A Rota Bioceânica deixou de ser apenas um projeto de integração rodoviária entre países da América do Sul para se transformar em uma das principais apostas de desenvolvimento econômico, científico e tecnológico de Mato Grosso do Sul.
Com obras avançadas, articulações internacionais e novos investimentos em logística e inovação, o Estado começa a se preparar para uma mudança histórica em sua dinâmica econômica e comercial.
Segundo estimativa apresentada nesta segunda-feira (25) pelo ministro João Carlos Parkinson de Castro, diplomata de carreira do Ministério das Relações Exteriores, a Rota Bioceânica poderá movimentar aproximadamente US$ 2 bilhões por ano apenas nas operações comerciais envolvendo o Brasil e os países sul-americanos integrados ao corredor, como Paraguai e Argentina.
A projeção foi divulgada durante o 3º Fórum Centro-Oeste de Segurança Rodoviária - Rota Bioceânica, realizado em Campo Grande.
O tema ganhou ainda mais força nesta semana em Campo Grande, durante a realização do Workshop de Ciência, Tecnologia e Inovação na Rota Bioceânica e do 3º Fórum Centro-Oeste de Segurança Rodoviária - Rota Bioceânica, eventos que reuniram representantes do Brasil, Paraguai, Argentina, Chile, Bolívia e Peru para discutir o futuro do corredor internacional.
Mais do que uma ligação terrestre até os portos do Oceano Pacífico, a rota vem sendo tratada pelo Governo do Estado como uma oportunidade de transformar Mato Grosso do Sul em um polo de logística, tecnologia, indústria e serviços voltados ao comércio internacional.
A expectativa é que municípios estratégicos, como Porto Murtinho, Bela Vista, Sidrolândia e Campo Grande, passem a atrair novos investimentos e empresas interessadas no potencial econômico do corredor bioceânico.
Empresas já enxergam MS como nova porta de entrada comercial
Durante o workshop promovido pela Semadesc, o secretário estadual Artur Falcette destacou que Mato Grosso do Sul já percebe uma mudança no perfil das empresas interessadas em investir na região.
Segundo ele, grupos empresariais passaram a enxergar o Estado como uma nova porta de entrada para produtos e componentes vindos do Sudeste Asiático.
“A rota não é apenas uma ponte ou um conjunto de rodovias. Ela traz oportunidades ligadas ao turismo, à gastronomia, à cultura, à integração entre os povos e ao desenvolvimento de novas atividades econômicas”, afirmou o secretário.
Ponte binacional já supera 90% das obras
Entre os principais projetos estruturantes da rota está a ponte internacional entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, no Paraguai. Conforme apresentado pela assessora especial da Semadesc para assuntos da Rota Bioceânica, Danniele Paiva, a obra já ultrapassa 90% de execução.
Além da ponte, seguem em andamento obras de acesso rodoviário no Brasil e no Paraguai. A expectativa é que o corredor reduza custos logísticos, encurte distâncias para exportação e fortaleça a competitividade brasileira no mercado internacional.
Governo aposta em inovação e ciência para fortalecer corredor
A estratégia do Governo do Estado não envolve apenas infraestrutura. O plano também inclui investimentos em ciência, tecnologia e inovação para transformar Mato Grosso do Sul em referência de desenvolvimento sustentável e integração internacional.
O secretário-executivo de Ciência, Tecnologia e Inovação da Semadesc, Ricardo Senna, apresentou o subprograma Rota Bioceânica dentro do programa estadual MS Inova Mais. Entre as medidas previstas estão ações de pesquisa aplicada, formação profissional, transferência de tecnologia e cooperação internacional.
Universidades entram no projeto da rota
As universidades sul-mato-grossenses também passaram a integrar o planejamento estratégico da Rota Bioceânica.
Representando o Conselho de Reitores das Instituições de Ensino Superior de Mato Grosso do Sul (CRIE-MS), o vice-reitor da UFMS, Albert Schiaveto de Souza, apresentou propostas voltadas à criação de um observatório científico da rota, plataformas de dados logísticos e programas de formação profissional ligados ao comércio exterior e à inovação.
O projeto também prevê incentivo à criação de startups, cooperação internacional e iniciativas voltadas ao desenvolvimento regional sustentável.
Campo Grande tenta se consolidar como polo logístico da América Latina
Na Capital, autoridades defendem que Campo Grande pode se tornar um dos principais centros logísticos da América Latina.
Durante o Fórum Centro-Oeste de Segurança Rodoviária, representantes do setor produtivo e do poder público destacaram a necessidade de modernização das aduanas, investimentos em segurança viária e melhorias na infraestrutura para suportar o crescimento do fluxo de cargas previsto para os próximos anos.
O diretor-presidente do Detran-MS, Rudel Espíndola Trindade Júnior, alertou que o crescimento logístico exigirá melhorias nos indicadores de trânsito e maior integração entre os órgãos responsáveis pela segurança nas rodovias.
Já o secretário municipal Ademar Silva Junior classificou a Rota Bioceânica como um “divisor de águas” para Campo Grande e para o futuro econômico de Mato Grosso do Sul.

