Mato Grosso do Sul fechou 2025 com um saldo positivo de 19.756 empregos com carteira assinada, resultado de 419.472 admissões e 399.716 demissões. O número é 61% maior que o saldo do ano anterior, que foi de 12.230, mas ainda está aquém dos anos imediatamente anteriores.
O setor da construção civil foi o principal gerador de vagas formais, principalmente em decorrência das megafábricas que estão sendo implantadas no Estado. Os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) foram divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
De acordo com o secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, os números demonstram a dinâmica da economia de Mato Grosso do Sul, “esse dinamismo de crescimento e de diversificação da base produtiva. E, por mais que sejam números positivos, temos um grande desafio, um conjunto de vagas formais abertas no Estado que não estão sendo ocupadas”.
Conforme publicou o Correio do Estado, no ano passado, mais de 20 mil vagas do mercado formal foram ofertadas e não foram preenchidas. “O Estado tem capacidade de aumentar o número de empregos formais dada a disponibilidade de vagas que temos. Esse é o grande desafio que temos no curto prazo, e esse desafio passa pela qualificação e a atração de novas pessoas de outros estados para vir trabalhar em Mato Grosso do Sul”, finaliza Verruck.
Para o economista Eduardo Matos, o avanço de 61% no saldo de empregos em 2025, em relação a 2024, indica um ciclo de atividade econômica mais forte no Estado, impulsionado principalmente pelos grandes investimentos em papel e celulose, mas não restrito a eles. Segundo ele, outras cadeias produtivas, como a bioenergia e as ampliações de plantas frigoríficas, também têm papel relevante na expansão do mercado de trabalho formal.
“O crescimento aponta um ciclo de atividade mais forte, puxado, claro, por esses grandes investimentos de papel e celulose, mas também por outras cadeias, como a bioenergia e as ampliações de algumas plantas frigoríficas. Isso impulsiona inclusive obras civis e, quando isso acontece, a construção civil tende a aparecer em primeiro lugar, porque é o setor que reage mais rápido. Nós consideramos inclusive esse setor como um termômetro da economia”, afirma.
CONSTRUÇÃO
A construção gerou 5.873 empregos formais, seguido do setor de serviços, com saldo de 4.835 empregos, indústria, com 4.536, comércio, com 3.258, e agropecuária, com saldo de 1.256 vagas. O município de Inocência, onde está sendo construída a Arauco, teve saldo de 2.349 empregos, resultado de 8.320 admissões e 5.971 demissões.
De acordo com Matos, a construção civil tem efeito multiplicador expressivo, uma vez que não se limita à geração direta de postos de trabalho nos canteiros de obras.
“Ela abre frentes de trabalho, contrata mão de obra, movimenta fornecedores e gera um efeito multiplicador na economia. A construção civil tem esse poder de acionar outros setores por meio do fornecimento de serviços e de materiais”, explica.
Na avaliação do economista, é plausível que as obras das grandes fábricas de papel e celulose tenham peso significativo, pois envolvem desde terraplanagem até estruturação de galpões, alojamentos, logística, geração de energia e adequações urbanas, exigidas como contrapartida pelos municípios e pelo Estado.
Apesar disso, Matos pondera que não é possível atribuir o desempenho do emprego formal exclusivamente a um único segmento. “Não dá para colocar tudo somente nas megafábricas. Entram também as obras públicas e o próprio mercado imobiliário urbano, com residências e grandes incorporadoras chegando a Mato Grosso do Sul”, destaca. Ele ressalta que o Estado figura entre os que mais reinvestem recursos arrecadados, o que fortalece a execução de obras estruturantes e amplia a circulação de renda.
Na análise do economista, três fatores principais ajudam a explicar o avanço no saldo de empregos formais no ano passado. O primeiro é justamente a fase de implantação de grandes projetos industriais e de infraestrutura, que acelera a construção civil e amplia contratações diretas e indiretas. O segundo está relacionado às obras públicas e privadas que acompanham esse movimento, como pavimentação, saneamento básico, ampliação de redes de energia e empreendimentos imobiliários em centros urbanos que recebem fluxo migratório crescente.
“O efeito multiplicador dessas obras gera renda e amplia a demanda por serviços e comércio. Muitas pessoas passaram a morar em Mato Grosso do Sul, e isso gera um efetivo de renda importante”, pontua.
O terceiro fator, segundo ele, é a base de comparação mais fraca de 2024. “O emprego em 2024 foi um pouco mais fraco, praticamente estagnado. Então, qualquer retomada em 2025 poderia significar um crescimento mais alto do que realmente é. Isso ajuda a explicar esse salto de 61%”, avalia.
Matos também faz um alerta em relação à natureza de parte dessas vagas. Segundo o economista, grande parcela dos postos vinculados às megafábricas de papel e celulose tende a ser temporária, concentrada na fase de implantação das unidades industriais. “É preciso olhar com atenção para a evolução do emprego em outros setores, principalmente na indústria e nos serviços, que são atividades permanentes e sustentáveis no longo prazo”, afirma.
Ele destaca que o setor de serviços tem peso significativo na economia sul-mato-grossense, uma vez que o principal produto desse segmento é o recurso humano. “Quando se amplia a capacidade de atendimento, amplia-se também a contratação. Indústria e serviços são primordiais para analisar o indicador de emprego no Estado”, diz.
Além disso, o economista cita a importância de atividades contínuas como a silvicultura, a logística e a operação das cadeias produtivas associadas, que permanecem mesmo após a conclusão das obras.
Outro elemento que pode influenciar positivamente o mercado de trabalho nos próximos anos é a consolidação de projetos logísticos, como a Rota Bioceânica, que tende a ampliar a competitividade do Estado e atrair novos investimentos. “Tudo isso fortalece a economia de forma estrutural, desde que haja continuidade nas políticas públicas e qualificação da mão de obra”, observa.
Os dados históricos do Novo Caged mostram que o saldo de empregos formais em Mato Grosso do Sul oscilou nos últimos anos. Em 2020, foram 8.495 vagas, saltando para 40.204, em 2021, e 40.648, em 2022.
Em 2023, o número caiu para 27.986 e, em 2024, recuou de forma mais acentuada para 12.230. Em 2025, o saldo voltou a subir, atingindo 19.756 vagas, o que representa recuperação, mas ainda distante do pico observado no biênio 2021-2022.


