Economia

Financiamento

Mais de R$ 1,6 bilhão do FCO ainda não virou crédito em MS

Estado tem R$ 3 bilhões previstos para 2026, mas menos da metade havia sido aprovada até agosto

Continue lendo...

Mais de R$ 1,6 bilhão dos R$ 3,028 bilhões previstos pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) para Mato Grosso do Sul, em 2026, ainda não foi liberado. Até a reunião mais recente do Conselho Estadual de Investimentos do FCO, cerca de R$ 1,4 bilhão havia avançado para contratação, deixando pouco mais da metade do orçamento anual disponível para novos financiamentos nos últimos meses do ano.

Os recursos são destinados a empresas e produtores rurais e podem financiar desde a compra de máquinas e equipamentos até a expansão e modernização de atividades. Do total previsto para Mato Grosso do Sul, R$ 1,514 bilhão está reservado ao FCO Empresarial e R$ 1,514 bilhão ao FCO Rural.

O cenário ocorre em um momento de maior pressão sobre o caixa das empresas e propriedades rurais, com juros elevados, aumento do endividamento e margens mais apertadas. Na prática, a existência de dinheiro disponível para financiamento não significa que todo o volume será necessariamente contratado.

Para o economista Fábio Ferreira Júnior, diretor da Agricon Consultoria, a decisão de buscar o recurso precisa considerar a situação financeira de cada negócio.

“Estamos vivendo um cenário nacional que exige muito cuidado do empresário e do produtor. Endividamento, inadimplência, pressão sobre as margens e redução da confiança não podem ser ignorados”, afirma.

Segundo o economista, a contratação de um financiamento precisa estar ligada à capacidade de pagamento e ao retorno que o investimento poderá gerar.

Entre os pontos que devem ser avaliados estão o fluxo de caixa, o nível atual de endividamento, o valor da nova parcela e a capacidade de o investimento aumentar a produtividade, reduzir custos ou gerar receita.

“Crédito não resolve um negócio que não tem viabilidade. Mas o crédito certo, no momento certo e para o projeto certo pode ser uma ferramenta muito poderosa de crescimento”, diz.

O FCO financia projetos de setores como agropecuária, indústria, comércio e serviços. Em MS, os recursos também estão relacionados ao movimento de expansão de atividades ligadas ao agronegócio, à agroindústria e à indústria de celulose.

R$ 3 bilhões

O orçamento de R$ 3,028 bilhões destinado ao Estado foi dividido igualmente entre as linhas Empresarial e Rural. Até agosto, aproximadamente R$ 1,4 bilhão havia sido aprovado, enquanto cerca de R$ 1,6 bilhão permanecia disponível.

O volume ainda não aprovado corresponde a mais da metade dos recursos programados para todo o ano.

Com a aproximação do fim de 2026, empresas e produtores que pretendem utilizar a linha de financiamento ainda podem apresentar projetos, desde que atendam aos critérios do programa e tenham capacidade para assumir o crédito.

Para o especialista, o cenário exige que o financiamento seja tratado como parte de um planejamento de investimento, e não apenas como uma fonte de dinheiro disponível.

“A decisão não deve partir apenas da existência de recurso disponível. É necessário analisar a capacidade de investimento, estruturar adequadamente o projeto, dimensionar a necessidade de recursos e verificar se a operação é sustentável para o negócio”, conclui.

brecha

MS pode ampliar exportações de carne bovina aos Estados Unidos

Medida libera 300 mil toneladas de carne bovina magra em três meses; Estado já elevou em 42% receita com vendas aos EUA

31/08/2026 07h45

FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

Continue Lendo...

Mato Grosso do Sul pode encontrar nos Estados Unidos uma nova oportunidade para ampliar as exportações de carne bovina com a decisão do governo de Donald Trump de aumentar temporariamente a cota de importação de carne bovina magra. A medida, que entra em vigor no dia 1º de setembro e terá duração de 90 dias, acrescenta 300 mil toneladas à cota de importação sujeita à tarifa menor, sendo 100 mil toneladas por mês.

A abertura interessa diretamente ao Estado, que já vem aumentando as vendas de carne para o mercado norte-americano. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), levantados na Comex Stat, mostram que as exportações de produtos bovinos de MS aos Estados Unidos somaram US$ 243,3 milhões de janeiro a julho deste ano, contra US$ 171,3 milhões no mesmo período do ano passado. O crescimento é de 42%.

Em quantidade, os embarques passaram de 34,5 mil toneladas para 41,1 mil toneladas, alta de 18,9%. Os números consideram carnes bovinas congeladas, frescas ou refrigeradas e salgadas, em salmoura, secas ou defumadas.

