A sexta instalação de uma fábrica do setor de silvicultura em Mato Grosso do Sul, do grupo asiático Royal Golden Eagle (RGE), que controla a Bracell, obteve R$ 1,5 bilhão em um novo sistema de financiamento no Brasil que está sendo operado pelo BTG Bactual e conta com 40% de recursos públicos do Tesouro Nacional e o restante captado com investidores privados.
A aprovação do recurso para garantir que a Bracell avance nas obras em Bataguassu, principalmente em termos de atendimento a questões de meio ambiente, foi divulgada oficialmente neste dia 11 de maio e o valor obtido representa mais de um terço do total disponibilizado na linha de financiamento Eco Invest Brasil que o BTG Pactual tem disponível.
Esse projeto foi criado pelo governo federal para tentar destravar investimentos privados e também atrair capital externo para financiar projetos com proposta sustentável de longo prazo.
Com a aprovação, Mato Grosso do Sul entre no mapa federal de grandes projetos voltados para a sustentabilidade e que estão na mira do mercado financeiro.
A proposta que garantiu os recursos para a Bracell reverter na planta em Bataguassu foi apresentada no segundo leilão promovido pela Eco Invest Brasil.
O BTG Pactual passou a contar com R$ 4,9 bilhões para reverter em projetos ligados a recuperação produtiva de áreas degradadas. Além desse valor, há o compromisso para que sejam restaurados 164 mil hectares.
Para a região de Bataguassu, o grupo asiático que controla a empresa a ser instalada na área de celulose assumiu o compromisso de viabilizar a restauração de 54 mil hectares, o que representa quase 33% do compromisso previsto no contrato do BTG Pactual pelo Eco Invest Brasil. Nessas áreas que a empresa vai atuar com recuperação vão ser implantados sistemas de produção agropecuário e florestal.
Além do financiamento obtido via governo federal e iniciativa privada, o governo de Mato Grosso do Sul concedeu incentivos fiscais à Bracell.
Outra questão envolvida nesses investimentos é remover gás carbônico da atmosfera. Esse direcionamento ainda está alinhado com uma política do governo do Estado, que é tornar Mato Grosso do Sul um estado carbono neutro até 2030.
“O resultado é impulsionado pelo papel das florestas no balanço de carbono da empresa. Apenas em 2025, foram 3,4 milhões de tCO2 e removidas, sendo 1,8 milhão provenientes de florestas plantadas e 1,6 milhão de áreas nativas preservadas. O total de 6 milhões de toneladas (sequestradas ano passado, conforme anúncio oficial da Bracell) marca o avanço da companhia rumo à meta de 25 milhões até 2030, estabelecida no compromisso ‘Bracell 2030’”, divulgou a empresa em seu balanço de sustentabilidade, em nota oficial.

CONSTRUÇÃO
A construção da unidade em Bataguassu já tinha sido confirmada no dia 6 de maio do ano passado. Com cerca de 12 meses após aquele anúncio, a multinacional confirmou a obtenção de financiamento bilionário para reverter no projeto.
“A parceria com o BTG agrega expertise financeira à capacidade operacional da Bracell, fortalecendo a execução em larga escala. A operação está inserida em um movimento mais amplo de direcionamento de capital para soluções de baixo carbono”.
“A iniciativa contribui para ampliar a atratividade de investimentos sustentáveis no País, com potencial de replicabilidade em outros projetos. A operação permite a recuperação de cerca de 54 mil hectares de áreas degradadas, evitando a conversão de novas áreas. Os impactos são monitorados por indicadores como hectares recuperados e carbono estocado, com metodologias reconhecidas”, informou a empresa, ao Correio do Estado.
A previsão da indústria em Mato Grosso do Sul é começar a operar em 2029 e ter capacidade de produção de 2,8 milhões de toneladas de celulose por ano.
PROJETO
A Bracell prevê investimentos totais de US$ 4,5 bilhões e deve direcionar sua produção para a celulose kraft e celulose solúvel. O pedido de licença para a instalação da unidade ocorreu em março deste ano e análise de liberação é feita pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul).
A obtenção dos recursos para financiar atividades sustentáveis garante que as atividades do grupo possam tramitar com mais força em termos de licenças ambientais.
Atualmente, o Estado conta com quatro fábricas em operação: três da Suzano (duas em Três Lagoas e uma em Ribas do Rio Pardo) e uma da Eldorado (em Três Lagoas). Ainda há um projeto em andamento para a quinta fábrica em Inocência, da Arauco.

