Economia

INFRAESTRUTURA LOGÍSTICA

Governo quer oferecer Malha Oeste para investidores chineses

Projeto ferroviário será apresentado em evento fechado e deve chegar à B3 até novembro deste ano

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O projeto de concessão da ferrovia Malha Oeste entrou em uma fase decisiva e passou a ser oficialmente apresentado ao mercado. Com investimentos estimados em quase R$ 35 bilhões, o corredor ferroviário que liga Corumbá (MS) à Mairinque (SP), começa a ser ofertado a investidores nacionais e internacionais por meio de um roadshow fechado, organizado pelo governo federal.

O Correio do Estado havia adiantado, na semana passada, que o cronograma do leilão da ferrovia seria apresentado na sexta-feira em evento de lançamento do ramal ferroviário da empresa Arauco Celulose, em Inocência.

A informação foi confirmada pelo secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, em entrevista ao Correio do Estado, durante o evento.

Segundo ele, o Ministério dos Transportes e a Secretaria Nacional concluíram o projeto técnico e iniciam, já na semana que vem, a apresentação estruturada do ativo ao setor privado.

“O ministro Renan [Calheiros Filho] disse, junto ao secretário nacional de ferrovia, que eles estão com o projeto pronto. Dias 9 e 10, agora, na próxima semana, eles vão fazer o primeiro roadshow para apresentar [o projeto] para investidores, isso é uma novidade boa. Não é um evento aberto, só vão chamar investidores, possivelmente chineses e brasileiros”, afirma o secretário.

A estratégia marca uma mudança relevante na condução do projeto. Em vez de um lançamento direto ao mercado, o governo optou por testar o apetite dos investidores antes do leilão, ajustando o desenho da concessão conforme o interesse demonstrado.

Além do roadshow nacional, Campo Grande também receberá uma apresentação oficial do projeto no dia 5 de março. O encontro reunirá representantes do governo federal, estadual e potenciais interessados, reforçando o protagonismo de Mato Grosso do Sul na articulação da ferrovia.

Segundo Verruck, o cronograma segue avançando e a expectativa do governo é levar o projeto à B3 ainda neste ano. “No dia 5 de março, nós vamos fazer uma reunião em Campo Grande para eles apresentarem o projeto também. E o ministro falou para o governador aqui, agora, que vai para a B3 aí desse ano, a expectativa é em novembro”.

A ministra do Planejamento, Simone Tebet, disse durante o lançamento da pedra fundamental para construção de um ramal ferroviário de 47 quilômetros em Inocência.

Nesta sexta-feira, em Inocência, a Arauco lançou a construção dos 47 km de malha ferroviáriaNesta sexta-feira, em Inocência, a Arauco lançou a construção dos 47 km de malha ferroviária  - Foto: Mairinco de Pauda/Semadesc

“Em novembro deste ano, tudo dando certo, nós estaremos na B3, em São Paulo, festejando o sucesso do leilão da Malha Oeste, que vai revitalizar a ferrovia entre Três Lagoas e Campo Grande”, afirmou a ministra durante seu pronunciamento no palanque montado no canteiro de obras da fábrica de celulose de US$ 4,6 bilhões da Arauco.

BLOCOS

Um dos principais diferenciais do projeto da Malha Oeste é o formato de concessão. Conforme já antecipado pelo Correio do Estado, o leilão não será feito como um único pacote. A ferrovia será ofertada em blocos independentes, permitindo que investidores escolham trechos específicos, de acordo com sua estratégia e capacidade financeira.

O projeto completo contempla o trecho entre Corumbá e Mairinque, mas está dividido em três grandes blocos. Dessa forma, uma empresa poderá, por exemplo, optar por investir apenas no trecho entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo, sem a obrigação de assumir toda a malha.

“Não é uma divisão por fases, é um modelo em blocos. O setor privado pode falar: eu só quero fazer em Campo Grande até Ribas [do Rio Pardo]. E aí eles vão testar, e estão muito otimistas. O total de investimento é de quase R$ 35 bilhões, o projeto total, de Corumbá até Mairique”, disse Verruck.

A avaliação do governo é que o fatiamento reduz riscos, amplia a concorrência e torna o projeto mais atrativo, especialmente em um cenário de elevados custos de capital e seletividade dos investidores em grandes obras de infraestrutura.

A retomada da Malha Oeste é considerada estratégica para Mato Grosso do Sul e para o País. A ferrovia tem papel central na integração logística do Centro-Oeste, no escoamento da produção agroindustrial e mineral e na conexão com corredores de exportação.

