Economia

ANÁLISE

Fim da escala 6x1 deve elevar custos, mas pode impulsionar a produtividade

A proposta de redução da carga horária de trabalho deve ser prioridade do Congresso Nacional neste ano

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Com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6x1 encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) neste mês, os impactos econômicos serão sentidos a curto e longo prazo.

Na avaliação de especialistas, as consequências econômicas poderão ser diversas, como aumento de custo de produção, mas ganho a longo prazo em produtividade.

Uma pesquisa inédita feita pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados revela que, de maneira geral, 63% dos brasileiros são a favor do fim da escala 6×1, enquanto outros 22% se dizem contra.

No entanto, quando questionados sobre o fim da escala estar ou não condicionada à redução salarial, 10% migram da desaprovação para a aprovação caso a nova regulamentação da jornada de trabalho não implique em redução salarial dos trabalhadores.

Com isso, a taxa de aprovação da proposta, desde que não mexa nos salários, sobe para 73% da população.

De acordo com o economista Eduardo Matos, os impactos do fim da escala 6x1 podem ser analisados em duas frentes, o curto e o longo prazo para as empresas e para a macroeconomia.

“As empresas operam com uma margem bastante apertada. E isso muito se deve ao custo, especificamente dentro do custo do Brasil, ao arcabouço tributário que incide sobre todas as empresas”, contextualiza.

“Elas, em primeiro lugar, devem dispor de muito tempo para apurar todos os tributos que incidem sobre sua operação ou até mesmo sobre sua simples existência. E, além do tempo, há propriamente o custo financeiro, o custo monetário a partir da tributação. E com o fim da escala 6x1, essas empresas passam a ter um custo extra”, pontua.

Matos ressalta que muitos setores dependem justamente desse formato de trabalho. “O comércio varejista necessita disso. Em muitos segmentos da indústria também. Inclusive, a indústria, em muitos casos, a partir do momento que se liga uma máquina, ela só vai desligar para manutenção”, situa.

“Então, para reduzir os custos, eles enxugam a folha, que é um aspecto em que há uma oneração a partir dos tributos bastante alta. E com o fim da escala 6x1, essas empresas vão precisar contratar mais gente para não ter prejuízos na sua operação, não reduzir a sua escala operacional, não reduzir a sua produção. E, se isso ocorrer, eles reduzem a produção e, para compensar, eles aumentam os preços, o que, no fim, vai impactar em uma inflação, no aumento de preço”, avalia.

A possibilidade de alta de preços acabaria recaindo ao consumidor ou diretamente para o trabalhador, acrescenta Matos.

“Se de um lado o trabalhador vai ganhar em tempo, do outro ele pode perder no custo das mercadorias, no custo dos serviços, a perda para a inflação. Isso considerando que os salários devem se manter no mesmo patamar e até mesmo pressionar para uma redução no salário real ou, então, uma dificuldade ainda maior em ganhar um salário melhor por parte do trabalhador”, pondera.

LONGO PRAZO

Porém, a longo prazo, o cenário pode ser de ganhos macroeconômicos, também ressalta o economista.

“Se observarmos os marcos da história econômica, não apenas no Brasil, mas no mundo, como a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), por exemplo, foi em um primeiro momento, foi algo de reclamação da classe empresária, mas, em segundo momento, se provou como um aumento da base de consumo. E isso, no fim, se traduz em uma melhora macroeconômica para o País. A CLT promoveu uma melhora nos índices macroeconômicos, se analisarmos aquela época prévia à consolidação com o período posterior, considerando médio ou longo prazo”, expressa.

Na mesma linha, André Luis Nacer de Souza, presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Amatra), também lista como pontos negativos o aumento dos custos da produção para as empresas e a perda de competitividade para pequenas empresas, estas que terão mais dificuldades em absorver as mudanças. Ainda sim, também enfatiza que o setor empresarial tem a resiliência necessária.

“Particularmente, não creio em extinção de postos de trabalho, pois as empresas se adaptam ao incremento dos direitos sociais, tal como ocorreu com o advento da CLT, do 13º salário, da regulamentação do trabalho doméstico, entre outros”, opina.

“Também não acredito que eventual proibição da jornada 6x1 resultará em aumento da informalidade, como alguns setores têm alegado. Na realidade, o que aumenta a informalidade são decisões judiciais que validam a pejotização e outras questões que não se relacionam propriamente com a proibição da jornada 6x1”.

Já como pontos positivos, o presidente cita o aumento das horas de lazer, do descanso e da convivência familiar dos trabalhadores, que é um atendimento direto ao 6º artigo da Constituição. Benefício este que refletiria nos cofres públicos a longo prazo.

“Haveria inegável incremento à saúde do trabalhador, como consta no artigo 7º, 22, da Constituição, o que, em última análise, acarretaria ganhos financeiros ao Estado, com redução dos gastos previdenciários e de saúde do Sistema Único de Saúde”, elenca.

