Economia

SOB PRESSÃO

Guerra pressiona alimentos e já eleva preços no Estado

Aumento de diesel e fertilizantes e custos logísticos pressionam a cadeia produtiva e começam a impactar o valor pago pelo consumidor em Mato Grosso do Sul

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A guerra no Oriente Médio já começa a afetar os preços do lado de cá, e alimentos começam a sentir a pressão do aumento do frete e dos fertilizantes. Conforme dados da inflação oficial, em Campo Grande, feijão, carne e tomate já acumulam alta de até 37% este ano.

Os dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), trazem os primeiros resultados do aumento do preço dos combustíveis no restante da cadeia econômica.

Os principais itens que encareceram no curto período foram principalmente os hortifrutigranjeiros, sendo o repolho o campeão, com alta de 82,02%, seguido do por feijão-carioca, com alta de 37,28%.

Ainda na sessão dos hortifrútis, o tomate apresentou alta de 31,66% nos três primeiros meses do ano, a cebola subiu 24,83%, o ovo, 17,49% e a capa de filé ficou 7,03% mais cara entre janeiro e março.

Conforme o Correio do Estado já havia adiantado, o óleo diesel ficou 21% mais caro nas bombas de Mato Grosso do Sul no período de um mês. A alta no preço do combustível impacta o valor do frete e, consequentemente, os alimentos.

De acordo com o mestre em Economia Eugênio Pavão, os alimentos estão subindo por conta dos custos de transportes. “A instabilidade provocada pelo conflito no Oriente Médio desestabilizou os mercados de energia [petróleo, gasolina, gás, etc.], colocando em alerta as autoridades mundiais”, analisa.

“Esse conflito tem um componente diverso dos anteriores, já que existem duas nações atacando, ambas com objetivos concorrentes [EUA e Israel]. Por isso, uma previsão para a estabilização dos mercados consumidores e produtores via mecanismo de preços está bem difícil”, completa o economista.

O IPCA de Campo Grande foi de 0,93% em março, 0,75 ponto porcentual (p.p.) acima do registrado em fevereiro (0,18%). Em março de 2025, a variação havia sido de 0,42%. O acumulado do ano é de 1,59% e, nos últimos 12 meses, o índice ficou em 2,66%, acima dos 2,13% dos 12 meses imediatamente anteriores.

FUTURO

O petróleo fechou a cotação de ontem em alta, após voltar a disparar próximo dos US$ 100, em um mercado que abandonou a trégua diplomática e passou a precificar um cenário mais duro no Oriente Médio. Ontem, o petróleo WTI para maio encerrou o pregão com valorização de 2,6%, a US$ 99,08, enquanto o Brent para junho avançou 4,36%, a US$ 99,36.

Para o economista, a alta percebida em alimentos, fertilizantes e combustíveis deve permanecer em vigor no País. “Provavelmente, caso seja reduzida a distribuição de petróleo pelo Irã, teremos mas alguns meses de instabilidade econômica e financeira.

Ou seja, ‘se correr o bicho pega, se ficar o bicho devora’”, finaliza Pavão.

A administradora Rosemere Sguario, de 48 anos, afirma já ter percebido alguns produtos mais caros no supermercado. “O arroz passou por uma grande oscilação, agora, mais recentemente, o feijão, mas a carne está bem elevado o valor e o café, também. Na verdade, é o salário mínimo que não dá para nada”.

FERTILIZANTES

O acordo fracassado de cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos traz tensão ao mercado global de fertilizantes nitrogenados. O cenário segue longe da normalidade, com baixo volume de negócios e elevada cautela por parte dos agentes.

“A atividade segue limitada e os preços continuam firmes, justamente porque os problemas estruturais de oferta e logística não foram resolvidos”, realça o analista de Inteligência de Mercado da Stone X Tomás Pernías.

No Brasil, o cenário é ainda mais desafiador. As relações de troca entre ureia e milho estão nos piores níveis dos últimos anos, o que reduz o poder de compra do produtor e dificulta a realização de novos negócios.

Desde o início do conflito, os preços da ureia no País acumulam alta de 61%, o que tem gerado resistência por parte dos compradores em avançar nas negociações.

Segundo Pernías, o produtor brasileiro está mais defensivo. “As relações de troca estão nos piores níveis dos últimos anos, o que limita a demanda e trava novas compras aos preços atuais”, conclui.

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PIX

BC retira teto de R$ 500 para Pix por aproximação; instituições devem se adaptar até outubro

Usuários poderão definir valores de transações diretamente nos aplicativos dos bancos a partir das novas regras.

19/06/2026 21h00

Foto: Divulgação

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O Banco Central alterou as regras do Pix e retirou o teto fixo de R$ 500 que limitava os pagamentos na modalidade por aproximação. As instituições terão até 1º de outubro para adaptar sistemas e implementar a mudança.

