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TCU vai inspecionar documentos do BC sobre liquidação do Banco Master

Análise deve levar cerca de 30 dias e resultado será encaminhado ao ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso no tribunal

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O Tribunal de Contas da União (TCU) instaurou nesta sexta-feira um processo para inspecionar os documentos que estão sob a guarda do Banco Central (BC) relacionados à liquidação do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro.

De acordo com o presidente do TCU, Vital do Rêgo, a equipe técnica da corte deverá concluir a análise em um prazo aproximado de 30 dias e encaminhar o relatório ao ministro Jhonatan de Jesus, relator do processo no tribunal.

Segundo Vital do Rêgo, mesmo durante o período de recesso, o TCU mantém servidores em regime de plantão em todas as secretarias, o que permitirá a continuidade dos trabalhos.

O presidente da corte está em João Pessoa (PB), e o retorno integral das equipes está previsto para o dia 17 de janeiro.

O presidente do tribunal explicou que o Banco Central encaminhou ao TCU uma nota técnica com os principais fundamentos que levaram à decretação da liquidação do Banco Master, mas sem anexar documentos comprobatórios.

Diante disso, o ministro relator solicitou esclarecimentos adicionais para compreender os motivos que embasaram a decisão da autoridade monetária. A inspeção tem como objetivo aprofundar a análise desse processo.

“O Banco Central entendeu que dispõe de provas suficientes para liquidar o Master. Respeitamos essa posição, mas queremos conhecer todos os fundamentos, todos os processos que compõem a liquidação, para que possamos nos posicionar”, afirmou Vital do Rêgo em entrevista ao jornal O GLOBO.

Ele acrescentou que “o Banco Central é o órgão regulador do sistema financeiro, enquanto o TCU atua como controlador de segunda ordem”.

Entre os pontos que despertaram questionamentos está a informação, presente na nota técnica do BC, de que o Ministério Público Federal foi acionado após a identificação de indícios de crimes na atuação do Banco Master.

No entanto, segundo o TCU, não foram detalhadas nem apresentadas as evidências que sustentariam essa suspeita.

A inspeção técnica, já autorizada pelo Banco Central, será conduzida por uma comissão de auditores do TCU designada pelo relator do processo.

A equipe deverá analisar a documentação diretamente na sede da autoridade monetária, em consulta presencial aos arquivos relacionados à liquidação da instituição financeira.

Relator deve aguardar conclusão da inspeção

De acordo com Vital do Rêgo, o ministro Jhonatan de Jesus deverá aguardar o encerramento dos trabalhos da área técnica antes de tomar qualquer decisão.

O prazo inicial para a inspeção é de 15 dias, podendo ser prorrogado por igual período, conforme a complexidade da análise.

No mercado financeiro, havia preocupação de que o relator pudesse conceder uma liminar suspendendo a liquidação do Banco Master, decretada em novembro, o que poderia gerar instabilidade e comprometer o pagamento, pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), de títulos de renda fixa afetados pela intervenção.

Auxiliares do ministro relator relatam, no entanto, que Jhonatan não pretende conceder liminar antes da conclusão da inspeção. Ele tem afirmado que seguirá as recomendações da área técnica do TCU e do Ministério Público junto à corte.

O relator também tem destacado, em conversas reservadas, que a intenção do tribunal é avaliar se a liquidação foi a solução mais adequada para o caso.

Um dos receios é que a venda dos ativos que compõem a massa liquidanda possa resultar em prejuízos futuros aos investidores.

O processo tramita sob sigilo no TCU por envolver dados bancários protegidos pela Constituição. Apesar do silêncio público, há divergências internas na corte sobre a condução do caso.

A abrangência das operações de Vorcaro e seus vínculos políticos tornam o tema sensível para diversas autoridades.

A atuação agressiva do Banco Master, que oferecia retornos muito acima da média de mercado, já vinha sendo vista com desconfiança desde o segundo semestre de 2024. A situação se agravou após o anúncio da venda da instituição para o Banco de Brasília (BRB), no fim de março.