“É importante ressaltar que a questão relativa à proibição da escala 6x1 é muito mais econômica, social e política, do que jurídica. Portanto, é relevante que todos os setores envolvidos com o tema sejam ouvidos, como trabalhadores, empregadores, academia, pesquisadores, etc. E que a discussão seja ampla, de modo a alcançar todos os aspectos econômicos e sociais que essa mudança acarretaria. A opinião de todos é importante para que seja adotada a melhor solução possível para o País”, expressa.

O posicionamento de diálogo coletivo também é o da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O advogado especialista da Confederação, Roberto Lopes, reforçou que o setor produtivo já pratica modelos diferenciados de jornada negociados coletivamente, como o regime 12×36 na saúde, além de mencionar riscos de mudanças generalizadas.

“A CNC entende que mudanças na jornada devem ser fruto do diálogo e da negociação coletiva. Não existe solução única capaz de atender de forma igual todos os segmentos do setor produtivo”, afirmou.

PESQUISA

A Nexus fez duas perguntas aos entrevistados. Primeiro, questionou se eles eram favoráveis ou contrários ao fim da escala 6×1, sem neste primeiro momento tratar da questão salarial. Depois, para os 63% que aprovam a medida, perguntamos se eles aprovariam mesmo que ela implicasse na redução do salário.

Já para os 22% que se disseram contrários de início, foi perguntado se eles passariam a aprovar a redução da jornada desde que ela não implicasse em diminuição proporcional dos salários.

O resultado final indica uma leitura bastante complexa da opinião pública brasileira. Apenas 28% são totalmente favoráveis ao fim do 6×1, independentemente de isso impactar ou não o pagamento dos trabalhadores.

Outros 40% só são favoráveis se a medida for aprovada e não implicar em redução salarial. Há ainda 5% que se dizem favoráveis, mas ainda sem ter opinião formada sobre a condicionante (manutenção ou redução dos salários). O levantamento foi feito com 2.021 pessoas a partir dos 16 anos, nas 27 unidades da Federação.

“A pesquisa revela um aspecto interessante da discussão. A ampla maioria da sociedade é a favor do fim da jornada 6×1. No entanto, quando entra em campo o argumento da redução do salário, boa parte das pessoas passa a desaprovar o projeto. Isso se explica pelo lado da renda do brasileiro: boa parte das pessoas vive apertada financeiramente e precisa daqueles rendimentos, por isso acabam negando o projeto se isso lhes tirar parte da renda mensal”, afirma Marcelo Tokarski, CEO da Nexus.

PROPOSTA

Conforme a última publicação da Agência Senado, a redução da carga horária de trabalho deve ser prioridade do Congresso neste ano. A proposta está pronta para ser votada no plenário do Senado.

O texto prevê o aumento de um para dois dias o descanso mínimo semanal para os trabalhadores, preferencialmente aos sábados e domingos. Além disso, diminui de 44 para 36 horas o tempo máximo de trabalho semanal, sem contar horas extras.

De acordo com a PEC nº 148/2015, o fim da chamada escala 6x1 deverá ocorrer de forma gradual ao longo de seis anos.

A proposta foi aprovada em 10 de dezembro de 2025 na Comissão de Constituição e Justiça.

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IMPORTAÇÕES

Brasil quer convencer EUA de que acordo seria melhor que taxar em 25%

Por outro lado, governo avalia improvável acordo para tarifa de 12,5%

07/06/2026 10h30

Crédito: Alan Santos/PR

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O governo brasileiro está buscando um acordo tarifário com os Estados Unidos (EUA) que seja capaz de evitar que a Casa Branca adote a recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que sugeriu a imposição de tarifa adicional de 25% sobre parte das importações oriundas do Brasil.

O governo avalia que é possível, apesar de difícil, chegar a um acordo tarifário que seja mais vantajoso, para ambos os países, do que a sobretaxa de 25% sugerida pelo USTR. Isso porque, entre outros motivos, os EUA têm superávit comercial com o Brasil.

A recomendação da USTR, tornada pública na última semana, é resultado de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. O argumento usado é que o Brasil teria práticas “desleais” nas relações comerciais, o que incluiu ataques contra o Pix para favorecer empresas de pagamento estadunidenses.

O Brasil rebateu que os argumentos não são legítimos e que a decisão parte de uma tentativa de ingerência em assuntos internos, além de expressar o protecionismo comercial unilateral de Washington.

O governo vem questionando as tarifas adicionais dos EUA com o argumento de que a tarifa média aplicada pelo Brasil sobre as importações dos EUA é de 2,7%, o que não justificaria o argumento de que as empresas norte-americanas seriam prejudicadas no acesso ao mercado brasileiro.

Novo prazo

O Brasil agora trabalha com o prazo de 15 de julho para fechar um acordo tarifário. Essa foi a data fixada pela USTR para uma definição sobre o tema. Tal prazo ainda poderia, em tese, ser prorrogado.

