Economia

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Sexta queda da Selic tem efeito limitado para o consumidor

Segundo os cálculos, o juro médio para as pessoas físicas passará de 118,17% para 112,92% ao ano

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O novo corte de 0,5 ponto percentual na Selic (taxa básica de juros) mantém a expectativa de menor custo de financiamentos, empréstimos, cheque especial e cartão de crédito para o consumidor nos próximos meses, mas o efeito imediato é limitado.

É a sexta redução seguida da taxa que é o principal instrumento de controle da inflação e baliza para bancos e financeiras. Contrair o crédito está menos custoso do que em 2023, quando os cortes começaram, mas diferença entre a taxa básica e os juros efetivos de prazo mais longo é grande.

A Multiplike, gestora de crédito, fez simulações sobre o efeito no curto prazo deste último corte da Selic no dia a dia do consumidor, considerando as principais modalidades de crédito usadas pelos brasileiros: compras a prazo no varejo, cartão de crédito, cheque especial, crédito direto ao consumidor para a compra de veículos e empréstimo pessoal em bancos e financeiras.

Segundo os cálculos, o juro médio para as pessoas físicas passará de 118,17% para 112,92% ao ano.

A queda da taxa Selic é importante para o consumidor final pois resulta em empréstimos e financiamentos mais acessíveis, com taxas de juros mais baixas. Isso significa que os consumidores podem obter crédito mais facilmente e com custos de financiamento reduzidos, o que deve estimular o consumo e permitir a realização de projetos como a compra de imóveis, veículos ou investimentos em educação", diz Ricardo Fagundes, CFO da gestora Multiplike.

No rotativo do cartão de crédito, por exemplo, a taxa mensal passou de 14,57% para 13,92%.

Já a compra de um eletrodoméstico de R$ 1.500 em 12 prestações vai custar cerca de R$ 27 menos no valor final com a Selic saindo de 11,25% para 10,75% ao ano.

Para as pessoas jurídicas, a taxa média de juros também cai, de 64,17% para 61,32% ao ano.

Segundo Miguel José Ribeiro de Oliveira, diretor-executivo de estudos e pesquisas econômicas da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade), este corte da Selic, isoladamente, tem pouco efeito prático no bolso do consumidor.

"É uma redução de meio ponto percentual em uma taxa em 12 meses, então, é absolutamente nada", diz.
"Mas o conjunto de reduções que nós já tivemos ao longo do tempo passa a ter um impacto importante, porque, de fato, a Selic caiu bastante durante esse período e a tendência é continuar caindo", afirma o executivo.

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central prevê uma nova redução de 0,5 ponto somente ao encontro agendado para maio, sem se comprometer a manter o mesmo ritmo de ajuste no futuro.

A Multiplike acredita que depois as próximas duas reduções serão de 0,25 ponto percentual, fechando o ano com foco em uma taxa de 9%.

Especialistas recomendam cautela com a expectativa de uma Selic em um dígito, pois nem sempre a queda reflete imediatamente em juros mais baixos em empréstimos e financiamentos.

O crédito imobiliário é o mais diretamente ligado à Selic. Ainda assim, enquanto a Selic passou de 2% para 13,75% ao ano --e agora está em 10,75%--, a taxa média do financiamento imobiliário gira em torno de 12%.

Para quem está se preparando para financiar um imóvel, Marcelo Tapai, especialista em direito imobiliário e sócio da Tapai Advogados, diz que é importante acompanhar qual a perspectiva para a Selic e para a inflação daqui para frente, já que as taxas e condições do financiamento são calculadas com base na realidade econômica e taxas de juros do momento da entrega do imóvel.

"Para quem comprou um imóvel na planta uma possível mudança na economia é um problema sério que pode inviabilizar por completo a finalização do negócio", afirma.

"Caso a Selic volte a subir no futuro, fatalmente o financiamento imobiliário custará mais caro e as parcelas serão maiores, sem que os rendimentos do pretenso comprador também tenham aumentado, e daí a conta pode não fechar."