Com a alteração, as transações por aproximação e as iniciadas por meio da jornada sem redirecionamento, no Open Finance, passam a seguir a mesma lógica que os demais pagamentos via Pix: o usuário poderá solicitar ao banco o aumento ou a redução do limite diário e do limite por transação, de acordo com a ferramenta de gestão de limites que deve ser disponibilizada por todos os bancos em seus aplicativos

"Ao permitir que o usuário ajuste o limite do Pix por aproximação dentro dos canais da sua instituição, a nova regra torna a experiência mais aderente às necessidades do dia a dia, sem perder de vista os mecanismos de segurança já incorporados ao ecossistema do Pix", afirma o chefe adjunto do Departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro (Decem) do BC, Breno Lobo, em nota publicada no site da autoridade monetária.

A atualização também alcança pagamentos iniciados sem redirecionamento no Open Finance, como transações feitas em carteiras digitais compatíveis.

Segundo o BC, o objetivo é unificar as diretrizes e reduzir diferenças regulatórias entre as jornadas.

Brasil

Lula assina decreto que prevê bloqueio de recursos de bets ilegais

Valores serão transferidos para fundo de combate ao crime organizado

19/06/2026 19h00

Ricardo Stuckert / PR

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, nesta sexta-feira (19), decreto que prevê o bloqueio imediato de recursos financeiros de bets ilegais – empresas de apostas de quota fixa que funcionam irregularmente no mercado. Após o congelamento pelos bancos e o fim de um processo legal, o dinheiro será transferido para o Fundo Nacional de Segurança Pública, para ser utilizado no combate ao crime organizado no país.

O Decreto nº 13.033/2026 foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União.

De acordo com o Ministério da Fazenda, a medida foi possível com a aprovação, pelo Congresso Nacional, da Lei Antifacção. Um dos mecanismos previstos é o “perdimento de bens”.

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, desde 2025, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda solicitou à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) o bloqueio de quase 50 mil sites de apostas ilegais, de responsabilidade de cerca de 350 operadores, também bloqueados.

“Esses 350 operadores utilizaram 37 instituições financeiras, em geral, fintechs e instituições de pagamento com baixa supervisão”, disse Durigan em entrevista coletiva à imprensa, explicando que há notificação sobre essas instituições em diversos órgão competentes.

“O que a Lei Antifacção nos permitiu? [..] Um novo documento, que vai ser apurado pela SPA, vai ser enviado diretamente aos bancos e às instituições financeiras com ciência do Banco Central. Uma vez que a instituição financeira receber essa nova notificação, a obrigação legal passa a valer, e a instituição financeira tem que bloquear todas as contas que ela tiver identificado por onde passou recurso dessas bets ilegais. É um bloqueio administrativo imediato”, explicou.

Passo a passo

Como autoridade reguladora e supervisora das bets, a SPA, ao identificar um operador não autorizado, formalizará a irregularidade por meio de um auto de constatação, que registra e fundamenta a exploração ilegal.

Emitido o auto, a secretaria notifica as instituições financeiras e de pagamentos para que bloqueiem, em até 24 horas, os valores existentes em contas relacionadas à empresa irregular e interrompam novas transações. As instituições devem reportar o cumprimento da medida em até 48 horas.

O Banco Central também será comunicado simultaneamente para supervisionar a execução. Uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) regulamentará os procedimentos operacionais de bloqueio das contas e dos valores.

Já a instauração e a condução dos processos administrativos caberão à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que notificará a parte envolvida para apresentar defesa. Durante o processo, podem ser realizadas diligências e requisições de documentos e informações a instituições financeiras e entidades públicas.

Caberá ainda à Senasp adotar as medidas necessárias à instrução do processo, inclusive a produção de provas para o esclarecimento dos fatos, observados o contraditório e a ampla defesa.

Após a decisão administrativa final que declara o cabimento do perdimento de bens, o Ministério da Justiça e Segurança Pública remeterá os autos à Advocacia-Geral da União (AGU) com os elementos necessários ao ajuizamento da ação judicial. Após a abertura da ação, os valores bloqueados serão convertidos, então, em depósito judicial para que permaneçam à disposição do resultado da ação.

Responsabilidade solidária

Nesta quinta-feira (18), o Ministério da Fazenda também publicou a Portaria nº 1.766/2026, que regulamenta a responsabilidade tributária solidária das instituições financeiras que derem movimentação a recursos de bets ilegais.

“A gente estende essa responsabilidade solidária, evidentemente com o intuito de desincentivar que instituições financeiras deem guarida a essas bets ilegais, dado que hoje o mercado está muito bem regulado pela SPA. Então, a bet que não tem autorização, ela é claramente ilegal, não deve ter essa guarida das instituições financeiras”, disse Durigan.

“Caso a instituição financeira dê curso [às movimentações], a Receita Federal vai notificar junto com a SPA, já atribuindo responsabilidade solidária e fazendo a devida cobrança das obrigações tributárias [quer seriam das casas de apostas]”, explicou.

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