A CEO da General Motors, Mary Barra, deminuiu 15 funcionários da montadora envolvimentos com o que ela chamou de um relatório "brutalmente duro e profundamente preocupante". O documento mostrou porque a GM levou 11 anos para convocar veículos com defeito na ignição para recall.
Mary afirmou que a companhia repreendeu outros cinco funcionários em conjunto com as investigações feitas pelo ex-procurador dos Estados Unidos, Anton Valuskas. Os componentes defeituosos têm sido associados a inúmeros acidentes e mortes.
"O que foi encontrado no relatório foi um padrão de incompetência e negligência", afirmou a executiva nesta quinta-feira (5), durante uma reunião com cerca de mil empregados da companhia em Warren, Michigan, centro técnico da GM. A apresentação foi transmitida ao vivo para empregados da montadora em todo o mundo.
"Vamos asssumir a responsabilidade por nossos erros e faremos tudo ao nosso alcance para garantir que isso nunca aconteça novamente. Este é um teste de nosso caráter e nossos valores. Nós não estamos escondendo a verdade", disse.
De acordo com Mary, Valukas, contratado pela General Motors em março, descobriu que o adiamento do recall na ignição de alguns veículos não havia sido encoberto, mas os funcionários que deveriam ter tomado medidas não conseguiram fazê-lo em tempo hábil.
A GM não divulgou o relatório completo. Ao invés disso, a executiva afirmou que a Administração Nacional de Segurança do Tráfego Rodoviário dos Estados Unidos liberaria o texto. A GM apresentou o relatório a Valuskas e a NHTSA, coforme exigido por termo assinado pela companhia em abril.
A montadora também se recusou a divulgar os nomes das pessoas envolvidas, confirmando apenas que os engenheiros Raymond DeGiorgio e Gary Altman estavam entre eles. Mary Barra disse que mais da metade das pessoas eram altos executivos da GM.
valuskas entrevistrou individualmente 230 pessoas e leu milhões de páginas de documentos. O relatório foi entregue a funcionários da GM nesta segunda-feira (2).
Mary se recusou a se aprofundar na questão de porque o engenheiro DeGiorgio decidiu mudar a chave de ignição no início de 2006, apesar de seus supervisores saberem do problema e que todos tinham decidido esperar mais um ano antes de corrigir o problema devido ao custo. Inicialmente, o defeito foi descoberto em 2004, antes do lançamento do Chevrolet Cobalt 2005.
Separadamente, a GM afirmou que irá implantar um programa de compensação para as vítimas de acidentes que serão tratados pelo especialista Keneth Feinberg. Feinberg irá determinar como fornecer uma indenizaçao às famílias que perderam entes queridos ou tiveram integrantes feridos em acidentes. Ele também deverá determinar quantas pessoas ficaram feridas e mortas devido ao problema de ignição.
O defeito poderia levar os air bags a serem desabilitados e o sistema de freios desabilitado. A GM relacionou 13 mortes ao problema, mas o chefe interino da NHTSA e os advogados das vítimas sugerem que este número é bem maior.
A companhia afirmou que irá começar a receber as queixas das vítimas de acidentes em 1º de agosto. O programa de indenizações deverá cobrir cerca de 1,6 milhões de veículos ano-modelo 2003-2007 e cerca de 1 mihão de veículos ano-modelo 2008-2011.


