Economia

PROJEÇÃO

Petrobras investirá R$ 1,56 bilhão este ano para retomada da UFN3

Valor já consta na Lei Orçamentária Anual sancionada pelo presidente, corresponde a 42,8% do custo total e marca nova tentativa da Petrobras de concluir a fábrica de fertilizantes nitrogenados

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A Petrobras pretende investir este ano R$ 1,564 bilhão na retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), localizada em Três Lagoas.

O valor, que corresponde a 42,8% dos R$ 3,5 bilhões estimados para conclusão, foi apresentado pela empresa ao Congresso Nacional no fim do ano passado na Lei Orçamentária Anual (LOA) e sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no mês passado.

Este recurso foi assegurado mais de um ano após a Petrobras anunciar a continuidade da implantação, interrompida em 2014.

Em outubro de 2024, o conselho de administração da Petrobras aprovou a retomada argumentando que houve “criteriosa reavaliação do projeto que, à luz das premissas do Plano Estratégico 2024-2028 (PE 2024-2028), teve sua atratividade econômica confirmada para essa fase nos diferentes cenários previstos na sistemática de aprovação de projetos de investimento da Petrobras, inclusive com VPL positivo no cenário mais desafiador”, divulgou a estatal à época.

Com a decisão, o projeto passou a integrar a carteira em implantação do Plano Estratégico, e em novembro do ano passado foi incluído no Plano de Negócios 2026–2030 da Petrobras. A proposta era iniciar a contratação de empresas para executar os serviços em dezembro do ano passado, mas foi adiado e ficou para o primeiro semestre deste ano.

Conforme já publicou o Correio do Estado, as postergações fizeram com que o cronograma para início da produção de fertilizantes nitrogenados fosse revisto, com a conclusão atrasada em um ano, de 2028 para 2029, já que ainda há indefinição sobre quando as obras realmente serão iniciadas.

Mesmo sem um calendário definitivo, o Ministério de Minas e Energia incluiu no Orçamento da União deste ano que a Petrobras vai investir R$ 1,564 bilhão na UFN3. Na peça orçamentária apresentada ao Congresso Nacional, no volume 6, de investimentos, há o detalhamento da programação e das ações.

No texto consta: “Implantação de Unidade de Produção de Fertilizantes Nitrogenados, com capacidade produtiva de 1.223 mil toneladas por ano de ureia e 70 mil toneladas/ano de amônia – no estado de Mato Grosso do Sul”.

Este valor corresponde a 42,8% dos R$ 3,5 bilhões estimados para conclusão das obras paradas em 2014, após execução de cerca de 80% de todo o projeto.

No mês passado, o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), em entrevista a um programa de rádio, afirmou que a Petrobras deve retomar as obras em março ou abril deste ano, após concluir as empresas que vão trabalhar na construção efetiva da fábrica.

“Eu imagino que selecionando e começando agora em março ou abril as obras, a gente tenha ela operacional no fim de 2027 ou 2028, entregando fertilizante nitrogenado para Mato Grosso do Sul e para o Brasil”, destacou o governador à época.

A estatal informou, no ano passado, à editora Brasil Energia que vai repartir em 11 licitações a execução das obras. O objetivo é contratar mais fornecedores para aumentar a concorrência, baixar os preços dos serviços e incentivar a produção local.

UFN3

Conforme reportagem já publicada pelo Correio do Estado, até o início de dezembro, o cronograma divulgado pela Petrobras apontava que o início da produção de fertilizantes nitrogenados seria em 2029, conforme seu Plano Estratégico 2026/2030.

Na ocasião, a Petrobras não informou, no entanto, se o cronograma de início das obras seria prorrogado.

Inicialmente o plano, conforme já adiantou o Correio do Estado, era de que as obras fossem entregues ainda durante o chamado Lula 3 – terceira vez que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ocupa o cargo.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, reafirmou em setembro do ano passado o compromisso da estatal com a conclusão da fábrica.

O projeto, desde 2014, permanece paralisado, mesmo estando com mais de 80% das estruturas concluídas. A conclusão demandará um investimento de US$ 800 milhões.

HISTÓRICO

A UFN3 foi lançada em 2008, com o objetivo de reduzir a dependência externa de fertilizantes e fortalecer o agronegócio nacional. Orçada inicialmente em R$ 3 bilhões, a obra foi interrompida em 2014, durante o governo de Dilma Rousseff, após a Petrobras romper contrato com a construtora Galvão Engenharia, envolvida na Operação Lava Jato.

As promessas de conclusão passaram por diferentes governos e gestões da Petrobras. Durante a administração de Michel Temer, em 2018, a estatal tentou vender a fábrica para o grupo russo Acron, negócio que não avançou. Na gestão de Jair Bolsonaro, o ativo chegou a ser incluído em pacotes de privatização, novamente sem êxito.

Com a volta de Lula à Presidência, em 2023, o discurso mudou. A Petrobras retomou a narrativa de “reviver” o setor de fertilizantes, classificado como estratégico para a soberania nacional.

