O presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto, disse hoje que o Brasil deveria "intensificar" a economia de energia. A previsão oficial é de que os brasileiros consigam reduzir até 3% do previsto para consumo em 2014. Mas, para ele, essa redução poderia chegar a 10%.
A declaração do presidente da estatal foi feita um dia após o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, dizer ao jornal americano, "Wall Street Journal" que, caso as reservas das hidrelétricas não aumentem nos próximos meses, o governo poderá pedir à população que reduza voluntariamente o consumo, para garantir o fornecimento durante a Copa do Mundo.
"Racionalização de energia nós temos de ter sempre. Temos de lutar por isso independentemente da condição dos reservatórios", disse Carvalho Neto.
"Não temos de gerar energia para desperdiçar. Energia é para crescer, para o conforto, para o lazer. Temos uma quantidade imensa de energia, que a gente não usa da melhor forma possível", comentou.
Segundo ele, a meta brasileira, prevista pelo 'Plano Nacional de Energia de 2030' e pelo 'Plano Nacional de Eficiência Energética', coordenado pelo ministério e gerido pela Eletrobras, já previa que, em 2030, fosse possível economizar 10% sobre a previsão de consumo do ano.
"A meta é atingirmos uma redução de 10% sobre o consumo de 2030. Esse ano essa economia deve ficar entre 2,8% e 3%", afirmou. "Poderíamos chegar a 10% esse ano. Tem jeito de acelerar esse processo e acho que devemos. Estamos procurando caminhos para isso", afirmou.
Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, o governo já traçou os piores cenários para o setor elétrico caso o ritmo e a quantidade de chuva neste ano não sejam suficientes para reabastecer os reservatórios das usinas hidrelétricas.
A conclusão é que, caso o volume de chuvas no país feche o ano próximo aos menores níveis já verificados nos últimos 82 anos, a demanda dos consumidores só será suprida mantendo todas as térmicas do sistema ligadas de março a novembro.


