O setor pecuário de Mato Grosso do Sul, teme que, caso seja confirmada a falência do Frigorífico Independência, confirme-se um cenário de formação de cartel no Estado. Com a saída do grupo, que já foi o maior exportador de carnes do Brasil, sobraram dois grandes abatedouros, JBS e Marfrig – o que aumenta expressivamente o risco de cartelização.
“Agora estamos num período de entressafra e, sem a oferta, eles são obrigados a pagar bem para quem tem gado. Mas quando a safra começar, provavelmente viveremos uma manipulação dos preços da arroba”, prevê o presidente da Associação de Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), Francisco Maia.
Para se ter uma ideia da proporção do poder dos dois grandes grupos, eles são responsáveis por abater diariamente cerca de metade dos 15 mil bovinos destinados à indústria da carne.
Na questão mercadológica fica o receio de que estes dois maiores grupos possam fixar preços de compra abaixo do esperado pelos criadores. Atualmente, na entressafra, a arroba do boi é de R$ 89. No entanto, em outras épocas, o valor chegou a ser 56% deste valor, em torno de R$ 50.
Esperada
A possível falência do Independência, depois do fechamento da planta em Nova Andradina, não será surpresa para o setor pecuário, mas poderá causar prejuízos mercadológicos, caso seja consolidada. Desde que entrou em recuperação judicial, em 2009, o segmento já vinha esperando pelo pior.
“Quando foi anunciada a recuperação, sabíamos que era uma questão de tempo. Já era morte anunciada”, disse Maia.
Segundo o representante, os prejuízos não serão expressivos do ponto de vista econômico, exceto pelos R$ 17 milhões devidos a credores no Estado, que haviam sido renegociados, mas cujo pagamento das parcelas está paralisado até novembro. Quanto aos empregos, ele acredita que o mercado deva absorver o saldo de 800 trabalhadores demitidos da indústria, já que outras empresas deverão aumentar os abates para atender o mercado antes alimentado pelo Independência.


