Economia

PRODUÇÃO AFETADA

Chuvas no Sul podem resultar em alta de preços e falta de arroz nos mercados

Mesmo com a importação do cereal, o desabastecimento é um risco apontado por especialistas; em um ano, alimento subiu 25%

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O desastre climático que atingiu o Rio Grande do Sul impactou na produção de arroz, cereal que é base da alimentação brasileira. O estado sulista é responsável por 70% do cultivo nacional, o que impacta diretamente no abastecimento para todo o País.

Apesar de a falta do alimento ser uma possibilidade, os especialistas alertam que não é necessária uma corrida aos supermercados, porque a falta do cereal não será sentida em curto prazo. 

Como medida de prevenção a possível falta do alimento no Brasil, o governo federal por meio do Ministério da Agricultura anunciou que decidiu importar até 1 milhão de toneladas de arroz a fim de evitar aumentos de preços resultantes de problemas no escoamento e perdas nas produções do cereal.

Em Campo Grande, uma parte da população foi às compras nesta quinta-feira (9) já em busca de fazer estoque do alimento. Devido ao aumento da procura, alguns supermercados já estão realizando a limitação da compra do produto.

O mestre em Economia Lucas Mikael destaca que ainda que a importação possa ajudar a estabilizar os preços e evitar aumentos excessivos devido à escassez, não é uma garantia.

“A vinda do item de outros paises pode ajudar a mitigar o risco de desabastecimento, mas não é uma segurança absoluta”, avalia.

Mikael pontua que fatores como a disponibilidade no mercado internacional, custos e logística associados à importação, e o tempo necessário para o processo devem ser considerados, pois influenciam diretamente na eficácia da ação.

O economista ainda salienta que o receio de falta de arroz devido à concentração da produção no Rio Grande do Sul é uma preocupação válida, mas que é importante analisar que outras regiões também produzem o cereal, embora em menor escala.

“Além disso, o mercado agrícola é dinâmico e os produtores tendem a se adaptar a condições adversas, buscando soluções para problemas de produção”, pondera.

O doutor em Economia Michel Constantino reitera que há possibilidade da falta do produto.

“Não é algo a curto prazo, desta forma não é necessário alarde”, afirma o economista que ainda acrescenta que a alteração no preço é eminente tendo em vista que se o maior produtor não oferta, falta arroz e o preço sobe.

O professor doutor em Administração Leandro Tortosa explica que a importação também pode mexer com os valores.

“Precisamos verificar como será feita a negociação, qual será o câmbio utilizado e as condições de pagamento, além da disponibilidade do produto nos fornecedores internacionais”, detalha.

Tortosa complementa que ao considerar tais fatores existe a tendência de aumento nos preços do cereal assim como em outras commodities que também foram afetadas como é o caso da soja e carne bovina.

Mikael acrescenta que ainda que a importação possa ajudar a estabilizar os preços e evitar aumentos excessivos devido à escassez, não é garantido que os preços permaneçam inalterados.

“A importação envolve custos adicionais, como tarifas, taxas alfandegárias e despesas de transporte, que podem influenciar o preço final dos alimentos importados. Além disso, a dinâmica do mercado e outros fatores econômicos podem afetar os preços, mesmo com a importação”.

Sobretudo o mestre em economia explica que a importação também pode ajudar a aumentar a oferta no mercado interno, o que pode exercer pressão para baixar os preços ou, pelo menos, evitar aumentos significativos.

Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apontam que o preço médio do pacote com 5 kg de arroz já tem subido gradativamente.

Na comparação interanual a alta é de 25%, enquanto em abril do ano passado o custo médio era de R$ 23,55, no mês passado, os mesmos 5kg custavam R$ 29,45.

SOJA

Outro efeito já sentido pela economia sul-mato-grossense foi em relação aos preços da soja. Dados da Granos Corretora  apontam que a saca com 60kg chegou a R$ 124 nesta quarta-feira (8), superando as expectativas baixistas, que indicavam que os preços não ultrapassariam a média de R$ 115 no Estado.

