Mato Grosso do Sul já arrecadou mais de R$ 16,3 bilhões em impostos de janeiro a maio deste ano. Isso significa que cada morador do Estado já pagou, em média, R$ 5,6 mil em tributos.
O cálculo é obtido a partir dos dados do Impostômetro, painel mantido pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que registra a arrecadação tributária em tempo real.
O montante registrado desde 1º de janeiro até esta terça-feira (12), deixa evidente o peso da carga tributária sobre o orçamento familiar no Estado.
Em Campo Grande, a arrecadação já ultrapassou os R$ 695 milhões, de acordo com os dados do painel.
Para a presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL-MS), Inês Santiago, os números reforçam uma necessidade maior de fiscalização e conscientização da sociedade.
"De 1º de janeiro até esse momento, Mato Grosso do Sul arrecadou mais de 16 bilhões, 293 milhões. Número que continua crescendo e que amanhã provavelmente vai ser diferente desse. Isso significa dizer que num estado cuja população é de 2.901.000, cada sul-mato-grossense recolheu, em média, para o estado 5.600 reais de tributo de janeiro até agora. Esse é um número muito significativo e muito importante", ressalta Inês.
Segundo ela, o valor alto pago pelos contribuintes precisam ser revertidos em serviços públicos eficientes e condizentes com os recursos arrecadados.
"Esses 5.600 reais por habitante em Mato Grosso do Sul precisam ser devolvidos para a nossa população em educação, em saúde, em transporte, em infraestrutura, em transporte coletivo que possa efetivamente levar e trazer o nosso trabalhador em condições salubres, em um ambiente climatizado, com uma frota de ônibus realmente que faça jus a uma das tarifas mais caras do Brasil, que no caso é Campo Grande", afirmou.
Em todo o Brasil, a arrecadação de impostos já ultrapassa o valor de R$ 1,5 trilhão em quatro meses e meio do ano. A marca de R$ 1 trilhão foi alcançada no dia 22 de abril deste ano, três dias antes que no ano passado, demonstrando que a arrecadação está acelerando.
De acordo com o presidente-executivo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), João Eloi Olenike, o valor reflete, além do crescimento da economia, a elevada carga tributária sobre os contribuintes brasileiros.
"Embora parte desse aumento decorra da maior eficiência fiscal e da inflação, o resultado prático é claro: os brasileiros seguem destinando uma parcela significativa de sua renda ao pagamento de impostos em um ritmo cada vez mais intenso, reforçando a necessidade de uma discussão profunda sobre a eficiência e a destinação desses recursos públicos", diz Olenike.
A maior arrecadação vem por meio do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), seguido pelo Imposto de Renda (IR) e Previdência.
Gastos
Com a arrecadação ultrapassando os R$ 1,5 trilhão, os gastos públicos já registraram R$2,02 trilhões, uma diferença de quase R$ 500 bilhões. Destes, R$ 949 bilhões saíram dos cofres do governo federal, R$ 546 bilhões dos cofres estaduais e R$ 558 bilhões, dos municipais.
De acordo com o Gastos Brasil, ferramenta que mede os gastos públicos do País, entre as principais despesas do Governo Federal, estão a Previdência, Despesas com Pessoal e os Encargos Sociais, categorias que, juntas, representam 60% do total.
O economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo, Marcel Solimeo, explicou que o aumento do gasto público, quando não acompanha o aumento da receita, pode gerar aumento da inflação. Para ele, há um grande volume de recursos públicos destinados a programas voltados a uma pequena parcela da população, programas que deveriam ser "transitórios e não vitalícios".
"Hoje, o equilíbrio das contas públicas não seria suficiente, pois há muitos sacrifícios de investimentos. A redução dos outros gastos teria de ser maior para abrir espaço para investimentos sem aumentar a dívida pública", explica Solimeo.
"O governo precisa arrecadar mais do que gasta para diminuir a taxa de juros, mas o gasto público está crescendo e, consequentemente, a dívida pública também", afirma.
Ainda segundo o economista, para que haja uma redução dos gastos públicos, é necessária uma reforma administrativa, de forma a alcançar mais equilíbrio entre receita e despesa.

