Feitos da natureza

Ave mergulha no mar a 112 km/h, e seus ossos do pescoço absorvem grande parte do impacto

Além disso, a ave voa a cerca de 30 metros de altura

Gansos-do-norte conseguem se lançar ao mar a 112 quilômetros por hora sem quebrar o pescoço — um feito que desafia a lógica da biomecânica. Pesquisadores da Universidade de Washington descobriram que as vértebras cervicais das aves têm uma estrutura incomum, com uma articulação extra que funciona como mecanismo de proteção.

A ave voa a cerca de 30 metros de altura, avista um cardume de peixes, mergulha em alta velocidade e atinge a superfície a cerca de 70 milhas por hora. Esse comportamento é rotina para a espécie, apesar do impacto sofrido pelo corpo.

Bart Boom, pesquisador em pós-doutorado do laboratório de Friday Harbor da universidade, explicou ao Earth que a equipe busca compreender o que torna os gansos tão bons em mergulhar. Segundo ele, analisar a biologia dessas aves ajuda a entender como sobrevivem a esses impactos.

Ossos curtos e quadrados para resistir ao impacto

O pescoço de um ganso-do-norte possui 15 vértebras empilhadas em uma leve curva em S. À primeira vista, essa estrutura parece frágil para um pássaro que mergulha de cabeça para baixo em velocidade extrema. A análise mostrou que as aves que mergulham em alta velocidade têm vértebras muito mais robustas.

"Elas são mais espessas, mais largas e também mais curtas — com formato mais semelhante ao de um quadrado", descreveu Megan Vandenberg, autora principal do estudo e aluna de pós-graduação em biologia, ao Earth.

Na biomecânica, um pescoço alongado dificulta a resistência a forças de alto impacto. Quanto maior o comprimento, maior o momento de flexão e a inércia — fatores que tornam a coluna cervical vulnerável a lesões por flambagem durante a desaceleração rápida. A estrutura quadrada, porém, distribui melhor o impacto pelas vértebras.

 

Comparação com outras espécies mergulhadoras

Nem todas as aves que mergulham possuem essa adaptação extrema. Gansos e atobás (família Sulidae) são os únicos pássaros marinhos que mergulham em alta velocidade — os únicos da sua família a fazer isso. Outros mergulhadores, como martins-pescadores, trincas e tentilhões-tropicais, também praticam o mergulho, mas em velocidades bem menores, entre 22 e 25 milhas por hora.

Estudos anteriores já tinham demonstrado que os músculos ao redor do pescoço de um ganso travam as vértebras no lugar antes do impacto. Porém, poucos pesquisadores tinham examinado a forma dos ossos em si. O trabalho atual preencheu essa lacuna ao analisar a estrutura esquelética.

Método de análise: tomografia computadorizada de precisão

A equipe utilizou 15 esqueletos secos de adultos do Museu de História Natural e Cultura Burke. O estudo comparou vértebras cervicais em cinco espécies de mergulhadoras de alta velocidade e duas espécies que não mergulham. Os mergulhadores rápidos incluem gansos-do-norte, gansos-australianos e atobás-de-pé-vermelho, enquanto os mergulhadores lentos eram dois martins-pescadores.

As aves de comparação foram o cormorão-de-crista-dupla e a aninga, que perseguem peixes debaixo d'água com os pés.

As vértebras de cada espécime foram conectadas a um fio e inseridas em um tubo de ácido poliláctico impresso em 3D para escaneamento. A equipe usou um tomógrafo micro-CT do Centro de Imagem Bio Karel F. Liem, nos laboratórios, para escanear os tubos, e o aparelho constrói um modelo tridimensional a partir de várias fatias finas de raio-X.

Os pesquisadores tomaram 10 medidas de comprimento e dois ângulos em cada vértebra cervical, além de colocar 16 pontos de referência em cada uma. Somaram-se também dados publicados de 14 aves adicionais, incluindo uma avestruz, uma quivi e um pinguim-real.

Vandenberg informou ao Earth que as aves que giram a cabeça de um lado para o outro ou a movem de frente para trás diferem daquelas que usam a cabeça em compressão.

A articulação extra que faz a diferença

A diferença mais clara surgiu no topo do pescoço. Gansos e atobás — os mergulhadores mais extremos — possuem uma superfície articular adicional no arco dorsal das vértebras cervicais anteriores, que aparece da segunda à sexta vértebra.

Essa estrutura extra funciona como um amortecedor de impacto, distribuindo as forças compressivas ao longo da coluna vertebral. E permitindo que a ave resista aos choques violentos de cada mergulho sem sofrer lesões.

Essa descoberta revela como a evolução moldou a biologia dos gansos para um comportamento de caça extraordinário: mergulhadores especializados desenvolveram ossos curtos. E quadrados, com articulações adicionais — uma configuração que transforma o que seria uma fragilidade biomecânica em um mecanismo robusto de proteção.

Curiosidades

No coração do deserto australiano, Coober Pedy abriga uma população que desafia a convencionalidade

A origem dessa ocupação peculiar remonta a 1915.

17/10/2026 11h49

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No coração do deserto australiano, Coober Pedy abriga uma população que desafia a convencionalidade ao construir suas casas escavadas na terra, fugindo das temperaturas abrasivas que castigam quem fica acima do solo. O que começou como solução prática para o calor transformou-se numa cidade única, onde quartos, salas, cozinhas, igrejas, hotéis e restaurantes existem dentro de cavernas.

A origem dessa ocupação peculiar remonta a 1915, quando garimpeiros descobriram opalas na região e atraíram pessoas de longe com a promessa do enriquecimento através da mineração.

À medida que aprofundavam a busca por pedras preciosas. Os trabalhadores perceberam que os buracos deixados pelas escavações ofereciam refúgio natural contra o calor extremo do deserto, transformando antigos poços de mineração em habitações permanentes.