O Rio Grande do Sul é o terceiro no ranking nacional de produção de soja, e mesmo que áreas de lavouras não tenham sido atingidas pelas enchentes, o excesso de chuvas dos últimos dias provocou atraso na colheita. É o que explica o corretor que atua na comercialização de soja em oito cidades de Mato Grosso do Sul, Ronaldo Dávalo.

De acordo com Dávalo, esse é somente um dos fatores que provocaram a reação de preços na bolsa de Chicago.

“A greve de trabalhadores das indústrias que esmagam soja na Argentina e a estiagem no início do plantio da soja nos Estados Unidos são outros fatores que influenciaram as cotações mundiais”, detalha.

O corretor ainda explica que o aumento da última semana tende a ser passageiro sendo agora a hora de o produtor aproveitar o preço bom e esvaziar os silos.

Dados da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja) apontam que 51,4% da produção da safra atual ainda está armazenada, visto que os produtores estavam à espera de preços mais vantajosos para a comercialização.

Já o boletim semanal divulgado pela Aprosoja-MS, na terça-feira (7), traz o preço médio das oito principais regiões produtoras do Estado, onde na última segunda-feira (6) a média ficou em R$ 120,50 com aumento de 4,9% entre os dias 29 de abril e 7 de maio. As melhores cotações foram identificadas em Dourados e Ponta Porã, com R$ 123,00.

Para efeito de comparação, as cotações da Granos Corretora, mostram que a saca já estava sendo cotada a R$ 124 na última terça-feira na região sul do Estado, o que evidenciou a manutenção da tendência de alta.

Ainda de acordo com os dados da Aprosoja-MS, em Mato Grosso do Sul, 99,6% das área semeada já foi colhida. Embora os números não estejam fechados, observou-se redução na produtividade.

A estimativa era de 54 sacas por hectare, mas o volume ficou em apenas 50,5 sacas, representando retração de 19,12% o que gera a expectativa de uma produção de 12,923 milhões de toneladas, uma redução de 13,89% quando comparada ao ciclo anterior, de 15 milhões de toneladas.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estimava antes das chuvas que a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas do Rio Grande do Sul aumentaria 46,4% em 2024, na comparação com o ano passado, e passaria a representar 13,3% do total nacional.

O Rio Grande do Sul respondeu por 8,4% da produção nacional de soja no ano passado e, com o crescimento esperado para este ano, passaria a representar 14,8%, ficando atrás somente de Mato Grosso.

70% DA PRODUÇÃO BRASILEIRA

O Rio Grande do Sul é  o maior produtor de arroz do Brasil. Sendo responsável por 70% da produção brasileira do cereal.

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IBGE

Vendas no comércio crescem em MS, mas ficam abaixo da média nacional

O varejo no Estado registrou alta de 0,2% no mês de março em comparação ao mês anterior, enquanto a média nacional ficou em 0,5%

13/05/2026 14h45

Combustíveis foi o segundo setor que puxou a alta no mês de março no País

Combustíveis foi o segundo setor que puxou a alta no mês de março no País FOTO: Marcelo Victor/Correio do Estado

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Mesmo apresentando crescimento no mês de março, o volume de vendas de varejo em Mato Grosso do Sul não acompanhou a alta nacional. 

No terceiro mês do ano, o comércio varejista no Estado registrou alta de 0,2% em comparação ao mês de fevereiro, enquanto o crescimento no volume do País chegou a 0,5%. 

Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (13) na Pesquisa Mensal de Comércio referente ao mês de março de 2026. 

Em relação ao acumulado do ano, o comércio varejista sul-mato-grossense ficou em 3,5% e a variação acumulada em 12 meses registrou alta de 1,9%. 

Houve queda de 1,2% no comércio varejista ampliado, que é o que inclui veículos, motos, partes e peças, material de construção e atacados de alimentação, bebidas e fumo, na série com ajuste periódico. Sem ajuste, houve alta de 12,6%. 

