Depois de surpreender em 2024, a seleção brasileira feminina de futebol tenta transformar o bom momento em consistência. O ciclo seguinte foi de afirmação em 2025, e o planejamento agora mira em novos avanços neste ano, com o objetivo central de chegar forte à Copa do Mundo de 2027, que será disputada no Brasil.
A medalha de prata conquistada nos Jogos Olímpicos de Paris, no ano passado, não estava nos planos mais otimistas. O Brasil não figurava entre os favoritos e só avançou ao mata-mata graças a uma combinação de resultados, mesmo tendo perdido duas das três partidas da fase inicial. A partir dali, porém, o desempenho mudou de patamar.
Na fase eliminatória, a equipe superou a França diante de sua torcida, aplicou uma goleada de quatro gols na então campeã mundial Espanha e criou diversas oportunidades na decisão contra os Estados Unidos. Hoje, diante de uma competição internacional de grande porte, o Brasil já não seria tratado como surpresa.
O ano passado serviu para consolidar esse novo status. A seleção conquistou a Copa América – com dificuldades, mas dentro do esperado – e obteve resultados relevantes contra algumas das principais potências do futebol feminino.
A projeção para este ano é seguir evoluindo para chegar em condições ideais ao Mundial de 2027, que terá pela primeira vez o País como sede.
“Tivemos um ano melhor do que o anterior. Colocamos novamente o Brasil como uma das principais seleções e fomos mais consistentes, com vitórias expressivas e inéditas”, avaliou o técnico Arthur Elias, sobre 2025.
Entre esses resultados inéditos está a vitória por 2 a 1 sobre os Estados Unidos, em abril do ano passado, em San Jose, na Califórnia. O triunfo encerrou um jejum que durava desde 2014 e marcou a primeira vez que as brasileiras venceram as norte-americanas jogando em território adversário, após 11 derrotas em 11 visitas.
A campanha de 2025 terminou com 10 vitórias, dois empates e três derrotas, além de 39 gols marcados e 18 gols sofridos. Entre os triunfos, destaque para a vitória sobre a Inglaterra, atual campeã europeia.
Os empates ocorreram diante da Colômbia, um na fase inicial da Copa América e outro na fase final, decidida nos pênaltis após empate por 4 a 4, com participação decisiva de Marta. As derrotas vieram em amistosos contra Estados Unidos, França e Noruega.
“Não gostei das derrotas que tivemos, principalmente contra Estados Unidos e Noruega. Não jogamos nosso futebol. A derrota para a França eu coloco num lance de VAR”, afirmou Arthur Elias, que se mostrou satisfeito com o modelo ofensivo implementado, responsável por uma média de 2,6 gols por partida.
“A seleção precisava fazer mais gols, estava faltando isso para o Brasil. Podemos mudar o sistema tático, mas a identidade não muda. A equipe hoje tem mais repertório”, completou o treinador, que passou a utilizar o esquema 3-4-3 como base.
Outro ponto ressaltado foi a combinação entre juventude e experiência. Enquanto Marta, aos 39 anos, segue decisiva, novos nomes ganharam protagonismo, como a atacante Amanda Gutierres, de 24 anos, artilheira da Copa América e negociada pelo Palmeiras com o Boston Legacy, dos Estados Unidos, por US$ 1,1 milhão, valor recorde no futebol feminino nacional.
Durante esse processo de consolidação, o Brasil chegou a ocupar a quarta colocação no ranking da Fifa e encerrou a temporada em sexto lugar. Em 2026, a equipe disputa a Finalíssima contra a Inglaterra, reunindo as campeãs sul-americana e europeia, em março, com local ainda indefinido.
A preparação para esse confronto e para os demais compromissos do calendário servirá como etapa final rumo à Copa do Mundo de 2027. Para Arthur Elias, ainda há margem para crescimento, mas a seleção já não pode mais ser vista como incógnita.
“Se a Copa fosse hoje, estaríamos prontos.”
*Saiba
A Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027 será realizada no Brasil entre 24 de junho e 25 de julho de 2027.
Serão oito cidades-sede: Belo Horizonte (Estádio Mineirão), Brasília (Estádio Nacional), Fortaleza (Arena Castelão), Porto Alegre (Estádio Beira-Rio), Recife (Arena de Pernambuco), Rio de Janeiro (Estádio do Maracanã), Salvador (Arena Fonte Nova) e São Paulo (Arena Itaquera).
Time do Naviraiense estreou com derrota na Copinha 2026 - Foto: Reprodução/Matheus Dahsan

