A fila de espera por benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Mato Grosso do Sul apresentou forte redução nos últimos meses, após a implantação da fila única nacional, mecanismo criado pelo governo federal para acelerar a análise de requerimentos em todo o País. Apesar da melhora, ainda há 32.681 sul-mato-grossenses aguardando a concessão de aposentadorias, pensões, auxílios e outros benefícios previdenciários.
Dados do Ministério da Previdência Social (MPS) mostram que o estoque de processos em análise caiu de 44.926 pedidos em fevereiro deste ano para 32.681 em abril, uma redução de 27,3% em apenas dois meses. Em março, a fila já havia recuado para 37.131 requerimentos.
A queda interrompe uma trajetória de crescimento observada ao longo de 2025 e início deste ano. Em dezembro do ano passado, Mato Grosso do Sul registrava 42.971 pedidos pendentes. O número avançou para 43.569 em janeiro e atingiu o pico recente de 44.926 solicitações em fevereiro.
Mesmo com a redução, o volume de processos permanece elevado. Em março de 2025, por exemplo, havia 41.535 pedidos em análise. Ao longo daquele ano, a fila oscilou, chegando a cair para 37.907 requerimentos em julho, mas voltou a crescer nos meses seguintes até alcançar o maior patamar no início deste ano.

Conforme já publicado pelo Correio do Estado, a nacionalização da fila passou a concentrar os pedidos de todo o País em um sistema unificado, permitindo que processos protocolados em Mato Grosso do Sul sejam analisados por servidores de qualquer região, independentemente da agência onde o requerimento foi registrado.
A medida busca reduzir desigualdades regionais e aumentar a velocidade na concessão dos benefícios. De acordo com a advogada previdenciária Kelly Ferreira do Valle, a mudança altera a lógica de tramitação dos pedidos dentro do INSS.
“É como se o governo acabasse com as ‘filinhas’ de cada agência e criasse uma fila única para o Brasil inteiro. Antes, se a agência de Campo Grande estivesse lotada, o seu processo ficava parado lá. Agora, com o sistema unificado, se um funcionário do Rio Grande do Sul ou da Bahia ficar livre, ele consegue puxar e analisar o processo de um morador daqui de Mato Grosso do Sul na hora”, disse ao Correio do Estado.
IMPACTO
Segundo ela, o principal impacto esperado era justamente a redução do tempo de espera para os segurados.
“O grande benefício é a agilidade. A ideia é que não exista mais esse azar de morar em uma cidade onde o INSS demora mais. O tempo de espera agora tende a ser o mesmo para todo mundo”.
Outra avaliação positiva sobre o modelo foi feita pela advogada previdenciária Juliane Penteado, que ressaltou que a centralização da análise melhora a distribuição da carga de trabalho entre os servidores.
“A ideia central é justamente atacar a grande fila de processos pendentes no INSS, que chegava a milhões de pedidos antes da mudança, e reduzir o tempo de espera dos segurados”.
Segundo ela, o novo formato também permite priorizar requerimentos mais antigos. “Isso permite um uso mais racional da força de trabalho disponível”, observou.
DESAFIO
Embora os números indiquem uma melhora consistente desde fevereiro, a fila de Mato Grosso do Sul ainda supera o patamar considerado ideal por especialistas e permanece muito acima dos níveis observados antes da escalada registrada em 2025.
Os dados do MPS mostram que a fila estadual cresceu durante boa parte do ano passado, saindo de 41.535 pedidos em março de 2025 para 42.971 em dezembro. O avanço continuou no início deste ano, até a implementação das medidas de redistribuição nacional dos processos.
Além da fila única, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou a Medida Provisória nº 1.369, que amplia a capacidade de análise de requerimentos no INSS e reforça as ações do governo para reduzir o tempo de espera dos cidadãos pela concessão de benefícios previdenciários e assistenciais. A medida foi publicada no Diário Oficial da União no dia 20 de junho.
A norma altera a Lei nº 15.201, de 2025, para ampliar o escopo do Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB), permitindo que a iniciativa também contemple a análise de processos de reconhecimento inicial de direitos relacionados à concessão de benefícios.
A medida reduz de 45 dias para 30 dias o prazo para inclusão de processos administrativos e serviços no programa.
Com a mudança, passam a integrar o PGB os processos e serviços administrativos com prazo de análise superior a 30 dias ou com prazo judicial expirado, ampliando a capacidade operacional do INSS para enfrentar o estoque de requerimentos.

