O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, afirmou ontem (27) em audiência pública da Câmara que o banco não pode gerar empregos no exterior.
Coutinho foi convidado para prestar esclarecimentos sobre empréstimos para a construção do Porto de Mariel, em Cuba, feito à construtora Odebrecht, e ao grupo alimentício JBS.
Os deputados reclamaram que o dinheiro que vai para o exterior está faltando para fazer obras no Brasil.
Coutinho garantiu que há recursos para empréstimos no Brasil.
Ele lembrou que todos os grandes países do mundo fazem empréstimos para suas empresas no exterior.
Segundo ele, os valores foram, na média entre 2008 e 2012, de US$ 45,2 bilhões na China, US$ 18,6 bilhões e a Índia US$ 9,9 bilhões. O valor no Brasil foi de US$ 2,2 bilhões.
SEM CALOTE
Coutinho lembrou que nunca houve nenhum calote nesse tipo de empréstimo e o dinheiro não vai para os governos, e sim para empresas brasileiras para comprar produtos e pagar serviços no Brasil e, depois, exportá-los.
"Não podemos gerar emprego no exterior. Há uma cadeia produtiva expressiva de pequenas empresas que se beneficiam disso [empréstimos]", disse.
O presidente do BNDES confirmou queda 19% na quantidade de consultas de empréstimos no primeiro quadrimestre deste ano.
Segundo ele, isso reflete uma redução de expectativas dos empresários. Mas, diz, não está afetando os desembolsos do banco, que continuam aumentando.
INVESTIMENTOS
O maior crescimento nos desembolsos é o do setor de infraestrutura, que chegou a R$ 62 bilhões em 2013, representando mais da metade do investimento em infraestrutura do país.
"Prioridades do banco são as prioridades da política federal", disse, citando o setor de infraestrutura.
Segundo Coutinho, uma mostra de 1.133 empresas monitoradas pelo banco mostra que aumento médio nos investimentos será de 6% ao ano no triênio entre 2014 e 2017.
O valor passaria de R$ 1,1 trilhão para R$ 1,5 trilhão. Ele afirmou que isso é um dos indicativos de melhoria no crescimento do país para os próximos anos.
"Os investidores internacionais, que tem visão de médio e longo prazo, continuam apostando no Brasil."
QUEDA DE PREÇOS
Coutinho afirmou ainda que houve queda no preço de equipamentos e máquinas a partir de 2005 e que, por causa disso, a redução da taxa de investimentos do país é menor que a que aparece nas estatísticas oficiais.
Segundo ele, isso ocorre porque, com o mesmo valor de antes de 2005, se pode compra mais bens atualmente.
O deputado federal Fernando Francischini (SDD-PR) cobrou de Luciano Coutinho o motivo de um empréstimo ao governo do Paraná para obras de infraestrutura ter sido travado pelo banco, alegando inadimplência do governo estadual, e liberou empréstimo para que a obra do estádio para a Copa para a obra no estado.
Franchiscini perguntou se houve interferência política da senadora Gleisi Hoffmann na ação do banco.
O presidente do BNDES respondeu que cumpriu decisão da Justiça e que a postura do banco é Republicana em não discriminar entidades da federação, mas não fez comentários sobre a atuação da ex-ministra.
Ele também não quis falar sobre a compra da Refinaria de Pasadena, pela Petrobras.


