A gasolina comum voltou ao mesmo preço registrado em Campo Grande antes de entrar em vigor a redução de tributos anunciada pelo Governo Federal para tentar baratear os combustíveis. O litro, que custava R$ 6,25 na semana de 6 a 12 de setembro, chegou a R$ 6,26 entre 13 e 19 de setembro e recuou para R$ 6,25 na semana de 20 a 26 de setembro, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Na prática, duas semanas depois da medida federal, a gasolina terminou exatamente onde estava antes da desoneração: R$ 6,25 por litro. A variação acumulada foi de zero centavo e 0%, apesar da redução de R$ 0,63 por litro nas alíquotas de PIS/Pasep e Cofins anunciada pelo governo em 9 de setembro.
O movimento chama atenção porque a medida entrou em vigor justamente com a promessa de reduzir a pressão sobre o preço final. O decreto federal passou a valer em 10 de setembro e reduziu a carga tributária sobre a gasolina em R$ 0,63 por litro. Para o etanol hidratado, as contribuições foram zeradas, representando redução tributária de R$ 0,19 por litro. As mudanças têm validade prevista até 9 de outubro.
A comparação dos números da ANP mostra que a redução tributária não apareceu na mesma proporção na média cobrada pelas revendas da Capital.
Gasolina
Na semana de 6 a 12 de setembro, antes da entrada em vigor da medida, a gasolina comum era comercializada por R$ 6,25, em média, em Campo Grande. Na semana seguinte, de 13 a 19 de setembro, o preço médio subiu para R$ 6,26.
Já entre 20 e 26 de setembro, caiu para R$ 6,25. Ou seja, em relação ao período anterior à mudança tributária, o consumidor terminou a terceira semana pagando exatamente os mesmos R$ 6,25 por litro.
A ANP pesquisou 23 revendas de gasolina comum em Campo Grande na semana mais recente. O menor preço encontrado foi de R$ 6,09, enquanto o maior chegou a R$ 6,39. A diferença de R$ 0,30 por litro representa uma variação de 4,9% entre os extremos.
O resultado também precisa ser lido com uma ressalva: a redução de tributos não determina automaticamente que todo o valor seja repassado ao consumidor. O mercado brasileiro opera em regime de liberdade de preços na produção, distribuição e revenda.
Etanol
O comportamento do etanol é semelhante, embora com uma diferença importante: depois de uma pequena queda, o combustível também retornou ao preço registrado antes da medida.
Entre 6 e 12 de setembro, o litro custava R$ 3,82, em média, em Campo Grande. Na semana seguinte, caiu para R$ 3,81. Agora, na pesquisa de 20 a 26 de setembro, voltou a R$ 3,82.
Isso ocorre apesar de o governo ter zerado PIS/Pasep e Cofins sobre o etanol hidratado, o que representou uma redução tributária de R$ 0,19 por litro.
Na última pesquisa, a ANP encontrou o etanol entre R$ 3,65 e R$ 3,99 nas revendas da Capital. São R$ 0,34 de diferença por litro, ou 9,3% entre o menor e o maior valor.
Diesel
Se gasolina e etanol terminaram o período praticamente no mesmo ponto em que estavam antes da desoneração, o diesel percorreu caminho contrário.
O diesel comum passou de R$ 6,44, na semana de 13 a 19 de setembro, para R$ 6,57 entre 20 e 26 de setembro. A alta foi de R$ 0,13 por litro, ou 2,02%.
No diesel S-10, o avanço foi ainda maior: de R$ 7,04 para R$ 7,25 no mesmo intervalo. Foram R$ 0,21 a mais por litro em apenas uma semana, alta de 2,98%.
O aumento ocorre justamente no combustível que passou a receber uma política específica de contenção do governo federal.
Na semana mais recente, o S-10 chegou a ser encontrado entre R$ 6,98 e R$ 7,59 nas revendas pesquisadas pela ANP. A diferença de R$ 0,61 por litro significa que um consumidor abastecendo 50 litros poderia pagar até R$ 30,50 a mais, dependendo da revenda escolhida.
Nova reação
O Governo Federal anunciou novas medidas nesta segunda-feira (28) para tentar conter a pressão sobre os combustíveis.
A principal novidade relacionada ao diesel é a manutenção da subvenção de R$ 2,12 por litro. A medida foi formalizada pelo Ministério da Fazenda por meio da Portaria nº 2.946/2026, publicada na sexta-feira (25), e passou a valer no domingo (27). Segundo a Fazenda, não houve aumento do subsídio nesta etapa: o objetivo foi evitar que o benefício fosse reduzido com o fim da vigência da medida provisória anterior.
Agora, além da manutenção dos R$ 2,12 por litro, o governo reforça a fiscalização sobre a cadeia de combustíveis e endurece as punições para aumentos considerados abusivos.
A ANP já possui regras específicas para avaliar eventual elevação abusiva de preços, utilizando, entre outros critérios, a margem bruta dos agentes. A agência ressalta que aumento de preço, isoladamente, não caracteriza abuso: é necessário considerar a evolução dos custos nos elos anteriores da cadeia.



