Economia

BALANÇA COMERCIAL

Mesmo com a pandemia, MS exportou R$ 3,188 bilhões a mais no ano passado

Celulose e soja foram responsáveis pelo resultado positivo no envio de produtos ao exterior

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Mesmo com a pandemia, Mato Grosso do Sul fechou 2020 com saldo positivo nas exportações. 

O Estado negociou US$ 5,808 bilhões nos 12 meses de 2020, 11% a mais que o total enviado ao exterior em 2019, quando foram exportados US$ 5,217 bilhões – diferença de US$ 590,497 milhões ou R$ 3,188 bilhões. 

Os principais produtos enviados ao exterior continuam sendo a celulose e a soja.  

Já as importações tiveram queda de 20%. No ano passado, o Estado comprou US$ 1,905 bilhão em produtos do mercado internacional, enquanto em 2019 foram US$ 2,403 bilhões.

O saldo da balança comercial, que é a diferença entre exportações e importações, registrou superavit de 38%. 

Em 2020, a diferença entre tudo que foi comprado do exterior e o valor das vendas ficou em US$ 3,902 bilhões, contra US$ 2,814 bilhões apurados em 2019. Os dados foram divulgados ontem pela Carta de Conjuntura elaborada pela Secretaria do Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro).

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De acordo com o secretário adjunto da Semagro, Ricardo Senna, o bom desempenho das exportações sul-mato-grossenses está relacionado à desvalorização do real ante o dólar, o que torna o produto nacional mais barato nos mercados internacionais.

“Também tem a ver com os estímulos à competitividade, como o dinamismo dos portos em Porto Moutinho e Corumbá e a disponibilidade de crédito para a produção, pois aplicamos 100% dos recursos do Fundo Constitucional do Centro-Oeste [FCO] no ano passado”, avalia Senna.

Para Senna, a perspectiva é continuar no mesmo ritmo neste ano. “A perspectiva é a de que Mato Grosso do Sul mantenha esse bom desempenho, pois há previsão de que a economia mundial crescerá em torno de 4% em 2021”, pontuou.

COMMODITIES

Apesar da queda em termos de valor, a quantidade de celulose enviada ao mercado internacional aumentou. O produto foi responsável por 28,7% da pauta de exportações do Estado. 

Foram 4,538 milhões de toneladas enviadas ao exterior em 2020, ante 4,232 milhões de toneladas em 2019, aumento de 7%. Já o valor negociado apresentou queda de 15,80% – no ano passado foi negociado US$ 1,667 bilhão ante US$ 1,980 bilhão em 2019.

Segundo a Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas (Reflore-MS), em 2005, o Estado tinha aproximadamente 120 mil hectares de florestas plantadas de eucalipto e pinus. Hoje são cerca de 1.124.637 hectares.

Durante vários meses do ano passado, a soja foi protagonista da pauta de exportações do Estado. 

A commodity finalizou 2020 responsável por 27,85% de tudo o que é exportado pelo Estado. A soja em grão cresceu, tanto em termos de volume quanto em termos de valor.

Em 2019 foram 3,210 milhões de toneladas enviadas ao exterior, no ano passado foram 4,786 milhões de toneladas, aumento de 49%. Já em relação aos valores negociados, houve aumento de 43% – US$ 1,127 bilhão negociado em 2019, enquanto em 2020 foi negociado US$ 1,617 bilhão.  

O titular da Semagro, Jaime Verruck, informou ao Correio do Estado que, neste ano, “a perspectiva é muito positiva, principalmente com a expectativa de safra recorde”. 

Mato grosso do Sul deve colher 11,591 milhões de toneladas, aumento de 2,35% ante os 11,325 milhões de toneladas na safra 2019/2020.

Verruck destacou ainda que a produção de celulose também deve crescer, assim como a produção de carnes.

 “Temos uma sinalização muito clara da continuação da expansão da suinocultura, talvez em 2021 a gente cresça 40%, e na avicultura a gente poderá ter crescimento de 20%, com projetos bastante avançados, tanto na parte rural quanto na industrial”, ressalta o secretário.

Além da soja, outros produtos cresceram em termos de valores negociados: os óleos e gorduras vegetais (US$ 220 milhões a mais); o açúcar (US$ 240 milhões); e as carnes de aves (US$ 25 milhões). O volume exportado de óleo e gordura vegetal e animal saiu de 442 mil toneladas para 1,029 milhão de toneladas enviadas ao mercado internacional.

