Filosofia

A reflexão de Sêneca: "Não é que tenhamos pouco tempo, mas que desperdiçamos muito dele"

Filósofo estoico viveu entre 4 a.C. e 64 d.C.

Lúcio Aneu Sêneca, filósofo estoico que viveu entre 4 a.C. e 64 d.C., deixou uma reflexão marcante sobre como os homens lidam com a finitude da existência.

A frase que resume essa ideia — "Não é que tenhamos pouco tempo, mas que desperdiçamos muito dele" — tornou-se central em sua crítica ao comportamento humano e à forma como as pessoas administram o tempo.

O pensador romano apresentou essa reflexão no tratado "Sobre a brevidade da vida" (De brevitate vitae), escrito em 55 d.C. Estruturado como diálogo ou carta filosófica, o texto buscava persuadir Paulino, alto funcionário romano. E prefecto da anona, responsável pelo abastecimento de grão de Roma, a abandonar as preocupações da vida pública e dedicar-se ao cultivo da alma.

O tempo como recurso irrecuperável

Sêneca encarava o tempo como um bem finito e não renovável, diferente de qualquer outro recurso. Enquanto os homens protegiam sua fortuna e posses materiais com cuidado obsessivo, descuidavam-se completamente do bem mais precioso: as horas que lhes restavam. Sêneca via uma contradição no comportamento humano: os homens gastavam somas vultosas para proteger o patrimônio, mas negligenciavam o próprio tempo.

Para Sêneca, a natureza havia agido com generosidade ao distribuir a vida, mas a conduta pessoal de cada um a encurtava. Essa ideia se alinhava ao pensamento estoico sobre virtude, percepção do tempo e presença atenta ao momento vivido.

Na passagem mais célebre da obra, Sêneca afirmava que a vida fora dada em abundância para a realização das mais altas empresas, desde que fosse bem empregada.

As distrações que roubam a vida

Sêneca identificou um mal específico em sua época: a "ocupação vazia". Criticava os occupati — pessoas permanentemente atarefadas, mas consumidas por assuntos triviais que não contribuíam para seu desenvolvimento pessoal.

O filósofo organizou essas distrações em categorias distintas: a ambição política e social. O acúmulo desenfreado de riquezas, os prazeres hedonistas, a busca de vaidade estética, a procrastinação e a dependência de planos a longo prazo.

A tese do pensador romano ganha atualidade no contexto digital. Em meio à saturação de informação e às interfaces projetadas para prender a atenção, o desperdício de tempo denunciado por Sêneca ressoa no consumo passivo de conteúdo online.

Sêneca apontava que o maior impedimento para viver plenamente era a preocupação constante com o amanhã, que desvia o foco do único instante realmente disponível: o presente.

Fortuna

Idoso de 71 anos trabalhou como catador de lixo por 20 anos antes de descobrir fortuna de R$ 300 mil

Antes de se tornar catador, ele trabalhou 30 anos em uma loja estatal.

06/10/2026 15h13

Foto: abs bob/Pexels

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Um homem de 71 anos na China passou mais de duas décadas coletando lixo nas ruas sem saber que acumulava uma fortuna em benefícios de aposentadoria. A descoberta ocorreu em 2024, quando assistentes sociais o encontraram vivendo em um prédio abandonado e o levaram a um abrigo.

Ao fornecer seus dados pessoais no abrigo, Ru — identificado pelo sobrenome — soube que tinha direito a pensões desde 2015, quando atingiu a idade legal de aposentadoria na província de Hunan. O valor acumulado chegava a mais de 420 mil yuans, equivalente a aproximadamente R$ 312 mil.

Trajetória de dificuldades financeiras

Antes de se tornar catador, Ru trabalhou 30 anos em uma loja estatal. No início dos anos 2000, perdeu o emprego e recebeu uma indenização, mas gastou tudo. Endividado e sem contato com a família, passou a coletar lixo para sobreviver nas ruas chinesas.

Ru presumia que precisaria pagar contribuições de seguro de vida por muitos anos antes de ter direito a qualquer benefício. As dificuldades financeiras impediram que fizesse esses pagamentos, e ele desconhecia que já podia receber a aposentadoria.

