Economia

PANORAMA

Carnaval de Corumbá deve movimentar R$ 15 milhões

Escolas de samba e blocos movimentaram R$ 2,6 milhões e abriram 1.200 empregos

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O investimento público tem retorno garantido no Carnaval de Corumbá, cenário positivo da arrecadação e lucro que ainda não despertou a atenção e interesse do setor privado, principalmente as grandes empresas da região.

A prefeitura estima que os oito dias da programação oficial da folia vão gerar um movimento financeiro de R$ 14,7 milhões.

O gasto geral na organização da festa será em torno de R$ 6 milhões, com o Estado se limitando esse ano ao repasse de R$ 1,2 milhão para as escolas de samba e blocos. Para o prefeito Gabriel Alves de Oliveira, o carnaval não é custo, mas investimento, ao movimentar toda a cadeia produtiva, gerar empregos temporários e fomentar o turismo.

Os empresários locais apostam na estimativa econômica do Observatório do Turismo do Pantanal, feita com base na grande procura por leitos (a ocupação deve chegar a 75% nos 26 empreendimentos locais), gerando um fluxo turístico de sete mil pessoas ao destino.

As escolas de samba e blocos movimentaram R$ 2,6 milhões e abriram 1.200 empregos em seus barracões.

“O carnaval é o motor para a nossa economia e vitrine da nossa cultura e turismo”, resume o prefeito corumbaense.

APRESENTAÇÕES

A noite de quarta-feira foi de festa, memória e identidade cultural na histórica Avenida General Rondon. O bloco Sandálias de Frei Mariano arrastou famílias inteiras de foliões à Passarela Pantaneira do Samba para comemorar seus 20 anos de história no Carnaval de Corumbá, reafirmando sua posição como um dos mais tradicionais e simbólicos da folia local.

Na noite de quarta-feira, o bloco Sandálias de Frei Mariano abriu a programação em CorumbáNa noite de quarta-feira, o bloco Sandálias de Frei Mariano abriu a programação em Corumbá - Foto: Silvio de Andrade

A programação começou com concentração no Jardim da Independência, às 20 horas, reunindo brincantes, famílias e admiradores do bloco. De lá, o cortejo seguiu animado, embalado por sambas-enredo que marcaram época e, principalmente, pela irreverente marchinha inspirada na lenda de Frei Mariano de Bagnaia.

O desfile contou com a presença do prefeito que esteve acompanhado da primeira-dama, Tatiane Patrício, participando da celebração ao lado da comunidade.

Também chamou a atenção a expressiva participação de servidores municipais, que mantêm viva a essência do bloco, criado originalmente por trabalhadores do serviço público e que, ao longo dos anos, ampliou-se para abraçar toda a população.

“O Sandálias é patrimônio afetivo da nossa gente, uma tradição forte que mantém viva a cultura popular da cidade. São vinte anos abrindo o nosso Carnaval com irreverência e criatividade”, disse Oliveira.

Fundado em 2006 pela ativista cultural Heloísa Urt (falecida em 2011), o Sandálias de Frei Mariano nasceu da proposta bem-humorada de transformar em folia uma das lendas mais conhecidas de Corumbá.

A história conta que o Frei Mariano, após deixar a cidade no século 19, teria enterrado suas sandálias, prevendo que o município só voltaria a prosperar quando elas fossem encontradas.

A narrativa popular virou marchinha e, com o tempo, consolidou-se como um dos hinos mais emblemáticos do Carnaval corumbaense.

Ao completar duas décadas, o bloco demonstrou fôlego renovado e forte ligação com a cultura pantaneira. O público acompanhou o desfile com entusiasmo, celebrando não apenas a trajetória do Sandálias, mas também a força do Carnaval de Corumbá como expressão legítima da tradição, da criatividade e do orgulho local.

Depois do abre-alas com a saída do bloco Sandálias de Frei Mariano, a quinta-feira teve apenas o concurso de fantasias, com a participação de 25 carnavalescos, sem programação no circuito do samba.