IMPORTAÇÕES

Já em relação ao que foi comprado no exterior, o Estado continua com uma pauta concentrada na importação de gás boliviano, representando 50,48% da pauta de 2020, enquanto no ano anterior o produto representou 52,63% de todas as importações. 

Na sequência, foram importados produtos químicos inorgânicos (14,3%), produtos da metalurgia de metais não ferrosos (6,69%) e tecidos (5,86%).

Quanto ao destino das exportações estaduais, a China continua liderando como o principal destino. O país asiático representou 45,46% do valor total dos envios ao exterior no ano passado. 

Os países com maior aumento na participação foram: Hong Kong (27,92%) e China (21,38%). A maior queda foi registrada no Japão, com baixa de 41,6% nas exportações em relação a 2019.

 A concentração nos 10 maiores destinos das exportações passou de 73,19% a 71,98% na comparação entre o apurado em 2020 e 2019.

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MATO GROSSO DO SUL

Lula relança obra abandonada há 11 anos e tira UFN3 do papel

Empresas já se instalam no município antes do início das obras; investimento para a conclusão da fábrica é de R$ 5 bilhões

25/06/2026 08h00

Mairinco de Pauda/semadesc

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Após mais de uma década de paralisação, a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), em Três Lagoas, volta oficialmente à agenda de investimentos da Petrobras. Hoje, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participa da cerimônia que marca a retomada do empreendimento, ocasião em que a estatal assinará os contratos com as empresas vencedoras das licitações responsáveis pela conclusão da fábrica.

O evento representa um marco para um projeto que se tornou símbolo das obras inacabadas no País. Iniciada em 2011, a unidade teve os trabalhos interrompidos em 2014, quando já apresentava elevado porcentual de execução.

Agora, com investimento superior a R$ 5 bilhões e apoio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), a Petrobras prevê iniciar as atividades de campo ainda neste mês. 

A operação plena da fábrica está prevista para o primeiro semestre de 2029, conforme já havia adiantado o Correio do Estado em abril.

O projeto inicial do governo federal era de iniciar as operações da fábrica neste ano, mas, em decorrência da demora de todo o processo de retomada, o presidente vem a MS para lançar a obra no último ano de seu terceiro mandato. 

Além de Lula, participam da solenidade a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e outras autoridades federais, estaduais e municipais.

A retomada ocorre em um momento em que o governo federal busca ampliar a produção nacional de fertilizantes e reduzir a dependência brasileira de importações, principalmente após as crises internacionais que afetaram o fornecimento de insumos agrícolas.

“Vai ser uma visita para acompanhar a retomada da obra, até porque recentemente ele participou da inauguração/retomada de operações de uma outra fábrica da Petrobras, a Fafen-BA [Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia]”, disse o deputado federal Vander Loubet ao Correio do Estado.

RETOMADA

Embora as obras tenham permanecido paralisadas por mais de uma década, a estrutura da UFN3 não foi abandonada. A Petrobras manteve ao longo desse período uma equipe responsável pela preservação dos equipamentos e sistemas já instalados.

Motores, instrumentos, válvulas e demais componentes que serão utilizados nos processos de produção de amônia e ureia passaram por procedimentos contínuos de manutenção para evitar deterioração e garantir condições de reaproveitamento.

O gerente de Projetos da Petrobras, Dimitrios Chalela Magalhães, afirmou que a estatal pretende aproveitar praticamente toda a estrutura existente. “A UFN3 foi muito bem preservada durante esse tempo. Vamos aproveitar a totalidade do que já está pronto”.

Os primeiros sinais da retomada já podem ser observados em Três Lagoas. Conforme apurou o Correio do Estado, a Engeko Engenharia, uma das empresas vencedoras do processo licitatório, já instalou escritório no município para dar suporte às atividades que serão iniciadas nas próximas semanas.

A movimentação reforça a expectativa criada na cidade em torno do empreendimento, que há anos é visto como um dos principais vetores de diversificação industrial de Mato Grosso do Sul.

A Petrobras dividiu a conclusão da unidade em 11 pacotes de contratação.

IMPACTO

A construção da UFN3 deverá gerar entre 7 mil e 8 mil empregos no pico das obras, além de milhares de vagas indiretas nos setores de comércio, serviços, alimentação, hospedagem e transporte.

