Cidades

Relato

"Seis anos de humilhação"; o relacionamento com o ex-vereador que terminou em medida protetiva

Marcado por traições, controle e manipulação, mulher passou seis anos em um relacionamento com médico e diretor-presidente da FUNESP que resultou em medida protetiva neste sábado (7)

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Alvo de medida protetiva no âmbito da Lei Maria da Penha de proteção à mulher, o diretor-presidente da Fundação Municipal de Esporte, Sandro Benites, estaria vivendo um relacionamento há seis anos com uma mulher marcado por manipulação, controle emocional, humilhação e ameaças, além de ter causado prejuízos pessoais e profissionais ao longo dos anos. 

De acordo com fontes ouvidas pelo Correio do Estado, o relacionamento entre Sandro e a mulher começou quando o político retornou a Campo Grande para disputar as eleições a vereador. Na época, ele teria afirmado que estava casado, mas separado de corpos, ou seja, mantinha o relacionamento com a esposa apenas para cunho político. 

A mulher trabalhava há oito anos na Câmara Municipal de Campo Grande e chegou a ser assessora do então presidente da Casa. Após três anos de relacionamento com Benites, ela teria sido alertada pelo chefe que o vereador iria usá-la, destruí-la e a deixar sem nada. 

Por causa do relacionamento, ela chegou a ser retirada da equipe e foi mandada embora quando o presidente deixou o cargo. 

Anos depois, a mulher retornou à Câmara, mas foi exonerada novamente na última segunda-feira (2) após confrontar Benites sobre sua viagem a Dubai. 

“Eu perdi salário, posição, respeito. Tive problema com o meu filho dentro de casa que não aceitava a minha situação.Tudo o que você pensar, eu passei. E há muito tempo eu tenho tentado sair desse relacionamento. Mas ele tinha um poder de manipulação muito forte com relação a mim”, afirmou a vítima. 

Controle e isolamento

Segundo a vítima, os três primeiros anos de relacionamento foram um eterno romance. Após esse período, as situações de controle sobre sua rotina e relações sociais se tornaram mais frequentes e abusivas. 

Havia cobranças frequentes quando saía com amigos ou participava de eventos sociais. Era proibida de sair com amigas, sob a ameaça de término e desconfianças. 

“Eu fui no aniversário de uma amiga. Quando ele descobriu que eu estava lá, ele veio pra frente do prédio e falou ‘vamos embora pra sua casa’. Fez eu sair do meio da festa. Eu não saí de casa. Eu não tinha vida”, contou à reportagem. 

Ao mesmo tempo, a mulher descobria uma série de traições envolvendo o ex-vereador e várias outras mulheres. Foram, pelo menos, cinco casos, incluindo colegas de trabalho.

Em um episódio, foi flagrado na cama com uma das jovens com quem trabalhava na Secretaria de Esporte, que foi transferida para atuar na Casa da Mulher Brasileira após o ocorrido. 

Conforme apurado pela reportagem, Sandro também estaria envolvido em outro relacionamento há 16 anos com uma mulher, com quem tem um filho de 9 anos. 

O episódio de Dubai

Segundo relatado ao Correio do Estado, Benites se preparava para a viagem a Dubai há três meses. Ele teria dito à companheira que se tratava de uma viagem com o grupo Legendários, o qual ele faz parte. 

No entanto, desconfiada sobre o real propósito da viagem, a mulher o seguiu até o aeroporto de Campo Grande, onde o viu saindo do carro com sua atual esposa e seu filho. Naquele momento, teria ficado claro que ele não estaria separado, como sempre afirmou. 

Após o flagra, a mulher terminou o relacionamento através de uma mensagem de texto. 

Cinco dias após o ocorrido, ela foi exonerada de seu emprego na Câmara, quando afirmaram que não a manteriam mais no time e que não haviam conseguido um retorno do secretário de esportes. Por isso, prosseguiriam com a demissão. 

Medida protetiva

Ao retornar de sua viagem a Europa, após ficar retido em Dubai em decorrência dos bombardeios causados pela guerra entre Irã e Estados Unidos, Benites teria ido à casa da mulher e entrado enquanto ela dormia. 

Ao chegar, a acordou e iniciou uma discussão, sendo ridicularizada por não conseguir “segurar o emprego”, por suas dificuldades financeiras e até mesmo, suas relações familiares. Ele também teria tentado apagar as conversas entre os dois no celular da vítima. 

De acordo com relatos, ele ficou aproximadamente duas horas na casa da mulher, proferindo xingamentos e ridicularizações como “você não tem nada”, “você não é nada”, “eu quero acabar com você”. 

Após o episódio, a vítima procurou a Delegacia de Atendimento à Mulher para registrar boletim de ocorrência por violência psicológica, como orientada por seu advogado.  

Este não teria sido o primeiro episódio de ameaça e violência psicológica. Em outra discussão, quando a mulher teria ido questioná-lo sobre um caso que ele estaria tendo, Benites teria dito “você não vai fazer escândalo, porque se fizer, eu vou dar um tiro na sua cabeça”. 

A medida protetiva foi expedida neste sábado (7), na véspera do Dia Internacional da Mulher. Com a decisão, Benites está proibido de se aproximar da vítima, seus familiares e testemunhas do caso, bem como tentar qualquer tipo de contato com eles, sob pena de prisão e outras medidas cautelares. 

“Agora eu estou desempregada, sem casa, sem moral e me sentindo humilhada pela pessoa que dormiu comigo e dizia que me amava”, disse. 

Sandro Benites não se pronunciou sobre o assunto. 


 

Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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