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Reajuste da conta de luz pode ser adiado e decisão está nas mãos da Energisa MS

Pedido do governo federal para mitigar impacto ao consumidor pode evitar aumento e levar à prorrogação da tarifa atual

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A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) pretende adiar a aplicação do reajuste na tarifa de energia elétrica cobrada pela Energisa MS, que poderá ser reajustada, em média, em 8%, segundo o boletim InfoTarifas publicado na semana passada pela autarquia.

A adoção dos novos valores para os 1,2 milhão de clientes em 74 municípios tem previsão legal de começar a valer no dia 8 de abril.

Essa postura da Aneel se deve ao pedido feito pela Secretaria Nacional de Energia Elétrica (SNEE) do Ministério de Minas e Energia (MME), que comunicou à Aneel que o “governo federal encontra-se, neste momento, conduzindo análises e tratativas institucionais voltadas à avaliação de possíveis medidas relacionadas a reajustes tarifários”, destacando que “o objetivo dessas discussões é examinar alternativas que possam mitigar os impactos dos reajustes tarifários para os consumidores, buscando soluções que preservem o equilíbrio regulatório sem impor ônus excessivo à população”.

Para tanto, a Pasta faz a seguinte solicitação à agência: “Avalie postergar os processamentos de reajustes tarifários ao longo do mês de março/2026, período que permitirá a adequada conclusão das análises e a eventual consideração de medidas que possam contribuir para uma solução mais equilibrada”, diz ofício do secretário nacional de Energia Elétrica, João Cascalho, no dia 17.

No documento, ele enfatiza que “há expectativas de que a repartição dos recursos disponíveis seja realizada de modo a se obter o menor impacto tarifário possível, o que pode levar a reajustes próximos de zero nas tarifas dos consumidores dessas concessões”.

A preocupação com obter índice próximo a zero é motivada por estudos da Aneel, que, no Boletim InfoTarifas divulgado na semana passada, aponta que o reajuste médio tarifário no Brasil será de 8% para este ano. Esse valor é o dobro dos índices de inflação projetados do IGP-M (3,1%) e do IPCA (3,9%).

O principal motivo é o valor da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), ainda provisório e em fase de consulta pública (CP nº 44/2025). A proposta apresentada totalizou R$ 52,7 bilhões. Desse valor, R$ 47,8 bilhões são a previsão da CDE-Uso, montante 15,4% maior que o do ano passado.

Apesar da previsão de elevação tarifária, os recursos de Uso do Bem Público (UBP) serão utilizados para modicidade tarifária de regiões abrangidas pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam)/Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), que são atendidas por 21 distribuidoras, gerando descontos nas faturas em função da destinação de recursos a serem recebidos pela repactuação da obrigação de pagamentos de centrais geradoras a título de UBP, conforme as Leis nº 15.235/25 e nº 15.269/25.

No cenário de adesão de todos os geradores, cerca de R$ 7,9 bilhões representarão uma redução média na tarifa de 10,6% para os consumidores residenciais que estão nas áreas da Sudam/Sudene.

Como resultado, pode-se ter uma redução no efeito médio do Brasil de até 2,9%. A regra de rateio entre as 21 distribuidoras encontra-se em fase final de análise pela Aneel.

Com a apresentação desses argumentos pelo ministério, a diretora relatora do processo de reajuste da Energisa MS na Aneel, Agnes Maria de Aragão da Costa, considera, com base em parecer técnico, que a “Aneel não pode promover o diferimento tarifário sem a anuência da concessionária, por configurar alteração unilateral das cláusulas econômicas do contrato de concessão, notadamente aquelas que definem a respectiva equação econômico-financeira”.

Por esse motivo, no dia 24, encaminhou ofício à Energisa solicitando seu posicionamento sobre o reajuste. No documento, afirma que “considerando o pleito do Ministério de Minas e Energia e, diante da relevância e sensibilidade do tema, solicito que a EMS [Energisa] se manifeste quanto ao seu interesse e indique a alternativa que entenda mais adequada para o tratamento de sua tarifa no âmbito do presente processo, de modo a subsidiar a deliberação desta agência, em observância aos limites legais e contratuais aplicáveis”.

Se a empresa se manifestar a favor de adiar a decisão sobre os novos valores, a tarifa atual será prorrogada até que haja nova deliberação da diretoria da Aneel sobre os porcentuais.

Como o reajuste a ser aplicado está previsto para o dia 8 de abril, a deliberação, caso não seja adiada, deve ocorrer um dia antes, no dia 7 de abril, quando o colegiado da Aneel se reúne.

Ano passado

Em 2025, a Aneel autorizou o reajuste tarifário anual da Energisa MS, que resultou em um aumento de 0,69% para consumidores de baixa tensão, como residências e pequenos comércios, e de 3,09% para consumidores de média tensão.