A descoberta acidental de um lugar diferente

A fotógrafa chilena Tamara Merino chegou a Coober Pedy por acaso durante uma viagem pelo deserto — um pneu furado forçou ela e seu companheiro a parar e explorar a região. Ao avistarem placas anunciando bares e restaurantes subterrâneos, os dois resolveram investigar, curiosos para conhecer uma cidade que tinha boa parte de sua vida escondida abaixo da terra.

Durante a exploração, Merino conheceu Gaby, uma alemã que vivia no local com seu marido Jürgen, um minerador. Através do casal, a fotógrafa entendeu como funcionava a rotina diária dos moradores. E teve a oportunidade de visitar uma mina de opalas em funcionamento, documentando um modo de vida radicalmente diferente do que se vê em cidades convencionais.

A busca interminável por riqueza e o custo do sonho

Moradores de Coober Pedy podem passar anos ou até décadas procurando uma pedra capaz de transformar suas vidas financeiras, mas o sucesso não é garantido. Algumas opalas alcançam valores elevados conforme suas características, porém encontrá-las exige paciência extrema, trabalho constante e investimento significativo em máquinas e equipamentos.

Um minerador conhecido por Tamara trabalhava havia cerca de 20 anos nas paredes da própria casa subterrânea, continuando sua busca por novas pedras preciosas com esperança persistente. Os gastos com maquinário frequentemente consomem grande parte do dinheiro obtido com a venda das opalas encontradas, tornando a mineração um empreendimento arriscado onde ganhos são incertos e sacrifícios são reais.

Uma paisagem que desafia a imaginação

Além das habitações subterrâneas, a paisagem de Coober Pedy impressiona pela vastidão de montes de terra. Antigas minas abandonadas e um terreno árido e seco que se estende por quilômetros ao redor do povoado.

O cenário é tão distinto e otherworldly que serviu como locação para produções cinematográficas, capturando a atenção de cineastas em busca de ambientes visualmente impactantes e autênticos.

Curiosidades

Cidade onde há mais cães do que crianças quer criar imposto para quem tem cachorro

Prefeito sugeriu que donos de pets façam uma contribuição voluntária.

17/10/2026 10h05

Foto: Bence Szemerey/Pexels

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Um município da Lombardia, na Itália, tem quase três cães para cada criança — e decidiu transformar esse desequilíbrio em debate público. Em San Giorgio su Legnano, uma localidade de 6.800 habitantes, vivem cerca de 280 crianças contra aproximadamente 850 cachorros registrados.

Diante desse contraste, o prefeito Claudio Ruggeri sugeriu que donos de pets façam uma contribuição voluntária de 20 euros para ajudar a bancar serviços voltados à infância. A proposta surgiu num país que enfrenta queda sustentada na taxa de natalidade, cenário que pressiona prefeituras a buscar alternativas de arrecadação para sustentar escolas e creches.

Contribuição voluntária, não imposto formal

Apesar de ter circulado como "imposto aos cães" em veículos locais, o próprio prefeito fez questão de esclarecer que não existe obrigação nem cobrança oficial prevista. A ideia é apelar ao senso comunitário dos moradores e juntar recursos que aliviem gastos hoje concentrados nas famílias com filhos pequenos.

O texto com a proposta foi publicado no boletim da prefeitura e trouxe uma frase que provocou reação imediata: segundo Ruggeri, um labrador não vai pagar a aposentadoria de ninguém. A frase buscava chamar atenção para o envelhecimento populacional e suas possíveis consequências econômicas adiante.

De onde veio a ideia da taxa

A proposta nasceu de um problema prático enfrentado pela gestão municipal. No último ano, a prefeitura precisou elevar de 6 para 7 euros o valor dos vales de merenda escolar para cobrir os custos do serviço. Aumento que pesou no orçamento de diversos lares ao longo dos meses.

Pai de três filhos e dono de dois gatos, aos 58 anos o prefeito afirma ter percebido de perto as dificuldades enfrentadas por quem cria crianças na região. Foi esse contato direto que o levou a pensar em pedir colaboração aos donos de animais de estimação.

Quanto a arrecadação poderia render

A conta é simples: se cada um dos 850 cães do município tiver seu dono contribuindo com 20 euros, o total arrecadado giraria em torno de 17.000 euros. Não é valor suficiente para resolver sozinho a crise demográfica italiana, mas pode representar um alívio real para quem mais precisa.

Entre os destinos possíveis para esse dinheiro, o gestor citou o reforço de benefícios ligados ao indicador ISEE, usado na Itália para medir a renda das famílias. Além da redução no preço da merenda escolar para quem tem menor poder aquisitivo.

O debate, segundo o prefeito, não busca opor quem tem filhos a quem prefere a companhia de animais. A proposta tenta abrir uma conversa sobre como repartir recursos da comunidade num momento em que nascem cada vez menos bebês e os custos de criar uma criança continuam subindo.

Como a contribuição dos donos de pets aliviaria as famílias com filhos

A mecânica é direta: se os 850 donos de cães do município contribuíssem 20 euros cada um, seriam arrecadados cerca de 17 mil euros. Esse dinheiro não resolveria sozinho a crise demográfica, mas poderia ser aplicado de duas formas específicas. A primeira é reforçar benefícios ligados ao ISEE, o indicador usado na Itália para medir a renda das famílias — basicamente, quem tem menos dinheiro receberia mais ajuda. A segunda é reduzir o preço da meranda escolar para quem tem menor poder aquisitivo, aliviando um custo que, conforme mencionado no artigo, já foi aumentado de 6 para 7 euros e representa uma carga acumulada importante ao longo do ano.

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