Economia

CAMPO GRANDE

Manobra que aumentou valor cobrado no carnê do IPTU será questionada na Justiça

Lideradas pela OAB-MS, entidades prometem reação a aumento do tributo; assim como em 2018, prefeitura subiu a taxa do lixo

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O aumento no preço final cobrado no carnê do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) pegou muita gente de surpresa. A desagradável novidade para os contribuintes tem gerado uma série de reclamações públicas de entidades e cidadãos, além do ajuizamento de ações para tentar impedir os efeitos das mudanças.

Há um esforço em duas frentes contra o aumento na cobrança do carnê do IPTU, causado sobretudo pela disparada da taxa do lixo para alguns imóveis. A majoração da taxa do lixo volta a causar polêmica sete anos depois de situação semelhante em 2018, ocasião em que o Município recuou da cobrança.

Um dos esforços vem da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso do Sul (OAB-MS), que prepara uma ação civil pública contra a cobrança feita pela gestão da prefeita Adriane Lopes (PP).

A outra frente reúne uma série de entidades representativas, como a Associação dos Advogados Independentes (ADVI), a Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande (CDLCG), a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL-MS), o Sindicato dos Engenheiros do Estado de Mato Grosso do Sul (Singe-MS) e o Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de Mato Grosso do Sul (Creci-MS).

Esse grupo encaminhou requerimento à Câmara Municipal pedindo a suspensão da cobrança, cujo reajuste ultrapassa os 5,32% previstos no IPCA-E, índice de inflação utilizado para o reajuste do IPTU.

Além dessas duas iniciativas, na semana passada, o presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, vereador Papy (PSDB), informou ter criado uma comissão para discutir o assunto. A comissão é presidida pelo vereador Rafael Tavares (PL).

O Correio do Estado tentou contato com a Prefeitura de Campo Grande, mas não obteve resposta. Até ontem, a prefeita da Capital, Adriane Lopes, descansava com o marido, o deputado Lidio Lopes (sem partido), no litoral de Santa Catarina.

Resoluções

A expectativa é de que as explicações para o aumento por parte do município, assim como as medidas a serem adotadas pelas entidades representativas da sociedade, ocorram a partir de hoje, data que marca, para muitos, o fim do período de descanso – o recesso de Ano-Novo. O prazo para pagamento do IPTU com desconto termina neste sábado.

Prefeitura de Campo Grande enfrenta pressão de entidades representativas da sociedade civil, como a OAB-MS e o Creci-MSPrefeitura de Campo Grande enfrenta pressão de entidades representativas da sociedade civil, como a OAB-MS e o Creci-MS - Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

Na tarde de hoje, por exemplo, a Comissão de Direito Tributário da OAB-MS tem reunião marcada para ajustar os fundamentos de uma possível ação civil pública, a ser protocolada ainda nesta semana.

“A nossa Comissão de Direito Tributário conta com advogados com bastante conhecimento do tema, e a primeira análise identificou a falta de critérios objetivos para a cobrança do tributo”, informou o presidente da OAB-MS, Bitto Pereira.

“Essa dificuldade para se entender os critérios adotados pelo Município causou grande comoção em parte da população”, justificou o presidente da OAB-MS.

Rafael Tavares, que lidera a comissão da Câmara que vai tratar do tema, disse que as reuniões ocorrerão nesta semana.

“Além do aumento, tivemos a redução do desconto para pagamento à vista, algo que gerou muita reclamação da população. Esse aumento abusivo não passou pela aprovação dos vereadores, pegando todos de surpresa. Por isso, estamos trabalhando durante o recesso em busca de soluções”, afirmou o vereador, que acrescentou que a nota da OAB-MS vai ao encontro do objetivo da comissão de impedir o aumento, que ele classifica como abusivo.

Taxa do lixo

Apesar de afirmar que o aumento considerado abusivo não passou pela Câmara Municipal, os fatos indicam o contrário.

O aumento no valor final ocorre sobretudo em razão da nova taxa do lixo, aplicada após a entrada em vigor, no ano passado, de um estudo do Perfil Socioeconômico Imobiliário (Psei), elaborado pela Divisão de Avaliação e Geoprocessamento da Prefeitura de Campo Grande.

A mudança do Psei foi aprovada pela Câmara da Capital no ano passado e, posteriormente, sancionada pela prefeita Adriane Lopes.

As alterações na taxa do lixo fizeram com que os valores cobrados nos carnês do IPTU disparassem para alguns proprietários. Já a cobrança do IPTU propriamente dita teve pouca variação em comparação com o ano anterior.

A nova taxa do lixo resultou em um modelo progressivo, que leva em consideração os serviços disponíveis no endereço em que o imóvel está localizado. Nesse modelo, os imóveis classificados como baixo inferior pagam R$ 0,25 por metro quadrado ao ano.

Na outra ponta, nas regiões consideradas de padrão alto superior, a taxa chega a R$ 12,60 por metro quadrado. O decreto ainda prevê isenção da cobrança quando a soma do IPTU e da taxa do lixo for igual ou inferior a R$ 47,12.

