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Setor imobiliário amplia investimentos na periferia da Capital

Empresários de Campo Grande dedicam mais recursos em imóveis para locação em regiões mais afastadas do Centro

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De olho nas tendências do mercado imobiliário em Campo Grande, empresários estão cada vez mais optando pela diversificação de seus investimentos em imóveis localizados nas áreas periféricas da cidade. Especialistas destacam que a possibilidade de aplicar em mais de uma unidade para locação e que o baixo custo de manutenção corroboram para uma boa rentabilidade em regiões mais distantes do Centro ou de bairros de alto padrão.

O diretor de Locação do Sindicato dos Corretores de Imóveis de Mato Grosso do Sul (Sindimóveis-MS), Celso Barros, explica que concentrar os investimentos em mais imóveis na periferia acaba compensando, em vez de dedicar o patrimônio em uma única propriedade de alto padrão.

“Baixa liquidez no caso de venda, e há a dificuldade para alugar [o imóvel de alto padrão] por conta da destinação do imóvel a um público familiar com melhor condição financeira, o que tende a restringir um pouco sua demanda. Fora problemas de vacância, burocratização, custos mais elevados com impostos, taxas e condomínio nesse período, que acabam impactando diretamente a rentabilidade final”, elenca.

Corretor na Flores Imóveis, Danilo Costa disse em entrevista ao Correio do Estado que muitos empresários estão preferindo pulverizar o investimento na periferia. “Sai mais barato. Imagina R$ 1 milhão em um apartamento. Com esse valor, ele consegue comprar três casas em um bairro mais afastado, o que dá um lucro bacana, sendo por vezes até mais do que o próprio milhão de uma única unidade”, exemplifica.

Barros corrobora que existe uma alta procura por residências de valores menores, principalmente com a tendência de descentralização do comércio. “Há a questão de custos menores de impostos, taxas e condomínio nos imóveis na periferia. Mesmo com uma rotatividade maior na grande parte dos contratos, isso ainda impacta de uma forma que a rentabilidade final acaba sendo mais atrativa nesse tipo de imóvel”, finaliza.

Sócio-proprietário da Flores Imóveis, Bruno Flores acrescenta que a rentabilidade do aluguel é interessante, independente do perfil do imóvel, seja alto padrão, seja mais simples, tendo em vista que há uma escassez muito grande de produto para locação.

 “Geralmente, tem muito mais gente procurando do que imóvel para ser alugado, e isso faz com que seja possível aumentar um pouco o preço [do aluguel] e, mesmo assim, [conseguir] alugar”, detalha.

REAJUSTE

Conforme já noticiado pelo Correio do Estado, o aluguel residencial acumulou alta de 16% em Campo Grande nos 12 meses do ano passado. O indicador foi mais que o triplo da inflação oficial da Capital, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que fechou 2023 em 4,76%.

Na comparação com o item aluguel residencial, também medido pelo IPCA, o aumento foi quase o dobro, já que o índice acumulou inflação de 9,63% em Campo Grande.

O aumento regional acompanhou a média nacional, que, conforme o Índice FipeZap, foi de 16,16%. No cenário nacional, o FipeZap aponta para uma média quatro vezes maior que o IPCA do aluguel, que foi de 3,21%, ou três vezes maior na comparação com a inflação oficial, que finalizou o ano passado em 4,62%, na média nacional.

Os principais índices de correção adotados pelo mercado imobiliário são o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) ou o já citado IPCA. O diretor de locação do Sindimóveis-MS destaca que um dos grandes desafios do segmento imobiliário é a aplicação dos índices de correção do mercado imobiliário.

“Para novos contratos firmados, já percebemos que o reajuste ficou na ordem de 16%, acompanhando o cenário nacional, e que em algumas regiões específicas o reajuste dos valores até chegou a índices maiores comparados ao que se praticava no período anterior”, afirma Barros.

Ele ainda detalha que houve uma grande procura por imóveis para locação nos 12 meses de 2023. “O grande desafio [para o locatário] está nos contratos em vigência, nos quais os índices geralmente aplicados de forma contratual tiveram até registro negativo no último período. Para esses contratos, acaba sendo feita uma revisão contratual muitas vezes consensual, a fim de compensar a discrepância de valores em relação ao mercado”, salienta.

O presidente do Sindicato da Habitação de Mato Grosso do Sul (Secovi-MS), Geraldo Paiva, adiciona que a alta acumulada na locação se deve exclusivamente à redução da atividade da construção civil, por conta da alta dos juros.

“A demanda pela moradia foi superior à produção residencial nos últimos quatro anos. Veja o crescimento da população de nossa cidade contra a emissão de Habite-se residencial no mesmo período. Quando os juros inviabilizam a aquisição da casa própria, essa demanda se acolhe nos imóveis de locação”, aponta.