Nessa categoria, houve acumulado de 6,7% no primeiro trimestre e, em 12 meses, registrou alta de 3,7%. 

Entre as Unidades da Federação, Mato Grosso do Sul registrou a 12ª maior variação do País. Em comparação ao mês de fevereiro, o comércio varejista teve crescimento em 19 dos 27 estados, com destaque para o Maranhão (3,8%) e Piauí (3,5%). 

Combustíveis foi o segundo setor que puxou a alta no mês de março no País

Atividades

A nivel nacional, o comércio varejista apresentou taxa positiva em cinco das oito atividades pesquisadas, que foram:

  • Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (5,7%);
  • Combustíveis e lubrificantes (2,9%);
  • Outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,9%);
  • Livros, jornais, revistas e papelaria (0,7%); e 
  • Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,1%).

Do lado negativo, ficaram os Móveis e eletrodomésticos (-0,9%) e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,4%). Os tecidos, vestuários e calçados ficaram estáveis, não apresentando variação de fevereiro a março. 

Em comparação a março de 2025, houve crescimento em todas as oito atividades, com destaque para os equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, que cresceu 22,5%, segundo maior resultado interanual desde o segundo semestre de 2021, sendo superado apenas por dezembro de 2025 (com crescimento de 31,1%).

Em seguida, artigos de uso pessoal e doméstico cresceu 11,1%, livros, jornais, revistas e papelaria, 10,2%, Combustíveis e lubrificantes (7,6%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (7,1%), Móveis e eletrodomésticos (6,8%), Tecidos, vestuário e calçados (2,9%) e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,9%). 

O setor de 'outros artigos de uso pessoal e doméstico', que engloba lojas de departamentos, óticas, joalherias, artigos esportivos, brinquedos etc, teve alta do ano passado para cá de 11,1%. Juntamente com os combustíveis, foi o setor que mais contribuiu para a alta global, somando 0,9% ao total de 4% do varejo. 

No setor de livros e revistas, em março deste ano foi registrada a maior alta desde janeiro de 2023, de 10,2%, e a primeira desde novembro de 2025. 

Já no setor de artigos farmacêutos e perfumaria, já são 37 meses consecutivos registrando crescimento, com a última queda no setor registrada em fevereiro de 2023. 

“Numa perspectiva um pouco maior, a médio prazo, nos seis últimos meses houve apenas um resultado no campo negativo, em dezembro de 2025. E mesmo assim, o resultado foi muito próximo de zero (-0,3%). Então, pode-se dizer que desde outubro de 2025 o varejo vem crescendo na maior parte do tempo”, afirmou o gerente da Pesquisa, Cristiano Santos. 


 

Valores

Fluxo cambial total em 2026 até 8 de maio é positivo em US$ 11,958 bilhões, afirma BC

Canal financeiro apresenta saídas líquidas de US$ 4,470 bilhões

13/05/2026 13h30

Banco Central

Banco Central Divulgação: Senado Federal

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O fluxo cambial está positivo em US$ 11,958 bilhões em 2026 até o dia 8 de maio, segundo dados preliminares divulgados pelo Banco Central (BC) nesta quarta-feira, 13.

O canal financeiro apresenta saídas líquidas de US$ 4,470 bilhões. Já o fluxo comercial é positivo, somando US$ 16,428 bilhões no ano.

O segmento financeiro tem compras de US$ 256,030 bilhões e vendas de US$ 260,500 bilhões no período. Esse canal inclui investimentos diretos e em carteira, remessas de lucro, pagamento de juros e outras operações.

O canal comercial tem importações de US$ 84,754 bilhões e exportações de US$ 101,182 bilhões. Nas exportações, estão inclusos US$ 11,202 bilhões em adiantamento de contrato de câmbio (ACC), US$ 24,226 bilhões em pagamento antecipado (PA) e US$ 65,755 bilhões em outras operações.

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