Oliveira diz que pode ser uma boa ideia esperar um pouco mais antes de fazer um financiamento, principalmente os de valor agregado maior, como carro ou imóvel.

"Nesses financiamentos de longo prazo, de alto valor, qualquer pequena redução de juros é impactante. Como a tendência é que os juros caiam, quem deixar para fazer o financiamento mais para frente vai encontrar uma taxa de juros menor e vai pagar o financiamento todo mais barato", afirma.
 

crescimento

Empresas do agro puxam alta de recuperações judiciais

Estado registrou 38 pedidos entre produtores e empresas da cadeia, ante 25 no mesmo período de 2025

17/08/2026 07h40

Arquivo

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O agronegócio de Mato Grosso do Sul registrou forte aumento nos pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre deste ano. Foram 38 solicitações entre produtores rurais e empresas relacionadas à cadeia do setor, contra 25 no mesmo período de 2025. O crescimento de 52% em apenas um ano ficou bem acima da alta de 21,9% registrada no País, conforme os dados da Serasa Experian.

O levantamento aponta ainda que no Estado, o maior número de solicitações partiu das empresas relacionadas ao agronegócio, que concentraram 22 pedidos entre janeiro e março. O grupo representa quase 58% do total registrado em MS.

Na sequência aparecem os produtores rurais que atuam como pessoa física, com 13 pedidos, enquanto os produtores constituídos como pessoa jurídica somaram apenas três solicitações no período.

O avanço ocorre em um momento de pressão sobre o caixa do setor, com crédito mais seletivo, custos elevados de produção e maior nível de endividamento. Segundo a Serasa Experian, esses fatores continuam dificultando a capacidade de produtores e empresas de manter o equilíbrio financeiro.

Para o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, o aumento dos pedidos no início deste ano reflete problemas que já vinham afetando o setor.

“O ambiente de crédito mais seletivo, combinado à manutenção de custos elevados de produção e ao maior nível de alavancagem dos produtores, continuou afetando o fluxo de caixa no campo. Dessa forma, os pedidos voltaram a crescer no início de 2026, mas ainda não retomaram os níveis mais elevados observados em meados do ano passado”, disse e completou.

“Daqui para o meio e o fim do ano, a evolução do cenário dependerá da capacidade de geração de receita, do comportamento das margens e das condições de renegociação dos compromissos. Por isso, reforçamos que renegociar e manter um planejamento financeiro deve ser prioridade enquanto a recuperação judicial precisa permanecer como o último recurso”.

PERFIL

O principal ponto de atenção em Mato Grosso do Sul está nas empresas que integram a cadeia do agronegócio. Dos 38 pedidos contabilizados no primeiro trimestre, 22 foram feitos por esse grupo. O número coloca as empresas relacionadas ao agro como responsáveis pela maior parcela das recuperações judiciais do setor no Estado.

Em todo o Brasil, esse segmento registrou 96 pedidos no primeiro trimestre, crescimento de 18,5% em relação aos 81 registrados no mesmo período de 2025.

Entre as atividades que mais solicitaram recuperação judicial estão as agroindústrias de transformação primária, com 23 pedidos, seguidas pelas indústrias de processamento de agroderivados, com 19, e pelos serviços de apoio à agropecuária, com 15 pedidos.

No ranking nacional, Paraná, São Paulo e Mato Grosso lideraram os pedidos entre as empresas relacionadas à cadeia do agro.

O cenário mostra que a dificuldade financeira não está concentrada apenas no produtor que trabalha diretamente dentro da propriedade. Empresas responsáveis por processamento, transformação e prestação de serviços também sofrem os efeitos de um ambiente de crédito mais restritivo e de custos elevados.

Os produtores rurais que atuam como pessoa física foram responsáveis por 13 pedidos de recuperação judicial em Mato Grosso do Sul no primeiro trimestre.

O número chama a atenção porque, no cenário nacional, essa categoria apresentou queda. Foram 182 pedidos no primeiro trimestre deste ano, ante 195 no mesmo período de 2025, redução de 6,7%.