Ainda assim, o cronograma continua se arrastando, e a própria companhia admite que o projeto de Três Lagoas é o mais complexo do portfólio, exigindo revisão de contratos, atualização tecnológica e novos estudos de viabilidade.

Enquanto isso, os impactos locais são visíveis. A promessa de geração de milhares de empregos diretos e indiretos, que motivou o investimento público em infraestrutura na região, deu lugar ao abandono e à frustração da população de Três Lagoas.

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PRAZOS

Contratação de consórcios aumenta em MS, entenda regras para devolução de dinheiro

Especialistas reforçam que organização e planejamento são os maiores aliados para ampliar o poder de compra

16/02/2026 09h00

A maioria das pessoas utilizam o consórcio como forma de facilitar a aquisição de carro ou moto

A maioria das pessoas utilizam o consórcio como forma de facilitar a aquisição de carro ou moto Gerson Oliveira

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Com o aumento de mais de 30% na contratação de consórcios como alternativa aos juros altos, é importante também verificar as regras de devolução de dinheiro caso os planos mudem.

Quem entra em um consórcio deve ter em mente dois prazos: o da Lei dos Consórcios, que prevê devolução apenas após sorteio em caso de desistência, e os sete dias de arrependimento assegurados pelo Código de Defesa do Consumidor.

A Lei nº 11.795/2008, que rege os consórcios atualmente no País, prevê que o fluxo normal é entrar numa fila até ser contemplado ou o grupo encerrar, conforme explica Carlos Fuzinelli, CEO e cofundador da FVL Consórcios, com mais de 15 anos de experiência no setor.

“Em regra, como já entende o STJ, o consorciado que pede saída do grupo deve aguardar o fim do grupo para receber o reembolso das parcelas pagas. Somente na hipótese do artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor, quando a contratação é realizada fora do estabelecimento, há direito de arrependimento em até sete dias, com devolução imediata dos valores pagos. Em todos os demais casos, as administradoras podem reter recursos até o encerramento do grupo, descontando taxas de administração, fundo de reserva, seguros e multas previstas em contrato”, detalha o empresário.

Assim, levar em consideração o que fazer em caso de desistência também deve constar na estratégia, mesmo que o objetivo seja justamente não desistir.

“Algumas atitudes podem evitar a desistência pura e simples. Por exemplo, renegociar com a administradora assim que perceber o aperto: muitas empresas oferecem alternativas para ajustar o contrato. Se o consorciado já foi contemplado e tiver carta de crédito, pode usar esse crédito para quitar parcelas em atraso e regularizar a situação. Outra opção é a transferência/venda da cota: algumas administradoras permitem repassar sua participação a outro interessado, permitindo recuperar parte dos valores pagos”, cita Fuzinelli.

O foco deve ser o planejamento antecipado, reforça o empresário. “Orçamentar gastos, manter uma reserva, evitar dívidas excessivas – e, se surgir problema, agir precocemente para não precisar desistir do consórcio. Seguindo essas práticas, o consorciado reduz muito o risco de ter que abandonar o grupo antes de receber o crédito”, ensina.

CONTEMPLAÇÃO

Já quando o consorciado é contemplado, as decisões estratégicas continuam sendo fundamentais. De acordo com Marcelo Lucindo, CEO da Evoy Administradora de Consórcios, a utilização imediata do valor nem sempre representa a decisão mais estratégica, dependendo do cenário econômico e dos objetivos do consorciado.

“A contemplação representa o acesso ao poder de compra à vista, mas isso não significa que o crédito precise ser utilizado imediatamente. Em muitos casos, manter o valor aplicado pode preservar e até ampliar a capacidade de compra do consorciado. Deixar o crédito aplicado pode preservar o poder de compra, proteger contra a inflação e ampliar as possibilidades de negociação na aquisição de veículos, imóveis ou outros bens”, afirma Lucindo.

O especialista ressalta que, após a contemplação, o valor da carta de crédito não permanece inativo. Enquanto não é utilizado, ele segue aplicado pela Administradora, em fundos de renda fixa, mecanismo que busca assegurar correção monetária e reduzir impactos da inflação.

“Não há obrigatoriedade legal de uso imediato da carta, e o crédito pode permanecer aplicado enquanto o grupo estiver ativo, permitindo ao participante avaliar o melhor momento para efetivar a compra”, comenta.

“Entre os cenários considerados favoráveis para manter o crédito rendendo estão períodos de juros elevados, nos quais a rentabilidade da aplicação pode superar modalidades tradicionais de baixo risco. Nessa condição, o valor contemplado pode funcionar como instrumento financeiro temporário, mantendo atualização monetária até a definição da aquisição”, instrui.

“A aplicação do crédito protege o consorciado da desvalorização do dinheiro ao longo do tempo e permite que ele aguarde o momento mais adequado para fechar negócio”, ressalta.

A decisão de postergar o uso da carta também pode contribuir para ampliar o poder de negociação, também indica o empresário.

“Com o recurso disponível e corrigido, o consorciado pode pesquisar preços, comparar ofertas e negociar descontos para pagamento à vista. O intervalo entre a contemplação e a utilização efetiva do crédito pode ser estratégico para acompanhar variações de mercado e identificar oportunidades mais vantajosas”, recomenda.

