O preço do boi gordo superou os R$ 100 hoje para pagamento à vista em Mato Grosso do Sul. A prazo o valor máximo praticado no mercado chega a R$ 103. Essa disparada nas cotações está provocando alterações no mercado.
A adoção por parte dos pecuaristas da prática de venda à vista do boi está trazendo reflexos para outro elo da cadeia da carne bovina do Estado. Para garantir o fluxo de caixa, os frigoríficos decidiram baixar para uma semana o prazo de pagamento na venda para redes de supermercados, que antes variava de 15 a 28 dias.
A decisão de reduzir o prazo para o varejo foi tomada em reunião da Associação de Matadouros, Frigoríficos e Distribuidores de Carne de MS (Assocarnes), realizada em Campo Grande na semana passada. A justificativa da entidade para a adoção da medida está na elevação do preço da arroba do boi, que ultrapassou a casa dos R$ 100 no Estado.
A decisão transfere para a relação indústria/varejo uma prática que já se torna comum entre os fornecedores pecuaristas. Impulsionada pelo endividamento de indústrias frigoríficas, a Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Famasul) lançou no ano passado a campanha “Gado, só à vista”. A campanha deu o ponta pé inicial no incentivo à eliminação da venda à prazo que predomina hoje entre os criadores, diminuindo o risco de perdas com a quebra de frigoríficos e a prática anterior que financiava as indústrias.
“O pagamento à vista não favorece apenas os pecuaristas, mas toda a cadeia da carne, na medida em que oferece mais segurança na comercialização, evitando prejuízos e diminuindo o risco de crise para o setor”, aponta Eduardo Riedel, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul).
A iniciativa, uma parceria com as Federações de Agricultura de Mato Grosso e Goiás, traçou novos rumos para a comercialização da carne. A campanha contribuiu de forma positiva para reforçar a ideia de que os pecuaristas que vedem a prazo estão assumindo um risco significativo e que é possível garantir melhores condições de recebimento.

