O levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgado nesta segunda-feira (9) mostrou que o valor da cesta básica em Campo Grande no mês de fevereiro de 2026 corresponde a 4,4 dias de trabalho, levando em consideração o valor do salário mínimo de R$ 1.621.
Isto é, os trabalhadores remunerados com o pagamento mínimo brasileiro precisam trabalhar o equivalente a 105 horas e 54 minutos para comprar os alimentos básicos.
Em janeiro de 2026, o tempo de trabalho necessário para a compra da cesta era de 106 horas e 19 minutos, também equivalente a 4,4 dias de trabalho, não havendo uma redução significativa na comparação entre os meses.
Na comparação ao mesmo mês (fevereiro) em 2025, a redução foi de 6 horas, quando chegou a 112 horas e 10 minutos de trabalho, com o salário mínimo a R$ 1.518.
O preço da cesta básica também apresentou uma leve retração de janeiro a fevereiro. A cesta custou, no segundo mês do ano, R$ 780,29, uma queda de 0,40% em relação ao primeiro mês, quando custou R$ 783,41.
Mesmo assim, o valor do conjunto comprometeu, em média, 52,04% da renda do trabalhador. Em janeiro, este percentual correspondeu a 52,25% na renda líquida. Em fevereiro do ano passado, o valor chegou a 55,12%.
No acumulado do ano, de fevereiro de 2025 a fevereiro de 2026, o valor registrou alta de R$ 0,82%.
Entre janeiro e fevereiro deste ano, nove dos 13 produtos que fazem parte da cesta básica tiveram redução nos preços:
- Tomate (-9,23%);
- Batata (-5,12%);
- Óleo de soja (-3,65%);
- Leite integral (-3,40%);
- Banana (-3,10%);
- Açúcar cristal (-1,74%);
- Farinha de trigo (-1,35%);
- Manteiga (-1,31%); e
- Café em pó (-0,02%).
Os outros itens apresentaram elevação de preço:
- Feijão carioca (22,05%);
- Arroz agulhinha (3,48%);
- Pão francês (0,89%); e
- Carne bovina de primeira (0,63%).
Cenário nacional
O custo da cesta básica aumentou em 14 capitais brasileiras e diminuiu em outras 13 entre janeiro e fevereiro de 2026. As maiores altas ocorreram em Natal (3,52%), João Pessoa (2,03%), Recife (1,98%), Maceió (1,87%), Aracaju (1,85%), Vitória (1,79%), Rio de Janeiro (1,15%) e Teresina (1,07%).
O maior custo foi o de São Paulo, onde a cesta básica chegou a custar R$ 852,87, seguido pelo Rio de Janeiro (R$ 826,98), Florianópolis (R$ 797,53) e Cuiabá (R$ 793,77).
Levando em conta o custo mais caro, de São Paulo, e a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas do trabalhador e de sua família, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas no Brasil deveria ter sido de R$ 7.164,94, valor 4,42 maior que o atual, de R$ 1.621.


