Economia

ALTA

Combustíveis vão ficar mais caros no sábado e devem pressionar inflação

Aumento do ICMS resultará em reajuste de R$ 0,10 no litro da gasolina e R$ 0,06 sobre o diesel

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O litro da gasolina ficará R$ 0,10 mais caro a partir deste sábado em Mato Grosso do Sul e o óleo diesel sofrerá reajuste de R$ 0,06. A alta será em decorrência do aumento anual da base de cálculo do Imposto sobre Serviços de Circulação e Mercadorias (ICMS).

O aumento do imposto estadual vai pressionar preços de alimentos e transporte e, consequentemente, elevar a pressão sobre a inflação em todo o País. 

A oneração anual ocorre em todo o Brasil desde 2022. O ICMS sobre os combustíveis é calculado em reais por litro com uma alíquota única nacional. De acordo com o doutor em Economia Michel Constantino, o aumento dos combustíveis tem um efeito direto, em tempo real e multiplicador.

“Direto, pois ele faz parte do consumo e dos custos de produção. Em tempo real, porque os distribuidores e os postos atualizam os preços automaticamente ao aumento do ICMS. E multiplicador, porque afeta vários produtos, serviços, setores e orçamento, principalmente o familiar, que impacta na alimentação, no transporte e nos custos do frete”, detalha em entrevista ao Correio do Estado

O impacto direto no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial, deve-se ao aumento em cadeia que a alta dos combustíveis provoca. Como o transporte de alimentos é feito por meio rodoviário, o reajuste do diesel aumenta o custo do transporte e, consequentemente, do alimento transportado. 

“A alta dos combustíveis, por conta do ICMS, terá impactos no dia a dia das pessoas, seja em função dos custos de transportes, alta do frete, etc.”, explica o mestre em Economia Eugênio Pavão. 

Conforme o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) André Braz, em reportagem da Folha de São Paulo, a alta terá impacto de 0,08 ponto porcentual no IPCA de fevereiro.

Constantino ainda reforça que o impacto é maior para a população com renda menor.

“Para a população de baixa e média renda, o impacto é maior no bem-estar social e no poder de compra, pois a cesta básica sobe, o transporte e os custos do dia a dia recaem no bolso e não há muita manobra a fazer, é reduzir o consumo ou aumentar a renda fazendo novo trabalho”, finaliza.

Segundo Pavão, a população precisará adotar estratégias para enfrentar esse desafio econômico. 

“O consumidor deve procurar comprar alimentos em dias de ofertas, reunir pessoas e fazer compras em conjunto, buscando redução nos custos de transportes, aproveitar as compras virtuais, recebendo os produtos em domicílio, pesquisar os preços nos sites das empresas, evitando, assim, os deslocamentos físicos”.

IMPOSTO

A alíquota do ICMS sobre a gasolina vai subir R$ 0,10 por litro, de R$ 1,37 para R$ 1,47. Já a alíquota sobre o óleo diesel vai aumentar R$ 0,06, de R$ 1,06 para R$ 1,12 por litro.

Conforme o Comitê Nacional de Secretarias Estaduais de Fazenda (Comsefaz), o aumento neste ano reflete a alta dos preços nas bombas entre fevereiro e setembro de 2024, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

“Faz parte da cadeia produtiva dos combustíveis [o aumento dos preços], assim que ocorrer em fevereiro os reajustes do ICMS nos estados da federação”, enfatiza o diretor-executivo do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e Lojas de Conveniência de Mato Grosso do Sul (Sinpetro-MS), Edson Lazarotto.

DEFASAGEM

Outro reajuste aguardado nos preços dos combustíveis fósseis é referente aos valores praticados nas refinarias da Petrobras. Conforme o relatório da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) divulgado ontem, o preço da gasolina comercializada pela Petrobras está 8% abaixo das cotações do Preço de Paridade Internacional (PPI) e o óleo diesel, 16%. 

A diferença do valor interno do litro para o usado no comércio exterior está em R$ 0,24 para a gasolina, e o diesel apresenta disparidade de R$ 0,55 no preço do litro vendido pela estatal em comparação com o PPI.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, avisou ao presidente Lula e a seus ministros na segunda-feira que a empresa terá que reajustar o preço do diesel.

Conforme amplamente divulgado pela mídia nacional, os cálculos ainda estão sendo feitos, mas integrantes da Petrobras afirmaram que o impacto nas bombas deve ficar entre R$ 0,18 e R$ 0,24 por litro de diesel.

“Acreditamos que, devido à defasagem do preço do petróleo entre o mercado internacional e o interno há várias semanas e com a Petrobras apresentando deficit no ano que passou, é possível que ocorra reajuste nos próximos dias”, disse Lazarotto ao Correio do Estado

A nova política de preços adotada pela Petrobras, que não considera mais o PPI, foi anunciada em 8 de julho de 2023. A estatal elevou o preço da gasolina nas refinarias apenas uma vez, em julho do ano passado, quando subiu o combustível em 7,04%. No diesel, não houve nenhum reajuste.