O aumento da taxa do lixo na gestão de Adriane Lopes remete a uma polêmica semelhante ocorrida em 2018, quando Marquinhos Trad era prefeito e Adriane era a vice-prefeita de Campo Grande.

Na ocasião, também houve aprovação de um projeto de lei pela Câmara que alterava os critérios da taxa do lixo, e os vereadores demonstraram estar pouco cientes das consequências da medida aprovada.

A repercussão negativa levou o então prefeito a suspender a cobrança da taxa do lixo e a prorrogar, de 10 de janeiro para 23 de fevereiro, o prazo para pagamento do IPTU à vista com desconto.

Na época, quem quitava o imposto até o dia 10 de janeiro tinha direito a 20% de desconto, e não a apenas 10%, como ocorre neste ano.

A medida adotada em 2018 foi a busca pela Central do IPTU para separar a taxa do lixo da cobrança do tributo. A OAB e o Ministério Público de Mato Grosso do Sul tiveram forte atuação para a reversão da medida naquele período.

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VISITA

Presidente do INSS vem a Campo Grande nesta terça-feira

Ana Cristina Viana Silveira visita agência na Rua 26 de Agosto para conhecer a estrutura e o funcionamento da unidade

12/10/2026 15h06

Ana Cristina Viana Silveira assumiu a presidência do INSS em abril deste ano

Ana Cristina Viana Silveira assumiu a presidência do INSS em abril deste ano Foto: Reprodução/GOV

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Ana Cristina Viana Silveira, presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), vem à Campo Grande nesta terça-feira (13) para visitar uma das agências da Capital, conhecer a estrutura e ver de perto o atendimento prestado à população local.

De acordo com a agenda enviada à reportagem, ela estará na agência da Rua 26 de Agosto, no Centro da cidade, a partir das 10h30, ao lado do superintendente Regional Norte/Centro-Oeste, Iracemo Coelho, e do gerente-executivo Raimundo Ruiz (Campo Grande) e de Feliciana Pereira (Dourados).

Durante a visita, ela conhecerá a estrutura e o funcionamento da unidade, acompanhará os atendimentos prestados à população e conversará com gestores, servidores e segurados. Logo depois, ela estará em um encontro reservado com os servidores da gerência de Campo Grande para apresentar suas propostas e também conhecer as ações desenvolvidas pela gerência, que, segundo a nota afirma, "tem alcançado bons desempenhos".

Ana Cristina assumiu a Presidência do INSS em 13 de abril deste ano, após Gilberto Waller ter sido demitido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Antes de ser promovida, ela era secretária-adjunta do instituto e teria sido escolhida para "acelerar a análise de benefícios e simplificar os processos internos do Instituto", de acordo com o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz.

Mesmo que tenha assumido a direção do órgão recentemente, Ana é servidora do INSS desde 2003, quando ingressou como analista do Seguro Social. Entre abril de 2023 e fevereiro de 2026, ocupou o cargo de presidente do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS).

"A escolha de uma servidora com visão sistêmica que compreende o fluxo previdenciário desde o atendimento nas agências até a fase recursal marca um novo momento para o Instituto, focado na redução do tempo de espera e qualidade do atendimento aos segurados", destacou o ministério em comunicado à imprensa no dia do anúncio da nova presidente.

Vale destacar que ela é a segunda presidente do INSS desde a Operação Sem Desconto da Polícia Federal, que revelou a existência de um esquema de fraudes no órgão entre 2019 e 2024, que descontou indevidamente contribuições de aposentados e pensionistas a entidades e organizações sociais. Como resultado, Alessandro Stefanutto foi demitido e Gilberto Waller entrou no lugar.

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agricultura

El Niño pode contribuir para derrubar produções no sul de Mato Grosso do Sul

Por causa do período de maior impacto do fenômeno, que vai de setembro a dezembro, o maior risco é para lavouras de soja e algodão

12/10/2026 08h48

Por conta do período de maior impacto do fenômeno, que começou no fim de setembro e prossegue pelos próximos três meses, o maior risco é para lavouras de soja e algodão

Por conta do período de maior impacto do fenômeno, que começou no fim de setembro e prossegue pelos próximos três meses, o maior risco é para lavouras de soja e algodão FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) está com um acompanhamento técnico para tentar identificar possíveis impactos do El Niño nos setores do agronegócio e a análise elaborada pela Embrapa apontou que as regiões do Estado mais sensíveis para ter danos negativos estão na parte sul, principalmente no recorte que observa as produções que são feitas em Maracaju e Aral Moreira. Por conta do período de maior impacto do fenômeno, que começou no fim de setembro e prossegue pelos próximos três meses, o maior risco é para lavouras de soja e algodão.

Com dados anteriores aos efeitos que vem alterando a intensidade e condições da chuva no Estado, algo que passou a ser sentido diretamente com o início da primavera, o boletim Casa Rural da Agricultura deste mês, elaborado pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), já identificou perdas.