CUSTO

Para os empresários que desejam investir em imóveis, o relatório FipeZap mostra que, no primeiro mês deste ano, Campo Grande – diferentemente, de outras 15 capitais brasileiras acompanhadas pelo índice – registrou queda nos preços de imóveis residenciais. 

A redução foi de 0,14%.A média nacional parcial fechou com alta de 3,88% no balanço do ano passado, superando a inflação registrada (3,59%) e também o IGP-M, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que se fixou em -4,93%.

Na variação mensal de dezembro de 2023, Campo Grande ficou entre as últimas capitais em termos de valorização, em 12º lugar, com a variação de 0,13%.

Já no balanço do ano passado, a capital de Mato Grosso do Sul encerrou 2023 em terceiro lugar no ranking de valorização imobiliária residencial, acumulando alta de 12,61%.

Em análise dos últimos cinco anos, somente em 2019 houve desvalorização de imóveis residenciais na Capital, momento em que a queda identificada foi de -1,40%. Nos anos seguintes, sucessivos aumentos foram registrados, sendo 5,91% em 2020, 5,97% em 2021 e 14,03% em 2022, enquanto 2023 teve queda de 1,42 ponto percentual relativa ao ano anterior, chegando a 12,61%.

Negativa

Petrobras nega impacto socioambiental na Foz do Amazonas; MPF pede suspensão da perfuração

MPF afirma que 17 municípios do Pará estão na área de influência do empreendimento, com embarcações saindo do porto de Belém

20/09/2026 21h00

Sede da Petrobrás

Sede da Petrobrás Imagem: Agência Petrobras

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A Petrobras informou hoje, em nota à Broadcast, que as atividades na Margem Equatorial estão em fase de pesquisa exploratória e que os estudos realizados não identificaram impactos socioambientais diretos sobre comunidades ou terras indígenas em razão da atividade no bloco FZA-M-59, na bacia do Foz do Amazonas. O Ministério Público Federal (MPF) pediu ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) a suspensão imediata da licença de perfuração de petróleo concedida à estatal para o bloco, que fica na Margem Equatorial. A Petrobras anunciou, em 14 de agosto, a descoberta de petróleo de boa qualidade no poço de Morpho.

No recurso apresentado na última quinta-feira (17), o MPF afirma que 17 municípios do Pará estão na área de influência do empreendimento, com embarcações saindo do porto de Belém e cruzando rotas tradicionais de grande sensibilidade ambiental, onde famílias indígenas, quilombolas e pescadores artesanais relatam prejuízos, como redes destruídas, peixes afugentados e risco de acidentes. O MPF pede a suspensão das atividades até que uma consulta prévia seja feita a todas as comunidades tradicionais da costa do Pará, além da realização de estudos pesqueiros, da apresentação de um plano de compensação e da redelimitação da área de influência.

Em nota, a estatal alegou que, embora a consulta prévia não seja aplicável a esse licenciamento, "realizou um amplo processo de comunicação e diálogo com a sociedade e as comunidades da região antes do início da perfuração, com mais de 80 reuniões e audiências públicas em 22 municípios dos estados do Amapá e do Pará".

No último dia 3, o Ibama atendeu a pedido da Petrobras e retificou a licença de perfuração do poço Morpho, localizado a cerca de 175 km da costa do estado do Amapá, em lâmina d'água de 2.886 metros, incluindo a autorização para perfurar mais três poços (Manga, Crotalus e extensão de Morpho). As operações na área do poço Morpho seguem em andamento na fase de conclusão da perfuração, enquanto a companhia planeja as ações para as atividades exploratórias nos três poços contingentes.

"A Petrobras cumpre rigorosamente a legislação e as exigências dos órgãos competentes no processo de licenciamento ambiental", diz a nota.

O MPF quer ainda que o caso permaneça na Justiça Federal do Pará, alegando que a competência deve ser definida pelo local onde os danos acontecem, já que a logística de navios, resíduos e suporte opera a partir do Estado. A Justiça Federal no Pará havia remetido o processo ao Amapá para evitar decisões conflitantes.

Especificamente em relação ao sobrevoo de aeronaves, a Petrobras sustenta que o aeroporto de Oiapoque (PA) opera há décadas e está sendo utilizado pela Petrobras dentro de sua capacidade licenciada. O uso da estrutura aeroportuária reflete ainda ajustes operacionais realizados a partir de 2023, quando foram realizadas reuniões com o Conselho de Caciques dos Povos Indígenas do Oiapoque (CCPIO) para revisão de rotas e ampliação da altitude das aeronaves.

