Dados divulgados pela Energisa apontam que 2.977 irregularidades foram identificadas, em unidades consumidoras, de janeiro a abril de 2026, em Mato Grosso do Sul.
Desse número, 1.400 casos são relativos à “gatos de energia” (desvio de energia) e 1.577 são modificações irregulares em medidores (adulteração do consumo real).
As irregularidades desfeitas garantiram a recuperação de 5,4 gigawatt-hora (Gwh). Isto seria suficiente para abastecer cerca de 65 mil residências, em um ano, no Estado.
Campo Grande, Corumbá, Dourados, Ladário, Rio Brilhante, Aparecida do Taboado, Ponta Porã, Sidrolândia, Anastácio e Itaquiraí são os municípios com maior número de ocorrências no Estado.
Quem arca com o prejuízo financeiro do furto de energia é a empresa e os consumidores. “Além do prejuízo direto a empresa, todos os consumidores da área de concessão da Energisa também arcam com uma parcela do custo desta energia furtada, pois este montante de energia furtada faz parte da composição do custo do kWh, ou seja, este custo é rateado entre os consumidores no pagamento de sua fatura de energia elétrica”, informou a concessionária por meio de nota enviada ao Correio do Estado.
“Os furtos e fraudes de energia impactam diretamente na qualidade do fornecimento de energia elétrica, na arrecadação de impostos e na vida dos clientes regulares, uma vez que os custos de energia decorrentes desses furtos são rateados entre todos, prejudicando diretamente quem paga suas contas em dia”, complementou Alex Leite, coordenador de Medição e Combate a Perdas da Energisa MS.
A Energisa Mato Grosso do Sul realiza eventualmente operações, com apoio da Polícia Militar e Polícia Civil, para combater esse tipo de crime. Até o fim do ano, a concessionária prevê a realização de outras 18 operações integradas com as forças de segurança.
Neste ano, a Energisa realizou 19.880 inspeções técnicas, de janeiro a abril, para desfazer as artimanhas contra a rede elétrica. Durante a fiscalização, quatro pessoas foram presas.
O coordenador de combate a perdas da Energisa Mato Grosso do Sul, Alex Almeida, afirmou que operações policiais não são a única forma de combater essa irregularidades.
“Realizamos ações contínuas de combate ao furto de energia por meio de tecnologia, monitoramento da rede e inspeções técnicas em campo. Também investimos na modernização do sistema elétrico e na regularização de áreas com ligações irregulares. Em 2026, a previsão é investir cerca de R$ 16 milhões no combate às irregularidades no Estado”, explicou.
CRIME
O furto de energia é crime previsto no Código Penal Brasileiro e pode resultar em prisão e obrigatoriedade de ressarcimento dos valores desviados.
Os criminosos são conduzidos à delegacia para registro de boletim de ocorrência e aplicação das sanções cabíveis.
A pena é de reclusão de 1 a 4 anos e multa, podendo aumentar em algumas situações qualificadas. Confira os crimes:
- “Gato” com ligação clandestina direta na rede elétrica: se enquadra como furto de energia
- Fraude no medidor/relógio para pagar menos: se enquadra como estelionato
A Energisa não aplica punição a quem furta energia. Conforme procedimento determinado pelo Órgão Regulador, constante na Resolução 1000 da ANEEL, a Energisa apura o montante de energia não faturado devido ao furto de energia e efetua esta recuperação através da emissão de uma fatura com o valor referente a energia furtada.
RISCO
As instalações elétricas irregulares representam grave risco à população, como:
- Choque: ligação clandestina normalmente é feita sem isolamento adequado; contato direto com fios energizados pode causar choque elétrico grave ou morte
- Incêndio: fios improvisados podem sobreaquecer, gerar faíscas ou curtos-circuitos; incêndios podem se propagar rapidamente, causando ferimentos e mortes
- Queda de energia: interferência na rede elétrica pode causar quedas de energia inesperadas, afetando casas, hospitais, escolas, e sistemas de transporte; danificar eletrodomésticos e equipamentos essenciais, como geladeiras e bombas de água
O coordenador de combate a perdas da Energisa Mato Grosso do Sul, Alex Almeida, afirmou que o furto de energia não causa só prejuízos financeiros, mas também risco de vida à sociedade.
“Essa é uma prática ilegal e extremamente prejudicial para a segurança da população e para o sistema elétrico. As ligações clandestinas aumentam os riscos de choques elétricos, incêndios e acidentes graves, além de comprometerem a qualidade do fornecimento de energia. A sobrecarga na rede pode provocar interrupções no serviço, afetando não apenas quem realiza a irregularidade, mas toda a comunidade ao redor”, explicou.
O coordenador ainda afirmou que só as equipes da concessionária estão autorizadas a fazer serviços na rede elétrica.
“Quem furta energia está lesando os demais clientes e ainda colocando em risco a própria vida e dos vizinhos. Somente as equipes da Energisa têm autorização legal, instruções técnicas e de segurança para fazer serviços e quaisquer intervenções na rede elétrica. Ou seja, adulterar o medidor ou fazer ligações diretas na rede é um crime e uma prática de alto risco à vida”, enfatiza Alex.
A participação da população é fundamental no combate ao furto de energia. As denúncias podem ser feitas de forma anônima, pelos canais de atendimento da Energisa, call center pelo 0800 722 7272, aplicativo Energisa On e Whatsapp da Gisa (67) 99980-0698, ou diretamente à polícia, pelo número 190.