Antes mesmo da conclusão das negociações, o BRB adquiriu carteiras de crédito do Master no valor de R$ 12,7 bilhões.

O Banco Central apontou problemas nessas carteiras e, em setembro, rejeitou a venda do Master para o BRB. A operação passou a ser investigada pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, e o caso acabou sendo levado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

anp

Com menor preço do país, etanol deixa de ser competitivo em MS

O menor preço médio estadual, de R$ 4,26, foi registrado em Mato Grosso do Sul, enquanto o maior preço médio foi verificado no Acre, de R$ 5,99 o litro

09/03/2026 07h45

O etanol não era competitivo em relação à gasolina em nenhum Estado na semana encerrada no sábado (7

O etanol não era competitivo em relação à gasolina em nenhum Estado na semana encerrada no sábado (7

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Os preços médios do etanol hidratado subiram em 11 Estados e no Distrito Federal (DF), caíram em outros 8 e ficaram estáveis em 7 na semana encerrada no sábado (7). Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), compilados pelo AE-Taxas.

Nos postos pesquisados pela ANP em todo o País, o preço médio do etanol caiu na comparação com a semana anterior, de R$ 4,63 para R$ 4,61 o litro (-0,43%). Em São Paulo, principal Estado produtor, consumidor e com mais postos avaliados, o preço caiu 0,45%, para R$ 4,44 o litro.

A maior alta porcentual na semana, de 2,84%, foi registrada no Distrito Federal, de R$ 4,93 para R$ 5,07 o litro. A maior queda, de 5,42%, ocorreu em Goiás, de R$ 4,98 para R$ 4,71 o litro.

O preço mínimo registrado na semana para o etanol em um posto foi de R$ 3,69 o litro, em São Paulo. O maior preço, de R$ 6,59, foi observado no Rio Grande do Sul. Já o menor preço médio estadual, de R$ 4,26, foi registrado em Mato Grosso do Sul, enquanto o maior preço médio foi verificado no Acre, de R$ 5,99 o litro.

Competitividade

O etanol não era competitivo em relação à gasolina em nenhum Estado na semana encerrada no sábado (7). Na média dos postos pesquisados no País, o etanol tinha paridade de 73,17% ante a gasolina, portanto desfavorável em comparação com o derivado do petróleo, conforme levantamento da ANP compilado pelo AE-Taxas.

Executivos do setor observam que o etanol pode ser competitivo mesmo com paridade maior do que 70%, a depender do veículo em que o biocombustível é utilizado.

Mato Grosso do Sul

Frigorífico de vice-presidente da Fiems dá novo calote em credores

Boibras é acusado de descumprir plano de recuperação judicial e acumular novos atrasos em pagamentos

09/03/2026 05h00

Dono do Boibras é o 3º vice-presidente da Fiems, e está no Conselho de Administração do Fundersul

Dono do Boibras é o 3º vice-presidente da Fiems, e está no Conselho de Administração do Fundersul Marcelo Victor

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Depois de dar um calote de mais de R$ 50 milhões em credores, entre os anos de 2023 e 2024, e entrar em processo de recuperação judicial, o Frigorífico Boibras, cujo dono é o terceiro-vice-presidente regional da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), Régis Luís Comarella, voltou a aplicar calotes, desta vez, dentro do processo que é movido na Vara Regional de Falências, Recuperações e de Cartas Precatórias Cíveis em Geral de Campo Grande.

Vários credores do frigorífico Boibras, localizado em São Gabriel do Oeste, já foram aos autos do processo de recuperação judicial reclamar do inadimplemento de pagamentos pelo frigorífico.
O maior dos inadimplementos é uma dívida de R$ 941 mil, montate do qual R$ 444 mil foram acolhidos de forma incontroversa, do produtor rural Elo Ramiro Loeff.

Também há inadimplemento no pagamento de créditos em favor de Enio Câmara Florêncio, Elso Florêncio e Lívia Teixeira Mondini.

