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Prefeitura compra usina por quase R$ 1 milhão, abandona e vende abaixo do preço de mercado

Equipamento de R$ 900 mil ficou parado por três anos e acabou vendido abaixo do valor para empreiteira com contratos milionários em Rio Brilhante

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Em outubro de 2021, a Prefeitura de Rio Brilhante, no sul do Mato Grosso do Sul, gastou R$ 900 mil de dinheiro público para comprar uma usina de asfalto. A promessa era que com o equipamento próprio, o município economizaria 40% nos custos de pavimentação, segundo publicações com o prefeito Lucas Foroni (PP) amplamente divulgadas. 

Quatro anos depois, a usina nunca tinha funcionado. Estava ao relento, no Parque Industrial da cidade, coberta com lonas, partes espalhadas em dois lotes separados, tudo registrado por técnicos do Ministério Público do Mato Grosso do Sul (MPMS) em vistoria realizada em 2023. A promessa de autonomia tinha virado uma peça de museu enferrujado.

Em 23 de abril de 2025, a usina foi a leilão por R$ 850 mil, cinquenta mil a menos do valor pago. Um único licitante fez uma única oferta: R$ 851 mil.

A empresa arrematante era do ramo de usinagem de asfalto e tinha contratos ativos de R$ 16,5 milhões com a Prefeitura, com outro cnpj, do mesmo proprietário, Bruno Cezar de Souza Trindade.

A empreiteira tem mais de R$ 150 milhões em contratos com o governo do EStado, incluindo obras no Pantanal e também o Pólo Industrial em Rio Brilhante, bancado pela Seilog. 

Usina enferruja ao relento

A Usina de Asfalto foi fornecida pela empresa MARGUI MAQUINAS EIRELI, com sede em Flores da Cunha, no Rio Grande do Sul. 

O contrato, assinado em 14 de junho de 2021 pelo então Secretário Municipal de Infraestrutura Paulo Cesar Alves, previa entrega em até 90 dias, garantia de 12 meses e treinamento operacional de no mínimo 10 dias.  

E o equipamento ficou parado.

Quando o Ministério Público abriu Inquérito Civil para investigar a ociosidade e desperdício de verba pública, a Prefeitura se justificou dizendo que as licitações para aquisição dos insumos necessários para operar a usina, massa asfáltica, ligante betuminoso e agregados, tinham ido a deserto. Sem matéria-prima, sem usina funcionando.

A Procuradoria-Geral do Município admitiu, em ofício ao MP datado de 4 de julho de 2024, que a disponibilidade de insumos no mercado regional “poderia e deveria ter sido previamente verificada, mormente no Estudo Técnico Preliminar”, o documento de planejamento que é obrigatório antes de qualquer aquisição pública de grande porte.

Ou seja, a Prefeitura de Rio Brilhante comprou primeiro, verificou a viabilidade depois, e descobriu que não havia viabilidade. O Município confessou uma falha de planejamento que deveria ter impedido a compra.

MP assina acordo com prefeito em 2024

Em 13 de agosto de 2024, depois de quase um ano de investigação, o Promotor de Justiça Alexandre Rosa Luz assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Prefeito Lucas Centenaro Foroni.

O TAC impunha três obrigações principais: em 30 dias, provar que medidas de conservação haviam sido adotadas; em 120 dias, demonstrar viabilidade de consórcio com outros municípios ou iniciar processo de alienação do bem; em 15 dias, instaurar sindicância para apurar a responsabilidade dos agentes públicos envolvidos.

O MP consignou no TAC que, naquele momento, ‘inexistiam elementos que demonstrassem ação ou omissão dolosa’, o padrão exigido pela Lei de Improbidade Administrativa desde a reforma de 2021. 

O documento preservava expressamente o direito do MP de ajuizar ação civil pública, abrir inquérito criminal e propor ação penal a qualquer tempo. O que ocorreu em abril de 2025 mudaria o cenário de forma decisiva.

Arremate da usina

Em 26 de março de 2025, a Prefeitura publicou o Edital do Leilão Eletrônico 001/2025. O Lote 11 era a usina de asfalto e o edital a descrevia em estado de conservação ‘BOM’, com valor estimado de R$ 850 mil. 

A arrematante foi a AVANTE USINAGEM DE ASFALTO LTDA, empresa irmã da Avance Construtora, empresa com contrato milionário para “prestação de serviços para manutenção e conservação de diversas estradas, pavimentadas e não pavimentadas, da malha rodoviária da regional de Rio Brilhante”. 

A sessão do leilão aconteceu em 23 de abril de 2025 e houve um único participante. Um único lance. O valor: R$ 851 mil, exatamente mil reais acima do mínimo estabelecido e R$ 49 mil a menos do que a prefeitura havia pagado. Corrigida pelo IPCA, a perda patrimonial real é estimada entre R$ 230 mil e R$ 427 mil, dependendo da metodologia de cálculo adotada.

