhões das emendas de bancada. 

Do total de R$ 1,669 bilhão, R$ 522,8 milhões foram solicitados para obras viárias. São R$ 202,8 milhões para a rodovia MS-165, conhecida como Sul-Fronteira, dando continuidade ao investimento em Paranhos, que vai ter a contrapartida de R$ 50 milhões do governo do Estado. A certeza é de que R$ 50 milhões serão executados pela União no próximo ano, já que é uma emenda impositiva.

Para construção de trecho na rodovia BR-419, entroncamento BR-163 (Rio Verde de Mato Grosso) e entroncamento BR-262 (Aquidauana), foram solicitados R$ 150 milhões, com R$ 50 milhões impositivos. O Anel Viário de Três Lagoas tem R$ 10 milhões assegurados, e outros R$ 30 milhões ainda dependem do Congresso Nacional. 

Campo Grande terá R$ 30 milhões para asfaltamento de ruas por meio de uma emenda que obriga o governo federal a fazer o investimento, mas foram pedidos mais R$ 100 milhões que ainda dependem do relator.

Em segundo lugar com mais investimentos aparece o setor habitacional. Estão assegurados R$ 30 milhões (R$ 20 milhões para Campo Grande e R$ 10 milhões para Dourados), porém a bancada solicitou mais R$ 200 milhões para construção de casas populares nos dois municípios.

Para a saúde, estão garantidos R$ 30 milhões por meio de emenda impositiva, mas a bancada pediu mais R$ 180 milhões, totalizando R$ 210 milhões. A segurança pública terá R$ 20 milhões e poderá chegar a R$ 100 milhões caso emenda de R$ 80 milhões seja aprovada pelo relator do Orçamento.

A bancada assegurou, em emendas de execução obrigatória, R$ 70 milhões para as universidades UFMS, UFGD e UEMS e para o IFMS, além de centros de pesquisa. Outros R$ 42 milhões ainda dependem de aprovação.

Os parlamentares sul-mato-grossenses também destinaram R$ 70 milhões para a compra de equipamentos a serem usados no setor agropecuário, sendo R$ 20 milhões em emendas impositivas.

Já os 11 parlamentares federais apresentaram, até a semana passada, 102 emendas, que totalizam R$ 215,4 milhões, para atender as demandas de suas bases eleitorais, com metade obrigatoriamente destinada ao setor da saúde. Esse recurso tem o investimento garantido por ser proveniente de emendas impositivas ao Orçamento.

Também por atuação dos parlamentares federais, foram apresentadas, em comissões do Congresso, duas emendas que atendem Mato Grosso do Sul. Elas totalizam R$ 187,6 milhões, mas dependem de aprovação.

Saiba: Com o fim do prazo para receber emendas, a Comissão Mista do Orçamento começou a apreciar o Orçamento na terça-feira (22), quando o colegiado se reuniu para discutir alguns critérios e definir quais emendas apresentadas serão acatadas e incluídas na redação final.


 

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crescimento

Empresas do agro puxam alta de recuperações judiciais

Estado registrou 38 pedidos entre produtores e empresas da cadeia, ante 25 no mesmo período de 2025

17/08/2026 07h40

Arquivo

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O agronegócio de Mato Grosso do Sul registrou forte aumento nos pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre deste ano. Foram 38 solicitações entre produtores rurais e empresas relacionadas à cadeia do setor, contra 25 no mesmo período de 2025. O crescimento de 52% em apenas um ano ficou bem acima da alta de 21,9% registrada no País, conforme os dados da Serasa Experian.

O levantamento aponta ainda que no Estado, o maior número de solicitações partiu das empresas relacionadas ao agronegócio, que concentraram 22 pedidos entre janeiro e março. O grupo representa quase 58% do total registrado em MS.

Na sequência aparecem os produtores rurais que atuam como pessoa física, com 13 pedidos, enquanto os produtores constituídos como pessoa jurídica somaram apenas três solicitações no período.

O avanço ocorre em um momento de pressão sobre o caixa do setor, com crédito mais seletivo, custos elevados de produção e maior nível de endividamento. Segundo a Serasa Experian, esses fatores continuam dificultando a capacidade de produtores e empresas de manter o equilíbrio financeiro.

Para o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, o aumento dos pedidos no início deste ano reflete problemas que já vinham afetando o setor.

“O ambiente de crédito mais seletivo, combinado à manutenção de custos elevados de produção e ao maior nível de alavancagem dos produtores, continuou afetando o fluxo de caixa no campo. Dessa forma, os pedidos voltaram a crescer no início de 2026, mas ainda não retomaram os níveis mais elevados observados em meados do ano passado”, disse e completou.

“Daqui para o meio e o fim do ano, a evolução do cenário dependerá da capacidade de geração de receita, do comportamento das margens e das condições de renegociação dos compromissos. Por isso, reforçamos que renegociar e manter um planejamento financeiro deve ser prioridade enquanto a recuperação judicial precisa permanecer como o último recurso”.

PERFIL

O principal ponto de atenção em Mato Grosso do Sul está nas empresas que integram a cadeia do agronegócio. Dos 38 pedidos contabilizados no primeiro trimestre, 22 foram feitos por esse grupo. O número coloca as empresas relacionadas ao agro como responsáveis pela maior parcela das recuperações judiciais do setor no Estado.