"A Petrobras permanece à disposição para prestar os esclarecimentos necessários e reafirma seu compromisso com a segurança, a proteção socioambiental, o diálogo com as comunidades e o cumprimento dos procedimentos estabelecidos pelas autoridades", diz a estatal.

CENSO IMOBILIÁRIO

Na Capital, 60% pretendem comprar um imóvel, mas 11% realmente compram

Baixo percentual de compra pode estar relacionado à alta taxa de juros, aponta o Sinduscon-MS

20/09/2026 15h00

Casa para vender em Campo Grande

Casa para vender em Campo Grande MARCELO VICTOR

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Dados divulgados pelo Sindicato Intermunicipal da Indústria da Construção de Mato Grosso do Sul (Sinduscon-MS) apontam que 60% dos campo-grandenses pretendem comprar um imóvel atualmente.

Mas, apenas 11% realmente compram. De acordo com o vice-presidente da Sinduscon-MS, Rafael Tenuta, este baixo percentual pode estar relacionado à alta taxa de juros.

“Os altos juros sempre atrapalham e tiram o aquecimento das vendas, mas a gente tem notado que está saindo negócio sim. Se o juros baixar um pouco, com certeza aquece um pouco mais”, explicou.

Casa para vender em Campo GrandePresidente do Sinduscon-MS, Rafael Tenuta, em coletiva de imprensa realizada em 28 de agosto. Foto: Marcelo Victor

Mesmo assim, o sonho saiu do papel para muitos: de janeiro a julho de 2026, 872 unidades foram vendidas em Campo Grande, sendo 464 no primeiro trimestre e 408 no segundo trimestre.

Do padrão Minha Casa Minha Vida, foram comercializados 272 imóveis no primeiro trimestre e 80 imóveis no segundo trimestre.

Casas de padrão médio (80%) tiveram um boom nas vendas no último trimestre, enquanto imóveis Minha Casa Minha Vida (20%) aparecem em segundo lugar e compactos (2%) em terceiro. Imóveis luxuosos tiveram retração (-1%).

No segundo trimestre, o m² custava R$ 9.857,00 em Campo Grande. No primeiro trimestre, custava R$ 10.477, portanto, o valor baixou de um período para o outro.

Confira o valor médio por tipo de residência:

  • Residência com um dormitório – R$ 707.604,00
  • Residência Minha Casa Minha Vida com dois dormitórios – R$ 293.682,00
  • Residência com três dormitórios – R$ 1.141.120,00
  • Residência com quatro ou mais dormitórios – R$ 3.406.840,00
  • Geral – R$ 688.283,00

Fonte: Sinduscon-MS

BRASIL

De acordo com o head da Brain Inteligência Estratégica, Anderson Gonçalves, a intenção de comprar um imóvel é de 52% no Brasil – o percentual é o maior desde 2019 e atingiu a máxima histórica.

Mas dos que pretendem, 11% realmente compram. Nas regiões Centro-Oeste/Norte, 53% pretendem comprar um imóvel e 47% não pretendem.

A compra pode se concretizar em até 6 meses (8%), em até 1 ano (23%), em até 1 ano e meio (13%), em até 2 anos (24%) e acima de 2 anos (32%).

Os imóveis mais desejados pelos brasileiros são apartamento (40%), casa em rua (38%), casa em condomínio fechado (17%), terreno em condomínio aberto (3%), terreno em condomínio fechado (2%).

Os imóveis preferidos são residência para moradia (86%), residência para lazer (8%) e comercial (6%).

As motivações para compra são sair do aluguel (37%), sair da casa dos pais (15%), mudar de endereço (9%), casamento (2%), separação (1%), mais espaço (14%), mais benefícios (3%), imóvel mais novo (3%), locação (12%), revenda (1%), imóvel para familiar (2%) e residência menor (1%).

AJUDA PARA COMPRAR O PRIMEIRO IMÓVEL

Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Emha) está com 400 vagas abertas para famílias de Campo Grande que querem comprar o primeiro imóvel.

Cada beneficiário poderá receber R$ 4 mil para ajudar a pagar a entrada do financiamento.

O benefício faz parte do programa Bônus Sonho de Morar, dentro do ViraCG Habitação e é destinado a famílias com renda mensal bruta de um a cinco salários mínimos.

Os interessados têm até 30 de novembro de 2026 para solicitar o benefício. O atendimento será feito de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h, na sede da Emha, localizada na Rua Iria Loureiro Viana, nº 415, Vila Oriente.

As 400 cotas serão distribuídas por ordem cronológica de solicitação. Caso o número de interessados ultrapasse a quantidade disponível, será formada uma lista de suplentes.

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