A isso some-se o contrato de R$ 16,5 milhões assinado com a AVANTE em março de 2024, para pavimentação e manutenção de vias, exatamente o que a usina deveria ter feito. 

O contrato foi firmado cinco meses antes do TAC que determinaria a alienação do bem. A AVANTE, portanto, estava prestando o serviço que a usina deveria substituir enquanto o MP investigava por que a usina não funcionava. E seis meses depois do TAC, arremataria a própria usina.

Quando o Promotor Alexandre Rosa Luz assinou o TAC em agosto de 2024, ele não sabia que, sete meses depois, a usina seria arrematada por uma empresa do setor com contratos ativos no município, por R$ 1.000 acima do valor mínimo, sem concorrentes.

Prefeitura e AVANTE foram procuradas e não responderam até o fechamento desta reportagem.

Meio Ambiente

MS lança plataformas que identificam queimadas em até 10 minutos

Novas plataformas usam imagens de satélite, inteligência geoespacial e automação para identificar desmatamento e focos de incêndio com mais rapidez, ampliando o monitoramento em todo o Estado

09/06/2026 18h28

Foto: Gustavo Escobar/Imasul

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Mato Grosso do Sul deu mais um passo na modernização da gestão ambiental com o lançamento de duas novas plataformas tecnológicas voltadas ao monitoramento de desmatamento e queimadas.

As ferramentas, apresentadas nesta segunda-feira (8) pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), utilizam inteligência geoespacial, sensoriamento remoto, imagens de satélite de alta resolução e integração de bancos de dados para ampliar a capacidade de prevenção, fiscalização e resposta a crimes ambientais em todo o Estado.

Batizados de Mades (Monitor de Alertas de Desmatamento) e Maques (Monitor de Alertas de Queimadas), os sistemas foram apresentados durante evento que reuniu representantes de órgãos públicos, pesquisadores, especialistas e instituições ligadas à gestão ambiental.

Também participaram integrantes do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS) e da Polícia Militar Ambiental (PMA), responsáveis por parte das ações de monitoramento e combate aos incêndios florestais.

O lançamento ocorreu em alusão ao Dia Mundial do Meio Ambiente e integra um conjunto de investimentos realizados pelo Governo do Estado para fortalecer o uso da tecnologia na proteção dos recursos naturais.

Desde 2023, mais de R$ 8 milhões foram destinados à aquisição de imagens de satélite, desenvolvimento de sistemas, infraestrutura tecnológica e aprimoramento das ferramentas de monitoramento ambiental.

Monitoramento mais rápido e preciso

Uma das principais novidades das plataformas é a capacidade de cruzar automaticamente informações ambientais com bases oficiais, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), autorizações ambientais, unidades de conservação e outros bancos de dados estratégicos utilizados pelo Estado.

Segundo o diretor-presidente do Imasul, André Borges, a automação reduz significativamente o tempo gasto em análises técnicas e permite que as equipes concentrem esforços em ações mais estratégicas.

“A plataforma cruza informações com as bases oficiais, permitindo respostas mais rápidas e precisas. Com isso, conseguimos reduzir em aproximadamente 80% a necessidade de análises manuais, otimizando o trabalho das equipes técnicas e fortalecendo as ações de fiscalização”, destacou.

A nova geração dos sistemas também amplia a velocidade de identificação de ocorrências ambientais. Os alertas de queimadas podem ser emitidos em até dez minutos após a detecção do evento, enquanto os alertas de desmatamento passam a ser gerados em até cinco dias.

Além da rapidez, a melhoria na resolução das imagens utilizadas pelos sistemas aumenta a capacidade de interpretação dos dados e a precisão na identificação de alterações ambientais.

De acordo com Diego Brito, responsável pela Unidade de Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental do Imasul, o avanço tecnológico representa um salto importante na qualidade das análises realizadas pelo órgão.

“Passamos a trabalhar com imagens de satélite com um nível muito superior de detalhamento. Isso proporciona mais precisão na identificação de alterações ambientais e mais segurança para a tomada de decisões técnicas”, explicou.

Integração fortalece fiscalização

As novas plataformas também foram desenvolvidas para fortalecer a integração entre os setores de monitoramento, fiscalização e licenciamento ambiental.

Segundo o diretor de Licenciamento e Fiscalização do Imasul, Luiz Mário Ferreira, a tecnologia permite uma conexão mais eficiente entre as informações geradas pelos sistemas e os processos administrativos relacionados ao controle ambiental.

“Estamos avançando para uma gestão cada vez mais moderna, baseada em tecnologia e inteligência de dados. Essas ferramentas garantem mais eficiência na análise das informações e maior segurança para a tomada de decisões”, afirmou.

A integração dos dados também deve beneficiar diretamente as ações de prevenção e combate aos incêndios florestais, especialmente durante o período de estiagem, quando o risco de queimadas aumenta em diversas regiões do Estado.

