A inadimplência das empresas em Mato Grosso do Sul disparou nos últimos 12 meses e atingiu o maior patamar da série recente da Serasa Experian. Entre março de 2025 e março deste ano, o Estado registrou, em média, 132 novas empresas negativadas por dia útil. Segundo levantamento obtido pelo Correio do Estado, o número de empresas inadimplentes saltou de 94.860, em março do ano passado, para 130.912, no mesmo período deste ano.
Foram 36.052 CNPJs negativados, ou 38% a mais, no período de um ano. Considerando os 272 dias úteis entre os dois períodos, a média foi de 132 novos registros por dia útil.
O avanço coloca Mato Grosso do Sul entre os estados que seguem pressionados pelo encarecimento do crédito e pela desaceleração econômica nacional.
Em março deste ano, o Estado acumulava quase 1 milhão de dívidas negativadas, que somavam mais de R$ 3,3 bilhões. O valor representa crescimento expressivo em relação a março do ano passado, quando o estoque de débitos das empresas sul-mato-grossenses era de R$ 2,47 bilhões.
Em média, cada empresa inadimplente em MS tem 7,6 contas em atraso e dívida média de cerca de R$ 25,9 mil. O ticket médio das pendências ficou em torno de R$ 3,3 mil.
O levantamento da Serasa Experian aponta ainda que Mato Grosso do Sul encerrou março na 16ª posição nacional em número absoluto de empresas inadimplentes, atrás de estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul.
Inadimplência em MS
Número de empresas negativadas é recorde
Fonte: Serasa ExperianNACIONAL
No cenário nacional, a inadimplência empresarial atingiu 8,9 milhões de CNPJs em março, mantendo-se próxima do recorde registrado em dezembro do ano passado. Ao todo, as empresas brasileiras acumulavam 62 milhões de dívidas negativadas, equivalentes a R$ 212,8 bilhões.
A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, afirma que o quadro reflete um ambiente financeiro ainda restritivo, apesar do início do ciclo de redução dos juros.
“O contingente de empresas com restrições de crédito segue elevado, refletindo a persistência de um ambiente financeiro ainda significativamente apertado. Apesar do início do ciclo de flexibilização monetária, o patamar ainda restritivo dos juros, aliado a spreads elevados e critérios de concessão mais cautelosos, limita a recomposição da capacidade financeira das empresas”, explica.
Conforme a economista, a inadimplência empresarial é um indicador de estoque, o que significa que o problema incorpora pressões acumuladas ao longo do tempo e tende a apresentar recuperação lenta.
“Em paralelo, o processo de desaceleração da atividade econômica tende a impactar o faturamento das empresas e dificultar a recomposição de caixa. Nesse contexto, ainda não há sinais consistentes de inflexão na trajetória da inadimplência”, completa.
MICRO E PEQUENAS
As micro e pequenas empresas continuam sendo as mais afetadas pela deterioração do crédito no País. Em março, elas representaram 8,4 milhões dos 8,9 milhões de CNPJs negativados no Brasil.
Esse grupo acumulou R$ 185,3 bilhões em dívidas e média de 6,7 contas inadimplidas por empresa.
Para Camila, os pequenos negócios sofrem mais intensamente os efeitos do crédito caro e da seletividade bancária.
“As micro e pequenas empresas são mais sensíveis a um ambiente de crédito restritivo, pois dependem majoritariamente de linhas de curto prazo e têm menor poder de negociação. Com os juros ainda em patamar elevado e a concessão de crédito mais seletiva, essas empresas enfrentam maior dificuldade para recompor o capital de giro”, analisa.
Ela acrescenta que problemas estruturais de gestão financeira também dificultam a recuperação das empresas menores.
“Esse quadro é agravado por desafios estruturais de gestão financeira, como menor capacidade de planejamento, controle de fluxo de caixa e alongamento de passivos, o que contribui para a persistência da inadimplência”, afirma.
SERVIÇOS
O setor de serviços concentrou a maior parte das empresas inadimplentes no País em março, respondendo por 55,5% do total. Na sequência aparecem comércio, com 32,4%, indústria, com 8,1%, e setor primário, com 0,9%.
Já em relação à origem das dívidas a maior parte está ligada ao chamado crédito comercial – débitos com fornecedores, utilities, telefonia, varejo e prestadores de serviço –, e não diretamente ao sistema financeiro.
Segundo a Serasa Experian, o uso desse tipo de crédito aumentou porque muitas empresas passaram a recorrer a negociações com fornecedores para financiar capital de giro, diante dos juros elevados e da dificuldade de acesso ao crédito bancário.
“Ao mesmo tempo em que esse mecanismo ajuda a manter a operação funcionando, ele também se torna mais difícil de administrar quando há acúmulo de pendências, prolongando o processo de regularização financeira das empresas”, destaca Camila Abdelmalack.
* Saiba
Em média, cada empresa inadimplente em MS tem 7,6 contas em atraso e dívida média de cerca de R$ 25,9 mil. O ticket médio das pendências ficou em torno de R$ 3,3 mil.