Em todo o Brasil, esse segmento registrou 96 pedidos no primeiro trimestre, crescimento de 18,5% em relação aos 81 registrados no mesmo período de 2025.

Entre as atividades que mais solicitaram recuperação judicial estão as agroindústrias de transformação primária, com 23 pedidos, seguidas pelas indústrias de processamento de agroderivados, com 19, e pelos serviços de apoio à agropecuária, com 15 pedidos.

No ranking nacional, Paraná, São Paulo e Mato Grosso lideraram os pedidos entre as empresas relacionadas à cadeia do agro.

O cenário mostra que a dificuldade financeira não está concentrada apenas no produtor que trabalha diretamente dentro da propriedade. Empresas responsáveis por processamento, transformação e prestação de serviços também sofrem os efeitos de um ambiente de crédito mais restritivo e de custos elevados.

Os produtores rurais que atuam como pessoa física foram responsáveis por 13 pedidos de recuperação judicial em Mato Grosso do Sul no primeiro trimestre.

O número chama a atenção porque, no cenário nacional, essa categoria apresentou queda. Foram 182 pedidos no primeiro trimestre deste ano, ante 195 no mesmo período de 2025, redução de 6,7%.

Na avaliação nacional por porte, os produtores classificados como “sem propriedades” concentraram 60 pedidos. A classificação pode incluir arrendatários ou integrantes de grupos familiares e econômicos ligados à atividade rural.

Na sequência aparecem pequenos proprietários, com 44 solicitações; grandes produtores, com 41 pedidos; e médios, com 37 solicitações.

Mato Grosso liderou a lista nacional de pedidos entre produtores pessoa física, seguido por Paraná e Goiás.
Em Mato Grosso do Sul, porém, o comportamento foi diferente da média brasileira, com 13 solicitações no primeiro trimestre.

Entre os produtores rurais constituídos como pessoa jurídica, MS registrou três pedidos de recuperação judicial entre janeiro e março. O número representa a menor participação entre os três grupos analisados no Estado.

No País, porém, esse foi o segmento que apresentou o crescimento mais expressivo. Foram 196 pedidos no primeiro trimestre deste ano, contra 113 no mesmo período do ano passado, uma alta de 73,5%.

Conforme já publicado pelo Correio do Estado, no ano passado, foram 216 pedidos de recuperação judicial no setor em MS, volume que é 118% superior ao de 2024 e 756% maior que os pedidos de recuperação judicial de 2023.

Para Frederico Poleto, diretor de ciência de dados agro na Serasa Experian, são vários os fatores que influenciam na disparada dos pedidos de recuperação judicial. Entre os motivos estão o aumento da taxa Selic e também uma mudança de mercado que resultou em queda de preços.

 “No agro, há fatores climáticos e de mercado que impactam de forma bem específica. A soja, por exemplo, teve os preços historicamente mais altos entre os anos de 2020 e 2022, com custos baixos de grãos, fertilizantes, defensivos e operacionais”, explica.

ESTRATÉGIA

A recuperação judicial permite que produtores e empresas em dificuldade financeira reorganizem suas dívidas e busquem condições para manter as atividades. No agronegócio, o mecanismo ganhou espaço diante da combinação de custos elevados, endividamento e oscilações de receita.

Para Marcelo Pimenta, entretanto, o recurso deve ser utilizado somente depois de esgotadas outras alternativas.

A recomendação da Serasa Experian é priorizar a renegociação dos compromissos e o planejamento financeiro, especialmente em períodos de maior pressão sobre o caixa.

tarifaço

Exportadores veem motivação eleitoral e criticam abertura do processo de reciprocidade

Líderes de entidades industriais entendem que o acionamento da lei de reciprocidade não deve servir como pressão adicional para forçar o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, a negociar o tarifaço

16/08/2026 23h00

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A abertura do processo de reciprocidade em resposta ao tarifaço do governo norte-americano sobre produtos brasileiros está sendo lamentada por setores exportadores da indústria. A percepção é de que a medida atende mais ao propósito do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, de fortalecer o discurso de soberania nacional, visando à reeleição em outubro, do que aos interesses das empresas que tiveram embarques ao mercado americano atingidos por sobretaxas comerciais.

Líderes de entidades industriais consultados pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) entendem que o acionamento da lei de reciprocidade não deve servir como pressão adicional para forçar o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, a negociar o tarifaço.

Também apontam que os efeitos práticos da iniciativa dificilmente ocorrerão em menos de três meses, devido às etapas do processo - aprovação de relatório, consulta pública e deliberações finais - até a eventual aplicação de contramedidas

Por isso, nos bastidores, exportadores avaliam que a abertura do processo decorreu mais de cálculos políticos do que econômicos. "Estamos em ano eleitoral, e a reciprocidade vem ao encontro do discurso de soberania. Pode ser usada nesse aspecto", comentou, em off, um dirigente da indústria.

O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, concorda que a medida pode ter sido influenciada pelas eleições. Segundo ele, a decisão do governo tende a gerar mais transtorno do que benefício nas negociações com os Estados Unidos.

"Eu preferiria que essa medida não tivesse sido tomada porque, neste momento, não estamos em condição de igualdade com os Estados Unidos. Pelo contrário, somos coadjuvantes, enquanto o outro lado é protagonista", comenta Castro.

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