A inadimplência entre a população rural de Mato Grosso do Sul segue a tendência nacional e apresentou aumento no último trimestre de 2025. Neste período, dados da Serasa Experian mostraram que 8,2% dessa população no Estado encerrou o último ano com dívidas atrasadas ou vencidas há mais de 180 dias.
A mesma taxa foi observada a nível nacional, reflexo de um cenário de crédito rural mais restrito, custos elevados de produção e maior pressão sobre o fluxo de caixa dos produtores.
Entre o 4º trimestre de 2024 e o 4º trimestre de 2025, a inadimplência rural subiu 1 ponto percentual, saltando de 7,2% para 8,2%.
“Apesar de sinais de estabilização em alguns segmentos, a inadimplência no agronegócio segue em alta gradual, com produtores ainda enfrentando margens apertadas e fluxo de caixa pressionado, diante de custos elevados, preços voláteis e crédito mais seletivo”, afirmou Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian.
Nesse contexto, Mato Grosso do Sul aparece como nono Estado com menor inadimplência do País, ficando à frente de estados como Goiás (GO), Mato Grosso (10,8%) e Rondônia (10,9%). Em contrapartida, a região Centro-Oeste Agro, registrou índice de inadimplência de 9,6%, acima da média nacional.

O montante em dívidas em MS no período chegou a R$ 1,2 bilhões, resultado de mais de 14,7 mil dívidas e 7,9 mil endividados. A média das dívidas no Estado ficou em R$ 85,5 mil e de R$ 158,4 mil por produtor. Em todo o Centro-Oeste Agro, a média chega a R$ 79 mil por débito e R$ 163,8 mil por produtor inadimplente.
Na comparação entre o último trimestre de 2024 e o mesmo período do ano passado, a inadimplência nacional cresceu 27,2%. Em MS, houve redução de 13,7% no montante e aumento de 42,3% no ticket médio.
De acordo com o Censo Agropecuário de 2017 do IBGE, cerca de 15,1 milhões de pessoas exerciam
algum tipo de atividade ligada à agropecuária, distribuídas em aproximadamente 5,1 milhões de
estabelecimentos rurais, sendo 10 milhões de pessoas vinculadas a 3,9 milhões de estabelecimentos
enquadrados na categoria de agricultura familiar.
A distribuição da população rural entre as regiões agrícolas, em relação ao porte do proprietário, não
é uniforme em todo o território nacional. Os pequenos proprietários, que são a maioria, têm sua maior
concentração no Nordeste Agro e Norte Agro, onde ultrapassam 80% da população.
No Nordeste Agro, por outro lado, a população de grandes proprietários não representa 1% do total. Por fim, no Centro-Oeste Agro, destaca-se a alta proporção da população rural sem informação de registro rural, superior a um quinto do total em ambas as regiões.
Em Mato Grosso do Sul, a população rural se divide da seguinte maneira:
- Sem informação de registro rural: 14,3%
- Pequenos proprietários: 57,2%
- Médios proprietários: 13,8%
- Grandes proprietários: 14,7%
Esse números no Estado correspondem a 1% da população rural do Brasil.
Crédito mais difícil
Paralelamente ao avanço da inadimplência, a concessão de crédito rural vem perdendo força.
As concessões de financiamentos rurais e agroindustriais para produtores pessoa física somaram R$ 179 bilhões em 2025, uma queda de 17% em relação a 2024. O recuo representa cerca de R$ 36,8 bilhões a menos liberados aos agricultores no decorrer de 2025.
As concessões de linhas de crédito no País aceleraram em parte do ano passado, saindo de R$ 35,9 bilhões no primeiro trimestre para R$ 47,1 bilhões no segundo, com pico de R$ 54,6 bilhões no terceiro trimestre.
No entanto, nos meses finais do ano, houve desaceleração, com recuo para R$ 41,9 bilhões no quarto trimestre.

