Mudança burocrática na Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) pode garantir que os 285 pecuaristas cadastrados voltem a receber remuneração melhor pelo gado rastreado em Mato Grosso do Sul.
A partir de agora, estão desobrigados de preencher o campo 17 da Guia de Trânsito Animal (GTA) na hora do envio dos animais ao frigorífico. É que com a marcação na GTA, o gado tem a garantia de que saiu de uma propriedade que cumpre todas as normas e pode ser exportado ou não, caso seja, deve receber um preço diferencial por isso, geralmente de 5% mais que a arroba comum. Só que, os frigoríficos deixaram de pagar o diferencial por esses animais alegando falta de contratos e até mesmo questões cambiais e continuaram recebendo os animais e destinando ao mercado interno e remunerando com o preço da arroba comum.
“Antes, todo carregamento de animal que saía da propriedade habilitada tinha o campo 17 da GTA preenchido, independentemente do destino. Agora, ele só será preenchido se o gado for ser abatido para a União Europeia. O produtor vai estar ciente do destino e, caso não seja a UE, ele poderá optar por não vender ou negociar a arroba, já que ele tem um custo maior para produzi-la, pela quantidade de exigências impostas pelo mercado”, explica o responsável pelo Serviço Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos (Sisbov), Orasil Romeu Bandini.
Produção mais cara
O custo médio de produção de cada animal da Traces é de cerca de R$ 5 a R$ 10, com brincos e auditorias, fora as perdas de peso que ocorrem por conta do manejo constante dessas auditorias, que acontecem a cada dois meses no gado confinado e seis meses no não confinado. Atualmente, três grupos frigoríficos do Estado são habilitados para abater gado de propriedades da lista Traces e enviar à União Europeia: JBS, Marfrig e Minerva.