Esse reajuste foi aplicado nos 74 municípios atendidos pela distribuidora, mas ficou abaixo da inflação acumulada de 8,46% no período, segundo dados do Banco Central. O índice médio de aumento foi de apenas 1,33%, reflexo de compensações e ajustes no setor elétrico.

O Conselho de Consumidores da Área de Concessão da Energisa MS(Concen-MS) explicou que a principal razão para o reajuste reduzido foi a devolução de tributos e o encerramento de encargos que vinham pesando na conta de luz. 

Entre os fatores mais relevantes estão a devolução do PIS/Cofins, determinada após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que reduziu a tarifa em 1,91%, e a quitação da Conta-Covid, criada durante a pandemia, que retirou mais 1,68% do cálculo. Além disso, a extinção da Conta Escassez Hídrica, ligada à crise de 2021, contribuiu com uma redução de 1,71%.

Outros elementos também ajudaram a conter o reajuste, como a queda nos custos de transmissão (-1,24%), diminuição de encargos setoriais (-0,84%) e reduções em itens como transporte de energia de Itaipu e custo de conexão. Somados, esses fatores compensaram a pressão da inflação e permitiram que o aumento fosse significativamente menor. 

Assim, o reajuste de 2025 refletiu um cenário de alívio tarifário para os consumidores de Mato Grosso do Sul, resultado da combinação de devoluções legais, quitação de dívidas setoriais e redução de custos estruturais no sistema elétrico.

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Negativa

Petrobras nega impacto socioambiental na Foz do Amazonas; MPF pede suspensão da perfuração

MPF afirma que 17 municípios do Pará estão na área de influência do empreendimento, com embarcações saindo do porto de Belém

20/09/2026 21h00

Sede da Petrobrás

Sede da Petrobrás Imagem: Agência Petrobras

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A Petrobras informou hoje, em nota à Broadcast, que as atividades na Margem Equatorial estão em fase de pesquisa exploratória e que os estudos realizados não identificaram impactos socioambientais diretos sobre comunidades ou terras indígenas em razão da atividade no bloco FZA-M-59, na bacia do Foz do Amazonas. O Ministério Público Federal (MPF) pediu ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) a suspensão imediata da licença de perfuração de petróleo concedida à estatal para o bloco, que fica na Margem Equatorial. A Petrobras anunciou, em 14 de agosto, a descoberta de petróleo de boa qualidade no poço de Morpho.

No recurso apresentado na última quinta-feira (17), o MPF afirma que 17 municípios do Pará estão na área de influência do empreendimento, com embarcações saindo do porto de Belém e cruzando rotas tradicionais de grande sensibilidade ambiental, onde famílias indígenas, quilombolas e pescadores artesanais relatam prejuízos, como redes destruídas, peixes afugentados e risco de acidentes. O MPF pede a suspensão das atividades até que uma consulta prévia seja feita a todas as comunidades tradicionais da costa do Pará, além da realização de estudos pesqueiros, da apresentação de um plano de compensação e da redelimitação da área de influência.

Em nota, a estatal alegou que, embora a consulta prévia não seja aplicável a esse licenciamento, "realizou um amplo processo de comunicação e diálogo com a sociedade e as comunidades da região antes do início da perfuração, com mais de 80 reuniões e audiências públicas em 22 municípios dos estados do Amapá e do Pará".

No último dia 3, o Ibama atendeu a pedido da Petrobras e retificou a licença de perfuração do poço Morpho, localizado a cerca de 175 km da costa do estado do Amapá, em lâmina d'água de 2.886 metros, incluindo a autorização para perfurar mais três poços (Manga, Crotalus e extensão de Morpho). As operações na área do poço Morpho seguem em andamento na fase de conclusão da perfuração, enquanto a companhia planeja as ações para as atividades exploratórias nos três poços contingentes.

"A Petrobras cumpre rigorosamente a legislação e as exigências dos órgãos competentes no processo de licenciamento ambiental", diz a nota.

O MPF quer ainda que o caso permaneça na Justiça Federal do Pará, alegando que a competência deve ser definida pelo local onde os danos acontecem, já que a logística de navios, resíduos e suporte opera a partir do Estado. A Justiça Federal no Pará havia remetido o processo ao Amapá para evitar decisões conflitantes.

Especificamente em relação ao sobrevoo de aeronaves, a Petrobras sustenta que o aeroporto de Oiapoque (PA) opera há décadas e está sendo utilizado pela Petrobras dentro de sua capacidade licenciada. O uso da estrutura aeroportuária reflete ainda ajustes operacionais realizados a partir de 2023, quando foram realizadas reuniões com o Conselho de Caciques dos Povos Indígenas do Oiapoque (CCPIO) para revisão de rotas e ampliação da altitude das aeronaves.

