Economia

DESENVOLVIMENTO

Com foco no agronegócio, rede hoteleira anuncia expansão em MS

Dois novos empreendimentos no interior do Estado terão investimento de R$ 80 milhões nos próximos anos

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Impulsionado pelo avanço do agronegócio e pela interiorização dos investimentos, Mato Grosso do Sul voltou a entrar no radar de grandes redes hoteleiras. A mais recente sinalização veio da Accor, que anunciou a ampliação de sua presença no Estado com novos empreendimentos voltados, sobretudo, ao turismo de negócios atrelado à dinâmica do campo.

Atualmente, a Accor opera cinco hotéis em Mato Grosso do Sul e tem outros dois em fase de implantação, ambos da bandeira Ibis – um em Dourados e outro em Chapadão do Sul.

Juntos, os projetos devem receber investimentos da ordem de R$ 80 milhões, ou seja, cerca de R$ 40 milhões por unidade, segundo informou Abel Castro, Chief Development Officer da Accor Americas para a divisão Premium, Midscale & Economy (PM&E).

“A gente tem cinco hotéis em Mato Grosso do Sul e dois no pipeline, que são contratos assinados com os hotéis que estão em construção. Os dois são o Ibis Dourados e o Ibis de Chapadão do Sul”, afirmou o executivo, em entrevista durante evento realizado em São Paulo na quinta-feira.

Ele destaca que o modelo adotado é o de franquia, no qual o investimento em obras é feito por parceiros locais, enquanto a Accor entra com marca, tecnologia, distribuição, marketing e design.

“O investimento não é da Accor. A gente investe em marketing, marca, tecnologia, distribuição, design, etc., e o investidor que faz o investimento”, explicou Castro.

Ainda assim, o volume de recursos envolvidos dá a dimensão do apetite do setor privado por cidades médias que passaram a ganhar protagonismo com a força do agronegócio.

Essa mudança no mapa de investimentos, segundo o executivo, reflete uma transformação profunda no perfil econômico do interior sul-mato-grossense. “São cidades que estavam fora do mapa, que ninguém nem sabia que exigiam esse tipo de produto, e hoje têm potencial porque o agronegócio mudou muito a dinâmica dessas cidades”, afirmou.

Municípios como Dourados e Chapadão do Sul se consolidaram como polos regionais, com fluxo constante de técnicos, executivos, produtores rurais e fornecedores ligados às cadeias de soja, milho, algodão, proteína animal e agroindústria.

O desempenho do campo ajuda a explicar esse movimento. Conforme a resenha regional do Banco do Brasil, Mato Grosso do Sul liderou o crescimento do setor agropecuário no País em 2025, com alta de 17,9%.

O resultado colocou o Estado à frente de Tocantins (16,4%) e Paraná (16,1%), consolidando uma tendência já observada em reportagens publicadas pelo Correio do Estado, que vêm apontando o agronegócio como principal motor do Produto Interno Bruto (PIB) estadual.

Esse avanço não se limita à produção primária. A expansão de usinas, indústrias de celulose, frigoríficos e plantas de processamento de grãos tem ampliado o fluxo de viagens corporativas e estadias de média duração, pressionando a demanda por hospedagem padronizada, com custos controlados e foco em eficiência.

Além do interior, a Capital do Estado também está dentro da estratégia de grandes redes hoteleiras. Campo Grande concentra a maior parte do turismo de negócios do Estado, mas também funciona como porta de entrada para destinos de lazer, como Bonito e a Região do Pantanal.

“É um tipo de Estado que você tem uma capital muito forte, que reúne basicamente business, mas também tem um lazer que chega perto da região”, avaliou Abel Castro.

Em Bonito, principal destino de ecoturismo do Estado, a rede conseguiu concretizar um plano antigo. “Faz muito tempo que a gente tinha vontade de ter uma operação em Bonito.

Ano passado, a gente conseguiu assinar esse contrato. É uma conversão, era um hotel que era operado por outra empresa, essa empresa saiu e a gente entrou com franquia”, detalhou o executivo, ao comentar a chegada do Ibis Styles ao município.

TURISMO

Conforme já publicou o Correio do Estado, levantamento do Observatório de Turismo e da Prefeitura de Campo Grande, citado pelo presidente do Sindicato Empresarial de Hospedagem e Alimentação de Mato Grosso do Sul (Sindha MS), Juliano Wertheimer, mostra que a Capital conta com mais de 8 mil leitos e mais de 2,5 mil bares e restaurantes.

“Analisando dados oficiais, o Sindicato observa que o fluxo de turismo é, em sua maior parte, interno”, explica Wertheimer.

Segundo ele, o setor poderia ganhar ainda mais fôlego com a atração de grandes eventos. “A partir desta observação, conclui-se que o setor seria ainda mais estimulado se ocorressem eventos de repercussão nacional e internacional, atraindo, além do público doméstico, que tem um ticket médio mais baixo, turistas nacionais e internacionais”, afirmou.

“Há um grande potencial de atração de público para os eventos culturais e, especialmente, para os corporativos, porém ainda é necessário que se façam investimentos nesse segmento”, acrescentou.