Nesta sexta-feira, acontece o esperado desfile do bloco de sujos Cibalena, que arrasta mais de 30 mil foliões. O bloco fundado há 48 anos faz concentração entre as Ruas Frei Mariano e Joaquim Murtinho, ao som de muito samba regado a cerveja, e está autorizado a sair para a Avenida General Rondon às 22h. O horário tem que ser cumprido, por determinação do Ministério Público. 

Em Campo Grande a movimentação será de R$ 25,5 milhões.

CAMPO GRANDE

Em Campo Grande, o Carnaval deste ano deve gerar R$ 25,2 milhões em circulação financeira em Campo Grande, segundo levantamento realizado pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL-MS) e pela CDL Campo Grande (CDL-CG), com suporte técnico do SPC Brasil.

A pesquisa indica crescimento estimado de 5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados mostram que, durante o feriado, Campo Grande concentra o maior volume interno de consumo do Estado, principalmente em função do deslocamento de moradores de municípios do interior.

De acordo com o levantamento, a Capital recebe público oriundo, sobretudo, de Dourados, Três Lagoas, Ponta Porã, Corumbá e Naviraí, cidades que elevam significativamente o número de consumidores circulando na Capital ao longo do período carnavalesco.

Esse movimento altera o ritmo do comércio, dos serviços e da rede hoteleira. “O Carnaval interfere diretamente no faturamento do varejo. Quando há estrutura e organização, o consumidor permanece na cidade, compra no comércio local e utiliza serviços”, afirma o presidente da CDL-CG, Adelaido Figueiredo.

Entre os moradores da Capital, o gasto médio previsto é de R$ 550 por pessoa, destinado principalmente a alimentação fora do lar, vestuário, calçados, transporte por aplicativo e lazer. Esse consumo gera efeito direto na arrecadação municipal, especialmente por meio do Imposto Sobre Serviços (ISS).

No cenário estadual, o aumento das vendas em segmentos como moda, calçados, papelarias e livrarias também influencia a arrecadação de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), em razão da presença de consumidores vindos do interior.

A projeção econômica do levantamento indica que cada real aplicado na realização do Carnaval gera retorno até sete vezes maior para a cadeia produtiva, considerando comércio, serviços e fornecedores.

Segundo a presidente da FCDL-MS, Inês Santiago, o período carnavalesco ativa uma cadeia econômica que envolve todo o Estado. “Há impacto no comércio, nos serviços, no transporte e no turismo, com circulação de renda entre municípios e aumento da atividade econômica regional”, diz.

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PRAZOS

Contratação de consórcios aumenta em MS, entenda regras para devolução de dinheiro

Especialistas reforçam que organização e planejamento são os maiores aliados para ampliar o poder de compra

16/02/2026 09h00

A maioria das pessoas utilizam o consórcio como forma de facilitar a aquisição de carro ou moto

A maioria das pessoas utilizam o consórcio como forma de facilitar a aquisição de carro ou moto Gerson Oliveira

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Com o aumento de mais de 30% na contratação de consórcios como alternativa aos juros altos, é importante também verificar as regras de devolução de dinheiro caso os planos mudem.

Quem entra em um consórcio deve ter em mente dois prazos: o da Lei dos Consórcios, que prevê devolução apenas após sorteio em caso de desistência, e os sete dias de arrependimento assegurados pelo Código de Defesa do Consumidor.

A Lei nº 11.795/2008, que rege os consórcios atualmente no País, prevê que o fluxo normal é entrar numa fila até ser contemplado ou o grupo encerrar, conforme explica Carlos Fuzinelli, CEO e cofundador da FVL Consórcios, com mais de 15 anos de experiência no setor.

“Em regra, como já entende o STJ, o consorciado que pede saída do grupo deve aguardar o fim do grupo para receber o reembolso das parcelas pagas. Somente na hipótese do artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor, quando a contratação é realizada fora do estabelecimento, há direito de arrependimento em até sete dias, com devolução imediata dos valores pagos. Em todos os demais casos, as administradoras podem reter recursos até o encerramento do grupo, descontando taxas de administração, fundo de reserva, seguros e multas previstas em contrato”, detalha o empresário.