“A recuperanda vem descumprindo as obrigações assumidas no PRJ (Plano de Recuperação Judicial), encontrando-se em atraso há mais de 90 dias com a parcela devida de novembro de 2025, em flagrante violação às condições aprovadas pelos credores e homologadas judicialmente”, sustentam os advogados dos credores da Boibras, Leandro Mendes Augusto e Viviane Lopes Moreira.

“Tal conduta evidencia inadimplemento, comprometendo a boa-fé objetiva, a segurança jurídica e a própria finalidade do plano de soerguimento”, complementam os advogados.

Os credores citados integram a classe 2: pecuaristas que levaram calote do frigorífico pertencente ao vice-presidente da Fiems, que também é presidente do Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados do Estado de Mato Grosso do Sul (Sicadems).

O dono do frigorífico, que tenta pagar os calotes aos credores há mais de dois anos, por ocupar este cargo no sindicato, é uma das pessoas que decidem o destino de mais de R$ 1 bilhão arrecadados por ano pelo Fundo de Desenvolvimento Rodoviário de Mato Grosso do Sul (Fundersul), ao lado de presidentes de outras entidades do agro, como a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) e a Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), e até mesmo do governador de MS, Eduardo Riedel (PP), além de três secretários de Estado. Eles integram o Conselho de Administração do fundo. 

O Correio do Estado também apurou que há créditos trabalhistas em atraso. Um homem e uma mulher precisaram ir ao juiz de recuperações judiciais denunciar um novo calote e, na sequência, no mês passado, o administrador judicial José Eduardo Chemin Curi informou que haviam sido pagos R$ 28 mil aos dois credores.

“Drible” na União

O calote inicial em todos os credores que motivou a abertura da recuperação judicial, de R$ 55 milhões, é menos de um quarto do valor devido pelo frigorífico em impostos e contribuições federais.

O plano de recuperação judicial, contudo, acabou sendo homologado pela Justiça de Mato Grosso do Sul mesmo com uma dívida de R$ 220 milhões com a União.

A tentativa de “driblar” o Fisco federal pela Boibras foi noticiada pelo Correio do Estado no ano passado. Depois disso, o frigorífico abriu uma negociação com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para negociar a dívida federal. Se isso não fosse feito, todo o processo de recuperação judicial em andamento corria o risco de anulação.

A expectativa é de que a Boibras apresente as certidões – negativa ou positiva com efeito de negativa – de débitos com a União no processo que tramita na Justiça de Mato Grosso do Sul ainda neste semestre. Caso contrário, todo o processo pode ser anulado, conforme decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), que, em julho do ano passado, havia dado prazo de 90 dias para a Boibras regularizar essa pendência com o Fisco federal.

Frigorífico 2 em 1

Mas a estrutura onde opera o Boibras, em São Gabriel do Oeste, também abriga outro frigorífico, que não tem uma dívida de R$ 55 milhões e opera de forma “mais saudável”, até que se prove o contrário.

A planta da Boibras também abriga uma unidade da BMG Foods, empresa que se gaba, em sua página na internet, de ser o terceiro maior grupo frigorífico do Brasil, atrás apenas da JBS e da Minerva Foods.

O endereço dos dois frigoríficos é praticamente o mesmo. Os números de CNPJ são diferentes, mas os abates ocorrem na mesma estrutura. Formalmente, os endereços só não são idênticos porque o frigorífico Boibras está localizado no km 606 da BR-163, enquanto a BMG Foods está no km 606 da BR-163, nas salas 1, 2 e 3.

No Brasil, a BMG Foods é herdeira do grupo Torlim, rede de frigoríficos que deixou um rastro de dívidas com o Fisco federal antes de sair de cena no País.

No Paraguai, alguns dos proprietários do Torlim continuaram operando, por meio do Frigorífico Concepción. Em 2021, voltaram ao Brasil como BMG Foods.
 

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