Atualmente, grande parte da produção estadual depende do transporte rodoviário, o que eleva custos e reduz competitividade. A reativação e modernização da ferrovia é vista como um passo essencial para reduzir gargalos logísticos, atrair novos investimentos industriais e fortalecer a inserção do Estado nas cadeias globais.

De acordo com o governador Eduardo Riedel, o leilão vai fazer a concessão de toda a ferrovia, de Três Lagoas a Corumbá, e de Campo Grande e Ponta Porã. “Porém, num momento inicial, somente os cerca de 350 quilômetros, entre Campo Grande e Três Lagoas, serão revitalizados”.

Ainda segundo Riedel, já existem empresas interessadas em fazer a revitalização deste primeiro trecho. Num segundo momento, os outros dois trechos também devem ser revitalizados. No futuro, acredita ele, boa parte dos minérios extraídos em Corumbá – hoje em torno de 12 milhões de toneladas por ano – poderão ser escoados pela ferrovia.

OTIMISMO

Apesar da complexidade e do elevado volume de recursos envolvidos, o governo avalia o momento como favorável. O avanço do projeto técnico, a definição do modelo de concessão e o início do diálogo direto com investidores são vistos como sinais de maturidade da proposta.

Se confirmado o cronograma, a Malha Oeste poderá finalmente sair do papel após décadas de degradação e entraves jurídicos e operacionais, inaugurando uma nova etapa para a infraestrutura ferroviária do Estado e consolidando Mato Grosso do Sul como eixo logístico do Centro-Oeste.

“Nunca um empreendedor fez uma ferrovia na história moderna do Brasil por esse modelo de autorização”, disse o ministro dos Transportes, Renan Filho. Após comemorar os investimentos na ferrovia da Arauco, ele anunciou a relicitação da Malha Oeste ainda para este ano. A ferrovia Malha Oeste está desativada há anos e atravessa o Estado de Leste a Oeste, desde Três Lagoas a Corumbá.

“Vamos investir outros R$ 850 milhões em Mato Grosso do Sul, para concluir acesso à ponte de Porto Murtinho e reconstruir a rodovia”, acrescentou Renan Filho.

Conforme as previsões iniciais, o vencedor do leilão vai ter de investir R$ 89 bilhões ao longo de 57 anos para garantir o funcionamento da linha férrea, segundo o Ministério dos Transportes. Serão R$ 35 bilhões em investimentos (trilhos, locomotivas, edificações) e mais R$ 53 bilhões na operacionalização (manutenção e veículos).

Para ajudar a financiar os investimentos, a futura concessionária poderá contar com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com financiamento de até 80% dos custos totais, conforme previsão do Ministério dos Transportes.

*Saiba

Inaugurada há quase 112 anos, em 1914, a Malha Oeste é considerada estratégica para o escoamento da produção sul-mato-grossense, sobretudo do agronegócio e da indústria, mas enfrenta há décadas problemas por falta de manutenção.

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Combustível

Gasolina dá primeiro sinal de queda após início da guerra no Irã

Após dois meses do início do conflito, o preço do combustível apresenta sinais de diminuição do valor

09/05/2026 11h00

Preço da gasolina apresenta sinais de queda, após guerra no Irã

Preço da gasolina apresenta sinais de queda, após guerra no Irã Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Desde que a Guerra no Irã se iniciou, no dia 28 de fevereiro, a população campo-grandense se deparou com uma alta nos preços dos combustíveis, aumentando cerca de R$ 0,50 centavos, afetando diretamente o bolso do consumidor.  

Antes do início do conflito, Campo Grande se destacava como a capital com o menor valor no preço médio do combustível, porém com a guerra acabou descendo para a sexta posição. 

Neste sábado (9), a Capital Morena fechou a semana apresentando uma queda no preço da gasolina comum, de acordo com o levantamento feito pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). 

Em comparativo com a semana anterior, de 24/4 à 02/5, o Preço Médio de Revenda da gasolina comum estava em R$ 6,42, enquanto o Preço Mínimo custava R$ 6,26. 

Nesta semana, após novo levantamento da ANP, o Preço Médio de Revenda está custando R$ 6,39, uma queda de R$ 0,03, a primeira após dois meses do início do conflito. 

Outro ponto que apresentou queda foi Coeficiente de Variação de Revenda, que com a queda ele passou de 0,014 para 0,016, já que o preço máximo de revenda não sofreu alteração e permanece em R$ 6,55. 

Com essa leve diminuição no valor, a população pode voltar a ter esperanças de que os preços continuem em queda, mas tudo isso ainda vai depender de como andam as coisas no Oriente Médio. 
 

