O Nubank passou a oferecer aos correntistas a chance de concorrer a prêmios em dinheiro por meio de sorteios. Na última quarta-feira (23), a fintech lançou uma nova fase do NuCoin, seu programa de recompensas sem custo, agora estruturado em cinco níveis de relacionamento.
Os clientes elegíveis passam a acumular um número da sorte para cada R$ 100 gastos no cartão, e esses números concorrem a prêmios em dinheiro distribuídos em sorteios de periodicidade semanal, mensal e trimestral. O programa deixa de funcionar apenas por acúmulo de pontos e passa a incorporar também jogos, missões e experiências presenciais, aproximando-se de uma dinâmica de loteria.
Como fica a régua de benefícios
Quem atinge o quarto nível do programa passa a ter acesso a uma Caixinha Turbo cujo rendimento chega a 115% do CDI. No quinto e último patamar, a recompensa deixa de ser financeira e passa a valer ingressos e vivências dentro do Nubank Parque.
A mistura dificulta medir quanto cada usuário efetivamente ganha: parte do prêmio tem valor certo, como o rendimento da Caixinha, enquanto outra depende da sorte, como os sorteios em dinheiro. Recompensas fixas e chances aleatórias dividem o mesmo programa.
Fim da negociação do token
A reformulação também muda a natureza do NuCoin. A companhia descontinuou a negociação da criptomoeda e converteu o ativo, que agora só pode ser trocado por benefícios dentro da plataforma, conforme apurou o Estadão.
A fintech testa uma versão do token registrada em blockchain, mas sem espaço para especulação em nenhuma plataforma externa. A ideia é incorporar aos poucos outras ações além das compras, como pagar contas em dia e compartilhar dados via Open Finance.
Fidelidade real ou comportamento induzido
Pagar a fatura em dia, usar o aplicativo com frequência e contratar outros produtos são sinais de proximidade, mas não garantem apego à marca por si só. Um usuário pode repetir esses gestos simplesmente porque existe uma recompensa amarrada a eles.
A dúvida que fica é se essa permanência resistiria à ausência do prêmio. Se outra instituição apresentar uma condição mais vantajosa, o comportamento pode migrar junto com o benefício, revelando que o vínculo era com a recompensa, não com a marca escolhida.
O capital emocional já construído
Antes de qualquer sorteio ou Caixinha Turbo, a empresa já havia formado uma base de usuários que se identifica com a marca. Essa proximidade nasceu de uma proposta simples, voltada a um público que enfrentava barreiras para conseguir crédito.
É esse território de afeto construído ao longo dos anos que sustenta a aposta em jogos, missões e sorteios como forma de recompensa. Transformar gasto em ficha de loteria testa se esse carinho resiste quando o critério de ganho deixa de ser proporcional ao esforço de quem participa.
Uma disputa que também mudou
A fintech deixou de ser a alternativa radical às instituições tradicionais e ampliou seu portfólio. Enquanto isso, os grandes bancos simplificaram produtos, digitalizaram serviços e passaram a disputar com as fintechs experiência, benefícios e relacionamento.
Gostar do Nubank não garante que o cliente vá tolerar para sempre um retorno modesto só porque ele chega embrulhado em uma dinâmica divertida ou na chance de ganhar algum prêmio. A gamificação pode aumentar o engajamento, mas não substitui o retorno esperado pela fidelidade.



