PIB da Capital deve avançar 2,5% este ano, acima do 1,9% projetados para Mato Grosso do Sul e dos 2% estimados para a média nacional
Campo Grande completa 127 anos hoje com uma economia que deve crescer acima da média de Mato Grosso do Sul e do Brasil este ano. Enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) estadual tem expansão projetada em 1,9%, a Capital deve avançar 2,5%, segundo o boletim econômico da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico (Semades). A diferença de 0,6 ponto porcentual ocorre em um cenário nacional de juros elevados, inflação pressionada e crescimento moderado.
Conforme já publicado pelo Correio do Estado, a projeção estadual para este ano é de um crescimento de 1,9%, enquanto a média nacional estimada pela Resenha Regional do Banco do Brasil é de 2,0%.
O desempenho coloca a Capital em posição de destaque na economia sul-mato-grossense justamente quando se aproxima de celebrar 130 anos de história. O boletim aponta que “Campo Grande continua apresentando indicadores econômicos robustos” e registra desempenho superior à média nacional.
A projeção é sustentada principalmente pelo setor de serviços e pela construção civil. Em Mato Grosso do Sul, a expansão deve ser puxada pela agropecuária, com alta estimada de 2,8%, e pelos serviços, com 2,1%, enquanto a indústria deve recuar 1,1%.
O peso dos serviços explica parte da diferença. O segmento responde por 82,4% do Valor Adicionado Bruto (VAB) de Campo Grande e funciona como o principal vetor de sustentação da atividade econômica municipal.
No Estado, o volume de serviços acumulou crescimento de 4,3% nos 12 meses até maio, acima da média nacional de 2,6%. O comércio varejista ampliado avançou 3,7%, enquanto no País a alta foi de apenas 0,1%.
O próprio boletim da Semades resume a mudança na composição da economia regional ao afirmar que há uma “reconfiguração” dos vetores de crescimento, com serviços e indústria assumindo novos contornos diante dos efeitos climáticos sobre a agropecuária do Centro-Oeste.
TRABALHO
A geração de empregos é outro indicador que sustenta o cenário positivo. Entre janeiro e junho, Campo Grande acumulou 3.541 novas vagas com carteira assinada, segundo o Novo Caged. Com isso, o estoque chegou a 236.695 empregos formais ativos no fim do primeiro semestre.
Na comparação com dezembro de 2019, período anterior à pandemia, são 44.640 vínculos formais a mais, crescimento de 23,24%.
Os serviços lideraram a abertura de postos no semestre, com saldo positivo de 2.088 vagas, seguidos pela construção civil, com 1.467. Indústria e agropecuária registraram saldos de 350 e 269 empregos, respectivamente. O comércio, na contramão, acumulou fechamento líquido de 633 vagas.
Em junho, o mercado formal ainda registrou saldo positivo de 303 empregos. O comércio abriu 265 vagas, a indústria, 159 vagas, e os serviços, 109 vagas. A construção civil, porém, fechou 278 postos no mês.
Na avaliação da Semades, “Campo Grande posiciona-se na 16ª posição entre as capitais em geração proporcional de empregos formais em 2026”. A taxa de desocupação ficou em 4,1% no primeiro trimestre, a quarta menor entre as capitais brasileiras.
O crescimento também aparece no número de empresas. Campo Grande contabilizou 149.147 empresas ativas em julho, entre matrizes e filiais, conforme dados da Receita Federal compilados pelo Data Sebrae.
O número representa aumento de 44,62% em relação a março de 2020, quando havia 103.129 estabelecimentos. A Capital concentra ainda 41,44% das 359.886 empresas ativas de Mato Grosso do Sul.
A maior parte está concentrada nos serviços, com 87.326 empresas, ou 58,55% da base. O comércio reúne 36.970 estabelecimentos, a construção civil tem 12.741 e a indústria, 10.838.
Os pequenos negócios são predominantes, Microempreendedores Individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte representam 94,55% das pessoas jurídicas ativas na Capital. São 80.070 MEIs, 47.570 microempresas e 13.373 empresas de pequeno porte.
Segundo o boletim, esse perfil evidencia a “vocação empreendedora da capital” e amplia as possibilidades de geração de renda e ocupação.
SERVIÇOS
O avanço do setor terciário também se reflete na arrecadação. Em 2025, Campo Grande recolheu R$ 728,06 milhões em Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), contra R$ 663,52 milhões em 2024, crescimento real de 6,59%.
No primeiro semestre deste ano, foram R$ 372,64 milhões, alta real de 4,50% em relação aos seis primeiros meses do ano passado. Somente em junho, a arrecadação chegou a R$ 68,52 milhões, crescimento de 8,45%.
Para o boletim, o comportamento do ISSQN funciona como uma espécie de termômetro do setor terciário, por estar diretamente relacionado ao faturamento das empresas prestadoras de serviços.
EXPORTAÇÕES
A inserção internacional também ganhou força no primeiro semestre. Campo Grande exportou US$ 462,47 milhões entre janeiro e junho, alta de 40,24% em relação aos US$ 329,77 milhões registrados no mesmo período de 2025.
As importações somaram US$ 210,25 milhões e a corrente de comércio chegou a US$ 672,72 milhões. O resultado foi um superavit de US$ 252,23 milhões, maior saldo positivo para um primeiro semestre desde o início da série histórica, em 1997.
O desempenho das exportações também atingiu o maior valor histórico para um primeiro semestre, segundo o boletim. A expansão dos embarques foi impulsionada principalmente pelas proteínas animais.
Em junho, as exportações municipais somaram US$ 91,97 milhões, alta de 48,71% sobre igual mês do ano passado. As carnes e miudezas comestíveis responderam por US$ 69,98 milhões desse total.
A China foi o principal destino das vendas externas, com US$ 49,76 milhões em junho, enquanto os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com US$ 6,38 milhões.