Para o capitão do Corpo de Bombeiros Militar e responsável pelo setor de Geomonitoramento da Diretoria de Proteção Ambiental, Alexandre Araújo, o acesso rápido às informações pode tornar as operações mais eficientes.

“Receber informações mais rápidas e precisas sobre os eventos de fogo nos permite planejar melhor as operações, direcionar recursos de forma mais eficiente e atuar com maior rapidez nas áreas afetadas”, ressaltou.

Tecnologia como aliada da preservação

Além da apresentação das novas plataformas, o encontro promoveu debates sobre inovação tecnológica, monitoramento ambiental e cooperação institucional.

A proposta é ampliar a troca de experiências entre os órgãos envolvidos e fortalecer estratégias conjuntas para prevenir e combater o desmatamento ilegal e os incêndios florestais.

A expectativa do Imasul é que os sistemas ampliem a capacidade preventiva do Estado, permitindo a identificação mais rápida de ocorrências, a redução dos danos ambientais e o fortalecimento das ações de proteção dos biomas sul-mato-grossenses.

Com a adoção das novas tecnologias, Mato Grosso do Sul busca consolidar o uso de inteligência de dados e monitoramento remoto como ferramentas centrais para a gestão ambiental, reforçando a fiscalização e o acompanhamento das áreas naturais em um momento de crescente preocupação com os impactos das mudanças climáticas e dos eventos extremos.

Demarcação

Funai notifica quase 200 propriedades em nova etapa de demarcação em MS

Edital publicado no Diário Oficial da União envolve área em estudo para identificação da Terra Indígena Laranjeira Ñanderu, em Rio Brilhante, e abre prazo para manifestações de proprietários e interessados

09/06/2026 18h18

Foto: Divulgação

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A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) publicou nesta segunda-feira (9), no Diário Oficial da União, um edital de notificação relacionado ao processo de identificação e delimitação da Terra Indígena Laranjeira Ñanderu, localizada em Rio Brilhante, em Mato Grosso do Sul.

A medida alcança 199 imóveis rurais e urbanos que, segundo os estudos preliminares, estão inseridos nos limites da área atualmente analisada para possível reconhecimento territorial indígena.

A publicação marca mais uma etapa do procedimento administrativo conduzido pela Funai e ocorre após tentativas frustradas de localizar individualmente todos os proprietários e demais interessados.

Diante disso, a autarquia optou pela notificação coletiva por meio de edital, instrumento previsto na legislação federal para assegurar o direito à informação e à participação dos envolvidos.

O processo tramita sob o número 08620.076835/2015-30 e está relacionado à área denominada Laranjeira Ñanderu, cujo procedimento demarcatório teve início em 2017, com a criação de um Grupo Técnico responsável pelos estudos antropológicos, fundiários, ambientais e históricos necessários para avaliar a ocupação tradicional indígena da região.

Área envolve assentamentos, chácaras e grandes fazendas

A extensa relação divulgada pela Funai reúne imóveis de diferentes perfis, desde lotes do Assentamento Getúlio Vargas até fazendas de grande porte, estâncias, sítios, chácaras e propriedades pertencentes a empresas do setor agropecuário.

Entre os imóveis citados estão áreas como as fazendas São Marcos, Boa Esperança, Cadeado, Rancho Grande, Bacuri, Santa Angélica, Santo Antônio da Nova Esperança, além de dezenas de lotes rurais localizados na região de Rio Brilhante.

Também aparecem na lista propriedades vinculadas a pessoas físicas, empresas do agronegócio, associações rurais e até imóveis pertencentes ao próprio município de Rio Brilhante.

A inclusão no edital não significa reconhecimento definitivo da área indígena, mas indica que esses imóveis estão situados dentro dos limites preliminares considerados nos estudos técnicos em andamento.

O que acontece agora

Com a publicação do edital, os proprietários, possuidores e demais interessados passam a ter prazo de 30 dias para apresentar manifestações, documentos ou informações que considerem relevantes para o processo administrativo.

As contribuições poderão ser encaminhadas eletronicamente à Diretoria de Demarcação de Terras Indígenas da Funai ou protocoladas fisicamente em Brasília.

A Funai ressalta que a ausência de manifestação não interrompe o andamento do procedimento. Encerrado o prazo, os documentos recebidos serão analisados pela equipe técnica responsável antes da decisão administrativa sobre a aprovação ou não dos estudos realizados.

Próximas etapas da demarcação

Caso os estudos sejam aprovados pela Funai, será publicado o resumo do Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID) no Diário Oficial da União e nos estados afetados.

A partir dessa publicação, os interessados terão até 90 dias para apresentar contestações formais ao processo de demarcação.

A Terra Indígena Laranjeira Ñanderu é uma das áreas em análise no Mato Grosso do Sul, estado que concentra algumas das mais complexas disputas fundiárias envolvendo comunidades indígenas e proprietários rurais do país.

A publicação do edital representa uma fase preliminar do procedimento e não configura, por si só, a homologação ou a demarcação definitiva da área.

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