No plano estadual, os números também mostram espaço para expansão. Dados do Sindha MS indicam que Mato Grosso do Sul possui cerca de 25 mil estabelecimentos de alimentação fora do lar, como bares e restaurantes, e aproximadamente 1.580 meios de hospedagem, entre hotéis, pousadas, motéis e campings.

Para Wertheimer, o crescimento desses setores está diretamente ligado tanto ao turismo de lazer quanto à chegada de novos empreendimentos industriais.

“Os setores de gastronomia e hotelaria do Estado estão diretamente ligados ao turismo de lazer, com alguns bolsões de expansão ligados à chegada de novas indústrias, em municípios como Ribas do Rio Pardo e Inocência”, afirmou.

Essas cidades vêm recebendo investimentos bilionários em celulose, o que tem alterado de forma significativa a demanda por serviços, inclusive hospedagem.

Essa avaliação é compartilhada pelo diretor-presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul, Bruno Wendling. Ele destaca que, além de Campo Grande, outros municípios se consolidam como destinos de negócios.

“Bonito também tem um ótimo centro de convenções, tanto que os últimos dois eventos internacionais do setor que nós recebemos no Estado foram em Bonito”, comenta e finaliza.

“Dourados pode receber eventos de pequeno porte. Três Lagoas tem uma rede hoteleira também, tem muitos negócios por conta das empresas que estão instaladas naquela região”.

Nesse contexto, a estratégia da Accor de ampliar sua rede em Mato Grosso do Sul se alinha a um movimento mais amplo observado no Brasil e nas Américas, em que a rede tem apostado em crescimento via franquias e contratos de gestão, especialmente em mercados regionais impulsionados por atividades econômicas específicas – como o agronegócio no Centro-Oeste.

Para Castro, essa capilaridade é fundamental. “Para a gente, essa estratégia é fantástica porque conseguimos ter mais braços operacionais espalhados pelo Brasil, como no Sul, em Minas Gerais, em Santa Catarina”, afirmou.

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PISCICULTURA

Com EUA como principal importador, MS avança na produção de peixes de cultivo

O país norte-americano responde por quase 100% da importação de tilápia sul-mato-grossense, gerando uma receita de mais de US$ 1 milhão

20/04/2026 16h30

MS ocupa a 6ª posição entre os maiores produtores de tilápia do Brasil

MS ocupa a 6ª posição entre os maiores produtores de tilápia do Brasil Divulgação

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Mato Grosso do Sul vem ganhando destaque na produção de peixes de cultivo, impulsionado pela profissionalização e pela abertura de mercados internacionais. Com a maior projeção para a Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio no ano passado, o Estado ocupa a 6ª posição entre os estados brasileiros produtores de tilápia. O principal destaque fica com a cidade de Selvíria, com 9,71 mil toneladas produzidas.

Os dados foram apresentados pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) durante a Expogrande 2026. De acordo com a economista Bruna Mendes Dias, Mato Grosso do Sul vive um ciclo de expansão acelerada, com o Estado estabelecendo estratégias para se consolidar como uma potência agroambiental. 

Durante sua fala, a economista relatou que a piscicultura brasileira ultrapassou a marca histórica de 1 milhão de toneladas em 2025. Desse total, 707.495 toneladas foram de tilápia, representando quase 70% da produção nacional. Em Mato Grosso do Sul, a produção ultrapassou 53 mil toneladas, com a predominância da tilápia. 

“O mercado de pescado atravessa uma mudança estrutural clara, onde a produção controlada via aquicultura substitui a pesca extrativa. A tilápia hoje é uma commodity global, e o MS está pronto para essa demanda”, explicou Bruna. 

Ela também explicou que o perfil das exportações do Estado mudaram. Em 2017, o foco eram os peixes frescos, evoluindo para produtos com maior valor agregado, como filés congelados. Em 2025, o principal importador de tilápia de Mato Grosso do Sul foram os Estados Unidos, totalizando mais de US$ 1,3 milhão em produtos processados, 99,96% das exportações do peixe. 

“Oportunidade está na agroindústria, não apenas na produção primária. A margem de lucro do produtor dependerá cada vez mais da eficiência e da capacidade de agregar valor dentro da nossa própria cadeia produtiva”, destacou a economista durante o evento.

Para ela, Mato Grosso do Sul se prepara para se estabelecer como grande fornecedor  da proteína de peixe de alta qualidade para o mundo, já que a projeção é que a demanda chegue a 735 mil toneladas até 2055, dado o crescimento populacional. 

Ampliação das exportações

O crescimento das exportações de tilápia tem consolidado o estado como um dos protagonistas da piscicultura nacional.

De acordo com o boletim técnico de Piscicultura, elaborado pelo Sistema Famasul, em apenas três anos o Estado ampliou em mais de 3.000% o volume exportado, saindo de 55 toneladas em 2023 para quase 2 mil toneladas em 2025, com receita superior a US$ 10 milhões.

Esse avanço no mercado internacional é reflexo direto da expansão da produção local. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em 2024, a tilápia liderou o ranking das espécies mais cultivadas no Estado, somando quase 22 mil toneladas.