O empreendimento também deve impulsionar a arrecadação municipal e movimentar a economia de Três Lagoas, cidade que já concentra alguns dos maiores investimentos industriais.

O desafio, contudo, será encontrar trabalhadores suficientes para atender à demanda. Mato Grosso do Sul enfrenta atualmente escassez de mão de obra qualificada em diversos setores, situação agravada pela expansão simultânea de grandes projetos industriais, especialmente na cadeia da celulose.

Quando entrar em operação, a UFN3 terá capacidade para produzir fertilizantes nitrogenados, sendo 3.600 toneladas de ureia e 2.200 toneladas de amônia por dia.

Segundo a Petrobras, a unidade será capaz de atender aproximadamente 15% da demanda nacional de fertilizantes. Somada às demais plantas, a produção poderá suprir até 30% do consumo brasileiro de nitrogenados.

A companhia prevê ainda uma etapa intermediária antes da operação plena. Em 2027, deverá entrar em funcionamento o chamado “balcão de ureia”, permitindo a comercialização do produto antes da conclusão definitiva da fábrica.

Com isso, a retomada da UFN3 deixa de ser apenas uma promessa anunciada em diferentes governos e passa a entrar, efetivamente, na fase de execução.

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Em 2027

Governo projeta gastar entre R$ 500 mi e R$ 1 bilhão com a Copa feminina no Brasil

O valor final, no entanto, ainda será definido nos próximos meses

24/06/2026 23h00

Divulgação

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O Governo Federal trabalha com uma estimativa de orçamento entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão para a organização da Copa do Mundo Feminina de futebol, que será realizada no Brasil entre 24 de junho e 25 de julho de 2027. O valor final, no entanto, ainda será definido nos próximos meses.

Nesta quarta-feira, 24, um evento em Miami, nos Estados Unidos, marcou a contagem regressiva de um ano para a abertura da competição. Estiveram presentes Jill Ellis, ex-treinadora bicampeã mundial e atual responsável pelo escritório de futebol feminino da Fifa, a ex-jogadora Aline Pellegrino, diretora de legado e relações institucionais da Copa do Mundo Feminina, e o ministro do Esporte, Paulo Henrique Cordeiro.

"O governo brasileiro trabalha hoje com um planejamento para aportar recursos na Copa do Mundo. Estamos falando de toda estrutura de segurança, mobilidade, comunicação, redes e outros elementos operacionais. A estimativa é de um investimento entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão", disse Cordeiro.

O ministro ressaltou que o valor definitivo será conhecido mais adiante, mas afirmou que a projeção inicial já contempla uma parte importante do legado que o País pretende deixar para o futebol feminino.

"Isso só será confirmado efetivamente mais adiante, mas essa é a projeção inicial para viabilizar a realização do evento no Brasil", afirmou. Há até a possibilidade de ficar abaixo dos R$ 500 milhões. Esses gastos não contemplam o que governos estaduais e prefeituras aportarão.

Segundo ele, parte dos recursos será destinada a investimentos em infraestrutura voltados especificamente ao desenvolvimento da modalidade.

"Há alguns investimentos em infraestrutura, como a construção de centros voltados especificamente para a formação de jogadoras de futebol. Além do legado sociocultural, que passa por uma mudança de mentalidade para aproximar o futebol masculino e o feminino, teremos também esse legado estrutural, com a criação de centros de treinamento de referência para a prática do futebol feminino no Brasil", disse.

A Fifa estima colocar na competição US$ 800 milhões. Oito cidades receberão as partidas do Mundial, todas elas sedes da Copa do Mundo masculina de 2014: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, Recife, Salvador e Fortaleza. O calendário detalhado, com a distribuição dos jogos, será divulgado nos próximos meses. A abertura deve acontecer em São Paulo, enquanto a final será disputada no Maracanã.

"Esse trabalho, toda essa logística de preparação do País para a Copa do Mundo, acontece há bastante tempo. O Brasil está preparado. A infraestrutura que ficou como legado de 2014 está pronta. Nós temos oito cidades-sede espalhadas pelas cinco regiões do País", afirmou Cordeiro.

O ministro também revelou que a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) iniciou um estudo para mensurar o impacto econômico e turístico da competição.

"Estamos falando da movimentação do turismo, da rede hoteleira, dos restaurantes e de toda a cadeia econômica envolvida", disse.

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