A prorrogação por mais 180 dias da concessão da Malha Oeste representa um novo capítulo para uma das mais importantes ferrovias de Mato Grosso do Sul e do país.
O acordo firmado entre o Governo Federal e a Rumo evita um vazio jurídico na administração da malha ferroviária e cria as condições para a conclusão do processo de relicitação, considerado estratégico para a logística nacional e para o escoamento da produção sul-mato-grossense.
O termo aditivo foi assinado às vésperas do encerramento do contrato original de 30 anos, garantindo que a concessionária permaneça responsável pela preservação da infraestrutura enquanto são finalizadas as etapas necessárias para a nova licitação.
A medida também reduz as incertezas regulatórias que cercavam o futuro da ferrovia, avaliação compartilhada por analistas do mercado financeiro.
Durante o período de transição, entretanto, não haverá operação de transporte ferroviário. A Rumo ficará encarregada apenas da vigilância patrimonial, manutenção essencial da via permanente, monitoramento da infraestrutura e apoio às fiscalizações dos órgãos responsáveis, preservando os ativos até que um novo concessionário assuma a malha.
Outro ponto considerado relevante é o início do chamado "encontro de contas" entre a concessionária e a União.
O procedimento deverá apurar créditos e débitos acumulados ao longo da concessão, incluindo pedidos de reequilíbrio econômico-financeiro, investimentos ainda não amortizados, passivos regulatórios e demais obrigações existentes entre as partes. A expectativa é que essa etapa seja concluída dentro do período de prorrogação.
Na avaliação de analistas, o acordo oferece maior previsibilidade para investidores ao estabelecer um cronograma para a resolução das pendências financeiras e regulatórias envolvendo a concessão.
Também foi visto como positivo o reconhecimento formal de que a controladora Rumo S.A. não responde solidariamente pelas obrigações específicas da Malha Oeste, reduzindo potenciais riscos para a companhia.
Ferrovia estratégica para Mato Grosso do Sul
Com aproximadamente 1,9 mil quilômetros de extensão, a Malha Oeste conecta Corumbá, em Mato Grosso do Sul, ao interior de São Paulo, formando um corredor logístico fundamental para o transporte de minério de ferro, celulose e outras cargas destinadas principalmente ao Porto de Santos.
A ferrovia também possui potencial para ampliar a integração comercial com Bolívia e Paraguai.
Apesar da importância estratégica, a ferrovia enfrenta anos de baixa utilização e deterioração da infraestrutura. O pedido de devolução da concessão pela Rumo foi apresentado em 2020, diante do desequilíbrio econômico do contrato e da necessidade de uma nova modelagem capaz de atrair investimentos privados.
Nova licitação prevê investimentos bilionários
A expectativa do Ministério dos Transportes é realizar o leilão da nova concessão ainda neste ano, após a conclusão das análises técnicas e regulatórias.
O projeto prevê investimentos de cerca de R$ 29 bilhões ao longo do contrato, destinados à recuperação da infraestrutura, aumento da capacidade operacional e modernização da ferrovia.
Para Mato Grosso do Sul, a nova concessão é vista como uma oportunidade para fortalecer a competitividade do agronegócio, da mineração e da indústria de celulose, reduzindo custos logísticos e ampliando a capacidade de transporte de cargas.
A modernização da Malha Oeste também é considerada peça-chave para consolidar o Estado como um dos principais corredores logísticos do Centro-Oeste brasileiro.