A análise divulgou que a safra da soja 2026/2027 tem projeção de produção de 15,3 milhões de toneladas, com produtividade média de 52,4 sacas por hectare. Nesses termos, já foi identificada uma redução de 13,2% em relação ao ciclo anterior. 

A redução da safra não é acompanhada na mesma proporção que a área de lavoura. A área destinada ao cultivo de soja é estimada em 4,87 milhões de hectares, um aumento de 5,5% com relação à safra passada.
Os estudos do Mapa consideraram analisar recorte do Centro-Oeste, colocando lupa em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. 

“O atraso do início da estação chuvosa poderá inviabilizar a semeadura na época mais adequada, impactando a produtividade física e a qualidade do produto. Isto é válido para a região sul de Mato Grosso do Sul e Sul de Mato Grosso. No Sul de Mato Grosso do Sul, especialmente para Maracaju e Aral Moreira, poderá haver dificuldades no processo de colheita e apodrecimento de frutos e perda da qualidade. Para a região nordeste de MS, onde a semeadura deve ser realizada em dezembro, o efeito do atraso do início da estação chuvosa deverá ser menor”, apontou a avaliação, que também sinalizou para os efeitos de altas temperaturas com ondas de calor, que gera impacto no crescimento da lavoura.

Por conta do período de maior impacto do fenômeno, que começou no fim de setembro e prossegue pelos próximos três meses, o maior risco é para lavouras de soja e algodão

PLANTIO

A Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS) divulgou neste começo de outubro que o plantio da cultura alcançou 18% da área que é monitorada. No Sul, o avanço é maior (25,3%) e na região Norte, o plantio representa menos de 0,4% da área. Somente se houver uma regularização de chuvas é que esse cenário vai ser alterado.

“No Centro-Sul, a condição de umidade tem permitido uma evolução mais rápida das operações, enquanto a região Norte ainda depende de uma regularização das chuvas. Para o produtor, o acompanhamento das condições de solo e das previsões climáticas continua sendo fundamental para definir o ritmo das operações e reduzir os riscos durante a implantação da lavoura”, explicou o analista técnico da Aprosoja-MS, Lucas Santana.

De acordo com a associação, já houve identificação de excesso de precipitação de curto período nessa etapa de semeadura. Quando há essa situação, um efeito sentido é o selamento superficial do solo que causa prejuízo para a emergência das plântulas.

ALGODÃO

A Associação Sul-mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampasul) tem acompanhado o cenário dos efeitos do El Niño desde o período do inverno. 

“A gente já tem sentido algumas diferenças climáticas já no decorrer deste ano. O inverno, por exemplo, foi mais chuvoso”, comentou o diretor executivo da entidade, Adão Hoffmann.

Para a safra 2026/2027 do algodão, o plantio está previsto para começar em dezembro e o que os produtores estão atentos é para a ocorrência ou não de um veranico em novembro, etapa pré-plantio, e o corte de chuvas prematuro a partir de março de 2027, quando poderia ocorrer um maior impacto na lavoura. 

“Caso isso ocorra, o final do ciclo do algodão pode ser impactado. Mas ainda é precoce e são todas projeções. Não temos como ainda falar em possíveis danos. Contudo, o produtor vem tomando os devidos cuidados para correr menos risco”, completou o representante da Ampasul.

O estudo alertou que pecuaristas devem ter atenção com relação ao uso do solo por conta de excesso de chuvas em áreas do Pantanal e região central. Além disso, territórios com drenagem natural devem ser priorizados na conservação para garantir o escoamento da chuva.

“Em períodos de excesso de chuva, restringir o pastejo e o trânsito de máquinas em solos saturados. Também devem ser protegidas áreas de drenagem natural, nascentes, margens de cursos d’água e locais suscetíveis à erosão, observando-se a legislação ambiental aplicável”, contextualizou o estudo.

Como orientação, a Embrapa apontou que pecuaristas devem manter registros de chuva, produção de forragem, lotação, consumo de suplemento, peso e condição corporal para subsidiar decisões e considerar revisões do planejamento. 

MILHO

O atual período está sendo de colheita do milho na segunda safra 2025/2026, com alcance de 99,96% da área plantada. Esses dados são do Projeto Siga-MS até o dia 2 deste mês. Nesse contexto, a estimativa de produtividade passou de 122,79 sacas por hectare (aumento de 13,3% com relação ao ciclo anterior), com produção em 16,253 milhões de toneladas, o que equivale a 16,7% de crescimento na comparação com a safra 2024/2025.

“Na maior parte do Estado, a operação está encerrada. Restam apenas áreas pontuais nas regiões Sul-Fronteira e Sudoeste, que ainda seguem em processo de colheita”, informou a Aprosoja-MS.

Nas projeções para a safra 2026/2027, a Famasul avalia que pode ocorrer uma redução de 13,2% na produção em razão de diferentes fatores ambientais e também com relação ao ciclo.

 

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