A tendência de alta também se mantém em 2026. Apenas no primeiro bimestre, mais de 3,9 milhões de peixes foram abatidos,  um crescimento de 13,4% em relação ao mesmo período do ano passado.

No cenário nacional, Mato Grosso do Sul já ocupa a terceira posição entre os maiores exportadores de tilápia, ficando atrás apenas de Paraná e São Paulo. Informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam que, entre janeiro e fevereiro deste ano, o estado exportou 265 mil quilos do pescado, gerando mais de US$ 1,6 milhão.

Outros dados de destaque do Estado na produção de peixes são:

  • 6º maior produtor de pacu e patinga, com Ponta Porã sendo o maior produtor do Estado;
  • 11º maior produtor de pintado e cachara, com Rio Brilhante sendo o maior produtor do Estado;
  • 13º maior produtor nacional na aquicultura, que é a criação sustentável de organismos aquáticos.

Produção nacional

O setor da piscicultura nacional ultrapassou a marca de um milhão de toneladas produzidas em 2025, o que representa um crescimento de 4,41% em relação ao ano anterior, o que faz do Brasil o maior produtor das Américas. .

O Paraná manteve a liderança na produção nacional, com 273,1 mil toneladas, seguido por São Paulo (93,7 mil toneladas), Minas Gerais, Santa Catarina e Maranhão. 

A tilápia é o principal protagonista, com 69,94% da produção do País, com 707,495 toneladas, um crescimento de 6,8% no ano. 

"O mercado global de pescado (seafood) atravessa uma mudança estrutural clara, marcada pela substituição da pesca extrativa pela produção controlada via aquicultura. A tilápia, especificamente, é tratada como uma commodity altamente padronizada de água doce", afirmou a Semadesc. 

Grandes importadores, como os Estados Unidos, União Europeia e o Japão impusionam a dinâmica do mercado, além da China entre os grandes exportadores mundiais. 

Agronegócio

Lula defende agro nacional e pede que alemães não acreditem em 'mitos' sobre biocombustíveis

O presidente disse que, "se alguém quiser acreditar nisso, convido a visitar o Brasil"

20/04/2026 14h00

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva Agência Brasil

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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), defendeu nesta segunda-feira, 20, o agronegócio brasileiro e pediu que os alemães não acreditem em "mitos" sobre a produção de biocombustíveis no País. A fala ocorreu diante de empresários no encontro econômico Brasil-Alemanha, em Hannover, na Alemanha

Lula afirmou que há uma "mitologia dita por alguns que são contra a inovação tecnológica na área de combustível, de que o combustível brasileiro atrapalha a produção de alimentos". O presidente disse que, "se alguém quiser acreditar nisso, convido a visitar o Brasil".

"Ninguém seria louco de substituir a produção de comida pela produção de biodiesel. Ninguém come diesel ou gasolina, as pessoas comem comida. Nós sabemos da importância de fazer com que os dois setores possam se desenvolver concomitantemente", afirmou o petista.

Lula reforçou que "não há hipótese de o Brasil deixar de produzir alimentos ou de ocupar a Mata Atlântica ou a Amazônica por causa da produção de biocombustível". Afirmou que "muitas vezes há desinformação e documentos técnicos que não condizem com a realidade".

"Disse a Merz e vou repetir aos empresários: qualquer dúvida que tiver com relação à relação com o Brasil, ao biocombustível, à transição energética, aos mineiras críticos e às terras raras, que não se deixem seduzir pela primeira opinião", declarou o presidente da República.

No domingo, Lula já havia dito na abertura da Feira Industrial de Hannover que "é preciso combater narrativas falsas a respeito da sustentabilidade" da agricultura brasileira.

Lula afirmou que o "transporte é hoje um dos principais gargalos de descarbonização da Europa" e pediu que a União Europeia não crie barreiras contra os biocombustíveis. O petista disse que "estão na mesa" do bloco aduaneiro "propostas que ignoram práticas de sustentabilidade no uso do solo brasileiro".

"Também entrou em vigor em janeiro mecanismos unilaterais de cálculo de carbono que desconsidera o baixo nível de emissões no processo produtivo brasileiro baseado em fontes renováveis. Essas iniciativas podem dificultar a oferta de energia limpa para os europeus em momento crítico. A elevação de padrões ambientais é necessária, mas não é correto adotar critérios que ignorem outra realidade e prejudique os produtores brasileiros", declarou o presidente.

Mudança de patamar do Brasil e minerais críticos

Lula voltou a falar que o Brasil está disposto a "deixar de ser um país em vias de desenvolvimento". Falou sobre a exploração de minerais críticos justamente como um caminho para o País se tornar uma economia rica.

"Oferecemos oportunidades crescentes em setores decisivos para o futuro. Estamos ampliando em minerais críticos e terras raras, essenciais para a transição energética digital. Não aceitaremos modelos que reduzam nosso território à extração de recursos voltados a atender apenas demandas externas. Vamos assegurar que as riquezas do Brasil sirvam ao desenvolvimento da população e das empresas brasileiras", disse o presidente brasileiro diante de empresários e políticos brasileiros e alemães.

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