Com isso, os negociadores brasileiros esperam ter mais tempo para um acordo, uma vez que o prazo inicial estipulado após a reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em Washington, no mês passado, foi de 30 dias que terminam neste domingo (7).

Dificuldades das negociações

Entre as dificuldades da negociação, está o fato de os EUA estarem envolvidos em várias outras negociações tarifárias ao redor do mundo, além do conflito bélico que lidera no Oriente Médio contra o Irã.

Enquanto isso, o governo brasileiro avalia a conveniência de um novo encontro de Trump e Lula. Existe a possibilidade de os dois se encontrarem no G7, na França, entre os dias 15 a 17 de junho. Porém, não há ainda confirmação de um encontro bilateral.

Outra dificuldade para negociar com os EUA é que os norte-americanos costumam ter demandas muito amplas, o que abarcaria diversas reinvindicações em diferentes áreas.

Porém, por enquanto, o Brasil busca um acordo especificamente sobre questões tarifárias e comerciais, sem outras pautas que poderiam interessar os norte-americanos, como terras raras. Ao mesmo tempo, o governo afirma que o Pix não entra em qualquer negociação com Washington.

A tarifa de 12,5%

Por outro lado, a taxação adicional de 10% ou 12,5% imposta a 60 países sob o argumento de que essas nações não combateriam, de forma eficiente, o trabalho análogo à escravidão é vista pelo governo brasileira como feita para não ser negociada.

Como é uma taxação imposta a boa parte do planeta, ela teria mais o objetivo de recompor, sob novas bases legais e argumentativas, o tarifaço anterior derrubado pela Suprema Corte de Justiça dos EUA.

A nova taxa afeta, além do Brasil, os aliados históricos de Washington, como Japão, União Europeia, Canadá e Índia, além da Argentina, presidida por Javier Milei, que tem se posicionado sempre ao lado de Donald Trump nas questões internacionais.

LOTERIA

Resultado da Lotofácil de ontem, concurso 3704, sábado (06/06): veja o rateio

A Lotofácil é uma das loterias mais populares no Brasil, com sorteios realizados seis vezes por semana, de segunda a sábado; veja números sorteados

07/06/2026 08h54

Confira o resultado da Lotofácil

Confira o resultado da Lotofácil Divulgação

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A Caixa Econômica Federal realizou o sorteio do concurso 3704 da Lotofácil na noite deste sábado, 6 de junho de 2026, a partir das 21h (de Brasília). A extração dos números ocorreu no Espaço da Sorte, em São Paulo.

Confira o resultado Lotofácil de ontem! 

Premiação

  • 15 acertos - Não houve acertador
  • 14 acertos - 323 apostas ganhadoras, R$ 1.442,42
  • 13 acertos - 10590 apostas ganhadoras, R$ 35,00
  • 12 acertos - 121084 apostas ganhadoras, R$ 14,00
  • 11 acertos - 625742 apostas ganhadoras, R$ 7,00

Os números da Lotofácil 3704 são:

  • 23 - 10 - 15 - 13 - 19 - 03 - 14 - 11 - 20 - 25 - 12 - 01 - 09 - 04 - 22

O sorteio da Lotofácil é transmitido ao vivo pela Caixa Econômica Federal e pode ser assistido no canal oficial da Caixa no Youtube.

O valor da premiação está estimado em R$ 2 milhões.

Para participar dos sorteios da Lotofácil é necessário fazer um jogo nas casas lotéricas ou canais eletrônicos.

A aposta mínima custa R$ 3,00 para um jogo simples, em que o apostador pode escolher 15 dente as 25 dezenas disponíveis, e fatura prêmio se acertar 11, 12, 13, 14 ou 15 números.

Como apostar na Lotofácil

Os sorteios da Lotofácil são realizados diariamente, às segundas, terças, quartas, quintas, sextas-feiras e sábados, sempre às 20h (horário de MS).

O apostador marca entre 15 e 20 números, dentre os 25 disponíveis no volante, e fatura prêmio se acertar 11, 12, 13, 14 ou 15 números.

Há a possibilidade de deixar que o sistema escolha os números para você por meio da Surpresinha, ou concorrer com a mesma aposta por 3, 6, 12, 18 ou 24 concursos consecutivos através da Teimosinha.

A aposta mínima, de 15 números, custa R$ 3,00.

Os prêmios prescrevem 90 dias após a data do sorteio. Após esse prazo, os valores são repassados ao Tesouro Nacional para aplicação no FIES - Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior.

É possível marcar mais números. No entanto, quanto mais números marcar, maior o preço da aposta.

Probabilidades

A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada.

Para a aposta simples, com 15 dezenas, que custa R$ 3,00, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 3.268.760, segundo a Caixa.

Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 211, ainda segundo a Caixa.

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