Lucindo ainda elenca diversas opções de potencializar o uso da carta contemplada, como aproveitar o rendimento da aplicação para ampliar o montante disponível.

“Outra possibilidade é utilizar a carta como lance em outro grupo de consórcio, mecanismo que pode antecipar nova contemplação. Também é permitido direcionar o valor para antecipação de parcelas, reduzindo saldo devedor e custos totais do contrato. Caso o consórcio esteja quitado e a carta contemplada, a regulamentação prevê a possibilidade de resgate do valor em dinheiro, corrigido, após 180 dias”, cita. 

Independentemente, Fuzinelli ainda acrescenta que a chave do sucesso é o planejamento financeiro básico antes de entrar em um consórcio.

“Recomenda-se avaliar o orçamento pessoal realista, definindo um valor de parcela que não comprometa as despesas básicas. Criar uma reserva de emergência, equivalente a alguns meses de despesas, ajuda a lidar com imprevistos sem deixar de pagar o consórcio. Também é crucial priorizar o pagamento das parcelas do consórcio: manter as parcelas em dia protege o consorciado de multas e de ter a cota cancelada. O próprio consórcio, sem juros e com taxas menores que financiamentos convencionais, só se efetiva se o consorciado honrar todos os compromissos”, reforça.

NÚMEROS

De acordo com a reportagem do Correio do Estado divulgada em dezembro, dados do último Boletim do Sistema de Consórcios da Associação Brasileira de Administradores de Consórcio (Abac), apontavam que no comparativo entre novembro de 2025 e 2024, houve um aumento de 35,1% somente nos participantes ativos a nível nacional.

Em Mato Grosso do Sul, somente na comparação do primeiro semestre, uma alta também foi registrada, com um crescimento de 31% de participantes na comparação entre 2024 e 2025.

A maioria das pessoas utilizam o consórcio como forma de facilitar a aquisição de carro ou moto

Foram 216.762 participantes ativos, ou seja, consorciados em grupos em andamento, contemplados ou não, apenas na contagem do primeiro semestre.

No País, foram 2.831.295 de participantes ativos em novembro de 2025, frente a 2.095.395 em 2024. Ao todo, os créditos comercializados para imóveis somaram R$ 26.715.734.712.

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HOSPEDAGEM

Campo Grande tem 75 hotéis e 10,5 mil quartos

Expectativa é que dois hotéis e 662 novos quartos sejam inaugurados nos próximos anos

15/02/2026 14h30

Hotel na capital de MS, Campo Grande

Hotel na capital de MS, Campo Grande Alvaro Rezende

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Mapeamento divulgado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (Semades) aponta que existem 75 hotéis e 10.508 leitos, no ano de 2026, em Campo Grande (MS).

Em 2024, foram contabilizados 71 hotéis e 9.218 leitos. Portanto, o aumento é de 5% no número de hotéis e 13,99% no número de quartos.

Expectativa é que dois hotéis e 662 novos quartos sejam inaugurados nos próximos anos. 

Os números mostram que a ampliação da rede hoteleira fortalece o turismo na Capital de Mato Grosso do Sul, o que impulsiona a economia, agita bares e restaurantes; aquece o comércio; estimula o turismo; gera empregos e impulsiona lojas e serviços.

O secretário municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável, Ademar Silva Junior, afirmou que a expansão de hotéis traz impactos positivos para a economia campo-grandense.

“O crescimento da rede hoteleira demonstra a confiança do setor privado na cidade e nos dá base técnica para planejar novas ações, atrair investimentos e gerar mais oportunidades de emprego e renda. O mapeamento permite decisões mais assertivas e alinhadas ao crescimento da Capital. Estamos trabalhando com dados concretos para fortalecer o turismo de eventos e negócios em Campo Grande”, pontuou o secretário.

De acordo com o levantamento, a média de valores das diárias são:

  • Quarto para uma pessoa: R$ 198,35
  • Quarto para duas pessoas: R$ 257,66
  • Quarto para três pessoas: R$ 328,40
  • Quarto para quatro pessoas: R$ 389,20

Vale ressaltar que casas de aluguel por temporada (Airbnbs) em Campo Grande não estão inclusos nesses dados. 

CHECKIN E CHECKOUT 

Novas regras para entrada e saída (check-in e check-out) de hóspedes em hotéis brasileiros começaram a valer em 16 de dezembro de 2026.

A mudança, promovida pelo Ministério do Turismo (MTur), define que a diária cobre 24 horas, dentro das quais os hotéis têm três horas para a arrumação dos quartos.

A regra permite que os hotéis definam seus próprios horários de check-in e check-out dentro desses critérios, e essas informações devem ser comunicadas ao hóspede de forma clara e prévia, tanto pelos hotéis como pelas agências de turismo e as plataformas digitais intermediárias de reservas.

Além das três horas de intervalo para limpeza da hospedagem, a regulamentação também flexibiliza a cobrança de tarifas diferenciadas para entrada antecipada ou saída postergada e detalha a comunicação sobre horários e frequência dos serviços de arrumação, higiene e limpeza da unidade habitacional.

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