Renda mensal e planos para o futuro

A pensão de Ru é de aproximadamente 3.700 yuans por mês, o equivalente a cerca de R$ 2.753. Como não recebeu pagamentos por pelo menos dez anos, desde 2015, o total acumulado superou 420 mil yuans.

Com a descoberta, o idoso planeja alugar um apartamento em Changde e revisitar sua cidade natal, Zhuzhou, realizando desejos que pareciam impossíveis enquanto vivia nas ruas.

Curiosidades

Enquanto população brasileira é de 214 milhões, ilha da Espanha tem mais gatos do que pessoas

Nueva Tabarca é a menor ilha habitada do país.

06/10/2026 14h39

Foto: Mikhail Nilov/Pexels

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Perto de Alicante, na costa espanhola, fica Nueva Tabarca, uma faixa de terra de 1.800 metros de comprimento onde moram cerca de 50 pessoas — número bem menor que o de gatos que circulam por lá. 

A título de comparação, a população brasileira é estimada em 214,2 milhões de habitantes, conforme os dados oficiais divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ofuscada pela popularidade das Baleares, Nueva Tabarca é a menor ilha habitada do país, e seu passado remete a três continentes diferentes.

No trecho mais largo, a ilha chega a 400 metros, e essa escala reduzida ajudou a mantê-la afastada do avanço imobiliário que alterou outras partes da Costa Blanca. Embora pertença administrativamente a Alicante, a ilha recebe visitantes diariamente por meio de embarcações com casco transparente que partem do porto pesqueiro de Santa Pola.

A origem do nome remete a uma história iniciada do outro lado do Mediterrâneo, na costa da Tunísia. A ligação com o norte da África e a Itália ainda molda os costumes do pequeno povoado espanhol.

Dois terços do território permanecem intocados e pouco explorados, e desde 1986, quando a ilha se tornou a primeira reserva marinha da Espanha, essa área funciona como refúgio para a vida marinha.

De Tabarka a Nueva Tabarca

O prefixo "Nueva" no nome não é por acaso. Entre 1500 e 1800, a antiga ilha de Tabarka, na costa tunisiana, era rica em coral vermelho, um produto de alto valor comercial na época.

No século XVI, a família genovesa Lomellini obteve autorização dos governantes locais para explorar o coral. A comunidade formada ali reuniu 2 mil habitantes em meados do século XVIII, em sua maioria de origem genovesa.

O ataque que mudou tudo

Forças do Bei de Túnis invadiram a ilha original em 1741, escravizaram parte dos moradores e espalharam pânico pelo Mediterrâneo ocidental. Os reis da Espanha ofereceram abrigo aos sobreviventes e pagaram resgates para libertar os capturados.

Os sobreviventes que conseguiram fugir foram reassentados numa ilha árida batizada de Illa Plana, que recebeu o nome de Nueva Tabarca em homenagem à terra deixada para trás. Engenheiros militares projetaram um traçado urbano inspirado nas ideias iluministas da época, com ruas retas que convergem para uma praça central, e o desenho ainda é visível.

Uma muralha erguida ao redor do povoado servia de proteção contra ataques frequentes de piratas. Nem todo o grupo tabarquino seguiu para a Espanha: parte buscou refúgio na Sardenha, região em que foram acolhidos por determinação do rei Carlo Emanuele III de Savoia nas ilhas de San Pietro e Sant'Antioco, origem das vilas de Carloforte e Calasetta.

Descendentes mantêm tradições vivas

Os descendentes espalhados entre Espanha e Itália ainda falam o dialeto "tabarquino". Esse laço entre as três comunidades motivou iniciativas recentes de reaproximação cultural.

Representantes das comunidades tabarquinas se encontraram em Pegli, perto de Gênova, em 2024, reunindo cerca de 75 pessoas em torno das raízes comuns. Entre os participantes, chegou a surgir a proposta de levar a trajetória tabarquina ao reconhecimento da Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial.

Carmen Martí e José Manuel Pérez integram essa comunidade e preservam uma história que une Tunísia, Itália e Espanha em uma pequena ilha do Mediterrâneo.

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