A maior parte das vendas é formada pela carne desossada congelada. Neste ano, o produto respondeu por
US$ 212,9 milhões das exportações de MS aos EUA, ante US$ 156,4 milhões no período correspondente de 2025, avanço de 36,1%.

Já a carne bovina fresca ou refrigerada passou de US$ 4,6 milhões para US$ 23,2 milhões, enquanto os embarques de carne salgada, em salmoura, seca ou defumada recuaram de US$ 10,3 milhões para US$ 7,2 milhões.

AMPLIAÇÃO

Para o analista de mercado exterior Aldo Barrigosse, a decisão dos EUA chega em um momento estratégico para MS, especialmente diante das dificuldades enfrentadas pelo Brasil no mercado chinês.

“Essa retirada dessa sobretaxa do governo americano, essa ampliação de mercado para nós, como oportunidade aqui para o Brasil e para MS, vem em bom momento”.

Segundo ele, o Estado tem frigoríficos habilitados para atender o mercado norte-americano e pode aproveitar a nova janela comercial. “Isso beneficia diretamente essas plantas que já são exportadoras para o mercado americano”, afirma.

Barrigosse destaca ainda que a medida favorece especialmente a comercialização de cortes mais magros, utilizados na produção de carne moída nos Estados Unidos.

“Dos produtos que Mato Grosso do Sul vende para os Estados Unidos, mais de 50% são carne bovina, principalmente os cortes mais magros, que são utilizados localmente para se fazer a carne moída”.

A avaliação é de que a estrutura produtiva também coloca o Estado em posição favorável para responder rapidamente a uma eventual elevação da demanda. “A gente está preparado para isso, tem frigorífico habilitado, tem carga, tem boi no pasto”, diz o analista.

O Correio do Estado também entrou em contato com o Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul (Sicadems) para comentar sobre o assunto, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição. 

OPORTUNIDADE

O novo espaço no mercado norte-americano ganha importância porque o Brasil enfrenta restrições para ampliar as vendas à China. O mercado asiático é o principal destino da carne bovina de MS, mas os dados do Mdic também mostram forte crescimento dos embarques para os Estados Unidos.

Conforme já publicou o Correio do Estado, as exportações de produtos bovinos de MS para a China chegaram a US$ 586 milhões nos sete primeiros meses deste ano, contra US$ 318,5 milhões em 2025, crescimento de 84%. Em quantidade, passaram de 60,9 mil toneladas para 91,1 mil toneladas, alta de 49,7%

No total, as exportações de produtos bovinos de Mato Grosso do Sul alcançaram US$ 1,33 bilhão neste ano, contra US$ 932,8 milhões no mesmo período de 2025, crescimento de 42,6%. A quantidade aumentou em 20,4%, de 175,8 mil toneladas para 211,8 mil toneladas.

Para Barrigosse, a abertura dos EUA pode ajudar a reduzir os efeitos da menor capacidade de absorção do mercado chinês.

“Essa oportunidade vem em um bom momento, vai beneficiar o mercado”, considera. Ele também citou a existência de plantas habilitadas e a evolução da produtividade pecuária estadual como fatores que podem favorecer o aproveitamento da nova demanda.

Apesar do potencial de crescimento, a medida não significa necessariamente aumento proporcional da receita dos frigoríficos. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) avalia que a iniciativa pode representar uma oportunidade para o setor brasileiro, mas alerta para a concorrência com outros fornecedores.

“Além disso, a própria decisão estabelece que os produtos sejam comercializados no mercado americano a preços 25% inferiores aos praticados atualmente, o que limita ganhos imediatos de margem para a indústria”, explica a entidade.

A regra norte-americana determina que o governo monitore se a carne importada dentro da nova cota está sendo comercializada 25% abaixo do preço de mercado. Caso isso não ocorra, a administração poderá interromper o restante da quantidade adicional.

Esse é justamente um dos pontos de atenção apontados por Barrigosse. “Existe uma expectativa de a gente vender mais carne magra como eles querem, só que uma carne que vai ser vendida teoricamente um pouco mais barato, no preço médio por tonelada”, pondera.

Para ele, porém, o ganho estratégico de acessar um mercado com demanda elevada pode compensar a menor margem inicial.

A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) também vê a decisão de forma positiva. “É uma grande notícia que era muito aguardada pelo setor. Sem dúvida veio em um bom momento, pois ajudará a mitigar os efeitos do fim da cota da China para o Brasil pelos próximos três meses, gerando melhores condições de competitividade para a carne brasileira no mercado americano”, declarou.

A nova cota, entretanto, não deve ser interpretada como uma retirada geral das tarifas sobre a carne brasileira.