"A Petrobras permanece à disposição para prestar os esclarecimentos necessários e reafirma seu compromisso com a segurança, a proteção socioambiental, o diálogo com as comunidades e o cumprimento dos procedimentos estabelecidos pelas autoridades", diz a estatal.

CENSO IMOBILIÁRIO

Na Capital, 60% pretendem comprar um imóvel, mas 11% realmente compram

Baixo percentual de compra pode estar relacionado à alta taxa de juros, aponta o Sinduscon-MS

20/09/2026 15h00

Casa para vender em Campo Grande

Casa para vender em Campo Grande MARCELO VICTOR

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Dados divulgados pelo Sindicato Intermunicipal da Indústria da Construção de Mato Grosso do Sul (Sinduscon-MS) apontam que 60% dos campo-grandenses pretendem comprar um imóvel atualmente.

Mas, apenas 11% realmente compram. De acordo com o vice-presidente da Sinduscon-MS, Rafael Tenuta, este baixo percentual pode estar relacionado à alta taxa de juros.

“Os altos juros sempre atrapalham e tiram o aquecimento das vendas, mas a gente tem notado que está saindo negócio sim. Se o juros baixar um pouco, com certeza aquece um pouco mais”, explicou.

Casa para vender em Campo GrandePresidente do Sinduscon-MS, Rafael Tenuta, em coletiva de imprensa realizada em 28 de agosto. Foto: Marcelo Victor

Mesmo assim, o sonho saiu do papel para muitos: de janeiro a julho de 2026, 872 unidades foram vendidas em Campo Grande, sendo 464 no primeiro trimestre e 408 no segundo trimestre.

Do padrão Minha Casa Minha Vida, foram comercializados 272 imóveis no primeiro trimestre e 80 imóveis no segundo trimestre.

Casas de padrão médio (80%) tiveram um boom nas vendas no último trimestre, enquanto imóveis Minha Casa Minha Vida (20%) aparecem em segundo lugar e compactos (2%) em terceiro. Imóveis luxuosos tiveram retração (-1%).

No segundo trimestre, o m² custava R$ 9.857,00 em Campo Grande. No primeiro trimestre, custava R$ 10.477, portanto, o valor baixou de um período para o outro.

Confira o valor médio por tipo de residência:

  • Residência com um dormitório – R$ 707.604,00
  • Residência Minha Casa Minha Vida com dois dormitórios – R$ 293.682,00
  • Residência com três dormitórios – R$ 1.141.120,00
  • Residência com quatro ou mais dormitórios – R$ 3.406.840,00
  • Geral – R$ 688.283,00

Fonte: Sinduscon-MS

BRASIL

De acordo com o head da Brain Inteligência Estratégica, Anderson Gonçalves, a intenção de comprar um imóvel é de 52% no Brasil – o percentual é o maior desde 2019 e atingiu a máxima histórica.

Mas dos que pretendem, 11% realmente compram. Nas regiões Centro-Oeste/Norte, 53% pretendem comprar um imóvel e 47% não pretendem.

A compra pode se concretizar em até 6 meses (8%), em até 1 ano (23%), em até 1 ano e meio (13%), em até 2 anos (24%) e acima de 2 anos (32%).

Os imóveis mais desejados pelos brasileiros são apartamento (40%), casa em rua (38%), casa em condomínio fechado (17%), terreno em condomínio aberto (3%), terreno em condomínio fechado (2%).

Os imóveis preferidos são residência para moradia (86%), residência para lazer (8%) e comercial (6%).

As motivações para compra são sair do aluguel (37%), sair da casa dos pais (15%), mudar de endereço (9%), casamento (2%), separação (1%), mais espaço (14%), mais benefícios (3%), imóvel mais novo (3%), locação (12%), revenda (1%), imóvel para familiar (2%) e residência menor (1%).

AJUDA PARA COMPRAR O PRIMEIRO IMÓVEL

Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Emha) está com 400 vagas abertas para famílias de Campo Grande que querem comprar o primeiro imóvel.

Cada beneficiário poderá receber R$ 4 mil para ajudar a pagar a entrada do financiamento.

O benefício faz parte do programa Bônus Sonho de Morar, dentro do ViraCG Habitação e é destinado a famílias com renda mensal bruta de um a cinco salários mínimos.

Os interessados têm até 30 de novembro de 2026 para solicitar o benefício. O atendimento será feito de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h, na sede da Emha, localizada na Rua Iria Loureiro Viana, nº 415, Vila Oriente.

As 400 cotas serão distribuídas por ordem cronológica de solicitação. Caso o número de interessados ultrapasse a quantidade disponível, será formada uma lista de suplentes.

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