Na avaliação nacional por porte, os produtores classificados como “sem propriedades” concentraram 60 pedidos. A classificação pode incluir arrendatários ou integrantes de grupos familiares e econômicos ligados à atividade rural.

Na sequência aparecem pequenos proprietários, com 44 solicitações; grandes produtores, com 41 pedidos; e médios, com 37 solicitações.

Mato Grosso liderou a lista nacional de pedidos entre produtores pessoa física, seguido por Paraná e Goiás.
Em Mato Grosso do Sul, porém, o comportamento foi diferente da média brasileira, com 13 solicitações no primeiro trimestre.

Entre os produtores rurais constituídos como pessoa jurídica, MS registrou três pedidos de recuperação judicial entre janeiro e março. O número representa a menor participação entre os três grupos analisados no Estado.

No País, porém, esse foi o segmento que apresentou o crescimento mais expressivo. Foram 196 pedidos no primeiro trimestre deste ano, contra 113 no mesmo período do ano passado, uma alta de 73,5%.

Conforme já publicado pelo Correio do Estado, no ano passado, foram 216 pedidos de recuperação judicial no setor em MS, volume que é 118% superior ao de 2024 e 756% maior que os pedidos de recuperação judicial de 2023.

Para Frederico Poleto, diretor de ciência de dados agro na Serasa Experian, são vários os fatores que influenciam na disparada dos pedidos de recuperação judicial. Entre os motivos estão o aumento da taxa Selic e também uma mudança de mercado que resultou em queda de preços.

 “No agro, há fatores climáticos e de mercado que impactam de forma bem específica. A soja, por exemplo, teve os preços historicamente mais altos entre os anos de 2020 e 2022, com custos baixos de grãos, fertilizantes, defensivos e operacionais”, explica.

ESTRATÉGIA

A recuperação judicial permite que produtores e empresas em dificuldade financeira reorganizem suas dívidas e busquem condições para manter as atividades. No agronegócio, o mecanismo ganhou espaço diante da combinação de custos elevados, endividamento e oscilações de receita.

Para Marcelo Pimenta, entretanto, o recurso deve ser utilizado somente depois de esgotadas outras alternativas.

A recomendação da Serasa Experian é priorizar a renegociação dos compromissos e o planejamento financeiro, especialmente em períodos de maior pressão sobre o caixa.

tarifaço

Exportadores veem motivação eleitoral e criticam abertura do processo de reciprocidade

Líderes de entidades industriais entendem que o acionamento da lei de reciprocidade não deve servir como pressão adicional para forçar o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, a negociar o tarifaço

16/08/2026 23h00

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A abertura do processo de reciprocidade em resposta ao tarifaço do governo norte-americano sobre produtos brasileiros está sendo lamentada por setores exportadores da indústria. A percepção é de que a medida atende mais ao propósito do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, de fortalecer o discurso de soberania nacional, visando à reeleição em outubro, do que aos interesses das empresas que tiveram embarques ao mercado americano atingidos por sobretaxas comerciais.

Líderes de entidades industriais consultados pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) entendem que o acionamento da lei de reciprocidade não deve servir como pressão adicional para forçar o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, a negociar o tarifaço.

Também apontam que os efeitos práticos da iniciativa dificilmente ocorrerão em menos de três meses, devido às etapas do processo - aprovação de relatório, consulta pública e deliberações finais - até a eventual aplicação de contramedidas

Por isso, nos bastidores, exportadores avaliam que a abertura do processo decorreu mais de cálculos políticos do que econômicos. "Estamos em ano eleitoral, e a reciprocidade vem ao encontro do discurso de soberania. Pode ser usada nesse aspecto", comentou, em off, um dirigente da indústria.

O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, concorda que a medida pode ter sido influenciada pelas eleições. Segundo ele, a decisão do governo tende a gerar mais transtorno do que benefício nas negociações com os Estados Unidos.

"Eu preferiria que essa medida não tivesse sido tomada porque, neste momento, não estamos em condição de igualdade com os Estados Unidos. Pelo contrário, somos coadjuvantes, enquanto o outro lado é protagonista", comenta Castro.

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