Assim, levar em consideração o que fazer em caso de desistência também deve constar na estratégia, mesmo que o objetivo seja justamente não desistir.

“Algumas atitudes podem evitar a desistência pura e simples. Por exemplo, renegociar com a administradora assim que perceber o aperto: muitas empresas oferecem alternativas para ajustar o contrato. Se o consorciado já foi contemplado e tiver carta de crédito, pode usar esse crédito para quitar parcelas em atraso e regularizar a situação. Outra opção é a transferência/venda da cota: algumas administradoras permitem repassar sua participação a outro interessado, permitindo recuperar parte dos valores pagos”, cita Fuzinelli.

O foco deve ser o planejamento antecipado, reforça o empresário. “Orçamentar gastos, manter uma reserva, evitar dívidas excessivas – e, se surgir problema, agir precocemente para não precisar desistir do consórcio. Seguindo essas práticas, o consorciado reduz muito o risco de ter que abandonar o grupo antes de receber o crédito”, ensina.

CONTEMPLAÇÃO

Já quando o consorciado é contemplado, as decisões estratégicas continuam sendo fundamentais. De acordo com Marcelo Lucindo, CEO da Evoy Administradora de Consórcios, a utilização imediata do valor nem sempre representa a decisão mais estratégica, dependendo do cenário econômico e dos objetivos do consorciado.

“A contemplação representa o acesso ao poder de compra à vista, mas isso não significa que o crédito precise ser utilizado imediatamente. Em muitos casos, manter o valor aplicado pode preservar e até ampliar a capacidade de compra do consorciado. Deixar o crédito aplicado pode preservar o poder de compra, proteger contra a inflação e ampliar as possibilidades de negociação na aquisição de veículos, imóveis ou outros bens”, afirma Lucindo.

O especialista ressalta que, após a contemplação, o valor da carta de crédito não permanece inativo. Enquanto não é utilizado, ele segue aplicado pela Administradora, em fundos de renda fixa, mecanismo que busca assegurar correção monetária e reduzir impactos da inflação.

“Não há obrigatoriedade legal de uso imediato da carta, e o crédito pode permanecer aplicado enquanto o grupo estiver ativo, permitindo ao participante avaliar o melhor momento para efetivar a compra”, comenta.

“Entre os cenários considerados favoráveis para manter o crédito rendendo estão períodos de juros elevados, nos quais a rentabilidade da aplicação pode superar modalidades tradicionais de baixo risco. Nessa condição, o valor contemplado pode funcionar como instrumento financeiro temporário, mantendo atualização monetária até a definição da aquisição”, instrui.

“A aplicação do crédito protege o consorciado da desvalorização do dinheiro ao longo do tempo e permite que ele aguarde o momento mais adequado para fechar negócio”, ressalta.

A decisão de postergar o uso da carta também pode contribuir para ampliar o poder de negociação, também indica o empresário.

“Com o recurso disponível e corrigido, o consorciado pode pesquisar preços, comparar ofertas e negociar descontos para pagamento à vista. O intervalo entre a contemplação e a utilização efetiva do crédito pode ser estratégico para acompanhar variações de mercado e identificar oportunidades mais vantajosas”, recomenda.

Lucindo ainda elenca diversas opções de potencializar o uso da carta contemplada, como aproveitar o rendimento da aplicação para ampliar o montante disponível.

“Outra possibilidade é utilizar a carta como lance em outro grupo de consórcio, mecanismo que pode antecipar nova contemplação. Também é permitido direcionar o valor para antecipação de parcelas, reduzindo saldo devedor e custos totais do contrato. Caso o consórcio esteja quitado e a carta contemplada, a regulamentação prevê a possibilidade de resgate do valor em dinheiro, corrigido, após 180 dias”, cita. 

Independentemente, Fuzinelli ainda acrescenta que a chave do sucesso é o planejamento financeiro básico antes de entrar em um consórcio.

“Recomenda-se avaliar o orçamento pessoal realista, definindo um valor de parcela que não comprometa as despesas básicas. Criar uma reserva de emergência, equivalente a alguns meses de despesas, ajuda a lidar com imprevistos sem deixar de pagar o consórcio. Também é crucial priorizar o pagamento das parcelas do consórcio: manter as parcelas em dia protege o consorciado de multas e de ter a cota cancelada. O próprio consórcio, sem juros e com taxas menores que financiamentos convencionais, só se efetiva se o consorciado honrar todos os compromissos”, reforça.

