Perto da zona considerada favorável, a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) avançou mais de dois pontos, encerrando em 97,3 pontos em junho, descontados os efeitos sazonais, numa crescente que acontece há um trimestre.
Reprodução/CNCDivulgada mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, conforme balanço da CNC, esse é o terceiro mês em que todos os indicadores avançaram nas comparações mensal e anual.
Composto por emprego; renda e nível de consumo atuais; além do acesso ao crédito; momento para duráveis e das perspectivas profissionais e de consumo, quatro dos sete indicadores do ICF já vinham acima dos 100 pontos, considerados aceitáveis, sendo:
| Índice | Jun/23 |
| Emprego atual | 122,3 |
| Renda atual | 115,7 |
| Perspectiva profissional | 114,3 |
| Perspectiva de consumo | 101,0 |
Pelo balanço mensal do ICF de junho, o avanço total do índice foi de 2,6%, sendo que a variação anual registrada é de 21,3%.
Segundo o documento, a inflação corrente em queda estimula o consumo, e o mercado de trabalho segue apontando alta das contratações, mesmo que em menor intensidade.
Ainda assim, o CNC ressalta que os juros altos e endividamento elevado "limitam a capacidade de consumo e os efeitos benéficos da maior renda disponível", gerando desaceleração das vendas do varejo e dos serviços têm desacelerado.
Presidente da CNC, José Roberto Tadros salienta que consumidores brasileiros - especialmente os de menor renda e as mulheres - estão mais confiantes no futuro do emprego.
Economista responsável pela ICF, Izis Ferreira esclarece que essa satisfação com o emprego atual é reflexo da geração de vagas formais pelos setores de serviços e construção civil, que contratam aqueles com menores índices de escolaridade.
Com isso, o índice alcançou 122,3 pontos, sendo o maior nível desde março de 2015, um contraponto ao indicador da intenção de compra de duráveis (que segue em 57,8 pontos).
“Isso demonstra que, mesmo que o consumidor esteja mais animado com as compras a prazo, principalmente por estar mais seguro no emprego, o crédito seleto e caro limita a aquisição desse tipo de produto”, avalia Izis.
Maior avanço na baixa renda
Ainda, o portal CNC frisa que naquela faixa de consumidores com as menores rendas, a intenção de consumo foi ainda mais expressiva (alta de 3,1%), do que entre os de renda alta (com crescimento de 2,2%)
"A diferença é provocada pela melhor perspectiva profissional, indicador que cresceu 5,8% no grupo que ganha menos de 10 salários mínimos"
Também, mais da metade (52%) acredita em melhores condições de trabalho pelos próximos meses, além de estarem mais seguros no emprego, sendo essa a melhor proporção desde 2015.
Analisado o recorte de gênero, as mulheres se destacam com um crescimento de 8,8 pontos percentuais na perspectiva de emprego, o que deu expectativa por melhores condições no trabalho para 52,2% entre as pesquisadas.
Com isso, vale ressaltar que a intenção de consumo subiu 24% entre elas, e apenas 19% entre os homens. ** (Com assessoria)