Desempenho

Guerra no Oriente Médio encarece frete e derruba exportações de minério de MS

Enquanto em 2025 foram exportados US$ 97,423 milhões no primeiro quadrimestre, este ano as cifras ficaram em US$ 62,867 milhões

09/05/2026 08h30

Foto: Arquivo

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A região de Corumbá e Ladário, no Pantanal, é a principal fonte de exportação de minério em Mato Grosso do Sul e o volume financeiro exportado no primeiro quadrimestre deste ano caiu 35%.

Enquanto em 2025 foram exportados US$ 97,423 milhões, no período de janeiro a abril deste ano as cifras ficaram em US$ 62,867 milhões.

Análises internacionais sugerem que as quedas na negociação do minério de ferro em contratos futuros, principalmente, estão relacionadas com o aumento de taxa de frete em um cenário de guerra no Oriente Médio. A principal compradora da commodity é a China, com suas siderurgias. 

Com a guerra que está concentrada entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada em 28 de fevereiro, outro reflexo externo que gera impacto na balança comercial de Mato Grosso do Sul envolve o aumento do custo da energia de forma global.

Ao mesmo tempo que esse contexto global pressionou os volumes de exportação, o cenário local também tem tido seus desafios para a exportação via Rio Paraguai, modal com mais vantagem logística.

O nível mais adequado para a navegação comercial na região de Ladário, que tem padrão de 1,5 metros, só foi alcançado em 19 de março, conforme régua da Marinha do Brasil. No ano passado, em 23 de fevereiro já era possível ter nível comercial de navegação.

A Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (Amig Brasil) divulgou relatório mostrando um contexto para este ano com números mais pressionados. O impacto em uma possível redução do comércio do produto gera impacto financeiro para a arrecadação de Corumbá, por exemplo, e também de Mato Grosso do Sul. 

“Após um ciclo marcado por elevada volatilidade, o mercado global de minério de ferro caminha para 2026 sob um cenário de preços mais pressionados, demanda ainda enfraquecida e aumento da oferta internacional. Para o Brasil – segundo maior produtor mundial e altamente dependente da arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem) –, o momento exige atenção redobrada por parte de estados e municípios mineradores e afetados”, indicou a Amig Brasil.

CENÁRIO

Conforme a associação, o cenário é de queda e menor arrecadação estatal. “As projeções para 2026 reforçam a leitura de um mercado mais desafiador. Estimativas recentes elaboradas a partir do consenso de analistas internacionais, sistematizadas pela consultoria GMK Center, indicam que o preço médio anual do minério de ferro na China deverá recuar para cerca de US$ 94 por tonelada. Esse patamar representa uma queda aproximada de 7% em relação à média de 2025, de cerca de US$ 101 por tonelada, consolidando um movimento de ajuste após os picos observados nos anos anteriores”, contextualizou a instituição.

O resultado do primeiro trimestre para as exportações de minério de ferro sofreu queda de forma nacional. A redução foi tanto de volume (1,9% m/m), que foi de 28 Mt, como no valor médio por tonelada (2,1% m/m), que ficou em
US$ 71,82. 

O Banco do Brasil, que mantém análise do mercado, identificou, porém, que abril vem mostrando um cenário melhor. Porém, os dados oficiais de exportação do sistema Comex Stat, do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior estão com base de informações consolidadas até março deste ano.

ARRECADAÇÃO

A Agência Nacional de Mineração (ANM) indicou que os royalties pagos pela extração do minério de ferro na região de Corumbá e Ladário, onde estão quatro mineradoras, foi de R$ 28.165.719,46 milhões em 2025, enquanto no ano anterior, o valor alcançou R$ 46.206.590,72. Neste ano, entre janeiro e abril, o total acumulado foi de R$ 6.346.615,00.

A principal arrecadação da Cfem para Mato Grosso do Sul está a partir de Corumbá, que corresponde a 56,8% do total estadual. 

A Cfem é distribuída aos estados, municípios e também a órgãos da administração da União. A proporção de distribuição é a seguinte: 10% para a União (7% ANM, 1% FNDCT, 1,8% Cetem e 0,2% Ibama), 15% para o estado onde for extraída a substância mineral, 60% para o município produtor e 15% para os municípios quando afetados pela atividade de mineração e a produção não ocorrer em seus territórios. 

Conforme a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), a mineração ainda segue como pilar para a economia do Estado, apesar das quedas. 

“Historicamente, a mineração desempenha papel importante no desenvolvimento econômico de Mato Grosso do Sul. O Estado reúne reservas relevantes de ferro e manganês na região do Pantanal, além de calcário e outros minerais presentes em áreas como a Serra da Bodoquena. A atividade, no entanto, ocorre em regiões ambientalmente sensíveis, o que exige atenção permanente à governança ambiental e ao uso responsável dos recursos naturais”, informou, via assessoria de imprensa.

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