Nos preços praticados nos postos de combustíveis de Mato Grosso do Sul, o litro da gasolina aumentou, em média, 4,5% no período de um ano, saindo de R$ 5,72 nos primeiros dias de fevereiro de 2024 para R$ 5,98 no dia 25/1, conforme o último levantamento divulgado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

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IBGE

Vendas no comércio crescem em MS, mas ficam abaixo da média nacional

O varejo no Estado registrou alta de 0,2% no mês de março em comparação ao mês anterior, enquanto a média nacional ficou em 0,5%

13/05/2026 14h45

Combustíveis foi o segundo setor que puxou a alta no mês de março no País

Combustíveis foi o segundo setor que puxou a alta no mês de março no País FOTO: Marcelo Victor/Correio do Estado

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Mesmo apresentando crescimento no mês de março, o volume de vendas de varejo em Mato Grosso do Sul não acompanhou a alta nacional. 

No terceiro mês do ano, o comércio varejista no Estado registrou alta de 0,2% em comparação ao mês de fevereiro, enquanto o crescimento no volume do País chegou a 0,5%. 

Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (13) na Pesquisa Mensal de Comércio referente ao mês de março de 2026. 

Em relação ao acumulado do ano, o comércio varejista sul-mato-grossense ficou em 3,5% e a variação acumulada em 12 meses registrou alta de 1,9%. 

Houve queda de 1,2% no comércio varejista ampliado, que é o que inclui veículos, motos, partes e peças, material de construção e atacados de alimentação, bebidas e fumo, na série com ajuste periódico. Sem ajuste, houve alta de 12,6%. 

Nessa categoria, houve acumulado de 6,7% no primeiro trimestre e, em 12 meses, registrou alta de 3,7%. 

Entre as Unidades da Federação, Mato Grosso do Sul registrou a 12ª maior variação do País. Em comparação ao mês de fevereiro, o comércio varejista teve crescimento em 19 dos 27 estados, com destaque para o Maranhão (3,8%) e Piauí (3,5%). 

Combustíveis foi o segundo setor que puxou a alta no mês de março no País

Atividades

A nivel nacional, o comércio varejista apresentou taxa positiva em cinco das oito atividades pesquisadas, que foram:

  • Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (5,7%);
  • Combustíveis e lubrificantes (2,9%);
  • Outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,9%);
  • Livros, jornais, revistas e papelaria (0,7%); e 
  • Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,1%).

Do lado negativo, ficaram os Móveis e eletrodomésticos (-0,9%) e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,4%). Os tecidos, vestuários e calçados ficaram estáveis, não apresentando variação de fevereiro a março. 

Em comparação a março de 2025, houve crescimento em todas as oito atividades, com destaque para os equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, que cresceu 22,5%, segundo maior resultado interanual desde o segundo semestre de 2021, sendo superado apenas por dezembro de 2025 (com crescimento de 31,1%).

Em seguida, artigos de uso pessoal e doméstico cresceu 11,1%, livros, jornais, revistas e papelaria, 10,2%, Combustíveis e lubrificantes (7,6%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (7,1%), Móveis e eletrodomésticos (6,8%), Tecidos, vestuário e calçados (2,9%) e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,9%). 

O setor de 'outros artigos de uso pessoal e doméstico', que engloba lojas de departamentos, óticas, joalherias, artigos esportivos, brinquedos etc, teve alta do ano passado para cá de 11,1%. Juntamente com os combustíveis, foi o setor que mais contribuiu para a alta global, somando 0,9% ao total de 4% do varejo. 

No setor de livros e revistas, em março deste ano foi registrada a maior alta desde janeiro de 2023, de 10,2%, e a primeira desde novembro de 2025. 

Já no setor de artigos farmacêutos e perfumaria, já são 37 meses consecutivos registrando crescimento, com a última queda no setor registrada em fevereiro de 2023. 

“Numa perspectiva um pouco maior, a médio prazo, nos seis últimos meses houve apenas um resultado no campo negativo, em dezembro de 2025. E mesmo assim, o resultado foi muito próximo de zero (-0,3%). Então, pode-se dizer que desde outubro de 2025 o varejo vem crescendo na maior parte do tempo”, afirmou o gerente da Pesquisa, Cristiano Santos. 


 

Valores

Fluxo cambial total em 2026 até 8 de maio é positivo em US$ 11,958 bilhões, afirma BC

Canal financeiro apresenta saídas líquidas de US$ 4,470 bilhões

13/05/2026 13h30

Banco Central

Banco Central Divulgação: Senado Federal

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O fluxo cambial está positivo em US$ 11,958 bilhões em 2026 até o dia 8 de maio, segundo dados preliminares divulgados pelo Banco Central (BC) nesta quarta-feira, 13.

O canal financeiro apresenta saídas líquidas de US$ 4,470 bilhões. Já o fluxo comercial é positivo, somando US$ 16,428 bilhões no ano.

O segmento financeiro tem compras de US$ 256,030 bilhões e vendas de US$ 260,500 bilhões no período. Esse canal inclui investimentos diretos e em carteira, remessas de lucro, pagamento de juros e outras operações.

O canal comercial tem importações de US$ 84,754 bilhões e exportações de US$ 101,182 bilhões. Nas exportações, estão inclusos US$ 11,202 bilhões em adiantamento de contrato de câmbio (ACC), US$ 24,226 bilhões em pagamento antecipado (PA) e US$ 65,755 bilhões em outras operações.

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