A decisão de Trump amplia temporariamente a quantidade de cortes magros que poderá entrar nos EUA dentro do regime de cota tarifária com alíquota menor e é válida para países habilitados. A quantidade adicional foi dividida em três lotes de 100 mil toneladas.

Mercado de Trabalho

Salário ganha da inflação, mas emprego perde força em Campo Grande

Centro-Oeste teve maior ganho real do país nas negociações, enquanto Capital fechou julho com saldo negativo de 140 vagas

30/08/2026 18h30

Campo Grande

Campo Grande Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Continue Lendo...

Os trabalhadores do Centro-Oeste conseguiram, em média, reajustes salariais acima da inflação nos primeiros sete meses de 2026. Por outro lado, o mercado de trabalho de Campo Grande começou a dar sinais de perda de ritmo. Enquanto a região registrou ganho real médio de 1,73% nas negociações coletivas, o maior do país, a Capital terminou julho com 140 empregos formais a menos, segundo dados do Caged.

O levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que 88,4% das negociações salariais do Centro-Oeste ficaram acima da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor, o INPC entre janeiro e julho. Outros 7,4% apenas repuseram as perdas inflacionárias e 4,2% ficaram abaixo do índice. Os dados têm como base acordos e convenções coletivas registrados no sistema Mediador, do Ministério do Trabalho e Emprego, até 10 de agosto.

O resultado regional ficou acima da média brasileira, que teve ganho real de 1,48% no período. No Sudeste, a média foi de 1,54%; no Nordeste, 1,47%; no Norte, 1,37%; e no Sul, 1,35%.

O avanço dos salários, porém, ocorre em um momento em que a contratação formal perdeu velocidade em Campo Grande. Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego mostram que a Capital teve 12.159 admissões e 12.299 desligamentos em julho, resultando no saldo negativo de 140 postos.

Foi a primeira vez no ano que o saldo mensal ficou no vermelho. Ainda assim, Campo Grande acumula 3.401 novos empregos formais entre janeiro e julho.

O ganho acima da inflação melhora o poder de compra de quem está incluído nas negociações coletivas, mas, os dados do Dieese mostram que o valor dos pisos negociados no Centro-Oeste continua entre os menores do país.

Entre janeiro e julho, o piso salarial médio negociado na região foi de R$ 1.831, enquanto o piso mediano ficou em R$ 1.709. Isso significa que metade dos pisos analisados ficou abaixo de R$ 1.709.

No Sul, onde foram registrados os maiores valores, a média chegou a R$ 2.033, com mediana de R$ 1.975. No Brasil, os valores foram de R$ 1.938 e R$ 1.800, respectivamente. 

O resultado ajuda a explicar por que um reajuste acima da inflação não necessariamente representa uma grande mudança no salário recebido pelo trabalhador. O ganho real é calculado sobre o valor que já era pago pela categoria, enquanto o piso negociado estabelece um patamar mínimo para os trabalhadores abrangidos pelo acordo ou convenção.

O estudo do Dieese não inclui servidores estatutários nem trabalhadores informais. A análise considera trabalhadores celetistas do setor privado e de empresas estatais, a partir dos instrumentos coletivos registrados no Mediador. 

MS mantém saldo positivo

O resultado da Capital ocorre em contraste com o desempenho de Mato Grosso do Sul na totalidade. Segundo o Novo Caged, o Estado abriu 730 empregos formais em julho e chegou a 19.258 novas vagas acumuladas entre janeiro e julho. O estoque de empregos formais chegou a 684.147 vínculos. 

A diferença entre os resultados municipais e estaduais também aparece na distribuição por setores.

Em Campo Grande, a indústria foi responsável pela maior perda de vagas em julho, com saldo negativo de 100 postos. A agropecuária perdeu 28 e os serviços, principal setor empregador da Capital, fecharam o mês com 13 vagas a menos. A construção civil teve saldo negativo de três postos. O comércio foi o único dos cinco grandes setores com resultado positivo, mas abriu apenas quatro vagas.

No Estado, o cenário foi diferente. A construção civil liderou a criação de empregos em julho, com 1.188 novas vagas, seguida pelos serviços, com 391. A indústria geral, por outro lado, perdeu 556 postos, enquanto a agropecuária teve saldo negativo de 213. 

Os números mostram um mercado de trabalho com movimentos diferentes: as negociações coletivas seguem garantindo ganhos acima da inflação para grande parte dos trabalhadores, mas a geração de novas vagas perdeu força na Capital.

No Brasil, o próprio Dieese identificou uma desaceleração nos reajustes em julho. No mês, 82,5% dos 171 acordos e convenções analisados tiveram ganho acima do INPC, o menor percentual observado em uma data-base de 2026 até então. O ganho real médio também caiu pelo quarto mês consecutivo, chegando a 1,10%. 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).