NÚMEROS

De acordo com a reportagem do Correio do Estado divulgada em dezembro, dados do último Boletim do Sistema de Consórcios da Associação Brasileira de Administradores de Consórcio (Abac), apontavam que no comparativo entre novembro de 2025 e 2024, houve um aumento de 35,1% somente nos participantes ativos a nível nacional.

Em Mato Grosso do Sul, somente na comparação do primeiro semestre, uma alta também foi registrada, com um crescimento de 31% de participantes na comparação entre 2024 e 2025.

A maioria das pessoas utilizam o consórcio como forma de facilitar a aquisição de carro ou moto

Foram 216.762 participantes ativos, ou seja, consorciados em grupos em andamento, contemplados ou não, apenas na contagem do primeiro semestre.

No País, foram 2.831.295 de participantes ativos em novembro de 2025, frente a 2.095.395 em 2024. Ao todo, os créditos comercializados para imóveis somaram R$ 26.715.734.712.

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HOSPEDAGEM

Campo Grande tem 75 hotéis e 10,5 mil quartos

Expectativa é que dois hotéis e 662 novos quartos sejam inaugurados nos próximos anos

15/02/2026 14h30

Hotel na capital de MS, Campo Grande

Hotel na capital de MS, Campo Grande Alvaro Rezende

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Mapeamento divulgado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (Semades) aponta que existem 75 hotéis e 10.508 leitos, no ano de 2026, em Campo Grande (MS).

Em 2024, foram contabilizados 71 hotéis e 9.218 leitos. Portanto, o aumento é de 5% no número de hotéis e 13,99% no número de quartos.

Expectativa é que dois hotéis e 662 novos quartos sejam inaugurados nos próximos anos. 

Os números mostram que a ampliação da rede hoteleira fortalece o turismo na Capital de Mato Grosso do Sul, o que impulsiona a economia, agita bares e restaurantes; aquece o comércio; estimula o turismo; gera empregos e impulsiona lojas e serviços.

O secretário municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável, Ademar Silva Junior, afirmou que a expansão de hotéis traz impactos positivos para a economia campo-grandense.

“O crescimento da rede hoteleira demonstra a confiança do setor privado na cidade e nos dá base técnica para planejar novas ações, atrair investimentos e gerar mais oportunidades de emprego e renda. O mapeamento permite decisões mais assertivas e alinhadas ao crescimento da Capital. Estamos trabalhando com dados concretos para fortalecer o turismo de eventos e negócios em Campo Grande”, pontuou o secretário.

De acordo com o levantamento, a média de valores das diárias são:

  • Quarto para uma pessoa: R$ 198,35
  • Quarto para duas pessoas: R$ 257,66
  • Quarto para três pessoas: R$ 328,40
  • Quarto para quatro pessoas: R$ 389,20

Vale ressaltar que casas de aluguel por temporada (Airbnbs) em Campo Grande não estão inclusos nesses dados. 

CHECKIN E CHECKOUT 

Novas regras para entrada e saída (check-in e check-out) de hóspedes em hotéis brasileiros começaram a valer em 16 de dezembro de 2026.

A mudança, promovida pelo Ministério do Turismo (MTur), define que a diária cobre 24 horas, dentro das quais os hotéis têm três horas para a arrumação dos quartos.

A regra permite que os hotéis definam seus próprios horários de check-in e check-out dentro desses critérios, e essas informações devem ser comunicadas ao hóspede de forma clara e prévia, tanto pelos hotéis como pelas agências de turismo e as plataformas digitais intermediárias de reservas.

Além das três horas de intervalo para limpeza da hospedagem, a regulamentação também flexibiliza a cobrança de tarifas diferenciadas para entrada antecipada ou saída postergada e detalha a comunicação sobre horários e frequência dos serviços de arrumação, higiene e limpeza da unidade habitacional.

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