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AGRICULTURA

Setor produtivo de Mato Grosso do Sul estima supersafra de soja para 2021

Próximo ciclo da soja já registra comercialização de 45,50% mesmo antes de ser semeada
04/09/2020 09:00 - Súzan Benites


Apesar de enfrentar intempéries climáticas e atraso no plantio e na colheita, a safra de soja 2019/2020 teve resultado recorde na colheita. 

A oleaginosa chegou a 11,325 milhões de toneladas e 3,389 milhões de hectares de área plantada, enquanto na safra anterior foram produzidas 9,9 milhões de toneladas da oleaginosa. 

Com a incidência de chuvas prevista pela meteorologia, as perspectivas para a próxima safra são ainda melhores, de acordo com o setor produtivo de Mato Grosso do Sul.  

Antes mesmo de ser plantada, até o dia 31 de agosto, a safra de soja 2020/2021 já teve 45,50% da colheita comercializada, conforme o levantamento da Granos Corretora. 

De acordo com o superintendente da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Rogério Beretta, a expectativa é de uma supersafra.  

“A gente tem dados de abertura de áreas de pastagens se transformando em áreas de agricultura, que indicam que teremos novamente um acréscimo na área plantada em cima de áreas degradadas. Temos a previsão climática, que é favorável, e a adoção de tecnologias e do momento que os grãos vivem no cenário mundial. A expectativa do governo do Estado também é de recorde na safra 2020/2021”, informou ao Correio do Estado.

O grande empecilho enfrentado pelos produtores foi a falta de chuvas no ano passado. Com a previsão de maiores volumes na próxima safra, o setor comemora. 

“O clima desafia o produtor rural o ano inteiro. No ano passado, assistimos a um plantio prolongado e isso impactou outras safras, o que influencia em todo o planejamento da propriedade. Tanto a agricultura quanto a pecuária são altamente dependentes da regularidade das chuvas para evitar prejuízos e maiores consequências”, disse o presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, Rochedo e Corguinho (SRCG), Alessandro Coelho.  

Segundo levantamento da Granos Corretora, a comercialização da oleaginosa na safra 2019/2020 chegou a 97,78%. 

A saca de 60 kg teve valorização de 66,68% entre agosto de 2019 e o mesmo mês em 2020, de R$ 73,65 por saca no ano passado foi a R$ 122,76/sc em agosto deste ano.  

“Esse valor não significa que o produtor realizou ou esteja realizando negociações neste preço, isso ocorre por conta da intensa exportação de soja brasileira e sul mato-grossense no período, de forma que praticamente não existe soja a ser comercializada até a colheita da safra de soja 2020/2021”, explica o boletim técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul).

Para o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de MS (Aprosoja-MS), André Dobashi, a safra será dentro da normalidade, sendo bastante semelhante à safra do ano passado. 

“A expectativa é de que a safra esteja dentro da média entre os últimos 5 anos. A alternativa para o produtor minimizar os problemas climáticos é aguardar as previsões no mês de outubro e efetuar o plantio até 20 de novembro, quando se concentra a melhor janela de plantio. Não temos problema ao semear mais tarde, a safra de soja no Estado dos últimos 8 anos tem sua concentração de plantio entre os dias 9 e 30 de outubro, quando se concentram 62,4% do plantio. A área de soja no Estado ainda está em constante crescimento, a estimava é de que a safra seja 7% maior em relação à safra passada”, disse.